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DRAGÕES: GIRAFAS PRIMITIVAS

THE FIRST FOSSIL HUNTERS

Paleontology in Greek and Roman Times, by Adrienne Mayor

No livro “Os Primeiros Caçadores de Fósseis”, a autora Adrienne Mayor, clássica folclorista, compara referências de monstros com achados paleontológicos no Mar Mediterrâneo...

Nessa área, existem grande quantidade de ossadas do Terciário e Quartenário, incluindo mastodons, mamutes, elefantes extintos, rinocerontes, aintigos girafídeos, tigres dente-de-sabre, hienas gigantes, baleias e cavernas de ursos. Essas localidades, onde os fósseis foram encontrados estão listadas no apêndice do livro.

Depois de apresentar os mitos, Mayor discute uma área próximo ao Paquistão e a Índia, onde fósseis de gigantes girafas foram encontradas. O livro tem uma fotografia do esqueleto de uma dessas criaturas: Giraffokeryx, que pode representar o esqueleto de um dragão.

Mas será que os fósseis serviram mesmo de base para as criaturas míticas do passado?

A invenção dos dragões na China são baseados em espécies tais como Sivatherium, Giraffokeryx e outros – todos ascendentes da família dos girafídeos. Isso, certamente parece razoável depois de darmos uma breve olhada para estas figuras abaixo. Estas ideias não são inteiramente novas, mas ela é claramente a especialista no assunto, tendo reunido a mais completa mostra deste tema até hoje.

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Gregos e romanos podem ter criado seres mitológicos com base em fósseis
Daniel Hessel Teich – Revista Veja – Paleontologia. Edição 1 654 – 21/06/2000

Durante décadas, estudiosos de arte grega se intrigaram com um desenho pintado em um vaso coríntio de 2.500 anos, atualmente exposto no Museu de Belas Artes de Boston. Nele, o herói Hércules combate um monstro do mar que ameaça a cidade de Troia. O que os pesquisadores se perguntavam era como o autor da pintura pode ter feito uma aberração tão tosca, de estilo estranho, que enfeava as linhas elegantes das demais figuras, mesmo porque até os monstros gregos têm lá sua beleza.

A resposta pode ser totalmente inesperada: ao retratar a criatura esquisita, o artista poderia estar sendo extremamente fiel a sua fonte de inspiração, o crânio de um animal pré-histórico. Essa interpretação revolucionária é de um estudo realizado pela pesquisadora americana Adrienne Mayor, publicada no livro The First Fossil Hunters, lançado nos Estados Unidos. Ela comparou referências clássicas de monstros (em pinturas, mosaicos e textos) com achados paleontológicos em torno do Mar Mediterrâneo. As coincidências são notáveis.

A pista para chegar ao animal retratado no vaso coríntio estava em narrativas mitológicas milenares. Em um trecho da Ilíada, a poderosa epopeia escrita por Homero há 3.000 anos, Hércules salva Hesíone de ser sacrificada a um estranho monstro que assustava a cidade de Troia. O extraordinário ser brotado da terra junto à costa, logo depois de uma enchente. “O artista deve ter visto ou ouvido falar de um crânio pré-histórico na região descrita por Homero e associou-o ao monstro vencido por Hércules”, entende Adrienne Mayor.

Bastou vasculhar as peças recolhidas por paleontólogos especializados em fósseis mediterrâneos para encontrar a peça que se encaixava com precisão na teoria: o crânio de uma girafa gigante! O animal, cuja cabeça chegava a medir mais de 60 centímetros, extinguiu-se há 10.000 anos e seus restos fossilizados são abundantes.

Um caminho similar foi percorrido para chegar à origem fóssil do grifo, quimera que guardava as minas de ouro nos confins da Ásia. Esse animal fabuloso, com cabeça de ave de rapina e corpo de leão, fazia ninhos no solo e cuidava da prole de monstrinhos com o empenho de um passarinho. Apesar da descrição detalhada, não há relato na Antiguidade de alguém que tenha de fato visto o bicho vivo.

Usando as ferramentas da moderna Paleontologia, a pesquisadora americana ligou o ser mitológico aos restos de um tipo de dinossauro, o Protoceratops, comuns no Deserto de Gobi. Localizada na atual Mongólia, a região situa-se exatamente no local que a cultura greco-romana considerava os confins da Ásia.

Muitos desses animais extintos há 65 milhões de anos morreram em posições pouco usuais, surpreendidos e soterrados por tempestades de areia. O solo arenoso do deserto faz com que os fósseis venham à tona com relativa facilidade, ao mesmo tempo que oferece imagens de grande impacto. “Como os modernos paleontólogos, os povos antigos devem ter observado os ossos e tentado adivinhar a que tipo de animal poderiam ter pertencido”, escreve Mayor. “É natural que tenham remontado o quebra-cabeça usando como referência animais que conheciam. Daí a mistura de leão e águia.”

Sabe-se desde o século XIX que ossos fossilizados faziam parte da vida na Antiguidade – e também que cada povo tenta interpretar as descobertas segundo as próprias crenças. O fundador da moderna paleontologia, o francês Georges Cuvier, ao escrever no início do século XIX sobre a evidência de animais extintos, imaginou tratar-se de espécies afogadas pelo dilúvio bíblico.

Setenta anos depois, na escavação das ruínas de Troia, o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann identificou em meio a joias fabulosas as vértebras de animais gigantes extintos havia mais de 8 milhões de anos. “O local onde hoje está o Mar Mediterrâneo foi um grande corredor migratório de mamíferos gigantes há 15 milhões de anos”, explica a professora de antropologia biológica da Universidade de Bristol, Kate Robson Brown. “De tempos em tempos a atividade vulcânica, os terremotos e as colisões das placas tectônicas acabam expondo os fósseis.”

É natural que os povos que habitaram essa região na Antiguidade topassem com os vestígios dessas criaturas. Em sua pesquisa, Adrienne Mayor encontrou evidências de que durante dez séculos, a partir do V a.C., a civilização greco-romana empenhou-se numa verdadeira corrida por sinais pré-históricos. Eram considerados provas materiais das batalhas dos gigantes e heróis clássicos. Ricaços conservavam os achados como preciosidades, junto com ouro e joias. O poderoso Adriano, que reinou no século II, venerava ossos que julgava serem do gigante Ajax e os guardou num mausoléu especialmente construído na Ásia Menor. O imperador Augusto, por sua vez, ergueu um museu para expor sua coleção de fósseis na Ilha de Capri.
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Não mudando de assunto, mas de escritor, outro livro muito interessante:

Autor: Jorge Luis Borges (1899-1986) e Margarita Guerrero | Ilustração:
Título original em espanhol: “El libro de los seres imaginarios” | Editora: Emece Editores, 1968
Nota: Fundação Internacional Jorge Luis Borges (www.fundacionborges.com)
— Título em português: O LIVRO DOS SERES IMAGINÁRIOS
ISBN: 8535911227 | ISBN-13: 9788535911220 | Tradução: Heloisa Jahn
Editora: Globo, 8ª Edição, 2000 | Nº de páginas: 208
Editora: Companhia das Letras, 1ª Edição, 2007 | Nº de páginas: 224
Segmento: Literatura Estrangeira – Literatura Latino-Americana
Tipo de capa: Brochura | Formato: 14 x 21 cm.
Estado de conservação: | Preço sugerido: R$ ,00 | Descrição:

O escritor argentino Borges, também é autor de Manual de zoología fantástica (México, 1957) e La Biblioteca de Babel (1962), é um dicionário com um punhado de definições de criaturas que nunca existiram materialmente... Também um álbum de serigrafias constituído por letras ampliadas que remetem aos alfabetos ilustrados.

A imagem abaixo mostra trecho de pintura do “Jardim do Éden”, parte da obra-prima onde a girafa foi pintada – retábulo lateral esquerdo da obra “O Jardim das Delícias”, pintado na década de 1510, por Hieronymus Bosch.

A influência da mitologia oriental no registro de seres fantásticos não foi menos rica ou fascinante. Pelo contrário, fundiu-se ao imaginário europeu com grande força. Isso é notado claramente na obra de Borges. O autor mescla referências gregas e latinas com as orientais (como o budismo), até a literatura, o folclore europeu ou os monstros ameaçadores de tradições latino-americanas indígenas. Trata-se de uma visão literária sobre um moderno bestiário, rica em referências. Sem poder se ignorar o fato de ser um texto de Borges, o grande expoente da literatura fantástica, capaz de fazer demonstrações únicas sobre o estranho, o mágico.

É um bestiário fantástico que contém a descrição de 116 monstros que povoam as mitologias e as religiões de todo o mundo, ou são obras da imaginação literária de autores como Homero, Shakespeare, Flaubert e Kafka, ou ainda criações famosas da invenção humana, como os elfos, os gnomos e as fadas. A partir de comentários dos autores clássicos, das revelações de místicos e dos sonhos de escritores e poetas, os autores recriam uma fauna fantástica e infunde nova vida a relatos esquecidos.

Ordenados alfabeticamente, como nas enciclopédias que tanto fascinavam Borges, desfilam diante do leitor os estranhos seres deste “manual de zoologia fantástica” (título da 1ª edição desta obra, que saiu em 1957), sustentados pela complexa erudição borgiana, avalizada por seu domínio tanto das línguas clássicas como das modernas. Com frequência, ele mergulha na etimologia para explicar animais exóticos como o cabisbaixo búfalo negro com cabeça de porco “catóblepa” (o que olha para baixo) e o da serpente de duas cabeças “anfibesna” (que vai em duas direções), ou mais familiares, como as valquírias (aquelas que escolhem os mortos) ou as fadas (do latim fatum, destino), entidades que intervêm nos assuntos dos homens.

Mas a erudição não está a serviço da sisudez de um tratado acadêmico; ao contrário, contribui para o tom lúdico e bem humorado do livro. O próprio Borges diz no seu prólogo que gostaria que “os curiosos o frequentassem como quem brinca com as formas cambiantes reveladas por um caleidoscópio”. E nessa brincadeira, ele faz uma homenagem à imaginação infinita dos homens, capaz de criar os seres mais curiosos e absurdos como sereias, unicórnios, centauros, hidras e dragões – e eventualmente acreditar neles...

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Última atualização: 19/11/2009.
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