Publicado no Jornal do Brasil, em 09/05/81, Carlos Drummond de Andrade escreve um texto intitulado: “A solidão do Girafo”. O tema é a necessidade de se enviar a girafa macho (Raio de Luz), do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro para o Jardim Zoológico de Brasília porque ele precisa de uma companheira e a única fêmea disponível se encontra lá.
Título: Rick e a Girafa – Para Gostar de Ler Junior
Editora: Editora Ática, 2001. São 29 histórias reunidas pelo autor que nos convida
a ver o mundo como ele vê: com olhos de criança, de poeta e de observador atento
aos acontecimentos do dia-a-dia. Trata-se da história de um garoto chamado Rick
que acalenta o sonho de viajar o mundo montado em uma girafa.
Teste da FUVEST-SP – Leia o seguinte texto:
“Mas a girafa era uma virgem de tranças recém-cortadas. Com a tola inocência
do que é grande e leve e sem culpa. A mulher do casaco marrom desviou os olhos,
doente, doente. Sem conseguir – diante da aérea girafa pousada, diante daquele
silencioso pássaro sem asas – sem conseguir encontrar dentro de si ponto pior
de sua doença, o ponto mais doente, o ponto de ódio, ela que fora ao Jardim
Zoológico para adoecer. Mas não diante da girafa, que era mais paisagem do que
ente. Não diante daquela carne que se distraíra em altura e distância, a girafa
quase verde. Procurou outros animais, tentava aprender com eles a odiar. O hipopótamo,
o hipopótamo úmido. O rolo roliço de carne, carne redonda e muda esperando outra
carne roliça e muda. Não. Pois havia tal amor humilde em se manter apenas carne,
tal doce martírio em não saber pensar.” (Clarice Lispector)
Destaque do texto dois adjetivos diferentes que, referindo-se respectivamente
à girafa e ao hipopótamo, expressem a mesma idéia. Qual é essa idéia?
Resposta: Os adjetivos são silencioso em “silencioso pássaro” e muda em “carne
redonda e muda”. Esses adjetivos sugerem idéia de recolhimento e, ao mesmo tempo,
de paz interior.
Em uma enigmática sentença de sua visita ao Zoológico, após contemplar toda a cômica variedade, o escritor brinca de adivinhar o senso lúdico na criação dos animais que ornamentam a terra: “O cômico no avestruz: tão cavalar e incozinhável...”; “O macaco: homem desregulado. O homem: vice-versa; ou idem”; “O dromedário apesar-de. O camelo além-de. A girafa, sobretudo”. Ave Palavra, 2a. ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1978, pp. 94 e ss.
“Giros de Gesa” (regitro@EDA_RJ/BR,1992), em 24/01/2007 (Lit. Infantil)
Gira a girafa Gesa
em volta do abacateiro.
Mascando folhas ela gira.
Quantos giros gira Gesa?
Os giros de Gesa são lentos,
Gesa gira como o girassol.
Os ponteiros também giram
marcando o giro de Gesa
em volta do abacateiro
alto, quieto, mudo…
verde e inexpressivo abacateiro.
Gesa a girafa gira,
Come folhas, passa o tempo.
Gira Gesa! Masca Gesa!
que o tempo passa mas não para,
em volta do abacateiro.
Poesia recebida em 06/09/2007: Girafa. Sergio, Gostei muito do seu Site, por isso te envio a “Gesa” para sua coleção (http://macviegas.wordpress.com/2007/01/). Um abraço, Concy – Conceição Machado (macviegas@hotmail.com).
18/04/2005 – Anna (Annalofacanha@aol.com). Poema girafa. Caro Sérgio, Cheguei ao seu site por puro acaso, durante a busca de imagens usando palavra-chave “estanho”... e como gosto de girafas entrei para ver as imagens de girafas feitas de metal. Estou mandando em anexo um clássico da poesia russa, de Nikolai Gumilev (que dedicou este belo poema a sua mulher, Anna Akhmatova) na versão original (idioma russo) e em inglês. Espero que goste...
“Жираф / Giraffe”, by Nikolai Gumilev
(use o mouse sobre os versos para a tradução)
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Matilde Rosa Araújo
http://www.minerva.uevora.pt/aproximar/poesia/indice.html
Presente
A girafa deu
ao seu
marido
no dia
de Natal
um lenço
colorido
de seda natural.
Que alegria!
– disse o marido –
ponha a pata
nesta pata,
com um pescoço
tão comprido
você não podia
ter-me comprado
uma gravata.
A Girafa
A girafa,
girafa gira,
gira girafa girou
que de tão gira
a girafa
com este nome ficou!...
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“Giravaldo e Girafélia”, crônica de Pedro Abarca para Girafamania, em 30/05/2004
No meio de uma pradaria africana, entre dois grupos de girafas que se cruzaram, duas passaram distraidamente uma pela outra. De repente, metros adiante, estancaram.
Seus longos pescoços giraram cento e oitenta graus, os olhos cravaram-se. Seus corações bateram forte e descompassadamente. Num átimo, compreenderam ter encontrado a metade da girafa que lhes faltava.
A partir daquele momento mágico, Giravaldo e Girafélia, sempre de pescoços dados, passaram a trotear juntos pela mata. Seus cérebros girafáticos projetaram uma feliz vida em comum. Entre outras coisas, um casal de girafinhas passou a fazer parte de seus planos.
Tudo caminhava bem, quando certo dia um grupo de caçadores, invadindo a pradaria levou diversas girafas para países longínquos, entre elas Girafélia. Sem a companheira, Giravaldo entrou em depressão e deu-se à bebida, tornou-se um giralcoólico.
Somente com muita dedicação a A.G.A. – Associação das Girafas Alcoólatras – conseguiu reverter seu quadro. No entanto, a tristeza jamais abandonaria o desditoso girafo.
Por seu lado, Girafélia, num grande circo, fazia uma série de números: subia e descia escadas, rodava bambolê no pescoço e outros tantos que lhe ensinaram. Anos se passaram. Girafélia, agora já velha, deixara de fazer o exigido.
Em seu giro pelo continente africano, como algo descartável e sem valia alguma, a velha Girafélia foi deixada numa reserva ecológica pelos homens do circo. Meses antes, Giravaldo tivera o mesmo destino. Encontraram-se.
Seus olhos cansados cravaram-se, reconheceram-se. Seus corações voltaram a bater, não com o mesmo ímpeto de outrora, agora mais devagarinho. Mas, de todas as formas, a vida acabou por lhes proporcionar a tão ensejada união.
LITERWAY – http://www.literway.com.br/
Girafas desenhadas por Pedro Abarca, para ilustrar a crônica (06/2004).
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“A voz da girafa” – poesia publicada na Usina de Letras (http://www.usinadeletras.com.br/), em 21/10/2000, por Cristina Bastos:
A girafa
não fala
tem o pescoço
tão longo
que quando a voz
vai chegando
questiona:
Vale a pena
o esforço?
E escorrega
de volta
para o silêncio
charmoso.
“A girafa” – poesia publicada na Usina de Letras (http://www.usinadeletras.com.br/), em 30/01/2000, por Jefferson Carvalho (bsbab345@zaz.com.br).
Um pescoço comprido,
Só ela é que tem.
Esse ser de todos é conhecido,
Pois não faz mal a ninguém.
É a girafa toda garbosa
Na relva a andar.
É mesmo toda morosa,
Pois suas pernas não lhe deixam apressar.
Do alto das árvores, colhe seu alimento.
Ramos e folhas é sua refeição
Que recolhe lá do firmamento
Com aquele pescoço grandão.
Última atualização: 17/05/2008. |