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GIRAFAS EM CONTOS, CRÔNICAS E POESIAS


“Giros de Gesa” (regitro@EDA_RJ/BR,1992), em 24/01/2007 (Lit. Infantil)

Gira a girafa Gesa
em volta do abacateiro.
Mascando folhas ela gira.
Quantos giros gira Gesa?
Os giros de Gesa são lentos,
Gesa gira como o girassol.
Os ponteiros também giram
marcando o giro de Gesa
em volta do abacateiro
alto, quieto, mudo…
verde e inexpressivo abacateiro.
Gesa a girafa gira,
Come folhas, passa o tempo.
Gira Gesa! Masca Gesa!
que o tempo passa mas não para,
em volta do abacateiro.

Poesia recebida em 06/09/2007: Girafa. Sergio, Gostei muito do seu Site, por isso te envio a “Gesa” para sua coleção (http://macviegas.wordpress.com/2007/01/). Um abraço, Concy – Conceição Machado (macviegas@hotmail.com).


18/04/2005 – Anna (Annalofacanha@aol.com). Poema girafa. Caro Sérgio, Cheguei ao seu site por puro acaso, durante a busca de imagens usando palavra-chave “estanho”... e como gosto de girafas entrei para ver as imagens de girafas feitas de metal. Estou mandando em anexo um clássico da poesia russa, de Nikolai Gumilev (que dedicou este belo poema a sua mulher, Anna Akhmatova) na versão original (idioma russo) e em inglês. Espero que goste...

“Жираф / Giraffe”, by Nikolai Gumilev

(use o mouse sobre os versos para a tradução)

Hoje, eu vejo, seu semblante especialmente triste, E seus braços, segurando seus joelhos, especialmente finos. Ouça: longe, longe no lago de Chade Caminha uma girafa gentil. Girafa Caminha uma girafa gentil. Você está chorando? Ouça... Longe no lago de Chade Ela mostra sua elegância, graça e alegria, E sua pele adornada com um desenho mágico, Da qual o luar sozinho, reluz e dança, No grande lago, enfrenta sem medo o rival. De longe reluzem o colorido das velas de um navio, E seu andar é suave como o vôo de um pássaro. Eu sei que a Terra será testemunha de várias maravilhas, Quando, no pôr do sol, ela se esconde na gruta de mármore. Eu poderia dizer histórias felizes de terras misteriosas De um negro solteiro, a paixão de um jovem chefe, Mas por muito tempo você tem respirado o pesado orvalho, Você não acreditará em nada, porém a chuva. E como eu posso lhe falar sobre um jardim tropical, Altas palmeiras, o perfume inimaginável das ervas...
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Matilde Rosa Araújo (Lisboa 1921-) pedagoga, escritora e poeta
www.minerva.uevora.pt/aproximar/poesia/indice.html

Presente
A girafa deu
ao seu
marido
no dia
de Natal
um lenço
colorido
de seda natural.
Que alegria!
– disse o marido –
ponha a pata
nesta pata,
com um pescoço
tão comprido
você não podia
ter-me comprado
uma gravata.

A Girafa
A girafa,
girafa gira,
gira girafa girou
que de tão gira
a girafa
com este nome ficou!...


by Zoológico de Valência

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“Giravaldo e Girafélia”, crônica de Pedro Abarca para Girafamania, em 30/05/2004

No meio de uma pradaria africana, entre dois grupos de girafas que se cruzaram, duas passaram distraidamente uma pela outra. De repente, metros adiante, estancaram.

Seus longos pescoços giraram cento e oitenta graus, os olhos cravaram-se. Seus corações bateram forte e descompassadamente. Num átimo, compreenderam ter encontrado a metade da girafa que lhes faltava.

A partir daquele momento mágico, Giravaldo e Girafélia, sempre de pescoços dados, passaram a trotear juntos pela mata. Seus cérebros girafáticos projetaram uma feliz vida em comum. Entre outras coisas, um casal de girafinhas passou a fazer parte de seus planos.

Tudo caminhava bem, quando certo dia um grupo de caçadores, invadindo a pradaria levou diversas girafas para países longínquos, entre elas Girafélia. Sem a companheira, Giravaldo entrou em depressão e deu-se à bebida, tornou-se um giralcoólico.

Somente com muita dedicação a A.G.A. – Associação das Girafas Alcoólatras – conseguiu reverter seu quadro. No entanto, a tristeza jamais abandonaria o desditoso girafo.

Por seu lado, Girafélia, num grande circo, fazia uma série de números: subia e descia escadas, rodava bambolê no pescoço e outros tantos que lhe ensinaram. Anos se passaram. Girafélia, agora já velha, deixara de fazer o exigido.

Em seu giro pelo continente africano, como algo descartável e sem valia alguma, a velha Girafélia foi deixada numa reserva ecológica pelos homens do circo. Meses antes, Giravaldo tivera o mesmo destino. Encontraram-se.

Seus olhos cansados cravaram-se, reconheceram-se. Seus corações voltaram a bater, não com o mesmo ímpeto de outrora, agora mais devagarinho. Mas, de todas as formas, a vida acabou por lhes proporcionar a tão ensejada união.

LITERWAY – www.literway.com.br

Girafas desenhadas por Pedro Abarca, para ilustrar a crônica (06/2004).

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“A voz da girafa” – poesia publicada na Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br), em 21/10/2000, por Cristina Bastos:

A girafa
não fala
tem o pescoço
tão longo
que quando a voz
vai chegando
questiona:
Vale a pena
o esforço?
E escorrega
de volta
para o silêncio
charmoso.


“A girafa” – poesia publicada na Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br), em 30/01/2000, por Jefferson Carvalho (bsbab345@zaz.com.br).

Um pescoço comprido,
Só ela é que tem.
Esse ser de todos é conhecido,
Pois não faz mal a ninguém.

É a girafa toda garbosa
Na relva a andar.
É mesmo toda morosa,
Pois suas pernas não lhe deixam apressar.

Do alto das árvores, colhe seu alimento.
Ramos e folhas é sua refeição
Que recolhe lá do firmamento
Com aquele pescoço grandão.


Autor: Múcio Scervola Lopes Teixeira (1857-1926)
Pseudônimo: Múcio Teixeira, Barão de Ergonte, Manfredo, Felício Fortuna & cia.
Título: O GIRAFA (1895)
Editora: Tip. de O Mercantil, Porto Alegre – Rio Grande do Sul (RS)
Descrição Física: Edição princeps, 2ª tir. 110 p. ; 16 cm.
Assunto: Literatura Rio-grandense, Poesia Rio-grandense, século XIX
Fonte do autor: Afrânio Coutinho; J. Galante de Sousa. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global; RJ: Fundação Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, 2001 (2v).
Descrição: Sátira em prosa e verso
Fonte: Biblioteca Digital de Literatura (www.sidie.inf.ufsc.br/bdnupill/index.html)
Notas: “O alvo do poema era o jornalista Germano Hasslocher”. As 60 páginas iniciais são em prosa, que o autor intitulou “Questão preliminar”.

Múcio Scevola Lopes Teixeira (1857-1926) foi um escritor, jornalista, diplomata e poeta brasileiro. Era cônsul do Brasil na Venezuela em 1889, quando da Proclamação da República. Em 1896 mudou-se para a Bahia, onde tornou-se amigo da família de Castro Alves. Maçom, em 1898 fundou a Grande Oriente do Rio Grande do Sul, junto com Luís Afonso de Azambuja e João Pereira Maciel Sobrinho, separando a maçonaria rio-grandense da maçonaria do Rio de Janeiro. Em 1899 passou a residir no Rio de Janeiro com a esposa e seus seis filhos (entre eles, Múcio Teixeira Júnior que, em 1913, foi morar em Campo Grande, onde foi proprietário do Ateneu Rui Barbosa, tradicional colégio da época). Em 1901 teceu severas críticas, no Jornal do Brasil, às recém lançadas Poesias Completas de Machado de Assis. Ao saber da morte de Vitor Hugo, organizou uma obra em sua homenagem, a Hugonianas, coleção de alguns de seus poemas traduzidos para a língua portuguesa. Nos seus últimos anos, dedicando-se ao ocultismo, escreveu sob o pseudônimo Barão Ergonte. Fonte: (www.revista.agulha.nom.br/rmarcelo4.html)

Germano Hasslocher (1862-1911) foi um advogado, jurista, político e jornalista brasileiro. Inicialmente filiado ao Partido Liberal, defendeu no jornal A Reforma a federalização do país. Durante a Revolução Federalista mudou de partido, passando para o Partido Republicano Riograndense. Após a Proclamação da República, entrou em conflito com Júlio de Castilhos e o PRR, desgostoso com os rumos da Revolução Federalista de 1893, sobre isso publicou A Verdade sobre a revolução. Adotava uma postura anticlerical, acompanhando Gaspar Silveira Martins na luta pela liberdade de culto e de pensamento. Mesmo filiando-se ao PRR, por anos continuou desafiando a Igreja Católica, na figura do bispo Dom Cláudio Ponce de Leão. Trabalhou também no jornal Gazeta da Tarde de Porto Alegre, onde foi redator e no Jornal do Commercio. Em 1911 foi solicitado a colaborar na redação do novo Código Penal, pelo então Presidente Hermes da Fonseca. Em viagem à Europa, onde buscava experiências que pudessem ajudar no caso brasileiro, veio a falecer subitamente em Milão. Fonte: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Germano_Hasslocher)

Soneto Satírico, selecionado por Elson Fróes (www.elsonfroes.com.br) que, sobre um jornalista venal, versejou o bruxo gaúcho Múcio Teixeira:

“O GIRAFA”

Borrar papel, Girafa!, é teu fadário,
Contra a honra de toda a gente séria;
Oh! alma pustulenta e deletéria...
Oh! ente nauseabundo e salafrário!

Ontem... entre os rebeldes, mercenário,
Hoje... parece mesmo uma pilhéria!
Qual vende o leito crapulosa Impéria,
A pena alugas por qualquer salário.

Jornaleiro metido a jornalista,
Dos vícios teus a criminosa lista
Verás aqui... e para além te empurro!

Por andares na berra, estás na barra;
Pois hoje a Musa em teu focinho escarra,
“Doutor na asneira, na ciência burro!”


Nota: Ainda não tive a oportunidade de ler esta obra... portanto não sei se ela está relacionada com a minha temática...

Autor: Celso Luiz Paulini (1929-1992) | Ilustração: n/c
— Título: O GERIFALTO
“O Gerifalto” (1963), “O Gerifalto – primus et secundus” (1979) e “O Gerifalto – Poesia completa” (2001)
ISBN: 9788588338012 | ISBN: 8588338017? | Idioma: Português | Editora: Azougue | Série/Coleção: Flor Azul 1
Ano da Obra – Copyright: 1963 | Edição: 1ª 1963 (não sei a Editora, será a Massao?), Azougue 2001 (Poesia Completa)
Segmento: Literatura Brasileira – Poesia Brasileira
Ficha Técnica – Tipo de capa: Brochura | Formato: cm. | Peso: 250g | Nº de páginas: 154
Estado de conservação: / Preço sugerido: R$ 26,00 / Descrição: A obra de 2001 inclui dados biográficos do autor.

Descrição: Embora seja mais conhecido como dramaturgo, principalmente pela sua parceria com Antonio Bivar na década de 1980, Celso Luiz Paulini era um poeta de mão cheia, autor de uma poesia refinada e de grande beleza, admirada por nomes como Rubens Rodrigues Torres Filho, Dora Ferreira da Silva e Antonio Fernando de Franceschi. Mas essa poesia permaneceu restrita a um pequeno público, consequência das edições quase caseiras de seus livros e da timidez do autor. Esta edição póstuma (2001), organizada por Sergio Cohn, traz pela primeira vez a público a sua poesia completa.

Celso Luiz Paulini nasceu em Jaú, no interior de São Paulo. Passou a maior parte da sua vida em São Paulo, onde se formou em Letras Clássicas pela USP. Dramaturgo, é autor de “Croquetes a Lord Byron”, “Coração na boca” e “Raposas do café” (esta última em parceria com Antonio Bivar), entre outras peças. Como poeta, participou da “Antologia dos novíssimos”, editada por Massao Ohno em 1961, e publicou três livros: “O Gerifalto” (1963), “O Gerifalto – primus et secundus” (1979) e “Vênus no telhado” (1988).

Abaixo, de O Gerifalto, 1963

O amor é nu. É forma e sobressalto.
No azul desta avenida verde-cana
Entre mulher e cão, um lobo e asfalto,
Um gerifalto passeia sua doidice.
A ebúrnea orelha abana. Dizem: “Ama”.
Ao gerifalto, pobre, falta-lhe a gama
Comum de converter a viva flama
Em menor chama: flerte de verão.
O pé então falseia. Nariz no chão.
Pela doce coluna vertebral
Um furacão assoma. Entra em coma.
O gerifalto morre. Já não ama.

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Última atualização: 27/04/2010.
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