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ESTRUTIOCULTURA

Existem cinco subespécies de avestruz:

1. Struthio camelus australis (Gurney, 1868), avestruz-austral, avestruz-comum ou avestruz-do-sul (Southern Ostrich) – encontrado na África Meridional: Angola (sul), África do Sul, Botsuana, Moçambique (talvez), Namíbia e Zimbábue.

2. Struthio camelus camelus (Linnaeus, 1758), avestruz-norte-africano ou avestruz-de-pescoço-vermelho (North African Ostrich ou Red-necked Ostrich) – encontrado da Etiópia, Egito, Sudão até o Senegal, Chade, Níger, República Centro-Africana, parte oriental da Mauritânia ao sul do Marrocos. Maior subespécie, com 2,74 metros (9 ft), 154 kg (340 lb).

3. Struthio camelus massaicus (Neumann, 1898), avestruz-masai (Masai Ostrich) – encontrado na África Oriental. Ocupa uma faixa entre o sul da Etiópia, o sul do Quênia, Tanzânia (leste) e Uganda. Durante a estação de acasalamento, o pescoço e as coxas do macho ficam laranja-rosado.

4. Struthio camelus molybdophanes (Reichenow, 1883), avestruz-da-somália ou avestruz-somali (Somali Ostrich) – encontrado no sul da Etiópia, norte do Quênia e Somália. Durante a estação do acasalamento, o pescoço e as coxas do macho ficam azuis. Sua faixa se sobrepôe com Struthio camelus massaicus no nordeste do Quênia. Algumas autoridades consideram o avestruz-somali uma outra espécie.

5. †Struthio camelus syriacus (Rothschild, 1919), avestruz-árabe ou avestruz-do-oriente-médio (Arabian Ostrich ou Middle Eastern Ostrich) – era encontrado no Oriente Médio; foi uma subespécie muito comum na Península Arábica, Síria e Iraque (Palestina e Pérsia), extinta por volta de 1960.

Resultantes das cinco subespécies de avestruzes, três são exploradas comercialmente e divididas em variedades:

AFRICAN BLACK (pescoço preto)
Struthio camelus (domesticus), variedade do cruzamento entre 3 subespécies: S.c. syriacus, S.c. camelus e S.c. australis
É a raça mais criada em todo o mundo. Ave domesticada, de menor porte. É um animal que possui vantagens em relação as demais raças: são mais dóceis e mais produtivos; precocidade, pois o início da reprodução está em torno de 18 meses; adaptabilidade a qualquer clima; grande área de couro e alta produção de plumas de excelente qualidade. Suas plumas são as mais bonitas e seu couro, marcado com muitos pontos (folícolos), é muito apreciado.

BLUE NECK (pescoço azul)
Variedade do cruzamento entre 3 subespécies: S.c. molybdophanes, S.c. australis e S.c. syriacus
Possui as seguintes características: é uma ave um pouco agressiva, com temperamento agitado o que dificulta o manejo; é um animal de médio a grande porte; inicia a reprodução em torno de quatro anos; adapta-se melhor ao clima tropical; quando adultos, os machos apresentam a pele com uma tonalidade azulada. A plumagem do macho é preta e branca e da fêmea cinza suave. Ideal para fornecimento de carne.

RED NECK (pescoço vermelho)
Variedade do cruzamento entre 2 subespécies: S.c. camelus e S.c. massaicus
Apresenta as seguintes características: temperamento muito mais agressivo; animal de grande porte; inicia a reprodução mais tarde que as demais raças; adaptando-se melhor ao clima árido; os machos adultos apresentam a pele com uma tonalidade avermelhada. Ave ideal para exploração de couro, devido ao seu porte (metragem quadrada), ou com finalidade ornamental.


Criação

O avestruz pode ser criado em diferentes condições climáticas. O avestruz começou a ser criado comercialmente na África do Sul, na metade do século passado, para produção de plumas que eram exportadas para a Europa e para os Estados Unidos.

No início do século XX (com a I e II Guerras Mundiais e a quebra da Bolsa dos EUA) houve um colapso desse mercado; por alguns anos a estrutiocultura ficou desprovida de interesse econômico.

Na década de 60 começou a desenvolver-se novamente graças à valorização de outros produtos do animal: a carne e o couro. Atualmente, a África do Sul tem o maior plantel no mundo. O segundo maior plantel está nos Estados Unidos, mas também Austrália, Israel, Canadá e outros países têm um número considerável de animais.

Produtividade

Cada ave chega ao peso apropriado para abate (100/120 kg) em um ano (12 meses de idade), esta é a idade ideal para o abate. Ele vai estar pesando aproximadamente 150 kg. Gerando 30 kg de carne, 1,2 m² de couro e 1,5 kg de penas.

O avestruz alcança o peso de abate (100 a 150 kg) por volta de 12 meses de idade. Nos Estados Unidos um animal abatido com 110/120 kg rende cerca de US$ 400 pela carne, US$ 250 pelo couro e US$ 100 dólares pelas plumas, totalizando US$ 750. Valor de um animal de 12 meses abatido (Dados Americanos):

Produto Quantidade/animal Valor em US $
Carne 30 – 40 kg 400
Couro 1,2 – 1,5 m² 250
Plumas 1-2 kg 100
TOTAL   750

O rendimento de carne por animal abatido é proporcionalmente baixo (30% do peso vivo) se comparado com o rendimento de bovinos, mas este fato é largamente compensado pela grande produção anual de filhotes. Enquanto uma vaca produz um bezerro por ano, que vai para o abate com 2 ou 3 anos, uma fêmea de avestruz produz em média 30 filhotes por ano, fornecendo de 800 a 1200 kg de carne por fêmea/ano.

Fêmea Gestação/incubação Tempo de engorda Abate anual Carne Couro Plumas
Bovino 9 meses 2-3 anos 1 bezerro 240 kg 3 m²  
Avestruz 42 dias 1 ano 30 aves 1000 kg 40 m² 40 kg

Estes resultados justificam o enorme sucesso que a estrutiocultura está encontrando em outros países: trata-se de um animal que gera em quantidade produtos de primeira qualidade com baixos custos de produção. Requer instalações simples e pode ocupar terras de baixa produtividade.

A granja

Os avestruzes são animais extremamente rústicos, necessitando de instalações simples. São formadas famílias com um macho e uma ou duas fêmeas colocados em piquetes de 1000 m², cercados de alambrado ou arame liso, com base de pasto resistente ao pisoteio ou terra batida. Os piquetes não necessitam de limpeza, não havendo problemas de mau cheiro ou eliminação de dejetos.

Os avestruzes observam uma temporada reprodutiva que, no nosso hemisfério, vai de setembro a março. Fora deste período machos e fêmeas ficam em piquetes separados.

Os animais alimentam-se de ração balanceada (1-2 kg/animal/dia) e pasto verde (2-5 kg/animal/dia).

Os filhotes de 0 a 3 meses requerem maiores cuidados: devem ficar abrigados da chuva e do frio, dormindo num galpão aquecido (com campânulas a gas, por exemplo). Esta estrutura também é muito simples: uma construção de alvenaria com piso em cimento rústico que se abre para um piquete externo. A partir de 4 meses podem ficar em estruturas semelhantes àquelas dos reprodutores.

Trata-se de animais que necessitam de espaço para crescerem fortes e saudáveis. Estamos diante de uma criação que leva em conta o conforto e bem estar dos animais, conforme as novas normas ISO 14.000.
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O mercado

Os três principais produtos para comércio são:

PLUMAS
Historicamente as plumas já vem sendo usadas como adorno pelas mulheres no século XIX e ainda são usadas na indústria da moda. O carnaval paulista e carioca são um dos maiores consumidores de plumas de avestruz do mundo, portanto um dos maiores mercados já se encontra aqui mesmo no Brasil. Os espanadores de pó também são feitos de plumas, só que de qualidade inferior. Outra utilização das plumas de avestruz, são os espanadores para a indústria eletrônica, por causa da característica anti-estática. É o produto mais conhecido no Brasil. O maior produtor é a África do Sul, o mercado consumidor está na Europa, Ásia e Américas, sendo o Brasil um dos maiores importadores, principalmente para o carnaval (adornos e fantasias) e confecção de espanadores.

COURO
O couro de avestruz é reconhecido pelas diversas saliências em sua superfície, que são os locais de inserção das penas no animal. É um couro extremamente resistente à rachaduras, ao ressecamento e ao endurecimento, devido à oleosidade natural da pele do avestruz. Pode ser usado na confecção de calçados, cintos, carteiras, bolsas, roupas e banco de automóveis. O couro proveniente do corpo do avestruz e pode atingir de 12 a 14 pés quadrados e o preço alcança US$ 40,00 por pé quadrado. Existe também o couro da perna do avestruz, também usado mas em menor escala, já que seu rendimento é bem menor e sua qualidade inferior devido esta ser uma área de maior contato com o meio externo, aumentando assim as possibilidades de defeitos por contusões. O couro do corpo, mais fino e típico, é usado para fazer bolsas e pastas, enquanto o couro quadriculado das pernas serve para calçados, pois imita o couro de crocodilo. É um outro produto muito interessante que vem encontrando grande aceitação no mercado internacional. Cada animal produz de 1,2 a 1,5 m² de couro de fácil curtimento, que aceita bem várias colorações. É naturalmente decorado por causa dos orifícios de inserção das plumas e vem sendo utilizado em substituição ao couro de répteis, como o crocodilo, para a confecção de bolsas, sapatos, carteiras, roupas, etc.

CARNE
A carne do avestruz, diferentemente do que as pessoas pensam, é vermelha, muito parecida com a carne bovina. É uma carne com baixo índice de gordura e colesterol, sendo indicada e utilizada no mundo inteiro para pacientes com problemas cardíacos e pessoas interessadas em ter uma alimentação saudável. Com o aparecimento da doença bovina “Vaca Louca” o consumo de carne de avestruz vem aumentando significativamente no mercado europeu, despertando o interesse de diversos produrores rurais para este mercado emergente. Um avestruz abatido em torno de 12 meses fornece cerca de 40 kg de carne. O preço no Brasil ainda está bastante artificial, sendo encontrada somente carne importada ao preço de R$ 60,00 / kg. É o produto que está dando maior impulso à estrutiocultura atualmente. Semelhante à carne de bovinos em termos de aspecto, sabor e textura, com a vantagem de ter baixos teores de colesterol e gorduras: sua composição é semelhante a das carnes brancas como frango ou peru.

Comparação entre os valores nutricionais de diferentes tipos de carne (por 85 g):

Carne de: Calorias (Kcal) Protídios (g) Lipídios (g) Colesterol (mg)
Bovino 240 23 15 77
Suino 275 24 19 84
Frango 140 27 3 73
Peru 135 25 3 59
Avestruz 97 22 2 58
Fonte: “Nutritive value of foods” U.S.D.A. – 1995

OUTROS PRODUTOS: OVOS VAZIOS – OVO ESCULPIDO
Ovos vazios são muito usados como decoração, podendo ser apresentados no seu estado natural, esculpidos e pintados. Um ovo de avestruz pode ter em torno de 20 cm de altura por 15 cm de largura, sendo considerado o maior ovo existente. A Brasil Ostrich, por exemplo, comercializa a quem se interessar, estes ovos vazios, bem como cacos dos ovos para artesanato e confecção de bijuterias. As cascas vazias dos ovos são vendidas como objetos de decoração; a gordura entra na preparação de cremes e pomadas, como base hipoalergênica; a carcaça pode entrar na composição de rações.
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HISTÓRICO DA CRIAÇÃO COMERCIAL DE AVESTRUZES

O avestruz, ave do grupo das ratitas originária da África, começou a ser criado na África do Sul no século passado. Pelo grande potencial econômico, a criação rapidamente se expandiu para outros países, como Austrália, Estados Unidos, Israel, Canadá, Itália e França.

A África do Sul é o berço mundial da criação comercial de avestruzes, iniciada na metade do século passado, com o objetivo inicial voltado para a produção de plumas. A reestruturação do mercado agroalimentar ocorrida nas últimas décadas, desencadeou mudanças nos hábitos de consumo da população, com crescente procura por produtos de alta qualidade nutricional.

No futuro próximo, estarão priorizados sistemas de produção de alimentos de origem animal, que tenham sido produzidos segundo o conceito de sustentabilidade. O interesse pela estrutiocultura, já enquadrada nos novos padrões de consumo, reativou-se nos últimos anos, demonstrando um excelente potencial de retorno econômico.

O “boom” que o mercado mundial de carnes, couros e plumas de avestruzes experimenta atualmente nos principais países da Europa, EUA e Austrália é reforçada pela interação de novos aspectos importantes:

– alternativa na produção de bens de qualidade para a agroindústria mundial;

– mercado alternativo à produção de carne vermelha sem a atual restrição sanitária que ocorre na União Europeia, abrindo excelentes perspectivas para os países potencialmente produtores, como o Brasil.

Fontes:
ACAB – Associação dos Criadores de Avestruzes do Brasil – www.acab.org.br
Amazon Ostrich – www.amazonostrich.com.br

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Última atualização: 15/02/2011.
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