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Pedro Martinelli nasceu em 01/01/1950 e começou no jornalismo como fotógrafo em A Gazeta Esportiva (1967). Passou pelo Diário do Grande ABC (1968-70) e O Globo (1970-75), quando cobriu a expedição de contato dos índios Kranhacãrore (hoje chamados Panará).
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Trabalhou depois em Veja (1976-83) e chefiou o Estúdio Abril (1983-94). Desde 1994, dedica-se à documentação da vida do homem da Amazônia, da qual resultou em livro.
Em 1970, quando o regime militar botou em marcha os primeiros acordes do chamado Plano de Integração Nacional e iniciou a construção de rodovias que cortariam a Floresta Amazônica, Pedro, então com 20 anos, foi escalado pelo jornal O Globo para cobrir a célebre expedição de “atração” dos chamados Kranhacãrore, os “índios gigantes”, na rota da abertura da rodovia Cuiabá-Santarém.
Foi sua pós-graduação de mato na Amazônia, tendo Cláudio Villas Bôas como mestre!
Durante três anos, aguardou pacientemente na rede, meses a fio, o desfecho da história. Descobriu quanto custa fazer uma documentação fotográfica profunda, numa região imensa, desconhecida e onde o que dá o ritmo (ainda) é a natureza...
Seus registros memoráveis do cerco aos Kranhacãrore viriam se completar somente 25 anos mais tarde, quando reencontrou os Panará – o verdadeiro nome da tribo – e pôde documentar o seu retorno ao que sobrou do território tradicional, depois do vendaval predatório das madeireiras, das empresas agropecuárias e dos garimpos que se instalaram na região dos afluentes da margem esquerda do médio Xingu, no rastro da estrada.
A esta altura, Pedro Martinelli já havia deixado o emprego fixo e estava andando por sua conta, sem a pressão das pautas de curto prazo e o jugo dos editores, para se dedicar prioritariamente à documentação do cotidiano do homem da Amazônia, do qual o livro Amazônia – O Povo das Águas é um primeiro fruto.
Pedro é um fotógrafo artesanal, que só utiliza câmeras mecânicas sem adereços, sempre depois de uma aproximação profundamente humana e alegre com as pessoas e comunidades protagonistas das histórias que está aprendendo para contar.
Beto Ricardo, companheiro de viagem – Instituto Socioambiental São Gabriel da Cachoeira, AM, agosto de 1999.
DOCUMENTANDO A EXTRAÇÃO
Estar na composição de um dos perfumes mais cobiçados do mundo, determinou, ao mesmo tempo, a fama e a quase extinção do pau-rosa, cujo nome científico é Aniba rosaeodora Ducke... Até hoje é da madeira desta árvore que é extraída a mais cobiçada substância da indústria de fragrâncias, o linalol, óleo que serve como matéria-prima para a fabricação do famoso perfume francês Chanel nº 5, criado na década de 20 pela estilista Gabrielle Chanel – mais conhecida como Coco Chanel.
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O perfume foi criado por Ernest Beaux, um dos maiores perfumistas de todos os tempos, a pedido de Coco Chanel. Ele é elaborado com uma mistura de sessenta fragrâncias. A árvore, que já foi encontrada em toda extensão da Floresta Amazônica, atualmente, existe apenas na região de Manaus e em certas áreas de difícil acesso. Além da redução na quantidade das plantas disponíveis para o corte, o linalol pertence à família das substâncias que não se fazem presentes facilmente...
Os cortadores de madeira precisam ir à locais cada vez mais longínquos para conseguirem obter milhares de unidades de pau-rosa, necessárias à produção de toneladas e toneladas de essência exportadas anualmente – para que sejam produzidas 50 toneladas desse óleo, é necessário o corte de cerca de duas mil árvores por ano...
Para cortar a árvore leva-se, em média, uma hora. A madeira, que exala um odor de rosa, é muito rija, principalmente perto do miolo. Depois, as toras de mais de 100 quilos são carregadas nas costas até o rio mais próximo. Dessa forma, serão transportadas até as usinas, que vão transformá-las num óleo chamado linalol.
O mesmo seguirá para Manaus e de lá para a Europa, o Japão e os Estados Unidos. Sujeito a tantos fatores, o produto passou a ser vendido a preço de ouro – cada quilo custa US$ 40 – e tantos impasses forçaram o questionamento sobre a viabilidade econômica e ecológica da sua utilização. Um dos maiores entraves para a continuidade de seu emprego, contudo, localiza-se na questão tecnológica.
De acordo com o Ibama, a extração de matéria-prima suficiente para produzir um tambor de 180 litros de linalol deveria ser compensada com o replantio de 80 mudas de pau-rosa. Porém isso não acontece, segundo o Ibama, porque as mudas são escassas e, consequentemente, caras. Outros problemas são a falta de técnicas de plantio e o longo período de maturação das plantas para corte – mais de 25 anos.
As dificuldades crescentes da extração acarretaram a decadência do negócio... Das cerca de 30 usinas que funcionavam no Amazonas, apenas 5 continuam em atividade. Uma delas, fotografada por Pedro Martinelli, fica em Parintins...
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Bodó é um tipo de cascudo, vive grudado em paus e pedras. Pequenino ainda, é exportado como peixe ornamental. Mas sua pesca é proibida pelo Ibama, por ser filhote de uma espécie comestível que chega a ter 1 quilo quando adulto.
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O caldo de bodó é uma iguaria clássica da Amazônia...
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Na foto de Pedro Martinelli podemos ver a Basílica de São Pedro, localizada na Cidade do Vaticano, sede da Igreja Católica.
O Vaticano é um Estado independente que ocupa uma área de 44 quilômetros, toda cercada por muros, no centro de Roma – a capital italiana. Aloja a maior igreja do mundo, que é a Basílica de São Pedro, e grandes tesouros culturais, entre eles as pinturas feitas por Michelangelo no teto da Capela Sistina.
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Última atualização: 14/10/2011. |