A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA


PICTORIALISMO E FOTOJORNALISMO

1855 — Patrocinado pelo governo inglês, ROGER FENTON, atendeu encomendas oficiais para registrar a Guerra da Criméia contra a Rússia (de 1853 a 1856, na Península do Mar Negro), onde fez muitas fotografias durante a primavera de 1855 – fotografou durante quatro meses. Para fazer seu trabalho, transforma uma carruagem puxada por cavalos em quarto escuro, onde revela as chapas. Ao todo, produz 360 fotografias. Realiza assim a primeira grande documentação de uma guerra e dá início ao FOTOJORNALISMO.

Dans du Hôtel des Invalides Musée de l’Armée – Paris, 2000

1854-1910 — Nesse período desenvolve-se o movimento denominado PICTORIALISMO, que se caracteriza por uma tentativa de aproximação da fotografia com a pintura. Para isso, os fotógrafos retocam e pintam as fotos, riscam os negativos ou embaçam as imagens.

Também empregam em suas obras composições e assuntos característicos da pintura. Seus temas são, em geral, paisagem, natureza-morta e retrato. Entre os grandes fotógrafos dessa fase está o francês FÉLIX NADAR, o primeiro a realizar fotos aéreas a partir de um balão, em 1858.

Apesar do preconceito de alguns pintores em relação à fotografia, vários se baseiam em fotos para pintar, como os franceses INGRES e DELACROIX e, posteriormente, muitos impressionistas.

1855 — ARCHER juntamente com PETER FRY inventou o processo de AMBRÓTIPO, processo que substituiu o COLÓDIOTIPO. (Ambrótipo da sra. William Blake, 1854.) O ambrótipo, variante do primeiro processo de Archer, era um positivo direto sobre vidro. Ele o obtinha com o branqueamento de um Matriz: negativo subexposto. Colocado sobre papel aveludado, entre molduras douradas, era um substituto barato para o daguerreótipo.

Em 1855 houve na Europa um aumento de galerias fotográficas considerável (66 galerias), dois anos mais tarde para 147.

1857 — GUSTAV OSCAR REJLANDER, trabalhou na Inglaterra em 1853 como retratista e fotógrafo de comportamento. Um expoente notável de revelação fracionada, sua fotografia mais famosa The two ways of life (Os dois caminhos da vida), foi feita em 1857 a partir de mais de 30 Matriz - negativos. Compôs nus e outros estudos para servirem de modelos a artistas plásticos. Fez fotos que ilustraram As expressões das emoções no homem e nos animais, de Charles Darwin, publicado em 1872.

Foto da mulher com o cachorro Château de Vincennes – Paris, 2000

1858 — Fotógrafo THOMAS SKAIFE constrói o "PISTOLGRAPH", uma máquina fotográfica instantânea cuja novidade o leva para a prisão quando aponta isto a Rainha Victoria.

1859 — NAPOLEÃO entra no estúdio de DISDÉRI e leva suas fotografias, isso atrai o público e torna-o famoso e rico.

La plus fotografada du mundo (8 inteiras, das coloridas em P/B, cada 10X15) Tour Eiffel – Paris, 2000

1859 — THOMAS SUTTON, editor da publicação "Notas Fotográficas", é o primeiro a desenvolver uma lente líquida panorâmica, mais conhecida pelo largo ângulo da lente fotográfica.

O reverendo CHARLES LUTWIDGE DOGSO, conhecido como LEWIS CARROL, nasceu em 27 de janeiro de 1832 em Daresbury, Cheshire.

Apaixonado por matemática, praticou como hobby a fotografia, conseguindo através de impecável composição entre os elementos gráficos que compõe a imagem, lugar de destaque entre os grandes fotógrafos do século XIX.

Carroll se especializou em dois tipos de fotografia: portraits de pessoas importantes da época (artistas, escritores, poetas, religiosos, cientistas, professores, atores e políticos) e crianças (pequenas garotas em sua maioria).

Estas fotografias foram tiradas ao longo de 24 anos, entre 1856 a 1880, sempre documentadas em seus diários. Suas obras, ainda que incluídas na corrente pictorialista, situavam-se em um âmbito visual mais direto e moderno.

Em 1859, tirou uma fotografia de uma menina com o fundo levemente desfocado, avançado para o conceito da época. Filho mais velho do Rev. Charles Dogson, ele publicou seu consagrado livro: Alice no País das Maravilhas, em 1865. Morreu em 14 de janeiro de 1898, na casa de sua irmã em Surrey.

As xícaras do chapeleiro maluco
Euro Disney, Fantasyland, Paris, 1996

MATHEW B. BRADY (Irlanda, norte-americano, 1823-1896). É um dos pioneiros da fotografia. Sua obra mais extensa é retratos de personagens célebres da época, como chefes militares, o presidente da nação, entre outros. Em 1861, fez a cobertura da Guerra Civil Americana e torna-se um dos primeiros fotojornalistas do mundo.

Quando a guerra civil começou nos Estados Unidos, o fotógrafo já era proprietário de vários estúdios, fotografando proeminentes cidadãos e reunindo as obras na chamada Galeria dos Americanos Ilustres. Não foi difícil obter autorização para fotografar o front com seus amigos do governo. Carroças foram adaptadas para serem seu laboratório, onde imediatamente após a tomada das imagens, as chapas eram reveladas. Era o processo de placas úmidas. Suas fotos se restringem aos limites dos campos de batalha, pois devido ao processo das placas úmidas, não era possível captar cenas de movimento e combate. Mas nem por isso suas fotos perdem o impacto do horror da guerra com cenários permeados de canhões, armas e feridos.

? Cimetière du Père Lachaise, Paris, 2000 - Foto: Albino Family. Albumen carte de visite, cerca de 1860.

1861 — JAMES CLARK MAXWELL, em 1861, a teoria tricromática ficou sendo chamada de Young-Helmholtz. Autor da teoria eletromagnética da luz, reproduziu pela primeira vez uma imagem em cores por síntese aditiva, inaugurando a aplicação prática dessa teoria. O processo partia do princípio de decomposição (seleção) da luz branca nas três cores-luz primárias através de três filtros coloridos, cada um deles possibilitando a obtenção de uma película monocromática contendo todas as variações de uma das cores primárias existentes no objeto fotografado.

ARCO DE LA DEFENSE – MODERNO E COLORIDO? L’Arche de la Fraternité, Le Grand Arche, La Defense, Paris, 2000
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PRIMEIROS PROFISSIONAIS

1862 — O profissionalismo foi levado à fotografia pelo escultor francês ANTHONY SAMUEL ADAM-SALOMON, em meados do século XIX. Trocou a pintura pela nova forma de expressão, por volta de 1862. Ele posicionava seus modelos sob uma luz lateral alta que, desde então, foi chamada de "ILUMINAÇÃO REMBRANDT". Ele os vestia com cortina aveludada para alcançar um efeito similar à pintura, e arrumava suas fotos em cartões azuis, impressos com a legenda "composta e fotografada pelo escultor ADAM-SALOMON". Mais tarde, levou essa tendência da Inglaterra para os Estados Unidos.

ALPHONSE DE LAMARTINE, que havia chamado a fotografia de "um plágio da natureza", confessou: "depois de admirar os retratos captados no estouro da luz solar por Adam-Salomon, o escultor emocional que desistiu da pintura, não poderíamos levar adiante o clamor de que a fotografia é um comércio - é uma arte, é mais que uma arte, é um fenômeno solar, no qual o artista participa graças ao sol".

Flamaeur du Paris? Bauconistes às margens du Seine, Paris, 2000

DAVID OCTAVIUS HILL, entrou para a história como um dos fotógrafos de retratos mais importantes. A ausência das cores era sentida por todos, especialmente por retratistas e retratados. Logo os daguerreótipos foram coloridos com pigmentos secos e os calótipos com aquarelas. (retrato pintado – talvez ampliar e cortar alguma foto)

TOMOTHY H. O'SULLIVA, em 1863, retratando a Guerra Civil Americana, realizou a fotografia "A colheita da morte".

? Cimetière du Père Lachaise, Paris, 2000

1869 — HENRY PEACH ROBINSON, inglês que plagiava a composição de quadros, converteu-se no luminar da fotografia. Cobrava altos preços e arrebatava prêmios atrás de prêmios. Escreveu um livro, em 1869, intitulado A fotografia pictórica. Seus títulos eram típicos: Pobre Joe, Tempos difíceis, Desvanecimento, Agonizando, Aí vem o papai, Amigos íntimos, Paisagem romântica, À beira do arroio, Fim de um dia de inverno, Beijo de orvalho, Dedos da manhã.

PICTORIALISTA; FOTO DO QUADRO A LIBERDADE Foto do quadro? São Paulo, Brasil, 2001

JEAN LAURENT, por volta de 1870, trabalhando em terras ibéricas, registrou um vendedor de relíquias e estampas. Realizou reportagens de monumentos, cidades e povoados espanhóis, dando especial atenção aos tipos humanos de cada lugar e aos costumes do país. Trabalhos desse tipo ganham imenso valor histórico e antropológico.

Algum vendedor do metro P/B Metro ... , Paris, 1996
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FOTOGRAFIA MODERNA

1871 — O médico britânico RICHARD LEACH MADDOX (04/08/1816 - 11/05/1902), à favor da saúde, já que o vapor do éter era maléfico, propôs um substituto para colódio úmido, uma "gelatina", também conhecida como "placa seca". Assim, cria a primeira chapa usando gelatina com sais de prata, para manter o brometo de prata no lugar. Denominadas: chapas secas, substituiu o colódio úmido. Fabricadas em larga escala a partir de 1878, marcam o início da fotografia moderna. A grande vantagem em relação ao colódio úmido é que os fotógrafos podem comprar as chapas já sensibilizadas quimicamente, em vez de ter que prepará-las antes de sua exposição.

Em 1902, ele recebeu uma medalha de "progresso" da Royal Photographic Society, que conduziram as invenções relativas à placas secas a fundação de indústrias de filme. No entanto sua técnica era livre e nunca chegou a patenteá-la, isto o fez morrer na pobreza.

1873 — HERMANN WILHELM VOGEL (1834-1898) aumenta a sensibilidade espectral de emulsões fotográficas somando soluções de tinturas, que ajudariam a reagir com a luz verde, ótimo para a retratação de paisagens. Isto fez com que chapas fotográficas fossem sensíveis ao espectro.

1873 — um disco com base no daguerreótipo é inventado no Observatório Astrophysical de Meudon, França, por PIERRE JULES CESAR JANSSEN, para fotografar o movimento das estrelas.

JULIA MARGARET CAMERON (England, India-Britânica, 1815-1879). Começou a fotografar com 48 anos. Muito admirada por seus close-ups penetrantes, os quais buscavam revelar a personalidade única de cada modelo. Ela criou românticas alegorias fotográficas de cenas e personagens históricos e bíblicos, também realizou ilustrações para Idylls of the King, de Tennyson, publicado em 1875. A família, os amigos e funcionários eram freqüentemente convocados para servirem de modelos, trajados como a Virgem Maria ou Jesus Cristo, Rei Arthur ou Merlin. Ela foi uma das mais importantes fotógrafas com expressão pessoal da Inglaterra vitoriana. Julia Margaret Cameron fotografou Charles Darwin em 1868. On mount: blindstamp of Messrs. Colnaghi (Mrs. Cameron's printsellers) and a facsimile inscription in Darwin's hand, "I like this Photograph very much better than any other which has been taken of me. Ch. Darwin" Darwin and his family went to Freshwater, Isle of Wight (http://www.photographymuseum.com/wight.html), for a long summer holiday in 1868.

Monalisa dans chez moi - São Paulo, Brasil, 2001

1877 ou 1878 — O fotógrafo inglês-americano EADWEARD MUYBRIDGE (Inglaterra, 09/04/1830 - 08/05/1904), tornou-se famoso pelos seus estudos de movimento. Elaborou reconhecidos estudos da motricidade animal e humana, das quais se destaca o movimento de um cavalo galopando. Usou uma bateria de 12 ou 24? máquinas fotográficas, juntas umas das outras, de forma a conseguir registrar o ciclo desse cavalo correndo para Leland Stanford, em todas as fases de seu movimento. As fotos tornaram-se imagens em movimento pela primeira vez.

1878 – publica "The horse in motion". Ele vai inventar o "Zoogyroscope" (projetor) que se tornou "Zoopraxograph" e então o Zoopraxiscope, uma sensação à "World's Columbian Exposition of 1893", em Chicago. Também realizou um extenso arquivo do lejano ocidente Norte-americano e das ruínas indígenas Centro-americanas.

Foto da mulher na chuva - Ile de la Cité, Paris, 2000

1880 — Publicação da primeira fotografia pela imprensa, na capa do jornal DAILY HERALD (Daily Harold), de Nova York - Estados Unidos. Mas somente no início do século XX o uso de fotografias nos jornais e revistas torna-se comum.

RODOLPHO FREDERICO FRANCISCO LINDEMANN, 1880, foi um francês que retratou a raça negra.

Retratos de tipos negros. P/B Metro ... , Paris, 1996

1882 — O francês APHONSE BERTILLON inventa o sistema de identificação de criminosos através da ampliação fotográfica das impressões digitais.

1882 — Esforçando-se para capturar os detalhes minuciosos de movimento, JULESS ETIENNE MAREY, um fisiólogo francês, desenvolve o photographique de fusil, ou pistola fotográfica que pode tirar 12 fotos sucessivas por segundo.

1888 — Físico alemão WILHELM HALLWACHS notou que certas substâncias emitem elétrons quando expostas à luz. Hallwachs demonstrou a possibilidade de usar células fotoelétricas em máquinas fotográficas. Esta propriedade chamada "photoemission" era aplicado na criação de imagem permitindo, mais tarde, a criação da máquina fotográfica de televisão eletrônica.

PETER HENRY EMERSON, publicou Naturalistic Photography, um artigo que defendia a fotografia inspirada na pintura impressionista. Pouco tempo depois, publicou outro no qual rejeitava tudo o que havia defendido e propunha uma fotografia objetiva, sem retoques, nem manipulações de qualquer espécie. Tal polêmica estava relançada e, logo, iria desembocar no modernismo. Em 1888, fotografou um homem de costas arando a terra com um carro de bois. Naturalista, essa fotografia é testemunha de que a única imagem fotográfica legítima deve corresponder ao que o olho vê.

Foto dos homens trabalhando no mangue Monte Saint Michel, 2000

1888 — normalmente cansado do sistema de prato de vidro de difícil controle usado no trabalho dele, o fotógrafo JOHN CARBUTT, comissiona um fabricante de celulóide para lhe proporcionar folhas magras, cobertas com emulsão que rolará por uma máquina fotográfica.

Este mesmo ano, George Eastman comercializará um filme fotográfico em rolos...

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Última atualização: 17/04/2006.
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