O PRINCÍPIO DE TUDO
500 a.C. — Filósofos gregos e chineses descrevem os princípios da óptica.
330 a.C. Grécia — ARISTÓTELES (384 a.C/322 a.C). Descreve o princípio da câmera obscura – criação da imagem através de um orifício.
ÓPTICA
A ciência óptica é antiga – a formação de imagens por câmeras "furo de agulha" (PINHOLE) foi mencionada por Aristóteles em 350 a.C. e, cerca de cinqüenta anos depois, Euclides publicou um tratado óptico que continha a primeira construção conhecida de uma imagem por meios geométricos. No segundo século de nossa era, Ptolomeu publicou tabelas que mostram os índices de curva da luz numa interface ar/água. Embora lentes individuais pudessem ter sido construídas e utilizadas para formação de imagem, como uma ajuda prévia à visão, isto não aconteceu até o século XVI, quando este saber foi utilizado para a confecção de microscópios e telescópios, e não foi antes do final deste mesmo século que surgiram as leis de como administrar uma combinação de lentes, descobertas por Kepler.
Adão no Frigidarium Galo-Romano, Musée de Cluny – Paris, 1996.
Matriz: negativo p&b. Monocromia.
Papel KODAK metálico, 20 X 25 cm
Coleção do artista
180 — Inventor TING HUAN aperfeiçoa um dispositivo para projetar imagens móveis; são informadas invenções semelhantes na China já em 207 a.C.
Século X — AL-HAZEN (árabe) descreveu como observar um eclipse solar no interior de uma câmera obscura.
950 o árabe Hassan ou Ibn Haitam (965/1039)descreve a câmara obscura em manuscritos.
1030 — AL-HAZEN escreve o texto "Illusion", óptico que descreve a "Máquina fotográfica Obscura". Estes conceitos significativamente influenciam o trabalho do pintor renascentista italiano Brunelleschi, que os aplica para a pintura de perspectiva.
A câmera obscura (ou escura), consiste numa caixa fechada, e num de seus lados, existe um orifício pequeno por onde a luz entra. Caso posicionemos este orifício em direção a um objeto iluminado, vemos na parede interna da caixa, oposta àquela que tem um furo, a imagem invertida e de ponta cabeça do objeto.Como isto funciona?
A inversão do objeto e a sua reflexão do outro lado da câmara ocorre quando, devido ao pequeno orifício, somente um raio de luz passa pela extremidade do objeto, atravessa oorifício e é refletido do outro lado da caixa.
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Visão da parte translúcida da câmara obscura, é nesse
lado que se forma a imagem inversa.Do lado oposto existe um orifício
por onde a luz entra. |
Visão lateral de uma câmera obscura. |
COMO ERA ENCARADA A LUZ NA IDADE MÉDIA
Na Idade Média, século X a XII, o "uso e o abuso" das cores despertou a curiosidade de muitos estudiosos da época, de diferentes áreas do conhecimento – o que possibilitou um grande impulso na formulação teórica da óptica.
Época em que a beleza era muito levada em consideração, não somente a estética pertencente aos guerreiros, mas também em relação à riquezas – ao nobre; aos santos – por terem os sete dons (amizade, sabedoria, concórdia, honra, poder, segurança e alegria) de alma e os sete dons do corpo (beleza, agilidade, força, liberdade, saúde, volúpia e longevidade); e às luzes – trazendo junto consigo a idéia de tranqüilidade e um sinal de nobreza e santidade.
As Catedrais deste tempo, usavam vitrais coloridos para que o interior da nave fosse todo sistematicamente iluminado. Principalmente as Igrejas góticas; o simbolismo dava uma significação para as cores das diferentes luzes, e proporcionava uma "clareza aos olhos fatigados e aos deficientes".
Com essa chamada "metafísica medieval da luz", aos santos eram dadas características luminosas – "o santo é um ser de luz – André Vauchez", e cada tom era dada uma significação. Deus era portanto considerado um foco luminoso e incandescente, no entanto, belo, deleitoso e perfeito. Toda essa concepção de luz e cores, somada às observações do arco-íris vão fazer da óptica, um assunto técnico de interesse aos sábios.
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1300 — é dito que ROGER BACON (1214/1294), inventou a câmera obscura, antes mesmo deste ano, pois a usava para observações de eclipses solares, no entanto isto nunca foi aceito pelos estudiosos.
1515 ou 1519 ou por volta de 1554 — O italiano LEONARDO DA VINCI (1452/1519) descreve cientificamente a câmera escura ou obscura. Precursora das câmeras fotográficas atuais, consiste em uma sala totalmente escura, com um pequeno orifício em uma das paredes através do qual a luz passa, projetando imagens invertidas dos objetos externos na parede oposta à abertura. No final do século XVI, colocam-se lentes no orifício para melhorar a projeção das imagens. Nesse período, a câmera escura era usada pelos pintores para copiar imagens da natureza.
Princípio da câmera escura: a luz refletida por um objeto projeta fielmente sua imagem no interior de uma câmera escura, se existir apenas um orifício para a entrada dos raios luminosos. Baseados neste princípio, os artistas simplificam o trabalho de copiar objetos e cenas, utilizando câmeras dos mais diversos formatos e tamanhos. Enfiavam-se dentro da própria câmera e ganhavam a imagem refletida em uma tela ou pergaminho preso na parede oposta ao orifício da caixa.
Não é difícil imaginar os passos seguintes desta evolução: uma lente, colocada no orifício, melhorou o aproveitamento da luz; um espelho foi adaptado para rebater a imagem na tela; mecanismos foram desenvolvidos para facilitar o enquadramento do assunto. Com esses e outros aperfeiçoamento, a caixa ficou cada vez menor e o artista trabalhava já do lado de fora, tracejando a imagem protegido por um pano escuro.
ENTENDENDO
Diante de uma câmara sofisticada, o leigo imagina impossível a compreensão e o domínio da fotografia. Ilusão. O princípio que norteia todas as câmeras é rigorosamente simples, descoberto por diferentes estudiosos da Ótica em diferentes épocas. Aristóteles, o famoso filósofo grego, já observara há 2.400 anos que a imagem de um eclipse solar se projetava no chão, ao passar pelos espaços formados pelas folhas de uma copa de árvore.
Dos matemáticos árabes do século XI e XIII à Renascença de LEONARDO DA VINCI, vários pesquisadores "descobriram" o curioso efeito do comportamento da luz ao trocar a copa das árvores por um orifício em uma caixa (ou câmara, quarto) escura. Todo objeto reflete luz em todas as direções.
O orifício de uma caixa escura deixa passar os raios refletidos por cada ponto do objeto, que reproduzirão, ao fundo, a imagem desse objeto, só que invertida e de cabeça para baixo. Este é o princípio da câmera fotográfica. Nada mais do que uma câmara escura com um orifício. A lente é o componente que dará nitidez a essa imagem.
DA VINCI chegou a descrever o princípios da câmara escura. Mas, o recurso da lente no lugar de um simples orifício foi concebido por um cientista napolitano, GIOVANI BATTISTA DELLA PORTA. A caixa, aprimorada com um espelho disposto em diagonal ao fundo, auxiliava pintores a visualizar de perto o objeto a ser desenhado, pelo menos 150 anos antes da descoberta da fotografia.
CONTINUANDO...
1550 — GEROLOMO CARDANO faz a primeira lente de máquina fotográfica. Uma lente biconvexa no orifício para que a imagem pudesse aparecer com maior nitidez e com um tamanho satisfatório.
1550 — FRIEDRICH RISNER (data de nascimento desconhecida/1580)desenha uma câmera portátil.
1553 — GEMMA FRISIUS constrói uma funcional "Máquina fotográfica Obscura".
1558 — GIOVANNI BATTISTA DELLA PORTA (1538-1615), físico e filósofo em Nápoles, publica o livro Magic The Natural, sua primeira edição descreve a câmera obscura. Em 1575, fez uma câmera fotográfica enorme onde os convidados sentavam dentro dela, do lado de fora os atores encenavam enquanto, suas sombras eram vistas na parede oposta.
1558 — DANIELO BARBARO (1513-1570)implanta um diafragma no orifício da câmara obscura, fazendo com que objetos em diversas distâncias pudessem ser focalizados.
1573 — EGNATIO DANTI (04/1536-19/10/1586) utilizou um espelho côncavo para reverter a imagem projetada na parte translúcida da câmera obscura.
1604 — ANGELO SALA (1576-02/10/1637), percebe que o nitrato de prata pulverizado é enegrecido pelo Sol.
1636 — DANIEL SCHWENTER introduz três lentes no orifício da câmera obscura, isto faz com que melhore ainda mais o foco de objetos à distâncias diferentes.
1650 — ROBERT BOYLE (25/01/1627-30/12/1691), expõe cloreto de prata ao ar livre e pensa que a sensibilização se deu pela ação do ar.
1657 — ATHANASIUS KIRCHER (1601 ou 1602-1680)e KASPAR SCHOTT, seu discípulo, reelaboram uma câmera obscura portátil em forma de liteira, não era mais necessário que o homem se introduzisse dentro da mesma para que pudesse usá-la.
1676 — JOHANN CHRISTOPH STURM, professor de matemática, elabora um mecanismo interno na câmera obscura, onde foi implantada uma lente interna de 45º que refletia a imagem num pergaminho na posição horizontal.
OS PRIMÓRDIOS
No século XVIII, o árabe JABIR IBN HAYYAM foi o primeiro homem a registrar que uma combinação de prata (nitrato de prata) tornou-se visivelmente escura com o passar do tempo. A razão para esta transformação não foi conhecida em definitivo até 1727, quando JOHANN HEINRICH SCHULTZ descobriu que o escurecimento era causado pela ação da luz.
SCHULTZ, no seu primeiro experimento, formou imagens de estêncil em superfícies de cloreto de prata sem o uso de uma máquina fotográfica. Excetuando-se o fato de que essas imagens não eram permanentes, SCHULTZ poderia ter levado o crédito da descoberta da fotografia...
Continuando as experiências de SCHULTZ, THOMAS WEDGEWOOD E HUMPHREY DAVY, ingleses, usaram em 1800 uma câmera para captar imagens num papel sensibilizado com cloreto de prata. Estas imagens também não eram permanentes.
1725 — O professor alemão JOHANN HEINRICH SCHULZE (1684/1744), considerado o "pai" da fotoquímica, descobriu o motivo do enegrecimento dos sais de prata. Certos líquidos mudavam de cor quando colocados em contato com a luz, além disso percebe que cristais de prata ao receberem luz adquirem um aspecto escuro - prata metálica negra. Assim, constatou que a luz provoca o escurecimento de sais de prata. Essa descoberta, em conjunto com a câmera escura, fornece a tecnologia básica para o posterior desenvolvimento da fotografia.
Sustentáculos da arte
Musée de Cluny – Paris, 1996
1760 — DE LA ROCHE (1729-1774), escreve "GIPHANTIE", obra em que era possível capturar imagens permanentes da natureza através de uma tela coberta com uma substância pegajosa.
1765 — ANTONIO CANALETTO (1697-1768), elabora uma câmera obscura com lentes intercambiáveis para melhor aperfeiçoamento nas visões panorâmicas.
JEAN SENEBIER, em 1782, pesquisou a velocidade com que as cores do espectro atuavam sobre o cloreto de prata.
CARL SCHEELE, demonstrou que os sais de prata afetados pela luz se tornavam insolúveis após um banho de amoníaco.
O estágio do conhecimento humano já permitia a solução fotográfica, embora só no século seguinte se tornou realidade. Até hoje, o elemento básico fotossensível utilizado pela indústria fotográfica é o Bromureto de prata, obtido através da reação química entre o Nitrato de prata e um Bromureto de sódio ou potássio.
1786 — GILLES-LOUIS CHRÉTIEN desenvolve a "PHYSIONOTRACE" – retratos de perfil.
Última atualização: 17/04/2006. |