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FOTOGRAFIA NO MÉXICO

Série emitida em 12/09/2000: “Do Século XX ao Terceiro Milênio – Fotografia”. O Serviço Postal Mexicano em cooperação com o Centro da Imagem, emitiu uma folha com 5 selos (4 retângulares e 1 elíptico) “México, del Siglo XX al Tercer Milenio – Fotografía”. Desenhado por S. Barranca, N.F Togno, a folha foi impressa pelo Grupo Gráfico Romo. Tiragem: 100.000. Valor facial: 16,2.

Com a invenção da fotografia, o mundo sofre uma transformação. “A fotografia representa o mundo: sua história é, enfim, a história gráfica desse mundo” (Debray; 1989:9).

A história da fotografia no México começou quase ao mesmo tempo que no restante do mundo, desde que uma câmara fotográfica chegou pelo porto de Veracruz.

Em seus primeiro anos, a fotografia se introduzio no âmbito social com o uso primordialmente documental (retrato, paisagem, política). Exemplos são as imagens de Agustín Víctor Casasola e fotógrafos de sua agência que mais tarde foram mundial conhecidas como o “Archivo Casasola”.

A década de vinte, trouxe mudanças sócio-econômicas da Revolução, e a consequente modernização capitalista, assim como a corrente nacionalista produziu mudança e expansão no uso da fotografia.

Neste contexto, chegam Edward Weston e Tina Modotti, os quais se dedicam a fotografia como arte, fronteira simbólica que compartilham com os muralistas, e se empenham em definir sua singularidade através de sua obra, suas exposições e vínculos.

Apoiados pelos muralistas, a obra de Weston, Modotti, Manuel e Dolores Alvarez Bravo, Luis Márquez e Agustín Jiménez, marcam sentido social no país.

O Clube Fotográfico do México (CFM) nasceu em 1949; se reconhece sua função histórica nos anos cinquenta e sessenta, por ser a plataforma de agentes inconformados com as condições do próprio clube, fator que permitiu a organização de grupos independentes que mais tarde integraram uma nova organização: o Conselho Mexicano da Fotografia (CFM), com respaldo do Instituto Nacional de Bellas Artes (INBA). A criação do CFM desencadeou múltiplos eventos tais como os Colóquios e as Bienais.

Em 1994, nasce o Centro da Imagem, com o apoio do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes, como um espaço idôneo para a exibição e análises da fotografia, incluindo linguagens alternativas como o vídeo e as imagens por computador.

Após 150 anos do nascimento da fotografia, esta folha de selos evoca a história com algumas das imagens que a tem construído, composta por fotógrafos fundamentais, pilares desta história:

Tina Modotti, Manuel Alvarez Bravo, Lola Alvarez Bravo, Nacho López, Hermanos Valleto, Sotero Constantino, Amando e Protasio Salmerón, C.B Waite, Joaquín Santamaría, Gabriel Figueroa, Guillermo Robles Callejo, arquivo Manuel Ramos, Hermanos Casasola, Guillermo Kahlo, J. Lupercio, Walter Reuter, Juan Rulfo, Katy Horna e Agustín Jiménez.

Na parte superior existem 6 imagens de fotógrafos, os quais afortunadamente seguem com suas vidas e seus trabalhos alcançando uma importância fundamental na história gráfica do México: Graciela Iturbide, Héctor García, Enrique Metinides, Lázaro Blanco e Mariana Yampolsky.

As imagens de menor tamanho que rodeiam os cinco selos postais constituem uma mostra dos fotógrafos que foram aparecendo cronologicamente e que pretendem contar de maneira gráfica esta história...

Sem dúvida alguma, a história da fotografia no México é uma história gráfica que se toma e imprime todos os dias, mas que se escrive e se investiga pouco, faltam muitos arquivos por descobrir e investigar que seguirão documentando o passado e presente.

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EDWARD WESTON (USA, 1886-1958)

Folhinha de 20 valores emitida em 2002 “Master of American Photography” mostra a obra “Two Shells” (1927), From the Estate of Edward Weston, Carmel, Calif.

Edward Weston, an early proponent for the unmanipulated, sharp-focused realism of “straight” photography, sought to capture the quintessence of his subjects. Acclaimed for the tonal beauty and technical precision of his landscapes, nudes, portraits and still lifes, Weston made many photographs-including “Two Shells” – that are considered icons of modernism...

Sua obra é reconhecida principalmente por sua capacidade de ressaltar a sensualidade das formas físicas, sejam humanas ou em objetos. Destacam-se nesse propósito seu manejo da luz, do quarto escuro, e da óptica, ajudando a ressaltar os volumes e as texturas de maneira muito particular. Arte do nu.

Americano influenciado pelo México, amante de Tina Modotti. Oferece uma leitura da imagem quase que circular, impedindo que o espectador saia do tema proposto pelo autor.

Separou-se da família, em busca do que chamou de “quintessência da coisa em si”... Weston realçou as qualidades literais do fotográfico mediano para enfatizar detalhes descritivos e formas elementares sugeridas pelos temas, fossem estes arquiteturas, paisagens ou pessoas.

Integrando realismo e abstração, fato e símbolo, Weston foi orientado pela sua experiência mexicana a refinar sua visão modernista da fotografia. Ele se concentrou unicamente no objeto fotografado e, de quebra, anunciou as qualidades intrínsecas de sua fotografia. “Apresentação em vez de interpretação”.

Em 1923, introduz a fotografia pura, sem retoques ou manipulações. Ele adota o uso mais realista e direto da câmera, com certa ênfase na forma abstrata, porém sem impedir a identificação do objeto fotografado.

TINA MODOTTI (México, 1896-1942)
Museo Tina Modotti – www.modotti.com

Seu trabalho combina um sentido sofisticado do desenho visual e temáticas de orientação prática e social. Suas fotografias da classe trabalhadora mexicana se converteram em poderosos emblemas revolucionários.

Selo da Itália emitido em 1978 mostra uma foto de Tina intitulada “Fios telegráficos”. Titulo original: Fili del telegrafo 1 (1924, Mexico).

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“MEXICANIDAD”

Para muitos fotógrafos, a importância de um lugar, seja o lar ou o país, contribui para definir a expressão da vida e da arte...

O México era esse lugar para os fotógrafos Tina Modotti e Edward Weston (visão mais moderna). O movimento Mexicanidad, liderado por uma comunidade de artistas, escritores e ativistas políticos, sustentava a identidade nacional, privilegiando os indígenas e as antigas heranças ao invés do passado colonial.

Promoveu todas as coisas mexicanas – daí o termo Mexicanidad, e afirmou a originalidade da cultura nativa. Ele, um fotógrafo realizado, reconheceu uma chance de dar uma nova direção para sua fotografia e para sua vida, e isso incluiu uma separação irrevogável de sua família.

Embora houvesse uma aproximação, fundada em princípios de pura composição formal e do fato descritivo, cada um deles buscou metas diferentes em seu trabalho.

A carreira de Modotti como fotógrafa pode ser medida pelos sete anos em que ela viveu no seu país adotivo?, o México. Desde o início, ela mesclou suas ambições fotográficas com um profundo envolvimento na reforma social e política empreendida pela Revolução.

Suas imagens eloquentes da vida nativa devem muito às lições aprendidas com o movimento Mexicanidad, e refletem a sua própria motivação em usar da câmera como uma ferramenta de mudança social.

As feiras livres, trabalhadores, mulheres e crianças foram os temas que Modotti escolheu para celebrar o caráter heróico da maioria dos cidadãos mexicanos não-reconhecidos – a classe trabalhadora indígena. Como resultado, sua intrigante composição de fotos apresenta um modernismo arrojado, baseado na condenação política.

Intensamente afetado pela herança cultural mexicana, Weston nunca abrigou um propósito político ou social em sua fotografia. Pelo contrário, os anos em que ficou no México com Modotti – cerca de dois anos e meio – permitiram-lhe desenvolver um novo formato estético, pelo qual se tornou altamente reconhecido.

Embora suas vida tenham tomado rumos muito diversos, Modotti e Weston permaneceram amigos e colegas de “coloridorespondência” após a separação em 1926.

Weston retornou à Califórnia, onde construiu uma longa e prodigiosa carreira. Sua insistência na auto-expressão criativa, descoberta quando fotografava no México, ajudaria a determinar a forma e qualidade do modernismo americano na fotografia...

Como consequência da estatura de Weston, até recentemente o legado de Modotti como fotógrafa esteve obscurecido. Para isso também contribuíram as afiliações políticas e atividades de Modotti.

Depois de se filiar ao Partido Comunista em 1927, sua fotografia assumiu uma grande importância política, e surge frequentemente em publicações partidárias. Ela continuou a fotografar em todos seus anos no México, mas, depois de sua expulsão, refugiada na Alemanha, Rússia e Espanha, ela finalmente põe a fotografia de lado para dedicar toda sua energia à política.

Em 1942, com quarenta e cinco anos, Modotti morreu no México, tendo retornado como uma refugiada política da Guerra Civil na Espanha.

Modotti e Weston foram modificados decisivamente pelo seus encontros com o México, sua cultura e suas pessoas. Fizeram uma renovação de propósitos e identidades em suas vidas, e a arte surgiu de uma renovação semelhante àquela produzida pelo movimento Mexicanidad.

Juntos e depois individualmente, Modotti e Weston vislumbraram a fotografia como um passo no seu tempo, dando voz às necessidades e preocupando-se tanto com o pessoal como com o social.

Nota: Outro selo do México foi emitido em 2002 (Scott: 2251): Manuel Alvarez Bravo, centenário de nascimento do fotógrafo. NT

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Última atualização: 08/10/2010.
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