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HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NO BRASIL

Por volta de 1860, chega ao Brasil a técnica do colódio úmido (negativo feito sobre placas de vidro sensibilizadas com uma solução química), que melhora a qualidade da matriz, isto é do negativo, e faz proliferar os estúdios de retratistas nas principais cidades brasileiras...

Em 1864, já tínhamos cerca de trinta destes artistas instalados no Rio de Janeiro. Há famosos e obras que ainda se revelam primas. Dentre esses o alemão Revert Henrique Klumb e Joaquim Insley Pacheco.

E por aí seguem os sucessos do novo invento dando forma e cor definitiva à paisagem brasileira, às praças, a elite, em registros que valem por si e pela preservação do tempo no grato registro do documento fotográfico, ainda que os equipamentos de então possam ser considerados rudimentares diante da alta tecnologia e popularização das máquinas hoje dispostas nas esquinas.

Ainda assim, é preciso sensibilidade e mesmo com todos os truques das máquinas moderníssimas, faz-se a fotografia, mas a arte da foto resta preservada a poucas lentes.

E os olhos expressivos, as poses compostas, os detalhes bem demonstrados, as palmeiras em balanço, os monumentos das cidades ou o traço simples do casario modesto, as folhas derrubadas, o lixo aglomerado, o carvoeiro tisnado, o instantâneo para o jornal, o improviso que alcança o incauto e o distraído, a solenidade das festas, as roças, as obras urbanas, os folguedos populares, os deuses e os mitos que assanham multidões, em tudo e por todos os cantos o milagre da fotografia é capaz de desnudar, até o que restar sob as vestes seculares, como o que possa servir de prova e estudos nos laudatórios processos que porfiam entre si em busca da verdade do crime.

E tudo vejo com os olhos que conhecem a floresta e são lavados pela imensidão dos rios de água límpida, bem da cidade do povo manaós, de cuja belle époque a fotografia registrou mitos, lendas, paragens, orgias e misérias.

Pelo rincão do norte não faltaram o gênio e a criação, e a mesma arte fez-se nas matas, seringais, cidades, saraus e mundanismo, pelos anos 1900, pouco antes e além depois, em falas que mesclavam alemão, inglês, francês e português dos lusos...

O alemão ALBERT HENSCHEL abre escritório no Recife, em Salvador, no Rio de Janeiro e em São Paulo, tornando-se o primeiro grande empresário da fotografia brasileira no século XIX. Nessa época, destacam-se ainda:

Veja neste sítio os mais importantes fotógrafos do mundo:
http://masters-of-photography.com/mopcd.html
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AUGUST STAHL – Fotógrafo alemão, documenta a implantação da RECIFE AND SÃO FRANCISCO RAILWAY (1858/1859), na província de Pernambuco, a segunda estrada de ferro a ser construída no Brasil.

AUGUST RIEDEL – Em 1868, documenta a viagem do Duque de Saxe (marido da Princesa Leopoldina, filha do Imperador Dom Pedro II) às províncias de Minas Gerais, Bahia e Alagoas. Compõe um álbum com as fotografias então realizadas.

BENJAMIN MULOCK – Documenta na província da Bahia a construção da BAHIA AND SÃO FRANCISCO RAILWAY, a quinta estrada de ferro brasileira.

CONRADO WESSEL (1891-1941) – Engenheiro químico formado em Viena, em 1928, funda na cidade de São Paulo a primeira fábrica de papel fotográfico da América Latina, comprada mais tarde pela Eastman Kodak (1954), quando a empresa norte-americana se instala no Brasil. A atividade de Wessel contribui para a difusão da fotografia no país entre as décadas de 30 e 50.

Cartão-postal em foto P&B e identificação Wessel atrás, que mostra um jaguar (pois tem pontos pretos no interior das rosetas) em um zoológico não identificado... penso que o animal fotografado não deve ser do Zoo de São Paulo porque sua inauguração ocorreu em 1958; provavelmente seja do Zoo da Aclimação que foi fechado em 1939 e tinha uma onça-pintada em seu acervo; a foto pode ser também do primeiro Zoo do Rio de Janeiro (fechado em 1940) ou então do novo Zoo do Rio de Janeiro inaururado em 1945... Adquirido de Fevereiro em 14/06/13 por R$ 20 reais.

GEORGE LAUZINGER – Porto do Rio de Janeiro, 1867. Livro MHN – Banco Safra.

GUILHERME GAENSLY – Foi um fotógrafo suíço protestante, reconhecido internacionalmente que atuou em Salvador, Bahia, desde a década de 1860. Aos 50 anos de idade transferiu-se para São Paulo, onde retratou aspectos da capital paulista entre 1895 e 1925. De autoria dos pesquisadores da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo (Rua dos Lavapés, 463 – Cambuci, São Paulo), o livro IMAGENS DE SÃO PAULO: GAENSLY NO ACERVO DA LIGHT (1899-1925), tem o objetivo de realizar um estudo abrangente sobre a vida do fotógrafo. A equipe empreendeu um trabalho de caráter nacional, envolvendo o estudo em vários acervos de São Paulo, Salvador, Rio e Curitiba. A obra traz fotos que versam sobre uma grande variedade de assuntos, como aspectos da paisagem urbana paulistana, das oficinas de bondes, de obras da antiga Light (como instalação de postes, construção de usinas e assentamento de trilhos) e pretende, através desse trabalho, trazer uma contribuição científica à história da fotografia brasileira, recuperando a trajetória pessoal e profissional de Gaensly. Conteúdo Genérico: coleção composta por imagens de vários marcos arquitetônicos da cidade de São Paulo no início do século, tais como: Estação da Luz (Parque da Luz), Monumento do Ipiranga, Rua Direita, Praça da República, Largo de São Bento, Avenida Paulista, Largo do Rosário, Rua São João, Bairro de Santa Cecília e Serra da Cantareira. Feitas em 1911 e doadas ao Arquivo do Estado de São Paulo, em 1980, pelo Sr. Victor Neublum. Nota: O IMS – Instituto Moreira Salles (www.ims.com.br) também possui em acervo muitas fotos de Guilherme Gaensly.

Cartão-postal: Largo de São Bento, São Paulo
Fotografia de Guilherme Gaensly
Reprodução coleção Antônio Marcelino – Funarte (1982)

LOUIS NIEMEYER – Fotógrafo alemão, registra a implantação da Colônia Dona Francisca, na província de Santa Catarina (atual cidade de Joinville). Raro documento da gênese de uma cidade de porte no Brasil. Foto: Louis Niemeyer, SC, 1866/Biblioteca Nacional. O engenheiro A. Wunderwald e seus amigos paramentados para a caça, exibindo suas armas.

LUÍS FERREIRA – Em 1888, registra a multidão reunida de fronte do Paço Imperial, após o anúncio da assinatura da Lei Áurea, extinguindo a escravidão no Brasil, no dia 13 de maio, e a missa comemorativa realizada no dia 17 na Praça Pedro I (atual Campo de São Cristóvão). Trabalho precursor da fotografia de cunho jornalístico.

LOUIS DUCOS DU HAURON, em seu livro de 1869: As cores na fotografia, solução do problema, avançou na questão de chegar à fotografia colorida (ou heliocromia, como a chamou). Ele disse: “Observar os pintores me ensinou que uma mistura em proporções corretas de vermelho, amarelo e azul produz quase todas as outras cores.” Expôs três negativos revestidos com filtros verde, laranja e violeta. Os positivos foram realizados sobre folhas bicromatadas que incorporavam pigmentos de carvão de cores vermelha, azul e amarela. Depois, superpunha as três cópias transparentes sobre papel ou vidro.

COLEÇÃO DO SERVIÇO DA REPARTIÇÃO DE ÁGUA E ESGOTOS DA CIDADE DE SÃO PAULO – Coleção formada por 107 fotografias, soltas e em álbum, produzidas pelo fotógrafo P. DOUMET, em 1893, para a Repartição de Águas e Esgotos da cidade de São Paulo. Conteúdo genérico: composto por uma série de fotografias referentes à construção de represas na Serra da Cantareira. A Coleção oferece ao pesquisador fotos antigas, algumas com imagens singulares da geografia da Serra, além de informações sobre as concepções técnicas dos engenheiros da época. Forma de acesso: a acesso à documentação é feito por uma listagem de referência. Arquivo do Estado de São Paulo.

REVERT HENRIQUE KLUMB – Em 1872, lança o livro DOZE HORAS EM DILIGÊNCIA. Guia do viajante de Petrópolis a Juiz de Fora. Com textos e fotografias de sua autoria, foi um dos primeiros livros integralmente impressos no Brasil.

RODOLPHO FREDERICO FRANCISCO LINDEMANN – Natural de Paris, nasceu por volta de 1852, de pais austríacos. Iniciou suas atividades profissionais em Salvador, no começo da década de oitenta do século XIX, como assistente do já reconhecido fotógrafo Guilherme Gaensly, no Largo do Theatro, 92, atual Praça Castro Alves. Mais tarde tornaram-se fotógrafos associados no estabelecimento Photographia Gaensly & Lindemann, talvez o estúdio mais produtivo e reconhecido da cidade até o final do século. Rodolpho Lindemann trabalhou em Salvador, Recife e Maceió, produzindo vistas urbanas, mas era responsável também pelos retratos realizados no estúdio. Com apurada direção de cena e excelente domínio técnico, ele desenvolveu uma série de retratos de tipos negros que foi intensamente veiculada através de milhares de cartões postais produzidos já no início do século XX. Parte dessa série, foi amplamente divulgada, principalmente na Europa.

WALTER HUNNEWELL – Em março de 1865, acompanhando uma expedição de um naturalista suíço LOUIS AGASSIZ, ele é o primeiro a documentar fotograficamente a região amazônica. HUNNEWELL trouxe uma câmera e trabalhou muito aprendendo a usar aquela “engenhoca” que chamava a atenção. Enquanto na expedição AGASSIZ estava especialmente interessado nos nativos, mas não seria prático levá-los, HUNNEWELL recomendou que os fotografasse (provavelmente, foi o primeiro antropologista). Em julho de 1866, a expedição terminou, conseguindo-se mais de 80 mil exemplares para o Museu de Zoologia Comparativa de CAMBRIDGE.

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1867 – O alemão ALBERTO HENSCHEL se estabelece em Recife (PE), tornando-se o maior empresário da fotografia do século XIX.

Em 1895, a fábrica de fumos Veado (Rio de Janeiro) inicia a difusão maciça da fotografia no país, ao distribuir vistas estereoscópicas como brinde para seus clientes.

Em 1888, foi lançada a primeira câmera da linha KODAK, capaz de produzir 100 fotografias com um único filme, que era revelado em seguida pelo fabricante – com certeza isso foi o principal fator do surgimento da fotografia de amador...

Mais de 20 anos depois, as PRIMEIRAS CÂMERAS KODAK CHEGAM AO BRASIL EM 1910... Só no ano de 1925 que ocorreu o lançamento da câmera 35mm da LEICA...

1900 – NOVIDADES NA VIRADA DO SÉCULO

As primeiras fotos da imprensa brasileira aparecem na REVISTA DA SEMANA, em 1900. Nos anos seguintes, outros jornais e revistas intensificam o uso de fotografias, entre eles A Cigarra, O Malho, Kosmos, A Vida Moderna, Fon-Fon, Careta, Paratodos, entre outros.

Em 1901, CASTRO MOURA introduz o cartão postal no Brasil... Em 1910, as primeiras câmeras KODAK chegam ao Brasil... No ano seguinte (1911), AUGUSTO MALTA registra cenas do carnaval carioca, tornando-se o primeiro fotojornalista brasileiro...

Grandes formatos – Em 1924, antes da difusão da Leica, foi uma câmera de chapas que facilitou a vida dos fotógrafos que queriam uma câmera rápida. A Ermanox, lançada pela casa Ernemann de Dresden, traziam objetivas potentes (f1.8 e f.2.0) que levavam chapas pancromáticas de 4,5x6cm e, com um pouco de luz, permitia fotografar interiores, e foi utilizada pelos primeiros repórteres fotográficos, como Erich Salomon e Felix H. Man. Outra câmera reflex muito conhecida, anterior à II Guerra, também era alemã: a Reflex Korrelle. Depois da guerra, todas perderiam fama e espaço para a sueca Hasselblad, de Gotemburgo, que acomodava chapas de 6x6cm em compartimento intercambiável.

ROLLEIFLEX – Em 1929, a Frank & Heidecke, de Braunschweig, lançou a Rolleiflex, a precursora de inúmeras reflex de duas objetivas e filme de rolo, que logo sofreu uma inovação que a tornou muito popular, a possibilidade de troca das lentes para mudança de distâncias focais.

Impossível não destacar a REVISTA SÃO PAULO, publicação do governo paulista dos anos 30. Fundada em 1935, com publicação de projeto gráfico arrojado, que valoriza o fotojornalismo e a fotomontagem, na qual se destacam os trabalhos de BENEDITO JUNQUEIRA DUARTE, que assinava VAMP, e de THEODOR PREISING.

Abaixo, fotos do arquivo particular de Douglas Preising Aptekmann (www.photogallerycollection.com.br), neto de Theodor Preising (Rua das Perobas, 405 – São Paulo. Tel. 5012-2652).

Zeppelin no Rio de Janeiro. Foto de Theodor Preising. Foto de Theodor Preising. Zeppelin em São Paulo. Foto de Theodor Preising.
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Cito este pintor para se ter uma ideia do que ocorria com a influência de ideias não apenas aos fotógrafos...

FLÁVIO DE CARVALHO (1899, Barra Mansa, RJ – 1973, Valinhos, São Paulo)

Pintor, escultor, cenógrafo, jornalista e escritor, definido por Le Corbusier como um “revolucionário romântico”. Vive na França e na Inglaterra, onde forma-se em arquitetura. Retorna ao Brasil em 1924, tendo absorvido as ideias do grupo Bauhaus. Em 1931, desafia os devotos na procissão de Corpus Christi, sendo quase linchado. Como arquiteto e artista plástico, é um dos modernistas que mais contribui para a mudança de valores de sua época. Em 1933, funda em São Paulo um teatro experimental, criando O Bailado do Deus morto, cuja montagem é proibida pela polícia. Em 1934, em Paris, entra em contato com o grupo surrealista. No ano seguinte, torna-se correspondente e representante comercial da revista Minotaure no Brasil e na América Latina. Em 1947, realiza a Série trágica, que contém 9 desenhos de sua mãe morrendo, o que provoca a repulsa geral, sendo então qualificado de “pintor maldito”.


No final dos anos 30, sobretudo em 1939, fotógrafos de origem alemã imigram para o Brasil trazendo influências do movimento Bauhaus, como a ênfase nas formas e no grafismo e o uso de recursos como ampliação, montagem, dupla exposição e solarização, entre outros. Destacam-se os trabalhos de HILDEGARD ROSENTHAL, HANS GUNTER FLIEG, FREDI KLEEMAN e ALICE BRILL.

ERWIN VON DESSAUER – Chileno que morreu no Brasil. Fez uma foto chamada: Junto à água, em 1939.


A partir da década de 40, iniciam-se os estudos do desenvolvimento da fotografia com a publicação do primeiro e clássico texto de GILBERTO FERREZ, A Fotografia no Brasil, na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1946.

PROFISSIONAIS E AMADORES

A fotografia, desde o final do século XIX, consolidou-se como o meio tecnológico de expressão mais popular e acessível da história. Ao lado das câmeras profissionais, foram desenvolvidos modelos práticos, as chamadas câmeras automáticas, que progressivamente foram eliminando “requintes” como a abertura do diafragma e o tempo de exposição, permitindo que a atividade fotográfica fosse dissociada do conhecimento da luz e do processo fotográfico.

No entreguerras, a mais difundida dessas câmeras foi a OPTIMA, fabricada pela AGFA. Em 1947, surgiu a primeira POLAROID, criada por EDWARD H. LAND, nos EUA, permitiu que um positivo fosse obtido em 60 segundos após a exposição, revelando o papel dentro da própria câmera e aproximando a fotografia de uma brincadeira de criança, lúdica e divertida.

Em 1947, ocorreu o lançamento da REVISTA IRIS, a mais antiga publicação brasileira especializada em fotografia ainda em circulação!

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Última atualização: 02/01/2014.
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