This page is part of © GIRAFAMANIA website / Esta página é parte do sítio GIRAFAMANIA

PESQUISA – REVISTAS – HISTÓRIA

ANÚNCIOS DE FOTÓGRAFOS

O pesquisador RICARDO MENDES mergulha nas páginas de antigas listas telefônicas para resgatar parte de nossa história fotográfica...

Abaixo, do lado esquerdo da tela, veiculado de 1927 a 1936. Do lado direito, veiculado de 1928 a 1930.

Do lado esquerdo da tela, veiculado entre 1929 a 1934. Do lado direito, veiculado em 1937.

volta ao topo

FOTOJORNALISMO

O grande impulso para o fotojornalismo no país é dado na década de 50, pela revista “O CRUZEIRO” e pelo JORNAL DO BRASIL, do Rio de Janeiro, ao destinar um espaço destacado nas reportagens para as fotografias, até então usadas como acessórios do texto.

A fotorreportagem atinge o auge nos anos 60, com o surgimento da revista REALIDADE e do JORNAL DA TARDE, de São Paulo. A revista “O Cruzeiro”, por meio de seu diretor, ASSIS CHATEAUBRIAND, contratou o fotógrafo francês JEAN MANZON, da revista Paris Matiche, que valorizou a fotografia e, aos poucos, transformou o periódico no mais importante do país...

Entre os principais nomes desse período estão JEAN MANZON, JOSÉ MEDEIROS, FLÁVIO DAMM, LUIZ CARLOS BARRETO, INDALÉCIO WANDERLEY, ED KEFFEL, LUCIANO CARNEIRO, PETER SCHEIER e MARCEL GAUTHEROT.

ANOS DOURADOS DA FOTOGRAFIA BRASILEIRA

Eram dois os movimentos na década de 50: o FOTOJORNALISMO da revista “O CRUZEIRO” e a fotografia CONSTRUTIVISTA da ESCOLA PAULISTA. Ambos buscavam uma fotografia crítica, que retratasse um desejo de modernização do Brasil.

Antes desses movimentos, o trabalho dos fotógrafos artistas e o dos fotojornalistas eram considerados totalmente distintos. O fotojornalismo, a partir de “O Cruzeiro”, deixou de ser mero registro e passou a usar recursos artísticos. Da mesma maneira, as fotos da Escola Paulista, com muita ênfase na forma, não eram apenas estéticas: retratavam uma visão de mundo daquela época.

Os construtivistas da Escola Paulista revelavam toda uma ideologia de modernização política, econômica e social do Brasil através de fotos com linhas geométricas e ângulos inusitados. O cuidado estético de fotógrafos como GERALDO DE BARROS, EDUARDO ENFELT e JOSÉ YALENTI visava mostrar possibilidades criativas de uma nova visão do país.

Na “O Cruzeiro” as inovações vieram com o fim da censura do Estado Novo, em 1945. Foi possível começar um jornalismo mais crítico, e isso se refletiu nas fotos. Tal revista foi pioneira ao abrir suas páginas a imagens do homem simples, do negro, do índio.

Ao deixar de ser cúmplice da autoridade, a revista abandonou a fotografia oficial, sisuda, do início do século, e adotou uma outra, mais criativa e com beleza plástica.

Os fotógrafos JEAN MANZON e JOSÉ MEDEIROS foram peças-chave nessa mudança. A Escola Paulista e a revista “O Cruzeiro” forneceram, portanto, o germe da fotografia contemporânea...
volta ao topo


JEAN MANZON

Jean Manzon se transfere para o Rio de Janeiro em 1940. É responsável pela inovação do fotojornalismo brasileiro a partir de 1944, introduzindo o conceito de ensaio fotográfico no país. Revolucionou a fotografia de imprensa ao realizar ampla reportagem sobre os índios XAVANTES, publicada na edição de 24 de junho na revista “O Cruzeiro”, ocupando a capa e 18 páginas inteiras.

Ambas de Jean Manzon (lado esquerdo da tela), Portinari com seu filho João Candido, Rio de Janeiro, 1943. Do lado direito, Portinari durante a execução dos painéis para a “Série Bíblica”, Rio de Janeiro, 1943.

volta ao topo

JOSÉ ARAÚJO DE MEDEIROS
(1921 TERESINA, PI – 1990 ÁQUILA, ITÁLIA)

Começou a fotografar profissionalmente em Teresina, antes de se transferir para o Rio de Janeiro em 1939, onde colaborou com as revistas Tabu e Rio. Em 1946, foi convidado por JEAN MANZON para integrar a equipe da revista “O Cruzeiro”, na qual, durante os quinze anos seguintes, firmou seu nome como um dos mestres do fotojornalismo brasileiro.

Fundou em 1962 a AGÊNCIA FOTOGRÁFICA IMAGE (com FLÁVIO DAMM), uma das empresas precursoras do gênero. A partir de 1965, começou a trabalhar em cinema, assinando a direção de fotografia de obras clássicas do moderno cinema nacional, como A falecida (Leon Hirszman, 1965), Xica da Silva (Carlos Diegues, 1976) e Memórias do Cárcere (Nelson Pereira dos Santos, 1983), e dirigindo o longa Parceiros da aventura (1979).

Em fins dos anos 80, foi professor da Escola de Cinema de Santo Antonio de los Baños em Havana (Cuba). Publicou, em 1957, o livro Candomblé, primeira obra a documentar fotograficamente esta religião afro-brasileira. Foi homenageado, em 1986, com a retrospectiva José Medeiros, 50 anos de fotografia, pela Fundação Nacional de Arte, no Rio de Janeiro (RJ).

Expedição Roncador – Xingu (MT, 1949)

Primeiro encontro pacífico com a tribo Kubenkrankein (sul do Pará, 1957)

volta ao topo

FLÁVIO SILVEIRA DAMM

Começou como auxiliar de laboratório do fotógrafo alemão Ed Keffel, que se refugiou do nazismo em Porto Alegre (RS), durante a Segunda Guerra Mundial; passando a fotografar para a Revista do Globo, em 1946.

Obteve a consagração profissional no ano seguinte, ao realizar as primeiras fotografias de Getúlio Vargas em sua fazenda, após seu afastamento da presidência da República, o que lhe valeu um convite para integrar a equipe da revista “O Cruzeiro”, no Rio de Janeiro (RJ).

Trabalhando nesta publicação durante uma década e meia, celebrizou-se como um dos mais importantes fotojornalistas brasileiros; tendo ainda papel importante como um dos fundadores (com José Medeiros), da AGÊNCIA FOTOGRÁFICA IMAGE, em 1962, uma das primeiras do gênero no país.

Publicou os livros Brasil Futebol Rei (1965), Bahia Boa Terra Bahia (1967), Ilustrações do Rio (1970), Um Cândido pintor Portinari (1971), Pernambuco Sim (1974) e Fotografias de Flávio Damm (1990).

volta ao topo

“Terceira Classe” – Asterio Rocha (1950).

Em abril de 1952, no Rio de Janeiro, houve o lançamento da REVISTA MANCHETE, que procura estabelecer uma narrativa visual independente do texto em suas reportagens... e persiste até hoje como uma das derradeiras representantes das grandes revistas ilustradas internacionais.

A foto abaixo, de autor desconhecido, comprova vários fotógrafos no jogo Brasil x Uruguai, final da Copa do Mundo, ocorrida no Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro, em 1950 (auge do fotojornalismo!).

Entrada principal !
Última atualização: 11/07/2012.
volta ao topo

FOTOGRAFIA NO BRASIL PÁGINA PRINCIPAL
FOTOGRAFIA NO BRASIL