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Livro “Atmospheras Humanas”...
O OLHAR...
Para João Tatsuo Oda
Indício ou manifestação dos sentimentos
que incide sobre um dispensar benevolência,
como quem se ocupa de longos requerimentos,
simplesmente brotam-me ao admirar pequena saliência...
São é claro, dos e pelos seus belos olhos
fundidos no entalhe da matriz intrínseca,
que interesso-me e ocupo-me com atalhos,
como um olhimanco de vista agudíssima...
Frase que corta outra, interrompendo-lhe o sentido...
Você e seus olhos-d’água que vivem aos olhares...
Monge do oriente encarnado tal qual um cupido,
relevo de todas as letras que lhes são inerentes e peculiares...
O proceder espontâneo nos é mole, frouxo,
sempre mantém-se fluindo como um rio...
Este fitar corre com abundância apoiado num eixo,
ligação invisível esta, que deriva de um fio...
O provir desta linha principal que divide o espaço,
que também executa o movimento de rotação,
deixa-nos suaves, brandos e tontos assim como um pedaço,
porção de carne esta, em processo de ressurreição...
Toda a essência e o poder do sustentáculo
geram a perda do domínio de si mesmo,
descomedindo-se e excedendo-se num oráculo,
para prever até quando desfrutaremos deste termo...
Porém, sem limites do nosso destino,
emitindo o derramamento com força e influência,
gozamos dos nossos olhos com prazer e tino,
num livre-arbítrio de total intensidade e veemência...
O PROFUNDO QUERER
Veredas oceânicas para Sarah Maria Silveira Antunes
As pupilas misturam-se com teu infinito...
Meninas dos teus olhos cintilam tal qual um cupido...
Tu és a representação do meu querer,
imenso e inexprimível, síntese do meu ser...
Sonhador, fonte de inspiração de tantos poetas,
predominância terrestre, mitologia dos profetas...
Dizem que és residência de Netuno,
mas em verdade és um mistério profundo!
Será que tuas ondas atendem pedidos?
Com fé, tragam um amor para este coração sozinho!
Prenhe e fecunda, Gaia, é teu lar...
Atende meu pedido, salvação és tu, meu querido mar...
Preciso partilhar o dia com alguém especial,
resumo da vida pra mim é viver como casal...
O que mais posso fazer para findar a espera?
Deuses e deusas não dão continuidade a esta esfera...
Porém, a esperança é contida na alma
de toda criação e isto tranquiliza, me acalma...
Você está também a me esperar...
Preste atenção! Sei que hás de me escutar!
As águas salgadas escorrem pelo rosto...
Clamando por ti, meu menino, és o meu gosto!
O álcool e o fumo são meus escapismos...
Este planeta é lindo, porém cheio de abismos...
Gostaria de ser surdo. Poupado estaria
deste mundo de dogmas e preconceitos...
Creio que o egoísmo faz parte do meu ser...
Um amor verdadeiro e profundo é todo o meu querer...
FALTARAM-ME FORÇAS
Quando olhei para você, me apaixonei... Existiam atrativos...
Suas características próprias de necessidades particulares, estabeleceram-me
novas práticas facilitando o acesso e atuando diretamente sob sua gestão...
Como numa articulação política de visão descentralizada, levando em consideração a área de abrangência, o agente de decisão foi a promoção de encontros concentrando atribuições as peculiaridades sociais...
Porém, formular diretrizes, sendo que um dormente meu corpo imitava, era-me quase que impossível uma reação pois, estava completamente tomado por uma aspiração...
Sei que o desejo não se descreve, sempre fiz juz à condução e agora, pôr em movimento a intensidade ou imprimir forma aos meus preparos, faz-se esvair...
Mesmo que a intenção seja despertar o crescimento, não finalizo e, torno-me um vazio...
TRAIÇÃO
Quando nós falamos em fidelidade
fica-se com a sensação de moralismo.
Nestes tempos em que a Aids não tem idade
é necessário resgatar o conservadorismo.
A infidelidade é sinônimo de contaminação
e a doença é um castigo do tal pecado...
Qualquer homem tem por costume e tradição,
fazer-se valer através de um tal legado...
A promiscuidade masculina
sempre foi estimulada,
enquanto que na feminina
é reprimida, não manifestada.
No mundo homossexual
essa tendência fica mais exposta,
pois a fidelidade num casal
nem sempre se tem como proposta.
Se houver relação sexual
sem envolvimento emocional,
justifica-se com normas legais
no qual pactuam alguns casais.
Fica subentendido então:
denominador comum na traição
geralmente encontra-se no afeto
e não nos prazeres do sexo!
As desculpas sempre são que:
o cônjuge tem defeitos...
Cair na rotina porque?
Variar é bom e provoca efeitos...
Em verdade, este tal infiel
chega a ser até cruel...
Egoísta em busca do prazer,
só satisfaz o seu próprio ser...
A culpa é sempre do outro!
Esquecendo-se de suas debilidades.
Agindo feito um louco,
não consegue lidar com perdas
ou não deixa de suas superioridades.
Estremecendo-se enormes fendas...
Seria um desejo utópico
não houvesse a traição,
pois poderá haver desdobramentos
muito mais concretos, é lógico,
do que a dor dos pensamentos,
sem contar a da emoção...
Sem querer magoar e longe de sermos cruéis
é necessário que todos deixem de hipocrisias
e percebam que estamos arriscados a sermos infiéis
ou sofrermos a infidelidade alheia com deslavadas mentiras...
Não sabendo quando
e se somos traídos,
nem se estamos maduros,
é melhor prevenir sempre
protegendo e preservando,
praticar sexo só estando seguros...
CARO ENGANO
Nas más ações que cometeste,
com o propósito de não sei o quê,
deu-se a expansão da lama deste,
ainda que tivesses sido um buquê!
Precisavas dum meio de orientação;
realçar as habilidades tu querias...
Não agindo objetivamente na situação,
as chamas reduziram lenha a cinzas...
As essências eram visíveis...
Precisamos ter que interagir!
A força vital e as matizes,
verás que tudo teremos que repartir...
Passado pelos estados de infância
o sentir foi humilde e insignificante...
Tentei ajudá-lo nas circunstâncias,
negligenciando-o, tu foste o errante...
Quando tiveres adquirido o poder de ungir
ou a nave do conhecimento da verdade,
ainda assim, não sei se irei permitir,
pois infelizmente poderá ser muito tarde...
ELUCIDOU...
Para mim, desculpar-lhe da agressividade
com que ontem me tratou
era assegurar-lhe da autenticidade
no erro que ele próprio manifestou...
Estou farto de eliminar ou atenuar
sua falta, sua conduta negligente!
Pois, mágoas do passado, se fazem recordar
e sempre me parecem ação do presente...
Antiga responsabilidade por omissão,
que numa lesão nos meus direitos resultou...
Agora, efeito ou desempenho de sua absolvição
é desempunhar da razão que tanto me esmigalhou...
Tudo isto é-me uma eterna elegia...
Quantos, muito tempo em descuido,
caem no verbo emproar por filosofia...
Ação correta é desempolar, que trás o alinho...
A condição de vassalagem à própria moral
torna-nos feudos erráticos, que consideram
apenas um conceito isolando-o da totalidade,
como garantia da obtenção da própria verdade...
Também errei, não nego...
Representação fiel seria
se não valêssemos do ego
ou tampouco se julgaria...
SEPARAÇÕES
Final de casamento é sempre a mesma coisa,
aquela sensação de vazio que parece
composta de estrofes assimétricas
na qual jamais será novamente preenchida...
Anteriormente havia um caráter quase que lírico,
tal como houvera percebido na grande filarmônica...
Cantar as emoções e os sentimentos mais íntimos,
fora a tão bela proposta por nós mesmos não cumprida...
SEM FUTURO
No mistério do amanhã,
trago uma esperança degradada...
De que vale esta fé tão vã?
Não move moinhos e é mal estruturada!
O vínculo dos perigosos sonhos
é um vício que corta lei atada,
na qual o pecador cai como um tolo
perdendo-se na ilusória teia emaranhada...
Ah! Se eu pudesse criar
numa magia deslavada,
o destino, seria fácil transmudar,
libertando-me desta vida desgraçada...
UM AMOR...
Em meu peito doía angusto...
Era uma limitação dum querer...
Aflição intensa este sofrimento...
Ansiedade estreita de meu viver...
Neste momento, meu sentir vou anichar...
Pois, a dor causa angústia e aflição...
Resta-me apenas esperar e agachar...
O destino é-me uma dura restrição...
Quando meu Deus terei libertação?
Tira-me deste lugar ermo, desta solidão!
Querer um amor é própria determinação!
Tu és a minha última e única salvação...
SONHOS
Para Celina Elza Bruna Sakall e todas as mães
De horizonte dilatado,
com natureza branda,
possui aroma purificado
e no céu, vive de forma amena...
Com extensas sendas,
purifica e amansa as almas...
Ruma sempre afável,
por uma trilha ígnea e agradável...
Une os elementos da antiga ciência,
ampliando a própria consciência...
Deixa-nos suaves e doces,
determinando nossas veredas...
ETERNA BUSCA
Julgava-me,
sonhador e inocente...
Criticava-me,
sentimental e carente..
Eu juro que não sabia
da nessecidade que tinha...
Um amor verdadeiro e profundo,
era o que mais queria no mundo...
Sabia o que não queria:
– Um ser “fashion”!
Costume este de dia,
efeito de “ambition”!
A simplicidade era o que buscava,
caminhando em “sampa”, não encontrava...
Quem sabe está noutro lugar...
Pronto então, estava para viajar...
A PARTIDA...
Numa viagem perco-me e inauguro-me
pisando em terras e águas tão distantes...
Na mente um saber não maduro, expõe-me
pensamentos feridos e indagações relutantes...
Sempre acompanhada por estrelas,
a lua úmida, esclarece a madrugada...
A mágoa brota numa lembrança,
acalentando o passado e a infância abismada...
Nunca a esse sonho fui perjuro,
brinca dentro de mim, arrebatado...
Minha partida dói no escuro,
porém rezando, fico encorajado...
IMPOSSÍVEL MUNDO
Nem a mais horrenda criatura
ficaria insensível àquela visão...
Aquele universo branco sem estrutura
transforma em puro, qualquer vilão...
Oh, Deus! Como queria ter asas...
Mergulharia sem medo neste mundo,
desfrutaria destas piscinas rasas,
sem importar-me com a visão ao fundo...
Assim como um belo anjo,
viveria em outra dimensão...
Não obedeceria meu arcanjo
e aproveitaria-me daquela diversão...
Voaria neste mundo impossível,
sem dúvida, abandonaria tudo num segundo.
Do avião sairia invisível,
não sei como, não enxergam a pureza deste mundo...
Branca, pura, doce e desejável,
foi-me à vista limitada...
Este mar, me é invejável,
ilusão restrita e confinada...
“Versos breves, poema mais solto, de fácil entendimento. Palavras com classe gramatical diferente: asas – substantivo e rasas – adjetivo.” (Marina Bruna, poetisa, 1999)
NUVENS
Disco branco que flutua no horizonte
desfaz-se em minutos, transforma-se num monte.
De guerras e picos turva-se em cores,
navega no céu com oscilações de humores.
Faixa de luz invisível
corta-lhe o corpo sensível...
Transpassa as gotas não formadas,
ligam estas nuvens aladas...
Doce ilusão é esta paisagem,
engana tal qual uma miragem.
Ludibria este pobre apaixonado,
faz-me sentir ainda mais encantado...
ADMIRANDO
A estepe que se encontrava naquela zona fria e seca
era uma característica comum em tão bela paisagem...
Plantas que floresciam naquela visão intrínseca
ofertavam-me ilusão sedutora tal qual uma miragem...
Efeito óptico também frequente nos desertos
produzido pela reflexão total da luz solar...
Visão fantástica, enganosa, sonho de picos,
assim como contemplar o sereno mar...
REFLEXÃO
Eu que permaneço neste jazigo entre as rochas e as vagas do Mar Vermelho, devaneio
com o resignar-me de tais sentimentos...
Neste reservatório da natureza aliado com o símbolo da dureza e da insensibilidade,
conformo-me com a resistência do destino, força opressora que reage longamente
à minha vontade...
Grito... Não! Recuso-me a sucumbir à consciência na qual estou fadado...
Será que Deus concedeu-me esta tal desventura?
Silencio...
Ávido por respostas, procurei perceber no vento, único corpo presente daquele
instante...
Porém, não ocorrendo nenhuma explicação do instrumento que provoquei por própria
conveniência, fi-lo recuar após ter secado todo meu pranto...
Estou farto de relações pobres de interesses mútuos!
A maioria teme a intimidade e elege o prazer erótico como elemento de ligação...
Quero contextos de alto teor!
A expressão facial de apelo erótico deveria ser a linguagem que as unem sem
que perdessem os parâmetros dos sentimentos...
Uma bigamia consentida só faz aumentar a ansiedade!
O encadeamento das idéias e o contar-lhe das minhas proezas, faziam com que
percebesse a serenidade que é-lhe contentável...
Bem sei que repreender não é contigo, meu caro mar...
A volta do vento consolou-me da perda do refletir...
POBRE SONHADOR
As espadas que cortam canaviais
navegam no firmamento de rituais,
sem silêncio e sem pudor,
nas mãos dum trovador...
Este trabalhador nem olha para o céu,
seu suor escorre, assim como um véu...
Debaixo de um sol escaldante,
com um manto, protege-se o errante...
Pensa que vai valer a pena,
pois a lida, é uma de suas cenas...
Findando o dia, a caneta empunha,
poeta e escritor, se intitula...
Pobre coitado, sonhador,
acredita na sorte, não sendo um pecador...
O julgamento daquele coração
apaixonado, é pura ilusão...
Melhor seria que o aprendiz
morresse com pó de giz...
Assim exorciza sua alma louca,
revelando então, a voz rouca...
Escreve nas areias surdas
de um mar distante,
onde transformam-se em simples rugas
que as águas apagam naquele instante...
SOFREDORA
Água salgada nos lábios,
fumaça amarga na boca,
música lenta no rádio,
compõem o universo duma louca...
Estúpida vida camuflada
leva a dita sonhadora...
Esconde-se entre paredes abafadas,
esperando a morte, sofredora...
Rasga-se em versos e raios...
Chora um amor desperdiçado...
Corta-se por inteira em talhos
e morre com o coração despedaçado...
IMPREGNADOS VALORES
Para minha irmã Soraia Sakall Arantes
IMPREGNADOS VALORES Moinho que move minha mente, Desperte a pureza, hoje tão ausente, Raiz de outrora tão imponente, Autor: Sérgio Sakall |
LES VALEURS IMBIBÉES Moulin qui déplace mon esprit Réveille la pureté, aujourd'hui si absent Racine d’autrefois si imponente Tradução: Solange Id |
LOS VALORES IMPREGNADOS Muelen que mueve mi mente Desperte el pureness, hoy tan ausente Raíz de largo hace tan imponent Tradução: Eliane Coda |
IMPREGNATED VALUES Mill that moves my mind Arouse the purity, today so absent So magnificent yesterday's root Tradução: professor de Eliane Coda |
“Poesia muito boa, digno de Paulo Bonfim – O poeta tem que saber filtrar sua produção... Todos tem bons e maus momentos... ‘Impregnados Valores’ nasceu num bom momento!” (Marina Bruna, poetisa, 1999)
IV Concurso Nacional e Internacional em Língua Portuguesa de Contos e Poesias “Poeta Nuno Alvaro Pereira”. Os selecionados para publicação serão editados em regime de co-edição financeira e editorial no volume Pérgula Literária 4. Enviar os trabalhos até 31/05/99 para: Editora Valença S/A Pérgula Literária Número 4 – Caixa Postal: 24272 – Tijuca – Rio de Janeiro (RJ) – CEP: 29522-970. Mandei a carta com o cheque no dia 08/07/1999.
BÁSICAS TRANSFORMAÇÕES
Somos hostis a metáforas,
precisamos podar-nos!
Comungamos da grossa realidade
pois assim se faz necessário...
Numa previsão ousada,
sejamos a extensão duma criança...
Nesta escala épica não adotada,
base de ação seria, da esperança...
Intérpretes de má qualidade,
não alcançamos vôo rumo à modernidade...
Apesar das congruências ou redundâncias,
a vida parece um teatro de militanças...
MASSIFICAÇÃO
Faz-se necessária a informação emergencial
pois, cobrado por alguém, vai ser caro amigo...
Emendar e eliminar atitudes de um boçal
é o que a notícia pretende como um castigo...
Às vezes, era-me um bálsamo mental,
mesmo tendo durabilidade de bananas...
Elas se deleitam numa vaidade semanal,
entre uma sociedade de bacanas...
Comunicação trazida ao público
gera conhecimento das notícias...
Destino informativo periódico,
das culturas, artes e ciências...
Manchete ela traz,
peço-te: veja bem!
Caras pintadas fugaz,
profundidade não têm!
ENTENDIDA
Uma pessoa assumida significa
exemplo positivo e bem-sucedido.
Influenciando uma sociedade que fica
com melhor imagem do preconceito contido.
É ótimo que cada vez mais e mais
assumam-se diante de todos...
Atitude de quem sabe o que faz
e compreende o seu interno ao todo...
Porém, exigir que alguém venha a público
expor sua orientação sexual é demais...
É desrespeitar o direito de cada pudico
à sua privacidade na liberdade de ideais...
OBRIGATÓRIA SAUDADES
Saudades ausentes
cólicas do tempo
lembranças presentes
caminham no vento
obrigação de lembrar
é situação imposta
que posição irregular
foge da minha proposta
Não há idade
e doce seria
se com espontaneidade
a mente lembraria
POSSUÍDO DE AMOR
Creio que um véu tomou conta de mim,
está parado naquela estação do fim...
Avisa-me quando posso olhar,
pois meu destino está fadado a calar...
Quero sentir seu corpo sobre o meu...
Cheiro de amor é pedido teu!
Esta agonia não é muito normal,
não vejo a hora em que chegue o carnaval...
ILUSTRE DESCONHECIDO
Para Alexandre Braoios
Sob nome suposto, o incógnito apresentou-se...
O sentido, o caminho de acesso fora a comunicação...
Em paralelo, a imaginação fluía secretamente, estado enigmático de quem não
quer dar-se a conhecer...
Este ato ou efeito de desconhecer-se fisicamente
gera ansiedades e expectativas sem interpretação...
Porém, o desfiar da conversa foi interessando à mente
e o significado do presente revelou uma compreensão...
Apesar da distância incapacitar-nos da visão,
o aspecto era revelador duma fantasia verdadeira...
Mesmo desconhecendo, a palavra continha acepção
pois, estava latente uma soma derradeira...
Enfim, a vitória inclinava à nossa proteção...
Ligações espirituais estavam contidas
e encerravam em si, uma favorável condição...
Inaugurou-se então, um laço às nossas vidas...
QUE ECOEM AS CORNETAS...
Para o povo da Internet
Momento célebre,
foi quando anunciaram a entrada do Sir Lord Pop...
As trombetas e as cornetas ressoaram
num mundo tão gigantesco, maravilhoso e presente, que é o virtual...
Os sons adentravam em minha pequena sala
e refletiam arrepios em minha pele,
tão exuberantes que se manifestavam...
Uma enorme energia tomou conta de mim por segundos
e me fez sentir no apogeu da ansiedade e da curiosidade...
Alguns instantes se passaram e, enfim,
aquele e-mail tão nobre, digno de um autêntico Lord apareceu...
Ele, como não poderia ser de outra maneira,
mostrou-se grande, fiel, sincero, verdadeiro
e como sempre, muito gentil e carinhoso...
NAQUELE MOMENTO
A direção da imaginação para o aventuroso
era-me a expressão dos estados d’alma...
O que há de elevado ou comovente no fabuloso
eram os adornos que concluíam a calma...
Próprio de cenas amorosas ou romanescas,
havia o predomínio das sensibilidades...
Nossos corpos produziam imagens pitorescas,
sem a menor preocupação nas castidades...
Despertar do sentimento sobre o belo,
criavam a existência de tais remates...
Aquele palco parecia quimérico,
longe dos tão presentes combates...
Introduzindo-se, fora romântico,
marca registrada dum sonhador...
Dissipando-me, fui fantasioso,
sinal latente dum devaneador...
SUAS MÃOS
Sequência de expressões articuladas invadiu a minha vida... Foi uma forma irreversível,
difícil de explicar...
Vivi tensões e emoções sem serem verdadeiros os lugares... Insistência no continuar,
doce no sentir e no penetrar...
São extremidades dotadas de grande habilidade e apurada sensibilidade,
destinada à preensão do meu corpo ou ao exercício do tato em meu tronco...
Cuidam e protegem das muitas entradas e saídas,
sempre deixando várias alternativas para poder se escapar...
Nesta prática, que lhe é peculiar, ensina-me que nunca devo fechar-me para não
ter outras saídas...
Quando se eliminam alternativas, deixa-se de ter experiências de vida...
Sendo assim, terei soluções diferentes para as minhas diferenças com elas...
Meus dentes fazem afligi-las, excitá-las, estimulá-las...
E por fim, a minha fisionomia é servil pois, torna-se apoio na qual elas repousam
sempre vígeis...
O PASSO PARA RECOMEÇAR
Para Paulo Cesar de Oliveira Soares
Não me faças ingratidão!
Não sejas uma roca,
na qual se enrola a rama do linho para ser fiada...
Por que ser um indivíduo invencível?
O cerne já foi teu estro...
Tua parte mais íntima, o âmago
era uma vera-efígie daquela obra
que outrora tu destruíste...
Óh, rosa alada,
a qual serviste de tantas inspirações...
Que renasça tua esperança...
Olha para o céu, o mar,
a vida que Deus te entregou...
Faças de hoje sempre o teu melhor dia!
Esta é a tua chance de recomeçar a vida...
Pois sem dúvida, terás teus dias de glória!
CONSCIENTIZAÇÃO AMOROSA...
O estivador suava em sua labuta,
ocupava-se na arrumação da carga
nos porões e nos conveses, era uma luta...
Bíceps avantajados tinha,
aquele lindo moreno jambo...
Até uma tatuagem de coração partido continha...
Como um berôncio agia,
o indivíduo estava a fitar-me
pois, também sendo observado, já sabia...
Eu, ali no aproveitar do ócio,
sonhava, delirava
e desejava cobrir-lhe com ósculos...
Por instantes fiquei cego...
Enquanto minha mente se deliciava com seu suor,
aconteceu o susto que despertou o ego...
Sua presença quente e úmida
invadiu minha consciência
e seu coração partido tocou minha natureza líquida...
Foi assim que desenhos brilharam em meu corpo,
como um rastro dum caracol...
E a essência do torpe, enfim, trabalhou em meu prol...
AQUELE JOVEM
Um pobre advogado...
Além de sonhar, eu amo a vida...
Conhecer uma pessoa era o que mais queria...
Foi que de repente, conheci mecê...
Jovem, bonito, inteligente e formado mostrou-se você...
Depois de alguns minutos de trocadilhos,
uma leitura psicológica deu-se como gatilho...
Misturar lógicas numa sentença ou num parágrafo,
aumentava a beleza do nosso jardim ortográfico...
Vi então, que mais parecia um sobre-humano,
pois exercia todo poder dum soberano...
O maior dos refletores, o sol,
perdia e, mostrava-se sábio em seu prol...
Tamanha e absurda mostrava-se sua frieza
ou uma máscara usava com enorme destreza...
Meus sentimentos perdiam-se
confusos e inconformados...
Tristeza é ver uma pessoa tão jovem
materialista, era aquele informatizado...
Numa ambição descomedida,
a morte era-lhe latente...
Conduzia uma personalidade despida,
porém, disfarçado estava aquele carente...
Não houvesse o julgamento,
o medo, eu ocultava...
Desatino era o discernimento,
estilístico, ele proporcionava...
Quão pequenos nós somos...
Mas, chegada foi a minha vez...
Simples cordel nos transformamos...
Porém, presente estava a lucidez...
Havia amor? Quase...
Terminado, ele levantou...
Sonhara em entregar-se...
Mas sem dizer nada, pelejou...
DESPEITO
Em geral, esses “tipinhos” cujo cérebro foi embora
junto com o suor na academia “da hora”,
são “barbies” que acabam sempre onde começaram
e fadadas ao anonimato, desde que iniciaram...
Largar tudo e ir passar uma “saison” na Europa
é um escapismo para poucos privilegiados...
A dor do doente e da solidão não passa de pipoca,
terapia dos coitados, pobres e descamisados...
TROCAR, PEGAR OU LARGAR
Tenho piedade, não de si, mas de seus aliados...
Pois só eu sei que não gosta de juntar o seu com o alheio...
Não derreta como uma vela neste perdido calor!
Junte-se à nós, misture-se, não tenha medo nem pudor...
Somos iguais diante de tantas músicas...
A saudade invade-me...
Fale comigo, grite, cante, não me ignore...
Ouça-me, eu rogo-lhe!
Não se perda, não seja quem não é, abrace-me, beije-me...
Role seus dedos, sinta-os, agite-os, dedilhe-os no instrumental...
Pulse da viola para o violão, depois role do violoncelo para o violino...
Fira com um arco suas cordas afinadas...
Viaje nas cordas percutíveis dum piano...
E que os ouvidos penetrem na caixa de ressonância e naveguem na amplitude da
sonoridade...
Com abstrata observância das formalidades legais e nos limites de suas atribuições,
saiba escolher o lado bom de ser viperino!
Use o poder da transformação!
O piançar é o passo inicial...
Contorça o seu corpo, sufoque este mal, exprima suas lágrimas, solte-as...
Enuncie por palavras ou gestos, represente por meio de manifestações, dê a
entender, revele e grite o mais alto que puder!
Expelir o erro, o engano, a dúvida é lançar de si, é proferir com violência,
é salvar-se!
A hora é esta e agora é a sua vez...
INÚTIL DESACORDO
Se não fosse longo o sofrer do pecador
relativa à doutrina espiritual
ou ao domínio da reflexão moral,
libertaría-nos mais facilmente do moralizador,
deste conjunto de regras e condutas
consideradas leis absolutas dentro desta fábula...
Sendo assim, poderia dizer-lhes sem pesar que,
antes tivesse sido interminável aquele disfarce
de cevar-me até à saciedade
como a ninfa Galatea,
que se transformou num lindo lago,
só para saciar todo seu latente calor...
Estas palavras sacrílegas pesam-me neste instante de julgamento...
Que princípios éticos são estes?
Como todo castigo tem influência sobre os reprováveis,
quero levar o convencimento aos seus ânimos
e enfim, persuadir os culpados a libertarem-se...
MALDADE...
Olor que lhe é particular
segregado pelos poros da pele.
Mau cheiro reconhecido no ar,
presença certa daquele verme.
Eliminada transpiração fétida
através das suas glândulas.
Dizia que era fruto da fadiga,
não se importando com a relutância.
Naquela lida tão pútrida,
olfato, faro perdiam-se na contaminação.
Suspeitava das lágrimas, gotas,
e, continuava sem a menor hesitação.
Suava, lambia e gozava,
trato íntimo digno de nojo...
Enquanto o verme me chupava,
tramava algo contra o asqueroso...
...matá-lo era o melhor,
livre do asco ficaria...
Ele suscita o meu pior,
veneno na comida, matálo-ia...
No preparar da substância,
inocente e decidido estava...
Não sofrer de repugnância
era o que me sustentava...
Mais uma vez estando em casa,
logo depois daquela trepada,
aconteceu uma fatal inversão:
- Quero saber qual é a intenção?
Obrigou-me a dizer
mas, rato velho que era
fadou-me ao veneno comer
e, ficou a espera...
Tamanha perversidade coexistia...
Só nos últimos instantes que eu percebia...
A nossa iniquidade era idêntica...
Na agonia, o perdão teve saída excêntrica...
“EXU”
Havia um ruço tal qual um “diabo”
e há um “Superior” como advogado...
Como um bom “demônio” ele abusava
e, claro, possuía um gene de malevolência...
Passando-se por “santo”, reivindicava:
– Se houvesse uma outra sentença...
Numa cena insólita
tinha até comportamento cordial.
Mas, em verdade sólida,
não passava dum “gênio do mal”!
“Cão-tinhoso” como ele só
e com influência especial,
aos risos manipulava os homens...
Sem que percebessem o nó
e atados ao objeto material,
o povo aceitava as suas ordens...
Todos o havemos por inocente
afinal, o “bruxo” nos enchia de presentes...
Hás de perceber que “lúcifer” tem bons princípios...
Defendiam “belzebu” aos juízes e aos ilícitos...
Enfim, “satã” era a encarnação da maldade...
Infelizmente, eles houveram do juiz a esperada liberdade...
Porém, o “Princípio Supremo”,
até então calado “Ele” estava...
Como um “Ser Infinito e Perfeito”,
o “Criador do Universo” aguardava...
“Divindade” de personificação masculina,
garantiu aqueles valores morais, sendo-nos “Inefável”...
O tal “Advogado” de benevolência coexistia,
“Deus”, explicação de nossa existência, não é “Inacessível”...
A BONECA
Narração de aventuras extraordinárias são as ações maléficas atribuídas às
bruxas...
Uma certa vez, conta uma estória duma poderosa feiticeira que tinha grande capacidade
de artimanha odiava e manipulava qualquer ludibriante...
A pressão geralmente utilizada por esta coisa-feita ou mandinga era o trabalho
de ser raspado periodicamente todos os pêlos de um rato, que posteriormente
era lentamente despedaçado à pagamento antecipado do favor que ela esperava
dos maus espíritos sobrenaturais invocados...
Assim, sempre seduzia, em pêlo, quem lhe fosse insolente...
A vítima, pobre homem atado aos prazeres do sexo, entregava-se à medusa armada
de vampirismo e sem perceber, tornava-se num entorpecido servo...
Prova do abuso contínuo desta tal megera eram os longos sulcos pretos que mantendo
a aderência, permaneciam naquele pobre corpo sem direitos...
Aquela mulher rabugenta tinha dez vidas, três a mais que a do legendário gato...
E por fim, quando a escuridão da noite acabava, numa inocente boneca de pano
de crianças, a astuta escondida, adornava o tranquilo quarto...
“SUBMUNDO”
Condenadas a uma vida caótica,
alheia e nula de anistias,
o antro era perdido e amblótico,
com pias e bacias cheias de tias...
QUADRA
Adoráveis são mesmo os meneios sensuais,
assim, brincamos com as nossas intimidades...
Aliás, somos da era das liberdades sexuais,
na qual descarregamos as nossas imunidades...
QUADRA
O desfiar do causo,
do conto, da história,
exprimiu o holocausto
ou era apenas uma estória?
QUADRA
O brio é minha verdade!
Muito oportuno fora o comentário.
Sentimento de minha própria dignidade,
que castigou aquele pobre mercenário!
O INCENSO
Para Marilda Marques Sanches e esotéricos
Resina aromática extraída de alguma espécie...
Perfume que ludibria e defuma de forma incessante...
Faz-se necessário na vida de qualquer espécime...
Pois cortar e quebrar a inveja é sua constante...
Sendo símbolo do elemento ar
em sua fumaça perfumada há poderes,
de repelir a força maléfica em atuar
e de elevar as preces dos homens aos deuses...
Invocando e impressionando a força sideral,
o uso do incenso teve origem no oriente...
Ele age como uma verdadeira ponte astral
e é usado também para limpeza do ambiente...
Aqueles que contém arruda, mirra e alecrim
são usados para limpeza do ambiente...
Já aqueles que contém violeta, rosa e jasmim
são usados para harmonizar o ar envolvente...
Para o amor suplicam:
almíscar, ópium, patchuli e sândalo...
Para meditação imploram:
shangai, cravo da índia, lótus e bálsamo...
Para acalmar conjuram:
cravo, alfazema, angélica e camomila...
E para energizar evocam:
benjoim, eucalipto e canela...
A INICIAÇÃO
É o início de uma nova fase da vida,
simbolizado talvez por um ritual...
Que outrora em civilização primitiva,
marcava a passagem à maturidade sexual...
Grande cerimônia de iniciação anual...
Costume este hipocritamente adaptado
por um evento da sociedade primacial,
que hoje, pelo casamento, é representado...
Era nas escolas iniciáticas
que se davam as iniciações, os ritos,
ou em organizações espiritualistas
que expressavam as mortes como mitos...
Morte simbólica do homem material,
oradores referentes aos formulários da fé...
Para um grande renascimento espiritual
e não ao acaso, para a perpetuação da sé...
CHAMAMENTO AO AUXÍLIO À ASCENSÃO
Como já fora dito anteriormente: “a posse é um vislumbramento da propriedade”, assim como o poderio é um deslumbramento do hodierno valimento extrínseco...
Deslustrosamente, os homens deixam-se fascinar pela obcecação ígnea do materialismo,
desluzindo assim, o essencial básico dos outros elementos...
São indivíduos fadados à escravidão da idolatria terrestre, preferindo igualmente
não aludir ao rumo espiritual...
Também, hoje em dia, a reeleição põe-se à parte da antiquada monarquia; as campanhas do uso de preservativos distanciam-se da censura sexual de sua época; o exercício da medicina que está com preferência eficiente que outrora; a discriminação racial que é mais velada e suscetível que em tempos passados; tudo isto sem mencionar os sem-terras, os erroneamente qualificados grupos de risco, os assuntos amblóticos, os protestos na ecologia, os temas de globalização, etc.
Será que os fenômenos atuais se realizam de modo análogo ao das épocas geológicas passadas?
Ainda bem que somos passíveis de receber modificações, pelo contrário, não teríamos realizado tais evoluções sociais...
As contradições humanas são equívocos da evolução cultural de determinada parte...
Antes todos valorizassem uma visão aquilina sobre o desenvolvimento progressivo pessoal.
Deste modo, alcançaríamos conceitos cerúleos nos quais seriam relativamente ascensionais...
ORAÇÃO DO MARTÍRIO
O peso do crucifixo que carrego na aura aplica-me o suplício de Tântalo, sofrimento de quem, sempre vê escapar o que se deseja ardentemente, quando prestes a alcançá-lo...
A tortura do desejo de possuir-te está à vista, porém não posso desfrutar-te...
É uma imposta aflição, uma punição mental e corporal... Pergunto: Por quê?
Será que não percebes este suplicatório?
O que queres mais de mim?
Já não basta o rogar e implorar esmolas?
Tu não vês que prostro-me pedindo...
Eu via a água que se afastava quando ia bebê-la...
Via a música que se fazia muda quando ia senti-la...
Via as estrelas se apagarem quando ia pedir-lhes...
Via os muros tombarem quando ia proteger-me...
Via a lua se esconder quando ia contemplá-la...
Via as raízes que se aprofundavam quando ia comê-las...
Via os galhos frutíferos encolhendo-se quando ia apanhá-los...
Via o fino vinho transformar-se em álcool quando ia degustá-lo...
É-me tudo isto, um duro martírio...
São desejos irrealizáveis, excitações do espicaçar e frustrações contínuas...
Que lançam-se por terra, que humilhem-se, que curvam-se em sinal de reverência todos os frustrados que profundamente querem e foram privados da satisfação duma necessidade...
E que por fim, uma brisa, um sopro, um vento brando transmute este princípio sutil que interfere nos fenômenos ou sensações vitais de nossas carnes...
Que a aúra-masda aja em total intervenção sobre todos àqueles envolvidos e
abençoe-os com uma chama áurea para todo o sempre...
Amém!
O VERNÁCULO DA SALVAÇÃO
A fé é a primeira virtude teologal,
porção emocional do indivíduo
de oposição natural à parte intelectual,
representada através dum fogo íntegro...
Chama esta de luz e calor
que manifesta o espírito, o valor,
o lado imaterial do ser humano,
que brilha e concerne ânimo...
O coração é a sede do amor,
das emoções e da perfeição...
É força viva, coragem e vigor,
verdade e firmeza de execução...
Na confiança e na crença,
pureza de grande transparência
é coração de ouro, generoso,
maternal, puro, afetuoso...
De pecado original e de mácula
é possuidor dum coração de pedra,
pessoa insensível, desalmada,
cruel e até manchada...
Da alma brota exaltação
é o vernáculo da salvação...
Clarão intenso, virtude alada,
que garante inocência imaculada...
REPRESENTAÇÃO CATÓLICA
Viajando na arte
Naquele exemplo significativo do barroco,
podia-se sentir a presença divina...
Adornado com anjos esculpidos em tocos,
era rica na estrutura e nas alegorias...
Um sentimento jamais vivido
tomou conta de minha alma...
Exaltado e de brio erguido,
transcendia meu peculiar estado de calma...
Páginas escritas por inúmeros viajantes,
eram felicitações em diversas línguas...
Traziam ainda, pedidos de estudantes,
palavras estas que emocionam e findam...
Um apelo a Deus
foi feito à humanidade...
Com um breve adeus,
despedi-me de tal irmandade...
CIDADE
raspas de coco
fumaça de fábrica
pensamentos ocos
é tudo uma lástima
pregam estadismo
cospem no chão
praias de nudismo
faltam-lhes, união
falsa modernidade
machismo e sujeiras
esta velha cidade
mudá-la-ia inteira
querem a independência
dá-lhes, povo heróico
como castigo e penitência
serão fadados ao heteróscio
BRAVO RETUMBANTE
Como um sentinela duma peça de xadrez
aguardou o lance pois, na sua vez,
destruiu todos aqueles totens cegos
e no oratório, regozijou-se do ego!
Romanceiro e lutador épico
prendeu o fálico fuste coroado,
sua majestade, o rei homérico,
transformou-se num plebeu humilhado...
Como prêmio, o marco heráldico
foi queimado em vivas chamas...
Numa homilia expressou-se o heróico
e por fim, o povo, à ele clama...
INSPIRAÇÃO EM OLINDA AO RELENTO
Subir as ruelas a pé
passando pelo Mosteiro de São Bento,
chega-se ao alto da Sé
patrimônio histórico, acme do vento...
ITAMARACÁ
Para o povo de Pernambuco
Sol que arde em minha pele traz vida em meu peito, fere... Doce riacho doce
que margeia os manguezais, segue tranquilo desde remotos ancestrais...
Montes de areias virgens que limitam a ilha, formam ainda, outrora, filha...
Hoje com adorno de nobreza, prole de gratidão, tem mata plantada e sustenta
o nome de: “Coroa do Avião”!
Lendária mãe indígena, digna de adjetivos,
inexorável é sua magia e seus regimes são qualitativos.
Penitenciária futurista, com suas leis próprias, valoriza o trabalho, servindo
de exemplo para as outras...
Científica e social, tem até um centro do Ibama,
ponto turístico para quem, o peixe boi, ama...
Cartão postal é seu coqueiro torto!
Assim como os viajantes barcos veleiros...
Com grande proteção, atuou, seu Forte Orange,
formam uma estrela, todas as suas falanges...
Caldinho, peixe, caranguejo, serve-se à beira mar.
Arrumadinho, menina bonita e gente boa, vi num bar...
É de você, Ilha de Itamaracá, que falo...
Adorável fantasia, fecho os olhos, sinto e me calo...
Vento incessante que machuca as folhas dos coqueirais alinhados... Representação
fálica de imponentes deuses com seus cabelos desarrumados...
Paraíso da “maria-farinha”, garça e do bem-te-vi, cheio de alegria, você foi
a ilha mais bela que já conheci...
FOLIA DE REIS
Aquela gente na festa de Reis,
continha pureza e simplicidade,
comemorava, no início do mês,
a tradição da cidade...
Receber em sua casa
era honra e alegria...
Depois da cantoria e da farra,
havia um banquete com euforia...
Uma bandeira era portada,
emprestada esta, ao anfitrião...
Nos cômodos da casa passava
para abrir caminhos e dar proteção...
Todos com coloridas fitas,
formavam um belo visual...
Dançavam e tocavam músicas ricas,
revivendo um antigo ritual...
Como é rico o nosso folclore
ainda em algumas regiões...
Pena que não segue, pois a prole
tem interesse em outros foliões...
APRENDER ARTE...
Para os artistas
Observando o magma vulcânico,
fiquei atordoado, estonteado...
Transformou-se em rostos de pânico,
pasmados, perturbados...
Aquelas obras artísticas
são frutos da natureza...
Essas linhas estilísticas
demonstram enorme beleza...
Também, o efeito de criar,
encontra-se num trabalho manual,
numa ação moral de um escritor
ou na produção total de qualquer artista...
Graças a estas ações
e ao arbítrio dos talentosos,
podemos suscitar renovações
que convertem os interiores desejosos...
Nesta capacidade de criar sensações,
carregada de vivência pessoal e profunda,
dá-se a resolução que depende só da sua vontade,
pois seu lavor e sua arte plástica compreende
o instinto rupestre e o bom senso gráfico...
Parabéns! Àqueles que se dedicam
e revelam sentimentos artísticos,
nos quais estão nosso despertar
para que possamos aprender arte...
CRIAR
Manifestar-se e mostrar-se em poesia expressiva,
eram confusos sentimentos de ordem divina ou satânica...
Dominado por uma grande apatia quase depressiva
seguida de momentos de profunda euforia vulcânica...
Alternando alegoria romana de um semideus
com sua prole perdida em meio aos plebeus,
altivo e preocupado portava um tal caduceu,
mas agora, estágio elevado era rogar a Deus...
ODE
Para Denize de Fátima Borgatto
Inspiração compositora
com índole sempre lírica...
Apaixonada é a criadora,
uma figura quase mítica...
Composição todavia poética,
combinada...
Atuava de forma profética,
adornada...
ZODÍACO
Signo que contém uma personalidade
valores significativos sem igualdade
rompe as barreiras do saber
emociona-se com o passado sem querer
gera luz, vida e criatividade
limpa e trabalha não se importando com a idade
equilibra e une cada ser
transforma o ciclo até morrer
ensina e desperta a religiosidade
cresce e vence em sua dignidade
no fim, desperta a humanidade para fazer
paz e amor é o que todos queremos ser...
MUSEU
Criado para conservar,
guarda uma miscelânea...
Para quem gosta de estudar,
recomenda-se uma coletânea...
Imensas coleções de interesse artístico,
valoriza e expõe até componente técnico.
Estabelecimento de grande valor histórico,
que, sobretudo, alimenta a educação do público.
Pessoas de diversos interesses
passeiam pelos corredores mapeados...
Fazendo-se entender através de lerdices
por entre tantos quadros enumerados...
O não informado, anda e sofre calado
numa triste figura pois não sabe o que vê!
Apesar de supostas evidências e alguns comentários
não perde a postura, porém esconde que não lê!
IRREGULARIDADE GEOMÉTRICA HUMANA
Condenados à invisibilidade,
ajustavam as contas com a história...
Meus sentimentos criaram uma inflexão em sua voz...
Neste ponto em que a concavidade curvou-se,
deu-se a inclinação de tal linha...
Os antagonismos às nossas posições ou idéias
eram marcados pela exclusão e pelo confronto...
Porém, mereceu especial consideração
depois que expeliu todo limbo do passado...
Sendo a curvatura já extensível,
a modalidade e o tom de suas palavras
exaltaram as perspectivas daquela paisagem...
Visto de uma certa distância,
a arte de representar sob um aspecto ou plano
aquele desenho, deu vida e personificou em si
a própria visão céptica do diretor...
Não fossem as esquinas à vista,
sua complexa personalidade
seria um infeliz panorama de ângulo reto...
TEATRO
Num monólogo, seu caráter reúne
o feitio da energia paterna
com a feição da doçura materna...
Neste exemplo, a platéia desune
aquela polaridade ambígua
que cada um tinha contida...
Toda literatura era inútil
frente àquele cenário de luxo...
Porém a palavra soava útil,
apesar de se relatar nosso lixo...
Era um suntuoso edifício onde
representam-se obras dramáticas...
O seu bastidor esconde
o patrocínio de pessoas carismáticas...
No espaço cênico, com peito puro,
o âmbito limitava seu campo de ação...
Atuava o contorno dum sol maduro,
poesia aparente, ainda sem resolução...
Eram narrados o Circuito do Brasil Colônia
e discriminações existentes nas periferias...
Momento atual do índio já mesclado,
série disposta no palco, de pontarias...
Nos espaços intermediários, o povo
plantava e prendia entre seus muros...
Ele conseguiu sustentar em si o ovo,
semente esta lançada contra os impuros...
Alardeava enorme patriotismo,
atacava os poucos privilegiados
que, apodrecendo no mangue dos vícios,
não são partidários dos bens humanitários...
Enfim, a peça fora aplausível...
Digna de elogios, causou polêmica e discussão!
Ator autêntico de trabalho indiscutível!
Resta-lhe agora esperar a repercussão...
A MORAL DO SUCEDER DO INFORTÚNIO
O moribundo passou todo o resto de seus dias entre a solidão, o devaneio e a desesperança...
Um caderno velho foi sua única companhia, no qual registrou todos os seus dissabores...
Em sua mornidão, ele sonhara em conquistar sua amada, e revelou-se atormentado ao perceber que não era correspondido...
Com ausência de forças para superar seus limites, enlouqueceu e foi parar no manicômio...
Sem esperanças e anichado atrás duma morácea, só queria saber de ir para a cidade dos pés juntos, apesar de estar incapacitado para tal feito...
Fortemente possuído por um sentimento baseado em razões imperiosas de interesse pessoal, preconizava doutrinas aparentemente sãs porém, continham intuito moral de uma certa fábula...
As folhas, os galhos, o visco causaram-lhe comichão e, a dilação da duração de seus ataques sucessivos, sem que alguém lhe livrasse daquele mal, fez com que num ímpeto corresse desembestado para o encontro de seu próprio fim, pois não notou o grave perigo do despenhadeiro...
Foi assim que talvez, realizou sem ter querido, aquela arrebatada paixão que lhe consumia a vida...
Entretanto, os sobejos do velho livro de anotações e as narrações importunas contidas naquele texto serviram de estro e resultaram no sucesso dum desconhecido escritor...
Enfim, foi assim que seguiram-se sucessivamente as tais histórias...
O proveito oportuno extraído dum substancial qualquer, alimenta, tem propriedades de força e encerra inúmeros ensinamentos mesmo que a reprodução, infelizmente, seja do seio duma desventura...
A FOTO
Como um verdadeiro material iconográfico
de contexto tão complexo e excepcional,
eram os processos de ocupação no plano pictórico,
que igualmente desvendava a ressonância emocional...
Este conteúdo transportava-se por completo
ao sentimento sem misturas, quase que virginal...
Núcleo temático transparente e correto,
equilíbrio de grande autenticidade natural...
Aquela imagem fotográfica abstrata
tocava o solo numa escala humana...
Ressonância do fato que relata
e dirige paisagem clara que imana...
Porém a coexistência do sincretismo
ressoava como o único contra,
deixando confundir-se a estética,
com a sua bondosa conduta ética...
Mas, o eco através dos signos mostrou-se cândido...
Ritual e manifesto de expressão dedicado à nitidez...
Universo entre o poder imaginário casto, límpido,
no qual, entre o vazio e o afeto, nasci pela segunda vez...
UTÓPICA VISÃO
Aspecto revelador de melancolia é-me saber que em qualquer tempo passado ou em tempo nenhum, poderei examinar o meu próprio conteúdo sem a manifestação indireta de uma circunstância...
Esta volta da consciência hostil soa-me como um trisso...
Nós, indivíduos considerados como parte de um todo social, sempre entramos na composição dalguma coisa...
Isto é essencial, elementar, básico, claro...
Sei que estas composições simples são as primeiras noções da arte...
Porém o refletir, o retratar, o revelar, o incidir, eternamente são acompanhados daquilo que não atua diretamente...
A fisionomia que refletiu na poça...
A luminosidade que refletiu no espelho...
A vitória que refletiu nos povos...
Antes pudesse sair desse envoltório atmosférico, para contemplar-me verdadeiramente...
Assim, o ato de ir de um a outro lugar relativamente afastado, daria-se talvez pela transposição de minha entidade sobrenatural...
De um outro ângulo, que seria uma bizarria, como me ver das mãos, que transcende o natural...
Ainda através de um istmo ou um apêndice cefálico sensorial, um quarto olho efetivamente realizaria este desejável anseio...
A expressão da sabedoria eterna é isso que temos...
Por que a anomalia é vulnerável?
Enfim, jamais poderemos nos enxergar por completo...
Resta-nos apenas com esta profunda dor, fazer com que numa viagem alcancemos a visão da nossa própria imagem...
A NOSSA HISTÓRIA
Não somos pessoas submetidas à perplexidade das alturas inalcançáveis,
recolhidas à consciência de nossa pequenez...
Porém, mesmo com as almas torturadas não vamos verticalizar a nossa história...
Não seremos fugitivos ou prisioneiros, como hercúleos ou como um avatar,
seremos um forte estio que irradia,
traz vida e enaltece para sempre, todo nosso clima...
O que se faz para ser querido?
Ser desinibido, até atrevido?
O que aconteceu foi uma imprevisível subversão
ou uma aleivosia da presente predição...
Também um desgoverno repentino
provocou o meu enorme desatino...
Porém, triste, proponho,
como naquele sonho,
que jamais amanse
todo este complexo romance...
Outrora, todos os dias, numa hora terçã,
havia uma sintonia quase cristã,
na qual eu preparava mentais poções
que nos transformaria em mitológicos dragões...
Tudo em vão, agora, sou um inseto que de repente
pressente no ar mas, torna-se vítima da própria tempestade
e, “não passando duma falena assustada,
que pelo fascínio do risco
deixa-se ser capturada”...
A nossa história
não há de ser provisória
pois, saturada de simbologias
e com adornos de algaravias,
é uma narração com linguagem onírica
e de expressão fortemente anímica...
Enfim, resta-me ser uma outra anágua,
que ficando escondida atrás do destino
canta loas pelo caminho,
lembrando do mistério que nos fascinava...
A BUSCA
Queria poder-lhe dizer
a essência de meu ser...
Assim, estancaria todo pranto,
soaria como um canto,
minha agonia teria um fim
e eu te teria enfim...
Grande parte do que busco no amado
é um elo perdido do distante passado...
Não importa pois, quem teme a sua sorte,
dizem que sempre abraça a sua morte...
Escondido, atrás dos gases encontrava-se...
Sendo vencido pelo desejo, procurava-lhe...
Empregava todos os recursos, empenhava-me...
Tudo em vão, as nuvens ocultavam-lhe...
Minhas profundezas exalam amor...
Gostaria de partilhar sem o menor pudor
mas, não sei aonde te encontrar,
nem se existe, para poder te amar...
SEM VOCÊ, MEU AMADO...
Para Marcos Mandarano
Um dia após o outro,
sem o sorriso e a presença, vêm as lembranças...
Mata-me cada minuto um pouco,
sem deixar de reter esperanças...
Esforço às vezes sobre-humano...
De não se perder em agonia...
Loucura, desespero... O controle busco no ser supremo...
A paz, o alívio eu encontro. Onde estará a alegria?
Vazio imenso sem ser preenchido...
Dor que não tem tamanho...
Caminho por ai sem ser percebido...
Passo a passo em desatino...
Lugares, passagens e palavras não se organizam...
Tempo longo, quase sem fim...
Sentimentos confusos não se equilibram...
Aprendizado difícil, por fim...
TRANSFERÊNCIA MÚTUA...
Prioridade máxima era-me a sincronicidade
que, estava em exposição à realidade virtual...
Executávamos a implementação de projetos
no entrelaçar e no tecer deste novo âmbito...
As minhas conquistas foram decisivas...
Seu raro potencial intelectual e todo o seu sentido mais amplo, foi-me um gatilho
para proposta inovadora
que o passado tanto incapacitou-me...
Somos personagens legítimos e naturais,
assim como marionetes do destino,
adoráveis formas tão antigas de arte,
que despertam a mais simples e pura comunicação...
As remotas condições de sobrevivência
concentram todas as nossas atenções,
somando forças e criando esforços inovadores...
Assim produziu-se a dedicada intenção especial...
O beijar foi fruto do reflexo do céu,
uma proteção especial da infância,
a extensão da alma dum piano ou ainda,
uma surpreendente erradicação da exploração sexual...
Você gera-me, mescla-me e promove-me
inúmeros ornamentos emocionais...
Que seu amor teça-me de verdades e saudades
para todo o resto dos meus dias!!!
VIAGEM NUM MOMENTO DE PRECIOSOS PENSAMENTOS
Meu corpo acompanha a melodia, minha vontade é abrangente...
Quero abraçar o mundo, crucificar meu self...
A música é meu alimento, o que tenho para saciar minha ansiedade...
Os dedos tocam suavemente as teclas, deslizam no ar, dão forma aos pensamentos,
sentem o que a imaginação deseja...
O gigantesco espaço, mundo em que vivo, agredi-me, faz-me sentir um nada, uma
nota solta na composição de tudo...
Quão pequenos somos diante de tantas partituras...
Por que o organismo reage? Por que a dor invade?
Por que o arrepio nos possui?
Quero a inércia visto que o desperdício e o poderio é-me latente... O ponto
me consome...
E o inverso, por minutos, aconteceu...
A grandeza, a imensidão do estado proporcionou-me a tão utópica forma de poder...
A força e a energia de minha vontade gerou vigor, robustez, saúde e uma enorme
capacidade de autoridade...
Como a possibilidade de influenciar dá o direito de deliberar a autorização...
As notas progressivas vão lentamente invadindo meu espírito, dando continuidade
à respiração...
O momento cresceu e fiquei exposto ao meio de conseguir a ocasião...
Qual será a verdadeira potência?
O discordar da vontade universal deveria ser compatível com a intensidade pessoal...
Por que os caminhos e as direções são tão diversas?
Enfim, a voz penetra-me transformando o sentir, emociona-me e desperta-me para
um breve renascer, que me vivifica para continuar sempre... sempre...
ARREPENDIMENTO
Fui fadado às asas deste amor...
Fugi, neguei e relutei.
Busquei outro, procurei...
Mas foi um equívoco de valor...
Viajei, conheci e esperei...
Um cego rebelde me dominou
e, coisas novas ele conquistou...
Porém aos primórdios eu voltei...
Bom que podemos retornar
ao calor do aconchego nos cuidar...
Agora no ninho vamos nos esconder
para que os sentimentos possam reascender...
A CONCISÃO
Qual foi a pecha?
Questão esta submetida a tantos fatos...
O verbo que exprimiu ação não realizada...
O som que manifestou conteúdo sem primor...
O relacionamento que mantinha imperfeição criada...
O ato sexual daqueles em que gerou pudor...
O trabalho que revelou sua irremediável falha famigerada...
Talvez, tudo não passe de excessos
pois, nossas críticas imperdoáveis
significam-nos valores prolixos
nos quais perdemos imunidades inumeráveis...
O fastidioso nos suscita indignação moral,
é um desequilíbrio que se opõe à razão.
Todos os sobejos da condição social
reproduz repugnância a quem faz juz à emoção...
A palavra contém muito peso
e inspira absoluta confiança...
A prolixidade é antônimo leso
à exatidão, fuga esta preferida à aliança...
Quem dera fosse fácil a concisão de findar
pois, buscar a perfeição é trabalho árduo,
sem, aliás, deixar de associar
e encerrar em si o lacônico...
Homenagem a poetisa Marina Bruna:
“Minha esperança não finda...
Corro este globo terreno
mas hei de encontrá-lo, ainda!”
***
“Quanta razão para amar,
viver em paz e esperança!
É Natal em todo o lar
onde nasce uma criança!”
Que a benção do Menino Jesus
derrame-se em vosso lar...
Graça divina que conduz
paz e amor em nosso caminhar...
Prefácio
01 – O OLHAR
03 – O PROFUNDO QUERER
05 – FALTARAM-ME FORÇAS
06 – TRAIÇÃO
09 – CARO ENGANO
10 – ELUCIDOU
11 – SEPARAÇÕES
12 – SEM FUTURO
13 – UM AMOR
14 – SONHOS
15 – ETERNA BUSCA
16 – A PARTIDA
17 – IMPOSSÍVEL MUNDO
18 – NUVENS
19 – ADMIRANDO
20 – REFLEXÃO
22 – POBRE SONHADOR
23 – SOFREDORA
24 – IMPREGNADOS VALORES
25 – BÁSICAS TRANSFORMAÇÕES
26 – MASSIFICAÇÃO
27 – ENTENDIDA
28 – OBRIGATÓRIA SAUDADES
29 – POSSUÍDO DE AMOR
30 – ILUSTRE DESCONHECIDO
31 – QUE ECOEM AS CORNETAS
32 – NAQUELE MOMENTO
33 – SUAS MÃOS
34 – O PASSO PARA RECOMEÇAR
35 – CONSCIENTIZAÇÃO AMOROSA
36 – AQUELE JOVEM
38 – DESPEITO
39 – TROCAR, PEGAR OU LARGAR
41 – INÚTIL DESACORDO
42 – A MALDADE
44 – EXU
46 – A BONECA
47 – SUBMUNDO
48 – QUADRAS
49 – O INCENSO
50 – A INICIAÇÃO
51 – CHAMAMENTO AO AUXÍLIO À ASCENÇÃO
53 – ORAÇÃO DO MARTÍRIO
55 – O VERNÁCULO DA SALVAÇÃO
56 – REPRESENTAÇÃO CATÓLICA
57 – CIDADE
58 – BRAVO RETUMBANTE
59 – INSPIRAÇÃO EM OLINDA AO RELENTO
60 – ITAMARACÁ
61 – FOLIA DE REIS
62 – APRENDER ARTE
64 – CRIAR
65 – ODE
66 – ZODÍACO
67 – MUSEU
68 – IRREGULARIDADE GEOMÉTRICA HUMANA
69 – TEATRO
71 – A MORAL DO SUCEDER DO INFORTÚNIO
73 – FOTO
74 – UTÓPICA VISÃO
76 – A NOSSA HISTÓRIA
78 – A BUSCA
79 – SEM VOCÊ, MEU AMADO
80 – TRANSFERÊNCIA MÚTUA
81 – VIAGEM NUM MOMENTO DE PRE. PENSAMENTOS
83 – ARREPENDIMENTO
84 – A CONCISÃO
OUTRAS POESIAS
COMPREENSÃO
Era fim de tarde, quando tudo serenou e o ar parou de dançar,
(debruçado em olhos de poeta escolhido)
viu-se como as águas estavam folhadas,
sempre calmas em seu lugar.
Eram tantas folhas, pequenas folhas venosas,
alvas por dentro e rosadas nas bordas,
com seus ápices levemente curvados,
que até formavam minúsculo abrigo,
para, talvez, o sentimento anichar.
Depois da novena, lentamente,
como velhos barcos atracados uns nos outros,
(contemplando campos de batalhas, em desatino)
todas aquelas folhas naufragaram,
revelando uma superfície brilhante sem igual.
Ao passo disso, um anjo ingente sobrevoou tão rasante
que quase tocou nas águas,
nas mesmas águas que outrora o messias me batizou.
Pouco a pouco, foram clareando, cada vez mais e mais...
Iluminaram tanto, mais tanto que as criaturas em alinho,
enxergaram por cima aquela profundeza,
(Universo de águas cristalinas, muito além do destino)
que um dia a Natureza lapidou.
Então, abriu-se a cortina do passado
e como vate anunciou para este mundo,
em questão de segundos, a boa nova chegar...
Com pés descalços, sosseguei todos os pensamentos por um instante,
no mesmo momento em que comunguei a glória de Obrar!
Manhã de 03/05/2000 – São Paulo
Poesia que participa da antologia “ÁGUA NO TERCEIRO MILÊNIO”
DUAS MIL E UMA BOCAS
Tributo à deusa boca (03/2001)
Personificação feminina, rubra, deusa dos lábios teus.
Quem molhará meus lábios? Se és criada, toda vinda de deus!
Bocas, bocaças, boca. Beiço, beiçudo, beiços.
Lábios, labiais, lábio. Beijo, beijoqueiro, beijos.
Se tu pudesses dizer de boca, ao pé do ouvido, os carregados sentimentos por
detrás de um beijo teu... Não haveria prova escrita, tampouco a sensação de
quase morrer de tantos gritos meus.
Tua carne porosa do vermelho, rubra da cor do sangue, da cor da gérbera, da
cor do rubi. Por ela ingerimos o necessário alimento de todos os dias. Por ela
nos comunicamos, às vezes à boca pequena, outras vezes botando a boca no mundo.
Há quem vive batendo boca, outros vivem de boca aberta – pasmados!
Ah! Aqueles lábios entreabertos... São versos, são vozes de sentimentos mudos,
são beijos, lascivos beijos que ocultam as palavras e inflamam os desejos.
Margem carnuda e vermelha, diga-me: há quem não deseje um cálido hálito de boca?
Há quem a flor beija, também é beija-flor.
Há aquele de ritual, que beija-mão, beija-pé.
Há quem viva de beiço caído por alguém.
Há bocas pálidas, grossas.
Há quem diga que as bem vermelhas são de felicidade em amores...
Ah! Quantos lábios que beijamos... Que delícia!
Mesmo aqueles à beira da boca, boca imaculada, como oscular uma ninfa reclinada.
Até o princípio do anoitecer tem boca: boca da noite.
E assim, vai se criando enigmas, mistérios no canto da boca...
Itinerário labial de bocas ambíguas, com revelação obscura, difícil é decifrar.
Volte, volte aos meus lábios, pois o melhor do amor talvez seja o roçar dos
lábios teus.
Não me abandones. Peço-te!
Porque aflito permaneço à beira dum abismo, com dois lados, pronto a me atirar:
Se tu queres ainda vivo, senão morto, mas sempre, sempre pelos lábios teus...
SOZINHO
Senti-me reduzido, impelido à solidão.
Não àquela de quem vive só,
Com aversão à sociedade,
Abandonado por todos.
Mas a desamparada de sangue,
Como se eu fosse único, sem descendentes...
Senti-me obrigado, coagido à solicitude.
Não àquela de quem vive isolado,
Decorrente da melancolia,
Completamente sozinho.
Mas a constrangida de alegria,
Como se eu fosse um vaso, solitário...
Todos somos únicos.
Não professamos do mesmo credo,
Tampouco formamos a mesma raiz...
Fui ignorado, não compreendido, julgado, punido!
Porque a ânsia de sentença precede o bom juízo...
Quem és tu para sustentar que fomos irmãos de leite?
Quem és tu para apontar um antônimo de filantropia?
Concebemos a nossa própria solidão,
Digerindo sofrimentos de maneira hermética...
Nesta “guerra”, sim, permaneço sozinho.
Certo de resignação, quem dera fôssemos,
ao menos, irmãos...
São Paulo, 26/04/2002
– Participou do VII Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja, organizada
pela APPERJ – Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro.
Em uma pré-seleção, ficou entre os 71 poemas selecionados do Brasil inteiro.
– Participa da IV ANTOLOGIA NAU LITERÁRIA
SEXTO SENTIDO
São Paulo, 18/10/2002
Não temas penetrar em faixas interditas, não.
Aproveites de tua situação momentosa...
Troques e torna-te de encantos, negando teu restrito e o vão.
Quiçá, teus pontos cantados desçam e tomem meu corpo intangível.
Arrebatem, impressionem e cheguem até o meu íntimo.
Como já bem sabes: peço-te não ser impetuoso com minha estesia.
Se confessas teu medo invasor,
eu confesso estorvar momentum criativo teu,
com letras, unicamente, de desafogos meus.
Nesta ocasião, sinto não gozar de melhores forças.
Sinto não poder andar poetizando.
Sinto não ter outra intenção.
Sinto falta de afeição.
Sinto muito.
Sinto.
Sim.
Ao contrário de tu,
se não fosse temor, eu seria espírito de dramaturgia...
Doença que corrói todos os cantos.
Tenha piedade de mim.
Paixão que murcha a cântaros.
Tenha piedade de mim.
Alma que desafia até os santos.
Tenha piedade de mim.
Sujeitos é que me fascinam, brilham.
Sombria ausência de atração heróica inunda meus prantos...
Opaca geografia de rosto, de corpo, de verbo.
Eterna privação de afeto varonil.
Tudo falta, tudo é morto!
Não sou merecedor nem do nascer de tua ventura!
Parece não haver qualquer salvação...
Daí, imundície expressa todo meu amargor:
Pregas transparências, falhas!
Arrancas-me além de confidências, enganas-te!
Alijamentos de sexto sentido, precipitamos-nos!
Maquiavélico
Do mais profundo ocidente da mente,
pensamento podre nasceu como criança.
Que sucumbiu com sua língua atraente
À outra lei de contrária substância.
Com muita malignidade naquele instante,
Primeiro, acolheu diferente regra sedutora.
Depois, vimos salientar medo sufocante,
que seu ruído vergou à outra sofredora...
Cresceu ainda mais para o reino do oriente
E causou dor, num sem fim de espanto!
Adotou postura dum sábio confidente.
Assim, demônio milenário se fez de santo!
Mesmo, antes e depois, o reinado Onipotente,
Fez-se em vão trabalho de todos os prantos...
Grão duque ocupando espaço presente,
Semeou idéia nociva para todos os cantos...
Mandingueiro, diabo velho e demente,
Numa caldeira colocou 12 mil cobras venenosas
E sete mil garrafas de aguardente,
Benzendo todo trabalho com as mais negras rosas...
Ferveu o caldo até tomar forma de gente!
Acrescentou o couro de sete entranhas,
Apetite dos urubus de todo o continente
E mais os pêlos das piores aranhas...
Adornou a obra com seu próprio dente,
E concedeu-lhe vida através de Caim!
Horripilante e mordaz mas, dependente,
Serviu-lhe de brinquedo até o fim!
Satanás ainda não contente,
Só falhou ao soltá-lo pelo mundo,
Dando-lhe um sopro inconsciente
E batizando-o de insano vagabundo!
Jamais me esquecerei de seus dedos!
Que com muito tino são amantes da boa música...
Consagraram a mim eternos ledos,
com graça e doçura aquela melodia lúdica...
Tonteia e afunda
Estampa tal estiagem
Obrigada e funda
Sobre aquela barragem
Aponta má drenagem
Imunda coragem
Oriunda drenagem
CONCRETA MUDANÇA ATRAVÉS DUMA RESPIRAÇÃO
I
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T r a n s f o r m a n d o
A r – T o m a d o
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F a d o – R a r o
F o r m a – A m a n d o
T a r a r – R o m a n o
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A r – T a r a d o
T r a n s f o r m a – A r m a n d o
T o r n a – F o r m a d o
F o r n o – R a m a d o
T a r d o – A m a d o
A r – T a n s o
T o m a n d o – S o r o
T a r ô – T r a n s f o r m a d o
S o m a n d o – F ô r m a
N o r m a – R a s a
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Última atualização: 22/01/2010. |