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OIAPOQUE

Texto e fotos de Sérgio Eduardo Sakall, dezembro de 2001.

Bienvenue à L’Oyapock”, Rio Oiapoque, Município de Oiapoque – estado do Amapá (AP), cuja capital é Macapá, em 12/2001.

Quem nunca ouviu esta expressão: “do Oiapoque ao Chuí”?

Pois é. Quando se determina os dois pontos mais extremos do Brasil, as principais referências nacionais são esses dois municípios: Oiapoque e Chuí.

Hoje, falaremos sobre o local que tem suas origens no início do século XX, através da morada de um mestiço: Emile Martinique. Por isso, inicialmente, o lugar chamava-se Martinica...

Foi aí que o governo federal resolveu criar um destacamento militar, para onde vários presos políticos foram enviados. Alguns anos depois esse destacamento foi transferido para Santo Antônio, atual distrito de Clevelândia do Norte, com a denominação de Colônia Militar.

Muito tempo depois, em 23 de maio de 1945, foi criado o município de Oiapoque. Localizado no extremo norte do Estado do Amapá, a cidade faz fronteira com a Guiana Francesa – país vizinho ao nosso – território da França.

O que divide os dois países é um belo rio de mesmo nome: o rio Oiapoque. Atravessando-se esse rio, chega-se em “Saint George” – cidadela tipicamente francesa que, recentemente, serviu como ponte para a entrada do primeiro Euro no Brasil (moeda adotada na Europa).

Com mais de 13.000 habitantes, o Oiapoque fica a 590 quilômetros de distância da capital Macapá. As principais atividades do povo de lá são: pesca, agricultura e artesanato.

Em Oiapoque, além do interminável trânsito de “catraias” (uma espécie de lancha a motor) que transportam passageiros de um lado para o outro, franceses e brasileiros criam uma nova linguagem ou até falam um o idioma do outro.

ATRATIVOS NATURAIS

Entre os programas que o município oferece está o passeio pelo rio Oiapoque – com sua densa vegetação e uma exuberante paisagem que, só pela vista, já vale o entretenimento.

Marco por servir de linha divisória entre o Brasil e a Guiana Francesa, nele existem cachoeiras e corredeiras e grande variedade de peixes, onde se destacam os deliciosos Tucunarés – peixe símbolo da pesca esportiva.

No Estado do Amapá encontramos os grandes peixes de água doce como o Jaú e o imenso Pirarucu. Também Apaiari, Aruanã, Bagre, Camurim, Piranha Vermelha (Cajaé), também a Preta, Robalo Flexa, Tarpon (Pirapema ou Camurupim), entre outros.

Nos passeios de catraia, além de se atravessar a fronteira para conhecer Saint George, podemos visitar suas cachoeiras (destaque para a “Grand Roche”), tomar banho nas corredeiras de “Marripá” (9km de Oiapoque) ou ir aos balneários existentes no lugar.

Também há nas margens do rio casas que vendem o artesanato local – um artesanato indígena, merecedor de destaque pela sua beleza e singularidade.

Outros lugares de interesse: o Cabo Orange, conhecido como ponto extremo do norte brasileiro, situa-se na foz do rio Oiapoque e o Vale do Rio Uaçá, lugar onde se encontram as principais comunidades indígenas da região.

Aliás, o maior atrativo cultural do Oiapoque é a Festa do Turé – reunião anual de todas as tribos indígenas e, como atrativo de caráter religioso, destaca-se a festa de Nossa Senhora das Graças – padroeira do município.

Com uma geografia muito particular em relação as demais unidades amazônicas, o município apresenta um conjunto de atributos naturais que refletem a influência imposta pela conjugação dos domínios: guianense e amazônico.

Fisionomicamente, a cobertura vegetal corresponde a dois padrões de vegetação distintos: o domínio das formações florestadas e o domínio das formações campestres.

Os rios da região, como importantes vias para a movimentação e transporte de cargas dentro do Estado, apresentam sérias limitações ao tráfico de embarcações, pela sequência de corredeiras encachoeiradas que se fazem presentes a partir do seu médio curso.

FUTURO DE OIAPOQUE

Fernando Henrique Cardoso, em acordo com o presidente da França, assinou a documentação para a construção de uma ponte, a qual ligará o Oiapoque à Saint George, em um futuro próximo. Claro que isso significará uma evolução para o lugar, no entanto penso que a travessia através das catraias continuarão, sobretudo pelo ponto de vista turístico.

Aliás, o turismo ainda não se desenvolveu naquelas terras, principalmente pela grande distância que existe entre Macapá e o município, embora existam muitos curiosos franceses percorrendo as ruas do Oiapoque. Considerados turistas ou não, na verdade são pessoas que rumam para lá, destinadas às compras em mercados – o que significa uma boa economia no bolso de quem mora na Guiana Francesa.

Por outro lado, nós brasileiros, podemos atravessar a fronteira em busca de perfumes ou vinhos franceses. Mas, atenção! Para se andar nas ruas de Saint George nós não precisamos de visto no passaporte. Isso, só é exigido para se conhecer o restante do país.

Em Oiapoque, há uma praça com uma bandeira do Brasil bem no centro, alguns trechos do Hino Nacional pintados na base dessa grande bandeira e uma placa escrita a emocionante frase: “Aqui começa o Brasil”...

O que estará pintado no Chuí? Bem, quanto ao Chuí, fica para uma próxima edição...

Dicas do autor:

As três imagens abaixo mostram a publicação desta matéria na Revista Além da Pesca Lazer e Turismo, Ano: 04, abril/maio de 2002, Edição: 34, matéria Turismo: Oiapoque, páginas: 4 a 6.

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CABO ORANGE (AP) ou MONTE CABURAÍ (RR)?

O Cabo Orange, conhecido como ponto extremo do norte brasileiro, situa-se a 4º 30' 30", na foz do rio Oiapoque, Estado do Amapá. Essa diferença nas coordenadas é a principal prova apresentada pelos desbravadores de Uiramutã...

Platão e Brás também argumentam, com base em cálculos cartográficos, que o Monte Caburaí, no Estado de Roraima, fica 84,5 quilômetros mais ao norte do que o Cabo Orange. É como se você traçasse uma linha reta no mapa do Brasil.

Partindo do Cabo Orange, o Monte Caburaí estaria mais de 85 quilômetros longe da reta. Monte Caburaí tem 1.465 metros de altitude, faz fronteira com a República Cooperativista da Guiana e só é possível chegar no Monte por meio de aeronaves...

Em realidade, o “monte” Caburaí é a borda de um imenso planalto, com mais de mil metros de altitude média que se estende ao longo da fronteira, com 5º 16' 20" norte, sendo o ponto mais setentrional do Brasil (Norte), 84,5 quilômetros mais ao norte que o Cabo Orange, cuja latitude é 4º 30' 30" norte.

Então desta forma se lê: “do Caburaí ao Chuí”!

No Caburaí nasce o rio Uailã, com suas corredeiras e cachoeiras, destacando-se a majestosa queda de quase 100 metros da cachoeira de Garã-Garã. Esse ponto extremo do Brasil situa-se no município do Uiramutã.

Nota: veja a bandeira de ambos Estados!

Em 12/12/2000, os Correios brasileiros emitiram um selo em comemoração ao Aniversário de 100 Anos do Laudo Arbitral Brasil – Guiana Francesa, com valor facial de R$ 0,40 centavos, o selo mostra as fronteiras entre os dois países, Brasil e Guiana Francesa, também o retrato do Barão de Rio Branco... RHM: C-2354.

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ATRATIVOS NATURAIS – ARROIO CHUÍ (RS)

No Chuí (Rio Grande do Sul), cidade brasileira mais próxima do balneário Barra do Chuí.

Na última edição perguntamos quem conhecia a expressão: “do Oiapoque ao Chuí”? Pois bem, trouxemos para você uma matéria sobre o rio Oiapoque e, hoje, falaremos sobre o rio Chuí – também divisor de dois países. É a REVISTA ALÉM DA PESCA do Oiapoque ao Arroio Chuí!

A palavra “arroio”, pouco familiar para a maioria dos brasileiros, mas peculiar ao linguajar sulista, equivale a um pequeno curso d’água. Na verdade é uma das curvas do arroio Chuí o limite, o ponto mais meridional do Brasil, onde o nosso país acaba e que estabelece a fronteira litorânea com o Uruguai.

Nota: Só não diga isso a ninguém de lá, pois assim como no Oiapoque – “Aqui começa o Brasil” – é o slogan ufanista do povo da região... Entretanto, esta frase é grafada no Brasão de Armas do Estado do Amapá...

Farol da Barra do Chuí, a última luz brasileira que se pode ver do mar, ou a primeira, vai saber… Localizado no extremo sul do Estado do Rio Grande do Sul, o município de Chui faz fronteira com o Uruguai – país vizinho ao nosso.

Do alto do farol (uns 30 metros de altura) tem-se uma vista da praia e do Chuí desembocando no mar. De lá vê-se também a obra dos molhes que fixam o leito do Arroio. Construído em 1910, é o mais moderno farol do Rio Grande do Sul e o único aberto à visitação pública (terça e quinta-feira das 15h30 às 17 horas); entretanto estava fechado para manutenção quando o visitei em 05/01/2010. O senhor Babi é o último faroleiro civil do Estado.

BARRA DO CHUÍ

A praia Barra do Chuí é onde desemboca o rio Chuí. Tem 6 quilômetros de extensão, areia branca e muitas dunas. É a última praia do litoral brasileiro e entrada para o Brasil para quem vem subindo pela costa do Uruguai. Pacato balneário, pode servir como base para se aproveitar uma série de possibilidades turísticas da região.

Na costa pode-se aproveitar o mar de águas escuras para a prática de pesca e surf. As atividades de verão contam com uma agitada vida noturna no Clube Beira-Mar e restaurantes da região. Nesta época, a praia é invadida por centenas de turistas, na maioria uruguaios.

Entretanto, durante o resto do ano, sobretudo no inverno, quem visita a praia desfruta de uma tranquilidade sereníssima, podendo também, com um pouco mais de agasalhos, aproveitar o visual da região. O escultor Hamilton Coelho (último habitante do Brasil), na fronteira leste com o Uruguai divide a casa, na Barra do Chuí, com quatro cães e três gatos...

A fotografia by Sérgio Sakall, tirada em 05/01/2010, mostra o ponto mais austral do Brasil, na Barra do Chuí, a foz do Arroio Chui que encontra o Oceano Atlântico e marca a fronteira entre o Brasil e o Uruguai.

URUGUAI

No Chuí, pode-se aproveitar a zona de livre comércio para a compra do lado do Uruguai, na vizinha Barra del Chuy – o que costuma fascinar os turistas com muitas ofertas de produtos importados nos free-shops como bebidas, perfumes e artigos de couro e lã; pode-se também jogar no cassino ou ainda visitar o pequeno e simpático Fortín de San Miguel (1734), a uns 10 quilômetros da cidade. As atividades de verão contam com uma agitada vida noturna na cidade uruguaia

Para entrar no Uruguai o passaporte é a carteira de identidade.

Pode-se aproveitar de um litoral constituído por praias completamente diferentes das do lado brasileiro. Na costa uruguaia, no Departamento de Rocha, pode-se desfrutar de praias como a de Punta del Diablo ou as praias da Moza, Achirras, del Barco e del Pesquero, dentro do Parque Nacional de Santa Tereza. Para quem segue mais ao sul pelo Uruguay, os balneários de La Paloma e a praia de Cabo Polonio são paradas imperdíveis. A Fortaleza de Santa Tereza por si só vale uma visita.

FUTURO DE CHUÍ

Enfim, como dissemos na última edição, lá no Oiapoque há uma praça com uma bandeira do Brasil bem no centro, uma placa escrita a emocionante frase: “Aqui começa o Brasil”. Aqui no Chuí podemos ver:

– Marco 1-P, construído em 1857, em território brasileiro, para assinalar a foz do arroio.
– Molhe construído em 1978, para a fixação da Barra do Arroio Chuí, exatamente no azimute de 128 graus (orientação da loxodrômica que define o Lateral Marítimo entre o Brasil e o Uruguai).
– Marco 4-P, construído em 1857, em território brasileiro, assinala a foz do arroio São Miguel na Lagoa Mirim.

Quando ir: De novembro a maio, pois no inverno, o frio é intenso e a praia fica mais perigosa na maré cheia. Aliás, é bom prestar atenção nos horários e amplitude da maré de qualquer jeito, para não ser pego de surpresa no meio do caminho, é só perguntar a qualquer pescador sobre as condições da praia.

Tempo estimado: Um dia é suficiente para fazer a trilha e aproveitar as atrações do caminho. Distância: 158 quilômetros. Veículo indicado: Carro com tração 4X4 e alguma experiência em areia. É possível alugar o veículo lá mesmo.

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Última atualização: 16/10/2014.
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