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FLAMINGOS

Introdução e curiosidades etimológicas...

As palavras em latim Phoenicia e Phoenix parecem ter origem comum do termo grego Phoinike, o qual designou uma determinada área, a Fenícia (Phenicia). Os fenícios (Phoenicians), povo da Antiguidade famoso pelo comércio no Mediterrâneo, inventaram na cidade de Tiro (atual Líbano) um colorante ou tinta que ficou conhecida como cor púrpura-de-tiro, cujo tom é uma mescla entre o roxo e o vermelho, difícil de determinar. Os gregos chamavam aos fenícios de “phoinix”, que quer dizer vermelho, em referência à cor da pele deles.

A fênix (phoenix ou phoînix) é um pássaro mítico que pode ser encontrado em diversas mitologias, como dos egípcios, gregos, romanos e fenícios. De acordo com algumas culturas sua cor varia de ouro, escarlate, púrpura e roxa. A lenda sobre a fênix é contada por Isidoro, segundo sua obra Etymologiae: “Arabiae avis Phoenix, dicta phoeniceum habeat colorem quod...”, trecho que pode ser traduzido como: a fênix é uma ave da Arábia, assim chamada porque é da cor púrpura dos fenícios (Phoeniceus)...

Na Biologia moderna, várias espécies animais e vegetais de borboleta, flamingo e tamareira, por exemplo, têm como parte de seu nome científico as palavras “phoenicea ou phoenix” que, certamente, referem-se ao território da costa do Mediterrâneo ou àquela cor quase mística da Fenícia: púrpura, vermelho-violeta, vermelho-arroxeado... Seguindo este raciocínio e misturando tudo, o nome genérico dos flamingos “Phoenico-”, provavelmente significa fênix (Phoenicopterus como os gregos a conheciam) ou de cor da fênix, pois todos os flamingos são luzentes e têm a mesma cor vermelha encarnada de base, considerada cor básica, primitiva e quente, com tonalidades desta matiz rutilante, cintilante.

Desde o tempo dos fenícios a fênix, ave sagrada do Antigo Egito, tem sido um símbolo de renascimento físico e espiritual, do poder do fogo, da purificação e da imortalidade. Em todas as mitologias o significado é preservado: a perpetuação, a ressurreição, a esperança que nunca tem fim. Como na mitologia grega que a ave renascia das próprias cinzas, que morria para renascer com toda a sua glória a cada 500 anos, hoje, de tempos em tempos o flamingo “ressurge” no Brasil...

A família dos flamingos é dividida em três gêneros que compreendem seis espécies. Duas delas vivem do outro lado do oceano Atlântico, as demais em terras do Novo Mundo. Dessas quatro espécies de flamingos americanos apenas uma reside no Brasil, o flamingo-vermelho, na região Norte, Estado do Amapá. Outras duas têm sido registradas em território brasileiro, ambas na região Sul: flamingo-andino (RS e SC) e flamingo-chileno (RS). Recentemente, a quarta espécie, o flamingo-da-puna, foi registrado no Estado do Acre – pela primeira vez no país.

Acredita-se que um fenômeno climático tenha sido responsável pela presença de um bando nas terras baixas da Amazônia, a aproximadamente 800 km da área mais próxima de ocorrência da espécie nos Andes bolivianos (del Hoyo, 1992). Provavelmente por causa de grandes tormentas conforme frentes frias acompanhadas de fortes rajadas de vento. Essas tempestades acabam “arrastando” os flamingos para regiões distantes de suas áreas comuns, uma vez que essas aves não conseguem voar contra fortes correntes de ar...

Na fotografia acima podemos ver em pleno voo o flamingo-chileno (Phoenicopterus chilensis). Nas fotos abaixo as duas espécies de flamingos que ocorrem na África: o “pequeno” (Phoeniconaias minor) e o “grande” (Phoenicopterus roseus), ambos são encontrados misturados em grupos em alguns Parques Nacionais do Quênia, por exemplo, ou em Parques Nacionais da Etiópia.

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Ordem: Fenicopteriformes – Phoenicopteriformes (Fürbringer, 1888)
Família: Fenicopterídeos – Phoenicopteridae (Bonaparte, 1831). Gêneros (3):

1 – Gênero: Fenicoparros (Phoenico+parrus = fênix+relativo?, próximo?) – Phoenicoparrus (Bonaparte, 1856). Espécies (2):

Sabe-se que estas duas espécies endêmicas da América do Sul (cujos olhos são escuros) não migram regularmente para regiões localizadas fora de sua área natural. Entretanto, já foram documentadas ocorrências no Brasil de ambas as espécies: flamingo-andino (há poucos registros; foi visto duas vezes até 1992, na região Sul: uma no Estado do Rio Grande do Sul e outra em Santa Catarina) e flamingo-da-puna (recentemente visto no aeroporto de Rio Branco, no Acre).

Phoenicoparrus andinus (Philippi, 1854) – Flamingo-andino ou flamingo-dos-andes / Andean Flamingo / Flamant des Andes / Flamenco Andino ou Parihuana, Parina Grande. Distribuição Geográfica: Norte do Chile (Salar de Atacama), Bolívia (Reserva Nacional de Fauna Andina “Eduardo Avaroa”, www.bolivia-rea.com), sul do Peru e noroeste da Argentina. Características: Plumagem branca-rosada, única espécie que tem as pernas e pés amarelos, seu bico é em grande parte preto, isto é, a área preta do bico compreende aproximadamente a metade dele, com presença de coloração amarelada na base. Nota: O nome científico Phoenicopterus andinus é considerado sinônimo.

Phoenicoparrus jamesi (P. L. Sclater, 1886) – Flamingo-da-puna (ecorregião do Peru) ou flamingo-de-james / Puna Flamingo, James’s Flamingo / Flamant de James / Flamenco de James, Flamenco Andino Chico, Parina Chica. Distribuição Geográfica: Habita altitudes elevadas do altiplano andino (acima de 3.500 m), restrita a uma zona específica da Cordilheira dos Andes que compreende o extremo sul do Peru, oeste da Bolívia (Lagoas Colorada e Guayaques, também compõe a fauna do Lago Titicaca), norte do Chile (Salar de Tara) e noroeste da Argentina (Natural Laguna de los Pozuelos, Laguna Mar Chiquita, Província de Chubut). Características: É menor do que o flamingo-andino, plumagem rosa-clara, com estrias carmim brilhante nas costas, pele vermelha ao redor dos olhos, área preta do bico restrita ao terço apical. Nota: O nome científico Phoenicopterus jamesi é considerado sinônimo.

Os selos chilenos abaixo são de épocas distintas, respectivamente: o primeiro foi emitido em 22/10/2002 para marcar a “XII Conferencia de las Partes CITES”, cuja imagem mostra o “Flamenco Andino” (Phoenicoparrus andinus), e o segundo data de 09/08/1985, emitido em uma série de 4 valores sobre “Animales en Peligro de Extincion”, o selo mostra o “Parina Chica” (Phoenicoparrus jamesi). Repare na cor das pernas de ambas as espécies...

2 – Gênero: Fenicópteros (Phoenico+pterus = fênix+asas ou fênix-alada) – Phoenicopterus (Linnaeus, 1758). Espécies (3, sendo duas das Américas):

Phoenicopterus chilensis (Molina, 1782) – Flamingo-chileno / Chilean Flamingo / Flamant du Chili / Flamenco Chileno, Flamenco Austral / Chileflamingo. Distribuição Geográfica: Ampla, sudoeste da América do Sul, Chile (nos gêiseres), Equador, centro do Peru, Argentina. Migra dos Andes chilenos até o Sul do Brasil, pois é visitante de inverno austral no Estado do Rio Grande do Sul (Lagoa do Peixe)... Recentemente, dois indivíduos foram registrados em represas pertencentes à bacia do rio Tietê, Estado de São Paulo, estendendo sua distribuição geográfica para o interior do território brasileiro (Branco et al., 2001). Características: De menor porte, plumagem com tom de rosa mais claro, pernas de cor clara (acinzentada), mas pés e articulações bem rosa, que chamam a atenção.

Phoenicopterus roseus (Pallas, 1811) – Flamingo-rosa, flamingo-grande ou flamingo-comum (é uma das espécies mais velhas do mundo e a mais difundida) / Greater Flamingo / Flamant rose / Flamenco común / Rosaflamingo. Distribuição Geográfica: Partes diversificadas da África (costa Saariana, Tunísia, Senegal, Serra Leoa, também Botsuana, Somália), sul e sudoeste da Ásia, Emirados Árabes, nas regiões costeiras da Índia e do Paquistão, sul da Europa, Itália (Sardenha), Portugal (Reserva Natural do Estuário do Tejo). Características: Plumagem rosa-esbranquiçada, sendo mais escura nas coberteiras alares (penas que cobrem as asas), cujas pontas são rosa, que contrastam com as rêmiges (penas de voo) primárias e secundárias negras, pernas e pés inteiramente rosa, bico rosa com ponta preta restrita.

Phoenicopterus ruber (Linnaeus, 1758) – Flamingo-vermelho, flamingo-americano ou flamingo-caribenho (ganso-do-norte) / American Flamingo, Caribbean Flamingo, Pink Flamenco, West Indian Flamingo / Flamant des Caraïbes, Flamant rouge, Flamant de Cuba / Flamenco del Caribe. Distribuição Geográfica: Ocorre desde a Flórida até a costa norte da América do Sul, passando pelo Caribe, República Dominicana (Lago de Oviedo), nas ilhas Turks e Caicos, norte da Colômbia, Equador (Ilhas Galápagos), Venezuela... Considerada ave nacional das Bahamas, e segundo aquele governo, a espécie é encontrada em três grandes grupos na região caribenha, um deles no Great Inagua (Bahamas) e os outros na Península de Yucatán (México) e Ilha de Bonaire, nas Antilhas Holandesas. Entretanto, vários fatores, incluindo a ação do homem, levou a redução de seu número. Características: De cor muito mais intensa, pink, quase vermelho, as pernas e os pés também.

Esta é a única espécie que reside no Brasil com colônia reprodutiva no Estado do Amapá (Sick, 1997), na ponta do Cabo Orange onde nidifica e se reproduz, conforme o livro “Aves do Parque Nacional do Cabo Orange” (SBO), que mostra a espécie fotografada por Robson Esteves Czaban... (embora me tenha parecido que a foto nº 18 não foi tirada in-situ)... Nota: Esta espécie já ocorreu no Arquipélago de Marajó (PA) e antigamente chegava até o Estado do Rio Grande do Norte, como atesta uma pintura pré-histórica encontrada no município de São Rafael...

Na sequência, tanto nas fotografias acima como nos selos postais abaixo, as três espécies do gênero Fenicóptero: chilensis (pernas claras com juntas rosa), roseus (o maior e mais cor-de-rosa de todos) e ruber (o mais vermelho de todos).

Selo do Chile emitido em 12/10/1990 numa série de 2 valores “America Upae”, cuja imagem mostra o “Flamenco Chileno” (P. chilensis). Selo de Gibraltar emitido em 2008 sobre “Birds of the Rock” que mostra o “Greater Flamingo” (P. roseus). Selo das Nações Unidas emitido em 1998 sobre “Espèces menacées d’extinction” que mostra o “Flamant rouge” (P. ruber). Nota: Esta espécie da América, ameaçada de extinção, é a que mais aparece em emissões de selos postais, incluindo muitos, muitos selos africanos...?!

Atenção: Embora uma espécie ocorra na África e a outra na América, é comum confundir estes dois Fenicópteros por causa de sua coloração similar, pois ambos têm plumagem clara. Mas, repare suas pernas e bicos... O flamingo-rosa tem suas pernas completamente cor-de-rosa e o bico também (foto do lado esquerdo da tela) e o flamingo-chileno tem o bico e as pernas quase brancas com as articulações rosa-escuro (foto do lado direito). Ambas as fotos foram tiradas no Zoo Parque (SP).

3 – Gênero: Feniconaias (Phoenico+naias = fênix+ninfa, relacionado com o fluxo das águas) – Phoeniconaias (G.R. Gray, 1869). Espécie (1):

Phoeniconaias minor (E. Geoffroy Saint-Hilaire, 1798) Phoenicopterus minorFlamingo-pequeno, flamingo-lesser (que significa menor) / Lesser Flamingo / Flamant nain (anão) / Flamenco chico. Distribuição Geográfica: África, principalmente no Vale da Fenda, também ocorre no noroeste da Índia. Características: É a menor e mais numerosa espécie. Seu bico é quase inteiro preto. Raramente está fora dos lagos porque a sua principal dieta é a “proteína unicelular”* que é encontrada nos lagos alcalinos da África, como na Cratera Ngorongoro (Tanzânia), por exemplo, ou no Lago Nakuru (Quênia) – mostrado tanto no selo postal à direita como na fotografia ao lado.

Nota*: A “proteína unicelular” (Spirulina spp.) é uma bactéria (antes pensava-se que era uma alga) que contém a vitamina betacaroteno (β-caroteno) ou pró-vitamina A, de elevada concentração de caroteno – pigmento orgânico que confere à plumagem a cor característica do animal. Em cativeiro: Costuma-se acrescentar um corante alimentício em pó chamado coloral, proveniente de semente de urucum, para que os flamingos de cativeiro mantenham suas cores naturais...

O selo da África do Sul, emitido em 1999, mostra dois nomes deste flamingo, o nome comum “Lesser Flamingo” e seu respectivo nome científico Phoeniconaias minor.

Flamingos

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Do lado esquerdo da tela, folhinha com 16 selos emitida pela República de Angola que mostra a logomarca da WWF e a espécie flamingo-pequeno. Do lado direito da tela, máximo-postal emitido em 1961 pela Somália Francesa (atual República do Djibouti) que mostra o flamingo-grande. Ambas as espécies ocorrem no Continente Africano.

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Abaixo, o selo postal foi emitido em 05/04/1979 pela África do Sudoeste (atual República da Namíbia), ele mostra uma espécie de flamingo, mas identifica outra na base do selo: Phoenicopterus ruber – que é o nome científico do flamingo-vermelho, o que provavelmente deve ser um erro, pois o habitat desta espécie é na América e não na África... Podemos ver claramente no desenho de Dick Findlay que se trata do flamingo-rosa ou grande (Phoenicopterus roseus), que vive na África, tem as pernas inteiramente rosa, bico rosa com ponta preta restrita.

Habitat: Ocupam terrenos lodosos e alagados, regiões de banhado, manguezais, estuários, lagoas, lagos hipersalinos originados do mar, lagunas rasas e salobras sem vegetação e beira mar.

Hábitos alimentares: São onívoros, mas comem principalmente algas, bactérias, larvas e pupas de insetos, filtram a superfície da água pegando alimento que é composto de minúsculos animais aquáticos, alguns ricos em caroteno, alimentam-se de plâncton, pequenos invertebrados aquáticos como crustáceos (camarões) e moluscos.

Reprodução: 1 ovo (raramente 2), com incubação de 27 a 31 dias. Parece que todos os flamingos colocam um único ovo em um monte de lama na forma de cone... Os flamingos jovens são acinzentados, com o tempo ficam cor-de-rosa...

Período de vida: Em cativeiro podem viver 40 anos, aproximadamente.

Todas as espécies da família de Fenicopterídeo têm três dedos virados para a frente, mas não têm o hálux (dedo voltado para trás)...?

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Última atualização: 24/02/2012.
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