Bem-vindo ao portal GIRAFAMANIA – “Filatelia, Cultura e Conexão Temática”!
Página oficial do colecionador Sérgio Eduardo Sakall
“A girafa é o animal mais alto da Terra. Sua altura está ligada às nuvens,
que está ligada aos céus, que está ligado ao divino, à espiritualidade...”
Sérgio Eduardo Sakall (colecionador, filatelista e fotógrafo)

 

Colecionar girafas é aprender, é ensinar, é agregar, é zelar, é relacionar quase tudo com todas as coisas, é sobretudo “viajar”!

Dentro de minha coleção de objetos sobre girafas, tenho várias coleções. Uma delas – minha paixão – é uma coleção de selos postais sobre girafas.

Falar sobre o 1º selo do mundo emitido com a imagem de uma girafa, por exemplo, remete-nos à história mundial... À época de nossa própria colonização, pois esse selo é uma emissão de Niassa (hoje, República de Moçambique), datado de 1901.

Ex-colônia de Portugal (assim como nós) localizava-se no extremo sudeste da África, fronteira com Niassalândia (atual Malauí) e ao norte com Tanganica (atual Tanzânia).

E por falar do Continente Africano, também falo sobre a Argélia, de suas emissões filatélicas, das girafas rupestres da região do Deserto do Saara, falo de sua arquitetura, sua Mesquita e o Zoológico de Argel – ambos projetos do arquiteto Oscar Niemeyer – o que me faz voltar (dessa “viagem”) ao Brasil, ao Rio de Janeiro, a São Paulo, ao Museu de Curitiba, particularmente à Brasília...

Enfim, falar sobre Niemeyer, sobre a África, a Argélia, o Brasil, Brasília, sobre as girafas do Zoológico de Brasília, tudo isso, é falar da minha coleção temática sobre girafas!

SEMPRE APRENDI COM AS GIRAFAS!
— VEJA SE NÃO:

A ideia da coleção é mostrar as histórias e lendas do Mundo, desde as teorias criacionistas até os protegidos Parques e Reservas Nacionais do Continente Africano. O ponto de partida é a Bíblia, cujo Antigo Testamento relata a criação do mundo na visão judaico-cristã.

Por séculos os homens acreditaram piamente na versão bíblica para a criação do mundo, até que foram retratadas teorias sobre a evolução das espécies e a Ciência comprovou a existência dos dinossauros e outros animais pré-históricos, até então desconhecidos...

Poderia chamar a coleção de “Contos Curtos” – uma espécie de Antologia Girafídea desde a criação do animal até a emissão do primeiro selo postal brasileiro que mostra através de uma fotografia (de minha autoria) o animal que mais amo: GIRAFA.

A origem da girafa é bíblica ou científica?

Na teoria bíblica, sua origem é narrada no Gênese (primeiro livro do Pentateuco, atribuído a Moisés), no qual se descrevem as origens do Universo... Para os que têm fé, Deus é um artista. Durante cinco dias, Ele inventou tudo o que existe, sobretudo o que há na face da Terra. No sexto dia, criou Adão e Eva, também todos os animais – inclusive as GIRAFAS! No sétimo dia, o Senhor descansou...

Noé, supostamente, salvou duas girafas de uma gigantesca inundação denominada Dilúvio...

No capítulo XIV do Deuteronômio, Animais puros e impuros, a Bíblia cita a girafa sob o nome de “Zemer” que foi traduzido como “camelo-pantera” pelos autores antigos ou “camelo-pardo” (camelo pardal) pelos autores mais recentes...

Assim, estaria a girafa colocada entre os ruminantes de unhas fendidas, cuja carne era pura e, portanto podia, como a dos bois, carneiros, cabritos e veados, ser comida sem cometer um ato impuro segundo as Leis de Moisés...

Já na teoria científica a origem da família dos girafídeos é contada através do tempo, da paleontologia. Também através de estudos arqueológicos, na maravilhosa forma da arte rupestre.

Essa família se diferenciou de outros artiodátilos há 25 milhões de anos atrás, aproximadamente... Seus numerosos representantes povoaram o mundo antigo até o final do Terciário...

Há 20 milhões de anos, os gêneros Palaeotragus e Giraffokeryx eram girafídeos típicos... Há 10 milhões de anos, existiram várias subfamílias, entre a elas, a dos Sivatérios. Os gêneros atuais, Giraffa e Okapia, surgiram mais ou menos na época do Sivatério, e são os únicos sobreviventes dessa diversificada família de ruminantes.

– Como a girafa é chamada por outros povos, na história da escrita, é um estudo muito interessante dos inúmeros idiomas falados em nosso planeta!

– Antigas culturas na África veneravam a girafa, assim como algumas culturas modernas, e representavam-na frequentemente em pinturas nas rochas e cavernas pré-históricas...

– A região da Mesopotâmia, em tempos passados, aproximadamente 3.000 anos, era uma região fértil, com diversos tipos de animais inclusive leões e girafas, entretanto, hoje, é um imenso deserto. As paisagens mudam muito, mesmo quando o homem não as modifica...

– Encontrei em “Linguística”, por exemplo, que o verbo “prever” escreve-se com o desenho de uma girafa... Como será que se grafa a palavra girafa em hieróglifo?

– Assim como fósseis de sivatério-asiático que ocorrem na Ásia, existem evidências de esculturas feitas pelos Sumérios que datam de 5 mil anos atrás muito semelhantes a este animal, o que demonstra que o sivatério foi um dos últimos parentes da girafa a desaparecer...

– Mais importante ainda do que tudo isso é descobrir que as girafas estão representadas em diferentes expressões artísticas, nos maiores e melhores museus do mundo!


A girafa e o homem: uma história longa, longa... – La giraffa e l’uomo: una storia lunga lunga... – Giraffes and humans: a long long story...

– A primeira notícia que se tem conhecimento é do tempo dos antigos egípcios, quando eu fui apresentada a Rainha Hatshepsut, em Alexandria... – Le prime notizie che mi riguardano risalgono a tantissimo tempo fa quando fui portata ad Alessandria d’Egitto dalla faraona Hatshepsut. – I first came to notice in ancient Egyptian times, when I was presented to the Queen Hatshepsut in Alexandria.

– Aliás, na história dos zoológicos, a primeira coleção de animais data de 1490 antes de Cristo, ordenada pela rainha egípcia Hatshepsut (a única mulher que governou o Egito). Deir El-Bahri é, atualmente, o imponente monumento construído na montanha para abrigar os restos dessa rainha.

Aristóteles (384-322 antes de Cristo), instituiu o que podemos chamar de zoológico experimental, privativo de sua observação (parece que ele não conheceu a girafa)... Em sua obra História dos Animais – principal estudo de Zoologia da Antiguidade – legou aos sucessores princípios fundamentais de classificação...

A classificação Aristotélica dividiu os animais em duas categorias: superiores – animais com sangue, e inferiores – animais sem sangue, o grau de perfeição de cada animal está ligado à quantidade de calor que ele possui. Também caracterizou os animais em duas categorias sistemáticas: genos (corresponde a todas as combinações de um grau superior) e eidos (diz respeito à forma individual do animal: cão, cavalo, girafa etc.). De seus escritos outros esboçaram duas classificações: vertebrados (com sangue vermelho) e invertebrados (sem sangue vermelho).

Alexandre, o Grande, Rei da Macedônia (356-323 antes de Cristo) e aluno de Aristóteles, teve uma coleção de animais exposta perto do porto de Alexandria. Provavelmente, sua coleção deu origem ao primeiro zoológico público...

– Chamo de “girafas helenísticas” aquelas que integraram o período que compreende desde a morte de Alexandre Magno até a conquista do Egito por Roma, no qual a cultura helênica conheceu grande expansão e florescimento a leste do Mediterrâneo e no Oriente Médio...

Poderiam ser “magnas girafas” dos períodos: helenístico, romano e bizantino (análogas a fatos que ocorreram entre 395 a 1453, ou Idade Média), com Carlos Magno (Rei dos francos), Alexandre Magno (o Grande), Julio César (de Cleópatra), Plínio (com “Naturalis Historia”), Alberto Magno e Tomás de Aquino, Marco Polo, São Francisco de Assis, entre outros...

Os gregos foram específicos em nomear as girafas “camelopard” – o que literalmente descreve um corpo de camelo coberto com pele de leopardo, contribuindo assim, posteriormente, com o seu nome científico: Kamhlopardali (Diodorus, 20 a.C.). Hoje, a girafa é chamada pelos gregos de Kamlopardali.

Quando Ptolomeu II se tornou rei do Egito (285 a.C.), houve uma maravilhosa procissão em Alexandria. Athenaeus descreveu o grande espetáculo ocorrido e detalhou a coleção real de animais: 130 ruminantes etíopes, 26 bovinos indianos, 1 camelopardalis e um rinoceronte-etíope, além de outras criaturas estranhas...

Em Alexandria, quase no final da Dinastia dos Ptolomeus (48 anos antes de Cristo), Cleópatra presenteou Júlio César com um animal chamado “Camelopardu” (“girafa ptolomaica”):

– Em 46 antes de Cristo fui levada para Roma como um presente de Cleópatra a Júlio César. Naquela época eu valia 300 escravos! – Nel 46 a. C. fui per la prima volta a Roma, dono de Cleopatra a Cesare. In quell’epoca valevo ben 360 schiavi! – In 46 B.C. I was taken to Rome as a gift from Cleopatra to Julius Caesar. In that time I was worth 360 slaves!

Naquele ano, quando a primeira girafa chegou em Roma (Itália), ela foi descrita: “tão grande como um camelo e com manchas como um leopardo” – um corpo de camelo coberto com pele de leopardo. Por esses motivos, CAMELO-LEOPARDO (camelopardo) foi o nome que os romanos deram à girafa. Posteriormente, passaram a chamar a girafa de “Girnaffa” (por causa do árabe Zirapha, que origina de Zurafa). Hoje, os italianos a chamam de Giraffa.

Cesare, dieci anni dopo, dedicando il suo Foro e il tempio di Venere Genitrice, volle superare il suo emulo nella grandiosità delle cacce offerte al popolo e – come afferma Svetonio – mostrava allora un animale che destava l’universale meraviglia: un cameleopardalis, cioè la giraffa, chiamata così dalle caratteristiche del suo pelame.

– ... e para saber o quanto eu era forte, fui colocada com outros animais ferozes... Que medo! – ... e per stabilire la mia indole mi facevano combattere con gli animali più feroci... Che paura! – ... and to see what strength I had, I was made fight with other fierce animals... How frightening!

– Gaius Plinius Secundus (23, Como – 79, Estabia), mais conhecido como Plínio (o Velho), oficial militar do Império Romano, historiador e naturalista, voltou-se para o conhecimento do mundo e da natureza. “Naturalis Historia” (História Natural) escrita no ano de 77 (parece), em 37 volumes, é o mais completo tratado zoológico e botânico conhecido do velho mundo. Essa obra é o melhor meio de se conhecer sobre a zoologia e a botânica do mundo antigo. Um homem de intensa curiosidade, parece que ele conta sobre a primeira girafa de Roma, dada por Cleópatra... Ele morreu depois de aventurar-se muito próximo ao vulcão do Monte Vesúvio... A edição de Martin Lechler (Frankfurt, 1582), com desenhos de Jost Amman e Hans Weidlitz, é uma das poucas versões ilustradas dentre as 15 edições publicadas entre 1469 a 1800, as quais estão guardadas na Smithsonian Libraries Exhibition (www.sil.si.edu). Nota: O incunábulo, publicado em 1481 – a obra mais antiga do acervo da Biblioteca – é uma edição italiana, que pertenceu à Imperatriz Leopoldina e foi doado ao Museu por D. Pedro II e incorporado ao acervo da Biblioteca em 1892.

Così gran numero di animali era tratto dalle più lontane regioni. Da Plinio sappiamo (L. VIII) che traevansi gli orsi dai boschi della Pannonia e della Calidonia: le pantere e i leoni dall’Africa e specialmente dalla Numidia, scrivendo Plinio che quella regione non produceva che belve e marmo numidico; dall’Egitto venivano i coccodrilli e gli ippopotami; dalla Persia le tigri; dall’India il cracuta e il rinoceronte. Gli elefanti si traevano dall’Africa e dall’Asia, e dall’Africa si traevano giraffe e rinoceronti.

“Il Vivarium Imperiale” e outras citações aparecem na história do BIOPARCO – Centro di Conservazione e di Educazione Ambientale – Il Giardino Zoologico di Roma – Itália, tais como:

– “Vivarium di Commodo” (180-193): 100 leões, 100 ursos, 5 hipopótamos, 1 girafa, 1 tigre, 1 rinoceronte, elefante e avestruz.

– Muitas girafas foram para o “Vivarium Imperiale” (100 delas!), em 237 de nossa era. “Vivarium di Gordiano I”, veramente imponente continha: 1.000 ursos, 100 tigres, 100 girafas, 100 toro de Cipro, 10 alces, entre muitos outros animais.

– “Vivarium di Gordiano II” (238-244): 60 leões domesticados, 10 leões ferozes, 30 leopardos domesticados, 10 tigres, 10 hienas, 32 elefantes, 10 alces, 40 cavalos selvagens, 10 girafas, 1 rinoceronte, 1 hipopótamo.

– “Vivarium di Probo” (276-283), questi sopratutto ripopolò il Vivarium. Vi erano ai suoi tempi 1.000 avestruzes, 1.000 cervos, 1.000 cinghiali, 100 leões, 100 leoas, 200 leopardos, 300 ursos, girafa etc.

Monstros fantásticos eram comuns nos bestiários medievais, os quais derivavam de textos clássicos entre os séculos II a IV. O bestiário incorporava tradições orais, histórias de viajantes, simbolismo cristão e alegorias dentro de um compêndio de histórias moralistas baseado em animais domésticos, exóticos e, às vezes, imaginários. Copiado e recopilado na forma de manuscrito por centenas de anos, tais textos tornaram-se mais elaborados e variados quando proliferaram no final de 1400...

Século IV (380) – “Esses presentes recebidos, dentre outras coisas, uma certa espécie de animal da natureza. Em tamanho era como um camelo, mas a superfície de sua pele marcada com manchas como flores. Seus flancos traseiros eram baixos, como dos leões, mas os ombros e as patas dianteiras e o seu peito são muito altos. O pescoço era pequeno em largura comparado com a altura (fino), como se fosse um pescoço de um cisne. A cabeça tem o formato de um camelo, mas em tamanho é duas vezes maior do que um avestruz da Líbia. Suas pernas não se moviam alternadamente, mas em pares, primeiro de um lado depois do outro. Quando esta criatura apareceu, toda a multidão ficou espantada. Sua forma e sua aparência sugeriram um nome que veio da população, proveniente de seu corpo, um nome improvisado de CAMELOPARD.” – Heliodorus, Aethiopica, X. 27.

No ano de 424 depois de Cristo, leões, elefantes, girafas e búfalos estavam entre as espécies expostas no Zoológico de Constantinopla – atual Istambul, Turquia.

940 – “O mais comum animal naqueles países é a ZARAFA. Alguns consideram a sua origem uma variedade do camelo; outros dizem que é uma união do camelo com a pantera; outros, em menor número, dizem que é uma espécie particular e distinta, como o cavalo, o asno, e não o resultado de um cruzamento.”

Foi usual enviar um presente da Núbia para os reis da Pérsia – onde girafa é chamada de USHTURGAO (camel-cow, camelo-vaca) – e, antigamente, eram enviados para as princesas da Arábia e aos primeiros califas da casa de Abbas...

A origem da girafa tem trazido enormes discussões... “Tem se falado que a pantera da Núbia incorporou um grande tamanho, e que o camelo daquele país tinha uma baixa estatura e pernas curtas.” – Mas’udi, III. 3-5.

Os persas a chamam de “ushtur gâw palank” porque “ushtur” é um camelo, “gâw” é uma vaca e “palank” uma hiena. Mas eles nunca sabiam ao certo quanto a sua cor...

De qualquer forma, os primeiros registros escritos descrevem a girafa como “um animal de aspecto magnífico, de forma bizarra, com andar único, altura colossal e de caráter inofensivo”...

O povo árabe inicialmente achou que eu era um cruzamento entre o leopardo e o camelo. – Gli arabi pensavano che fossi nata dall’incrocio di un leopardo con una cammella! – Arabic people at first thought that I was a hybrid between a leopard and a camel. Hoje, os árabes a chamam de Zarafah.

ZARAFA como verbo, significa pular, correr. Como substantivo, aquele que anda correndo. De origem etíope a palavra significa graciosa. Mas a sua derivação primária tem origem no árabe ZURAFA que significa a graciosa. No longo tempo em que os árabes dominaram a Espanha, a língua foi muito influenciada... A palavra girafa provém de outra arábica ZIRAFAH ou XIRAPHA, a qual significa “o mais alto de todos”.

Menageries” (criadouros) foram estabelecidos em Constantinopla no século XI, quando Constantinus IX recebeu um elefante e uma girafa do Sultão do Egito.

No século XIII, Albertus Magnus (alemão canonizado), escreve De Animabilis – um estudo sobre a obra de Aristóteles – nesse livro ele descreve a girafa usando as palavras ANABULA, CAMELOPARDULUS e ORAFLUS. Anabula, provavelmente, tem sua origem entre os etíopes que a chamavam de NABIN, e ORAFLE que foi usado no velho francês.

Ele repetiu o erro do enciclopedista Vicent Deauvais que em seu Especulum Naturale (1225) descreveu a girafa em 3 diferentes nomes: anabulla, camelopardo e orasius (de oraflus e orafle)...

Outros nomes: Camelo Pardis, Cameleopard, Camelopardus (latim medieval), Camelopardalin (Bellon)...

No sul do Continente Europeu, Frederick II (1212–1250), rei da Sicília, estabeleceu grandes “Menageries” em Palermo e outras cidades da Itália. Ele teve um elefante que veio da Índia, também uma girafa.

– Em 1215 eu fui presenteada a outro país, pelo Sultão do Egito ao Rei Frederico II em troca por um urso-polar. – Nel 1215 feci ancora la parte di un “dono”: quello che il Sultano d’Egitto fece a Federico II che ricambiò con un orso polare! – In 1215 I was presented as a gift to another country by the Sultan of Egypt to King Fredrik II in exchange for a polar bear.

1253 – “Entre os outros objetos que ele (o velho da montanha) enviou ao rei, mandou um elefante de cristal muito bem feito, e um animal (besta) que as pessoas chamavam de ORAFLE, de cristal também.” – Entre les autres joiaus que il (le Vieil de la Montagne) envoia au Roy, li envoia un oliphant de cristal mout bien fait, et une beste que l’on appelle ORAFLE, de cristal aussi. – Joinville, ed. de Wailly, 250.

1271 – “No mês de Jumada II, uma girafa fêmea do Castelo de Hill, na capital do Egito – Cairo, deu à luz a um filhote, o qual foi criado por uma vaca.” – Makrizi, by Quatremère, I. pt. 2, 106.

Em 1298, Marco Polo dita a crônica de suas viagens e comenta sobre girafas: “Sabemos bem que as girafas nascem naqueles países.” – Mais bien ont giraffes assez qui naissent en leur pays. – Pauthier’s ed., p. 701.

1384 – “Ora racconteremo della GIRAFFA che bestia ella è. La giraffa è fatta quasi come lo struzzolo, salvo che l’imbusto suo non ha penne anzi ha lana branchissima... ella è veramente a vedere una cosa molto contraffatta.” – Simone Sigoli, V. al Monte Sinai, 182.

1404 – Quando os senhores chegaram na cidade de Khoi, eles encontraram nela um embaixador, de quem o sultão da Babilônia tinha enviado para... ele tinha também 6 pássaros raros e uma besta chamada JORNUFA... (then follows a very good description). – Clavijo, by Markham, pp. 86-87.

Em 1415, o Imperador da China, Yongle, conquistou muito prestígio através de espetaculares viagens aos mares do oeste, durante a Dinastia Ming. Quando seu comandante e explorador Zheng He retornou à Beijing, trouxe duas girafas a seu imperador – presentes do sultão da cidade de Malindi (Quênia) – um importante centro comercial na costa leste da África.

– Em 1415, cheguei a China pelo mar, onde fui considerada pelos chineses um sinal de boa sorte. – Nel 1415 mi sono spinta addirittura in Cina! Arrivai via mare e fui considerata dai Cinesi un presagio positivo. – In 1415 the next epic was to arrive by the sea into China, where I was thought to be a lucky symbol.

No ano seguinte, Shen Du, artista plástico da corte Ming, pintou sobre seda a girafa do Imperador.

1430 – “Eu também estive em Lesser, na Índia, o qual é um bom reinado... Neste país há vários elefantes e animais chamados SURNASA (de 'surnafa'), o qual é como um veado, mas é um animal alto e tem um longo pescoço, 6 pés em altura ou comprimento.” – Schiltberger, Hak. Soc. 47.

Em 1457, um genovês desenhou um Mapa do Mundo, no qual existe uma girafa presente no mapa da Etiópia.

Em abril de 1483, Bernhard von Breydenbach iniciou uma viagem sagrada à “Holy Land”... Nessa jornada, da Alemanha até Jerusalém, um artista chamado Erhard Reuwich, acompanhou-o... Então, por ele eu fui pintada no primeiro livro de viagem ilustrado do mundo “Peregrinatio in Terram Sanctam”, Alemanha.

Ainda no século XV, Ferrante, Duque de Nápoles, e Lorenzo di Medici foram os maiores proprietários de “Menageries” naquele tempo. Ambos tinham girafas.

– Em 1486 fui presenteada para Lorenzo de Médici, em Florença... Eu me lembro de ser alimentada com frutas pelos moradores através das sacadas e balcões da cidade. – Nel 1500 fui portata a Firenze da Lorenzo de’ Medici. Ricordo che le donne mi davano la frutta addirittura dai balconi! In 1500 I was seen in Florence in company of Lorenzo de’ Medici, a wealthy nobleman. I remember being fed fruit from the balconies of the city.

1494 – Theobaldus Episcopus escreve Physiologus de naturis duodecim animalium...

1500 a 1510 – Hieronymus Bosch, mais conhecido na Espanha como “El Bosco”, pinta a sua obra prima “O Jardim das Delícias”.

Entre 1516 a 1519, Raphael Sanzio realiza dois afrescos com girafas no Palácio Pontífice, da Cidade do Vaticano – um deles mostra Deus no sexto dia, quando ocorreu “A Criação dos Animais”. – Bloco emitido por Granada.

1553/54 – Xilogravura de Pierre Belon, um dos primeiros naturalista-exploradores da França.

– Por causa da particular posição de algumas estrelas, desde o início do século XVII (talvez 1624), meu nome foi dedicado à uma constelação! – Per la particolare posizione di alcune stelle mi hanno anche dedicato una costellazione! – A group of stars have been named after me.

– Eu sou representada como símbolo de um importante bairro da cidade de Siena, com o lema: “Quanto mais alta a cabeça, maior a glória”. – A Siena sono il simbolo di un’importante contrada il cui motto è: “Più alta la testa, maggiore la gloria”! – I am represented as a mascot in one particular quarter of Siena, with the motto “The higher the head, the greater the glory”.

– Em 1685 cheguei pela primeira vez na Inglaterra. – Nel 1685 per la prima volta giunsi in Inghilterra. – The first time in England was in 1685...

O livro “As Viagens de Gulliver”, foi publicado por Jonathan Swift, em 1726 (Irlanda). Através dele se conheceu o fascinante mundo “Liliputiano” ou mundo do miniaturismo!

Em plena época dos czares, São Petersburgo de 1744, foi estabelecida pela Imperatriz Elizabete (irmã de Pedro – “O Grande”), a fábrica de Porcelana Lomonosov.

Em 30/07/1752, o imperador austríaco Francisco I levou convidados para um passeio por sua coleção pessoal de animais. Após o fim da monarquia, a Ménagerie de Schönbrunn (o zoo mais antigo do mundo) passou seu controle à República da Áustria.

Carl von Linné, em 1758, “batiza” as girafas com nome e sobrenome: Giraffa camelopardalis. Ele também batizou o pássaro que vive em cima das girafas, entre tantos outros animais.

Aberto ao público depois da Revolução Francesa (1789), o mais antigo zoológico da França fica em um recanto do Jardin des Plantes, um pequeno parque no centro de Paris. O zoo foi criado para alojar os quatro animais sobreviventes do Viveiro de Versalhes – palácio onde viviam os reis da França antes de serem tirados do poder pelos revolucionários.

A girafa simboliza a ruptura entre as teorias de Lamarck (1809) e a de Darwin (1859)...

Para os lamarckistas – lei de uso e desuso (certo) e herança das características adquiridas (errado): gerações de girafas esticaram o pescoço para alcançar as folhas das árvores e assim poder se alimentar. Esta “adaptação”, transmitida a seus descendentes, resultou finalmente na girafa atual.

Para os darwinianos – lei da seleção natural (certo) e origem das variações naturais (só foi explicada pela Genética): as girafas nascem, ao acaso das variações entre indivíduos, dotadas de pescoços longos ou curtos. As girafas que têm o pescoço mais longo estão melhor adaptadas a seu meio ambiente e se reproduzem com mais êxito.

Fui enviada por Mohammad Ali, vice-rei e paxá do Egito, como presente diplomático para os reis da França (1826), Inglaterra (1827) e Áustria (1828)...

– O último Bourbon da França, o Rei Charles X, recebeu uma girafa-presente. Proveniente do Sudão, a girafa viajou do porto de Alexandria até Marselha, chegando em outubro de 1826. Geoffrey St. Hilaire, um renomado francês naturalista, andou com a girafa até Paris, aonde chegou em 30/06/1827. Hoje, a girafa está preservada no Museu de História Natural em La Rochelle, França.

– Em 11/08/1827, chega a girafa-núbia no “Royal Menagerie” – presente ao rei George IV. Um ano mais tarde, a Sociedade Zoológica de Londres funda o primeiro zoológico da cidade, o Regent’s Park.

– O ano de 1828, marca a chegada da primeira girafa no Zoológico de Viena, Áustria – durante o reinado do Imperador Franz II –, fato que causou grande comoção entre os habitantes da cidade. Os vienenses criaram até mesmo uma expressão – “à la giraffe” – para designar o estilo que surgiu na época.

1839 – A segunda girafa chega a Paris, 13 anos mais tarde, como companhia...

Em plena “Era Vitoriana”, exatamente no dia 06/05/1840, foi criado o primeiro selo postal do mundo! Neste mesmo ano, o movimento de defesa dos Direitos dos Animais teve influência direta da Rainha Vitória, ganhou a designação de Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade Contra os Animais.

1858 – Ocorreu o primeiro nascimento de uma girafa em um zoológico da Europa, no Zoológico de Viena.

1878 – Chegada da primeira girafa no Zoológico de São Petersburgo, na antiga União Soviética, hoje, Federação Russa.

1889 – A Torre Eiffel é construída para a Exposição Universal de Paris, em comemoração ao centenário da Revolução Francesa de 1789. As pessoas daquele tempo se referiam à torre como “La Girafe”...

Em 1892, Daniel Swarovski que nasceu na Bohemia (atual Alemanha), no período em que a Áustria e a Hungria formavam o Império Austro-Húngaro, fundou uma das mais importantes fábricas de vidro e cristal do mundo! Como não poderia ser diferente, existem girafas em cristais Swarovski!

1901 – O primeiro selo postal do mundo impresso com a imagem de uma girafa foi emitido por Niassa, uma ex-colônia portuguesa da época do Rei D. Carlos I (atual Moçambique). Notas: o mesmo ano marca a morte da Rainha Vitória e Eduardo VII, Rei da Inglaterra; ainda com um dirigível Santos Dumont circunda a Torre Eiffel.

No mesmo ano, também foi descoberto o ocapi – o único parente das girafas! Ambos endêmicos do Continente Africano, o ocapi vive apenas nas densas florestas da República Democrática do Congo.

Carl Hagenbeck, famoso caçador alemão, fundou no subúrbio de Stellingen, em 1907, o primeiro zoo sem grades do mundo! No Zoológico de Hamburgo ou Tierpark Hagenbeck, pela primeira vez, os animais puderam ser vistos em grandes áreas abertas, separados por fossos e não mais através de uma grade. Desde então, muitos zoológicos do mundo inteiro adotaram tal sistema.

Fósseis de Paleotragus foram encontrados em Azambuja, norte de LisboaPortugal, segundo o trabalho publicado por Roman, em 1907. Hoje, as duas peças estão expostas no Museu de Geologia da cidade.

Na Argentina, o Zoológico de Buenos Aires, situado no bairro de Palermo, recebeu sua primeira girafa em 1912. Há fotos nos arquivos do jornal “La Nación” que ilustram sua caminhada a partir do bairro La Boca, onde está localizado o porto da cidade.

Também o ano de 1912 marca a chegada da primeira girafa em Basel, na Suíça.

No final do reinado de Sua Majestade Menelik II, da antiga Abissínia (atual Etiópia) e em plena Primeira Guerra Mundial, outra girafa chega ao Zoológico de Paris... Foi um presente do rei ao presidente da República Francesa, em 1918. A girafa ficou conhecida como “La Girafe Ménélik”...

Os primeiros selos postais sobre girafa impressos com diferenças de filigrana (marca d’água) foram emitidos em 1922, pela ex-colônia britânica de Tanganica – atual República Unida da Tanzânia.

Até o Mickey Mouse, criado em 1928 por Walt Disney, já “brincou” com girafas...

Em janeiro de 1929, o escritor Hergé cria os personagens “Tintin” e o seu cachorrinho “Milou”. Um de seus títulos foi publicado dois anos depois, o qual no Brasil foi alterado para “Tintim na África”. Tal livro narra, entre outras coisas, uma criativa ideia do repórter para conseguir filmar as girafas...

Em 1932, foi emitido pelo Congo Belga (ex-colônia da Bélgica, atual Congo), o primeiro selo postal do mundo sobre o ocapi!

1935/1936 – Salvador Dalí realiza a obra “Girafa em Chamas” ou “Girafa de Fogo”.

O I Congresso Brasileiro de Folclore, realizado em 1951, decretou constituições sobre fatos folclóricos... As expressões artísticas do povo brasileiro, assim como de diversas nações, estão representadas em objetos que imitam as girafas...

O filme “O Noivo da Girafa”, de 1957, narra as confusões vividas por Aparício Boamorte (personagem do ator Mazzaropi) que trabalha no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro e tem uma girafa como confidente...

O Zoológico de São Paulo, minha cidade natal, foi inaugurado em 1958, com muitos animais, dentre eles o rinoceronte “Cacareco” que acabou sendo o mais votado no concurso “vereador por São Paulo”...

Neste mesmo ano a marca de brinquedos “Estrela” lançava sua primeira girafa, a “Girafa Big”. Pouco depois, numa grande promoção realizada em 1960 foi lançada a girafa “Dondoca” – quando efetivamente passou a ser comemorado o Dia das Crianças!

No leste da Arábia Saudita, em 1974, foram descobertos fósseis de antigas girafas datados de 19 milhões de anos atrás. Saiba mais na página de Museus da Inglaterra! Os primeiros registros fósseis da girafa moderna foram encontradas na África e Israel, com cerca de 1500 mil anos...

Carlos Drummond de Andrade escreve, em 1981, a crônica “A Solidão do Girafo”.

No dia 5 de outubro de 2007, depois de muita “luta”, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos emitiu o primeiro selo postal brasileiro com girafa – de minha autoria –, o qual compreende uma série de seis selos intitulada “Zoológicos do Brasil”!

Mas, bem antes disso, o ano de 1964 (meu nascimento) foi marcado pela minha primeira girafa, também da Estrela, a qual deu início a essa fantástica “viagem” que é o colecionismo temático!

Nota: Em muitos casos, clique na imagem e você a terá ampliada, para melhor visualização. Em relação a filatelia, inúmeros selos não têm o seu tamanho original, servindo, portanto, para ilustração e sobretudo conhecimento.

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Última atualização: 13/08/2011.
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Criado em 9 de abril de 2003.
Por Sérgio Eduardo Sakall.