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“Aiurassusoomamóiguara”
“Aiurassú” (segundo Sérgio Eduardo Sakall) – Guarani (Guarani); Tupi (Tupì; também chamada de língua geral)
Penso que a palavra girafa deve ser escrita assim: aiurassú, de ayura (pescoço) e guassú (grande), logo “pescoço-grande”.
Claro que fui eu quem inventou a palavra “aiurassú”, depois de pesquisa feita em livro de vocabulários, pois acho razoável chamar a girafa de “pescoço-grande”; você não acha?
“ajur” ou “ajura” ou “ayura”, de preferência “aiura” – o pescoço; o gargalo
das vasilhas
“guassú” – grande; “assú” (variação de guassú); “ussú” – grande
“soo”, “çoo” ou “zoo” – é animal, bicho, aliás no mundo inteiro e em qualquer
língua, jardim zoológico também é “zoo”
ou “soo”...
Querem os gramáticos que se use assú com palavras paroxítonas (pyndobussú, ocaussú) e guassú com palavras oxítonas (Paraguassú, toroguassú). Acham ainda os tupinólogos que a grafia açú deve ser corrigida para assú e guaçú para guassú...
Entretanto, toda palavra derivada do tupi-guarani grafa-se sempre com “ç”, como: Turiaçu, Pirajuçara, Embu-Guaçu, Paraguaçu, etc. Como informa o livro: “COM TODAS AS LETRAS”, O português simplificado, de Eduardo Martins... Editora Moderna...
Eu, como os tupinólogos, prefiro a grafia com “ss”...
Outra informação relevante é sobre a expressão generalizada que nós utilizamos com frequência: “tupi-guarani”.
Tupi-Guarani é uma família de línguas; por exemplo: eu posso falar tupi porque é uma língua, eu posso falar guarani porque também é uma língua, mas não posso falar tupi-guarani, pois essa palavra composta é na verdade uma generalização, refere-se a uma família de línguas e não é uma língua falada.
Para melhor compreensão: o português, por exemplo, é da família românica; eu posso falar português, mas não posso falar românico.
“Aiurassúsooguara” (segundo o professor Joubert)
aiura (pescoço) + assú (grande) + soo (animal) + guara (de fora, de algum lugar)
“Aiurassusoomamóiguara” (segundo o professor Joubert)
aiura (pescoço) + assu (grande) + soo (aniamal) + mamó (de fora, de algum lugar)
+ iguara (procedência, habitante de)
“mburika ajuvuku” – ajuvuku: idioma guarani (segundo o site do tradutor Logos
– www.logosdictionary.org)
“mbururicha” significa chefe...
Nas minhas pesquisas, além das palavras citadas acima, em relação a palavra pescoço também encontrei outras bem similares:
aîupuara – amarrar pelo pescoço
aîuru – variedade de papagaio
ajeru, ajuru, ayurú, jeru, juru – árvore de madeira dura, com frutos de polpa
comestível
ajurapéa – vem de “ajur-û” pescoço escuro (nome de papagaios) e “pê” caminho;
caminho do papagaio
juriti – de pescoço branco
surucu – de pescoço
surucuá – de pescoço que se esconde
surucucu – de pescoço sinuoso
A palavra guarani pode se referir a:
– Aquífero Guarani, uma das maiores bacias hidrográficas de água doce no mundo,
senão a maior, extendendo-se por parte do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai
– Etnia indígena do interior da América do Sul (guaraní ou guariní ou gûarinim
– palavras variantes que significam guerreiro, lutador)
– Grupo linguístico pertencente ao grande ramo tupi-guarani
– Unidade monetária do Paraguai
– Time de futebol brasileiro
– Município brasileiro do estado de Minas Gerais
– Romance escrito por José de Alencar: “O Guarani”
– Ópera composta por Carlos Gomes: “O Guarani”
tupi (1) – povo indígena que habita(va) o Norte e o Centro do Brasil, até o rio.
tupi (2) – um dos principais troncos linguísticos da América do Sul, pertencente.
tupi-guarani – um das quatro grandes famílias linguísticas da América do Sul.
Em 11/07/1936, foi emitida uma série de 4 valores sobre o Centenário do Nascimento de Carlos Gomes (1836-1936). Dos 4 selos (RHM: C-106/C-109), 2 tem valor facial de 300 réis cada (sépia e carmim) e os outros dois são de 700 réis (azul e bistre). Um deles é mostrado abaixo (lado direito da tela).
Em 19/03/1970, foi emitido um selo comemorativo ao Centenário da Ópera “O Guarani”, de Antônio Carlos Gomes. Com valor facial de 20 centavos (RHM: C-667), o selo mostra ao fundo a partitura criada em 1870...
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Os Tupis falavam a língua que os jesuítas interpretaram como a “língua geral” ou “língua mais usada na costa do Brasil”, de Anchieta, a primeira gramática da língua tupi. Afirma-se que Anchieta escreveu uma gramática Tapuia que desapareceu, mas tapuia é um vocábulo tupi utilizado para designar os índios de outros troncos ou famílias linguísticas.
Esta classificação foi importante para que as informações sobre os índios fossem registradas pelos portugueses, franceses e outros europeus. Sem os relatórios dos colonizadores, as crônicas dos viajantes, a correspondência dos jesuítas e as gramáticas da “língua geral” e de outras línguas, quase nada se poderia saber sobre os nativos, sua cultura e sua história.
As classificações dos grupos indígenas
Para identificar melhor os índios, os colonizadores os classificaram em Tupis e Tapuias. Tupis designava os povos que, pela semelhança de língua e costumes, predominavam no litoral no século XVI. Tapuias, correspondia aos “outros” grupos. Isto é, aos que não falavam a língua que os jesuítas chamaram de “língua geral”...
O tupi-guarani é uma família linguística do tronco tupi que congrega várias línguas indígenas sul-americanas, e que tem uma ampla distribuição geográfica. São também designadas como tupi-guarani (associadas a família linguistíca), as tribos indígenas que habitavam o litoral brasileiro, quando da chegada dos portugueses ao Brasil em 1500.
Essas habitavam em malocas (casas), que no seu conjunto formavam as tabas (aldeias). A sua alimentação baseava-se fundamentalmente em mandioca e em peixe, e raramente consumiam carne de outros tipos.
Entre essas tribos ainda existentes encontramos os araweté, povo de língua tupi-guarani da Amazônia Oriental (Pará), cuja cosmologia engloba conceitos à pessoa, à morte, à divindade.
Nos cantos e rituais xamânicos, as divindades e os mortos se manifestam aos humanos. O tema do canibalismo divino é central para a compreensão do conceito araweté da divindade e da pessoa. A metafísica araweté descreve o lugar do humano no universo, sua inscrição fundamental no elemento da temporalidade, e a lógica da identidade e da diferença que comanda sua ontologia original.
O guarani é a língua indígena do sul da América do Sul, falada pelos povos desta etnia, pertencentes ao grupo maior dos tupis-guaranis que habitavam a região desde épocas imemoriais...
A variante mais abrangente, a língua tupi, foi usada pelos colonizadores portugueses desde o descobrimento até boa parte do século XVIII como a principal língua no sul do Brasil, e acabou influenciando fortemente a língua portuguesa falada no Brasil à qual legou vários vocábulos, preponderantemente na toponímia (designação de lugares).
Atualmente, é usada no Paraguai, juntamente com a língua espanhola, sendo falada também no Uruguai e no Brasil pelos remanescentes indígenas do Estado do Mato Grosso do Sul, São Paulo (inclusive na capital do Estado), Paraná, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A variante mais regional do sul e oeste, denominada língua guarani (denomina-se avañe'ẽ por seus falantes), mantém-se viva e é falada por mais de 1.500.000 pessoas, notadamente no Paraguai, onde é a língua nacional.
No Paraguai, a língua guarani foi mantida principalmente porque os padres jesuítas a estudaram e documentaram fartamente (o guarani antigo) desde 1625 e a tomaram como instrumento de conversão religiosa numa empreitada colonizadora desvinculada das potências católicas Ibéricas que efemeramente constituiu um Estado indígena cristão denominado Missões (Missiones) Jesuíticas.
Nessas missões, de economia marcadamente coletivista, os guaranis atingiram alto grau de desenvolvimento e domínio de técnicas europeias, mas tornaram-se presas fáceis para os bandeirantes paulistas e, posteriormente, fazendeiros paraguaios que iniciaram a ocupação destas terras com a extração de erva-mate.
No início do século XX, toda a região já estava dominada pelos ervateiros. Já na época do descobrimento, no Rio Grande do Sul, os guaranis incluíam as tribos Patos, Tapes, Cainguás, Carijós e Arachanes...
Com a chamada Guerra Guaranítica e destruição das cidades das Missões, os guaranis que sobreviveram à morte e escravidão se internaram continente adentro a oeste, norte e sul, provocando a aspersão deste idioma na região onde, hoje, situa-se o Paraguai, o sul da Bolívia e o norte da Argentina...
Entretanto, a língua guarani, que antes de sistematizada pelos jesuítas não era escrita, ressente-se de uma enorme variedade de vocábulos advindos do avanço cultural em face da colonização, e por esta razão cooptou-os da língua espanhola que é falada no Paraguai ao lado do guarani e com o mesmo status de língua oficial, sendo usadas tanto no falar coloquial como em documentos oficiais.
A maioria das pessoas mais educadas tende a falar o espanhol ao estilo argentino e com sotaque peculiar, com algumas frases curtas e expressões em guarani. Este modo de expressar também é muito comum nos jornais, revistas e mesmo livros didáticos.
Já as pessoas menos cultas, e notadamente no meio rural, tendem a se expressar em guarani, embora emprestem uma grande variedade de vocábulos do espanhol. Os falantes desta mistura mais ou menos equilibrada das duas línguas chamam-na de jopará.
Escritos judiciais e textos legais normalmente são editados em duas versões castiças de espanhol e guarani e legalmente são aceitos em ambas. Em agosto de 1995, o guarani recebeu o status de língua histórica pelos países membros da comunidade econômica do Mercosul.
O Brasil é o 8º país do mundo em número de diversidade linguística. São 234 idiomas falados em seu território, dos quais mais de 200 são línguas indígenas e inclusive 41 já foram extintas e muitas outras estão ameaçadas de extinção, como por exemplo a língua Yuruti com cerca de 250 indivíduos que a falam...
A língua Kuruaya é falada por meia dúzia de índios; a língua Xipaya é falada por duas mulheres no Pará; a língua Arikapu, em Rondônia, é falada por seis pessoas; a língua Puruborá, também em Rondônia, é falada por duas pessoas e a língua Máku é falada apenas por um índio, o qual contava com 70 anos e vivia em Boa Vista (Roraima) e que não está mais sendo localizado (Jornal Correio Braziliense, 03/07/2001).
Curiosidade: Veja outras etnias indígenas, em índios do Estado do Amapá – os únicos do país com todas as suas reservas demarcadas!
DICIONÁRIO – VOCABULÁRIO – TUPI-GUARANI
GUARANI – TUPI – TUPI ANTIGO – PORTUGUÊS
As preposições do português correspondem, em tupi, a posposições, porque aparecem depois dos termos que regem. Há posposições átonas, que aparecem ligadas por hífen, mas a maior parte delas é tônica, vindo separadas dos termos que regem. Alguns dos radicais mais comuns em tupi-guarani estão listados abaixo...
Em tupi existe o tempo do substantivo. Para tanto, usam-se os adjetivos “ram” ou “rama, ama” (futuro, promissor, que vai ser), e “pûer” ou “puera, buera” (passado, velho, antigo, superado, que já foi; cuera, cuéra, guera, quéra), que recebem na composição o sufixo -A: RAM-A, PÛER-A. Eles são tratados, também, como se fossem sufixos, apresentando, então, as formas -ÛAM-A (-AM-A) e -ÛER-A (-ER-A).
Os pronomes pessoais e que servem também de possessivos são:
xe – eu; meu, minha, meus, minhas (xê, ixé)
nde – tu; teu, tua, teus, tuas (usa-se também endé, ere, ne, nê); seu sua, seus, suas?
i – ele, ela; dele, dela, eles, deles, delas (a’e, -s)
oré – nós; a gente, da gente; nosso, nossa, nossos, nossas (usa-se também asé,
jandé, ore, oro, yané)
pe – vós; vosso (a, os, as); “pé saiçú” – vós amais
abá, auá, avá (avakwe) – homem, mulher, pessoa, gente, índio
-aba, aba (sufixo substantivador) – podendo também significar “lugar”
acá, acag, acan, acanga, -akã, kanga – cabeça; kanga de esqueleto, osso enquanto
está no corpo (araracanga)
-atã (r-s-) – duro: xe r-atã – eu sou duro; s-atã – ele é duro; itá-atã – pedra
dura
atá (t-r-s-): t-atá, tata – fogo; xe r-atá – meu fogo; s-atá – fogo dele
atá – andar / atássuera – o que anda; de atá (andar) + “suera” (sufixo do tupi)
/ guatá – caminhar, caminhada
-bira – empinado, ereto, erguido
birá – ave, pássaro. Nota: biguá
de ave aquática; também pode ser uma árvore (veja guará 1)
-catu – bom / cati, catu, catú – bom, bem, bastante, agradável / katu – bom;
“abá-katu” homem bom (homens bons)
-etá – muitos (as); o indefinido “etá” vem sempre posposto ao substantivo, formando
uma composição com ele (se exisitir o sufixo -A final, ele cai); “abá-etá” –
muitos índios; “peró-etá” – muitos portugueses / Para o plural usa-se os sufixos
etá (muitos) e tyba (grande quantidade).
eté ou etê (r-s-) – bom, honrado, sincero, muito bom, verdadeiro, genuíno: xe
r-eté – eu sou verdadeiro; s-eté – ele é verdadeiro; abá-eté – homem verdadeiro
eté (t-r-s-): t-eté – corpo; xe r-eté – meu corpo; s-eté – seu corpo
-guaçu – grande / -gûasu – sufixo de aumentativo: -ão, grande. Açu de grande,
considerável, comprido, longo.
guará (1), guira-, gwyra'i, iguara – pássaro; ave das águas, de ave aquática,
pássaro branco muito comum nos manguezais (garça,
guará); guarauná de guará
preto ou madeira preta. Urá é corruptela de uirá ou (uyrá, guyrá, gûyrá), indicativo
genérico de pássaros; guaratinga de pássaro branco (guirá + tinga). Dentre as
numerosas alterações sofridas por essa palavra, principalmente na vernaculização
de zoonimos, notam-se oyrá, oirá, virá, vyrá, hurá, huyrá, oerá, birá, ourá,
gará, grá etc. Vide: “Nomes de Aves em Língua Tupi”, de Rodolfo Garcia, Boletim
do Museu Nacional, vol. V. nº 3. setembro de 1929 (P.A.).
guará (2), aguará – o que devora, raposa, mamífero (lobo-guará)
dos cerrados e pampas; aguaraçu de aguará grande.
guara (3) – quando é usado como sufixo, significa procedência, habitante de.
-í ou i- ou ‘y ou y ou yy – água; rio; um líquido qualquer. A pronúncia do guarani
é uma das mais difíceis para os brasileiros, pois é uma fala grutural, vem da
garganta, por exemplo: ( i ) em guarani é pequeno e ( í ) em guarani é água
(se pronúncia com a língua no céu da boca). Nota: rio em tupi antigo pode ser
t‘y ou ty (rio, água, líquido). No Nordeste, achamos também a forma îy. Rio
grande, rio de grande volume d'água, pode ser paranã (que também significa mar)
ou pará.
-’i ou -’im – sufixo de diminutivo: -inho, pequeno, fino, delgado, magro / ava'i
– menino, de avá (homem) + 'i (pequeno)
ibi- – madeira, árvore / “ybyrá” (árvore em tupi), Ibirapuera (árvore que já
era / vide puera acima e abaixo)
ita-, ita, itá – pedra, morro, montanha; o objeto duro, metal
-mirim – pequeno
-panema – ruim; de coisa ruim, imprestável
para- ou pa'ra – rio; prefixo utilizado no nome de diversos peixes e plantas
(a)pé (r-s-), tape – caminho, estrada, trilha; xe r-apé – meu caminho; s-apé
– caminho dele
-pe – em, para (geralmente locativo); posposição átona; prefixo número-pessoal
de pessoa do plural; no, no local, na, em; “ocape” – na casa
pi, pí – pés; de caminho
pira-, pirá – peixe (nomes de
peixes)
suí, sui (preposição) – de (origem, causa, proveniência); de, do, da, longe
de, do que (comparativo); Piratininga suí – de Piratininga
supé (preposição) – para (pessoa, pessoas ou coisas); a, ao, para e também,
em busca de, contra (contrariamente) – apenas na terceira pessoa; “abá supé”
– para o índio; “morubixaba supé” – para o cacique; Maria supé – para Maria
-tiba, tyba – lugar cheio de...; abundância, grande quantidade. O substantivo
“tyba”, do tupi, forma muitos topônimos no Brasil. Ele significa reunião, ajuntamento,
multidão. Tal coletivo realiza-se, em português, de várias maneiras: -nduva,
-ndiva, -tuba, -tuva, tiua, -tiva, tiwa.
ajubá, yuba, îub, yuba – amarelo
-piranga, -pitanga, puranga, putanga, pyrang – vermelho (arara-piranga,
guará-piranga, piraputanga,
pitanga)
-tinga, tin, ting – branco
-obi, oby, tob – azul e verde
-úna, una, un (r-s) – preto, preta, escuro, negro; xe r-un – eu sou preto; s-un
– ele é preto; abá-un-a – homem preto (araraúna)
NUMERAIS
Não existe número além de quatro, em tupi antigo. Usando mãos e pés expressa-se, porém, o número que se deseja:
1 – ojepé iepé (ele sozinho)
2 – mocõi mocoin (fazer um par)
3 – mossapyr mossapira (fazer triângulo, ou vértice, ou bico)
4 – irundyc irundi (fazer pares)
5 – xe pó, xe pó ambó (a mão com cinco dedos, cinco)
10 – mocõi pó (um par de mãos)
20 – xe pó xe py, xepó xepy (mãos e pés, vinte)
22 – xepó xepy mocõi
ORDINAIS: primeiro = ypy; segundo = mocõia; terceiro = mossapyra; quarto = irundyca
Toponímia – Lista com nomes de cidades e localidades, Estados, também pessoas, rios, ruas, bairros, relevo e acidentes geográficos, em tupi-guarani e seus respectivos significados:
Abaeté (abá-eté) ou abaetê – homem forte, homem de respeito; pessoa boa, pessoa
de palavra, pessoa honrada; homem de valor, corajoso; abá (homem) + eté (muito
bom, verdadeiro). Nota: abaité – gente ruim, gente repulsiva, gente estranha
/ a'iba, aíb, aíba, iba, ité, iua, iva, iwa – ruim, mau, repulsivo, feio, repelente,
estranho, imprestável...
Abaporu
– Abá (homem) e poru (gente que come carne humana); portanto significa antropofagia
Anhanguera, anhang-ûera – anhan (diabo), uera (velho), logo o que foi diabo
ou diabo velho. Anhanga (diabo; protetor da caça). An, anga (alma, sombra, abrigo,
vulto, fantasma). Angaba (assombração). Angoera (fantasma, visão, imagem em
tupi-guarani). Angûera (espírito, alma penada). Inhanguera; anaantanha – anaan
(diabo), tanha (figura, imagem), imagem do diabo. Anhang-ûama – futuro diabo.
Anhato-mirim – ilhote onde se levanta o forte de Santa Cruz , vemos também escrito
Inhato Prazeres Maranhão. Anhan ou anaan (diabo), to mirim (pequeno), logo pequena
ilha do diabo.
Aracaju – lugar antigo...
Araçatuba ou arassatyba – araçazal (de muito araçá - fruto da árvore silvestre
araçazeiro), terra dos araçás; araçá de fruto de época, tempo; de arassá (araçá)
+ “-tuba, tyba” (sufixos do tupi que significam abundância)
Araraí ou Arari – de arara + i (arara pequena), sendo que o sufixo tem também
o sentido de água, rio, assim arari pode também significar rio das araras...
Arari é o nome do principal lago marajoara e de um dos mais importantes rios
doMarajó, assim como faz parte do nome da cidade de Cachoeira do Arari, localizada
na sua beira esquerda, e de Santa Cruz do Arari que está na boca do lago. Arari
é também o nome dado a um cipó da família das leguminosas papolanaceas, encontrado
nas margens dos rios, cujas flores são grandes, cor de arari-canindé, de arara-canindé
(portanto de duas cores)...
Araraquara – de “arará kûara”, arará (variedade de formiga) e kûara (buraco),
buraco das ararás
Araxá – bela vista; lugar alto onde primeiro se avista o sol.
Atibaia – lugar saudável
Avanhandava – abá (homem), ã, nhan (correr), aba (lugar), portanto lugar da
corrida dos homens
Avaré (município de São Paulo), Awaré ou abaruna – sítio do padre; amigo, missionário,
catequista, senhor de preto; de “abaré” padre
Bariri e Barueri – rio com cachoeiras
Bangu – monte escuro
Bauru (município de São Paulo) – de ‘ybá (fruta) e uru (vasilha)
Boiçucanga (município de São Paulo) – de mboîa (cobra), usu (sufixo de aumentativo)
e kanga (esqueleto, osso)
Botucatu – bons ares; na verdade seria “Ybytu-catu”, vento-bom.
Buriti (Palácio) – sede do Governo do Distrito
Federal que tem em frente um buriti ou muriti, espécie de palmeira
do Cerrado...
Butantan, Butantã – terra muito
dura; na verdade seria “Yby-tãtã”, terra-dura, firme.
Caçapava (município de São Paulo) – de ka’a (mata), asab (atravessar, cruzar),
-aba (lugar), logo caminho na mata
Capibaribe (rio de Pernambuco) – de kapibara (capivara), ‘y (rio), -pe (posposição:
em, para)
Caraguatatuba – enseada com altos e baixos
Catanduva – Caa-tã-dyba (mato rasteiro, áspero e rústico) mato grande ou grosso?
Chapecó, Xapecó –
Comandacaia (localidade da Bahia) – komandá (fava), kaî (queimar), logo favas
queimadas
Cubatão – de elevação; terra montanhosa
Cunhaú (município do Rio Grande do Norte) – de kunhã (mulher) e ‘y (rio), logo
rio das mulheres
Curitiba – pinheiral; de curi () e tyba (abundância), muitos pinheiros
Embu-guaçu – cobra grande
Garopaba – este nome vem grafado Cahopapaba na carta de Turim (1523) e pela
primeira vez. Nas seguintes: Igaropaba, Upaua, Upaba, Guarupeba, etc. De igara
canoa e upaba lagoa. Logo lagoa da canoa.
Grão-Pará (palavra híbrida) – pará de coletor dás águas, mar...
Guaíra – local intransponível
Guanabara – baia grande
Guararema – pau d'alho, árvore que cheira alho
Guaratinguetá, gûyrá-ting(a)-etá – muitas aves e/ou garças brancas; guaratinga
de pássaro branco; “guirá, guara” pássaro, “tinga” branco, “etá” muitos, logo
reunião de pássaros brancos.
Guataporanga (município de São Paulo) – de guatá (caminhar, caminhada) e porang
(bonito), logo caminhada bonita
Iabaquara ou Jabaquara – rio do senhor do voo... / abaquar – senhor (chefe)
do voo
Ibirapuera (ybyrá-pûer-a)
– a ex-árvore ou a árvore caída (diz-se, por exemplo, de um tronco seco caído
ou de uma árvore morta) / ibira-racá – árvore, madeira / do tupi “ybyrá” (árvore,
madeira, arco) e “pûer” (passado, que já foi) / Yby = a terra, o chão
Ibitipoca (localidade de Minas Gerais) – de ybytyra (montanha) e pok (estourar),
logo montanha estourada (com grutas)
Igaraçu do Tietê – ygara (canoa); igaratá (canoa alta); ygarusu (navio); ygarusu-etá
(muitos navios)
Iguaçu – água grande, rio grande,
lago grande
Iguape (‘y kûá-pe) – na enseada do rio
Iguatemi – rio verde escuro; de rio sinuoso
Indaiatuba – mata de palmeiras / Indaiatuba é uma junção de dois termos da língua
tupi-guarani: “indaiá” que designa um tipo de palmeira e “tuba” que equivale
a grande quantidade. Portanto Indaiatuba significa muitos Indaiás. A denominação
se prendeu às características da paisagem e da vegetação da localidade, hoje
já alteradas...
Ipanema (bairro do Rio de Janeiro) – upá’-nem-a, de upaba (árvore) e nem (fedorento),
rio de água ruim, imprestável, lugar ou lago fedorento
Ipiranga (bairro de
São Paulo) – ‘y (rio, água)
e pyrang (vermelho)
Itaberaba (município de Minas Gerais) – de itá (pedra), berab (brilhante), logo
pedra brilhante
Itabira (cidade de Minas Gerais) – de itá (pedra), byr (levantar-se, erguer-se),
logo pedra levantada
Itacolomi, -itá kunumi (formação rochosa de Minas Gerais) – de itá (pedra) e
kunumi (menino), logo menino de pedra, do filho ou menino de pedra (tacami,
tacorubi) / Itacoatiara – pedra com escrita
Itajai, Itajahy, tajai – y rio e taiá: rio do taiá. Em mapas antigos vemos grafado:
tacahug, tojahy, tucuay, taiahug, tayahug, tajaiye.
Itaipava – vemos também grafado assim: itapava, itopava, itoupava etc. De ita
pedra e ipaba levantada; recife, travessão rochoso.
Itajubá – pedra amarela
Itamarati – pedra branca?
Itanhaém – de “-itá nha’e”, prato de pedra, pedra que canta
Itapecirica (município SP) – itá (pedra), peb (achatado), syryk (escorregar),
pedra achatada escorregadia
Itapeva – de pedra chata rasa, um lajedo / Itapiranga – pedra vermelha (itá
+ piranga)
Itapoã, itapoan – de pedra redonda / Itaporanga – pedra bonita
Itaquaquecetuba – muitas taquaras cortantes
Itaquera (bairro de São Paulo) – de itá (pedra) e ker (dormir), logo pedra dormente
Itararé – pedra que o rio cavou
Itatiba (município SP, Zooparque)
– de itá (pedra) + tyba ou tuba (grande quantidade) – muita pedra, muitas pedras,
abundância de pedras
Itaipu (usina hidrelétrica do Paraná) – de itá (pedra), ‘y (rio), pu (barulho,
ruído), logo barulho do rio das pedras
Itatinga (município SP) – ita (pedra) + tinga (branca) – pedra branca
Itaú – pedra preta
Itumbiara – conhecida como “caminho
da cachoeira”
Itupeva – de salto rasteiro
Jaraguá – de ponta proeminente; de vale do senhor
Jericoacoara – local das tartarugas
Mantiqueira (Serra de Minas Gerais) – de amana (chuva) e tykyra (gota), logo
gotas de chuva
Marajó – barreira do mar; procedente do mar
M'Boi Mirim – mboi, mboîa (cobra, serpente), mirim (pequena), logo cobra pequena
Mogi-Mirim – Mogi (?), mirim
(pequena) / Mogi-Guaçu – Mogi (), guaçu (grande). Nota:
Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani.
Morungaba – do tupi-guarani colmeia de morungas, abelhas produtoras de dulcíssimo
mel
Paquetá (ilha do Rio de Janeiro) – pak(a)-etá, logo muitas pacas...
Paraguaçu, Paraguassu – mar, rio profundo
Paraibuna – rio de águas escuras
Paraitinga – rio de águas claras
Paranapanema (nome de rio que separa os estados de São Paulo e Paraná) – de
paranã (semelhante ao mar ou rio grande) e panem (imprestável), logo rio imprestável
Paranapiacaba (Serra do Sudeste) – de paranã ou parana (mar), epîak ou epiaca
(ver), -aba ou caba (lugar), logo lugar de ver o mar, donde se avista o mar,
lugar de onde se vê o mar; nome pelo qual era conhecida parte sul da serra do
mar.
Parati – rio branco, no entanto penso ser melhor de para (rio) e tyba (reunião);
paratinga, rio branco
Pari (bairro de São Paulo) – canal para apanhar peixes; para (rio) e i (pequeno)
Peruíbe (município de São Paulo) – de iperu (tubarão), ‘y (rio) e -pe (em),
logo no rio dos tubarões
Pindamonhangaba – lugar de fazer anzol; lugar onde se faz ou fabrica anzóis;
de pindá (anzol), monhang (fazer), aba (lugar)
Piracicaba – lugar onde o peixe para
Piratininga (antigo nome de
São Paulo que significa “peixe seco”) – Anhangabaú (rio da cara do diabo) e
Tamanduateí (rio do tamanduá verdadeiro); na região onde foi fundada a cidade,
em época de seca, os dois rios que se encontravam ficavam secos nesse ponto
e os peixes morriam...
Pirajuçara – pira = peixe, juçara = palmito, palmiteiro
Pirassununga – lugar
onde o peixe faz barulho; -sununga – barulhento; será talvez a etimologia assim:
para (rio), pira (peixe), açu (grande), apenunga (onda)
Perituba ou Pirituba – de lugar de banhado, brejo, com muito junco ou juncal
Ponta Porã – ponta bonita
Potengi (rio do Rio Grande do Norte) – de poti (camarão) e îy (rio), logo rio
dos camarões
Sorocaba – terra rasgada; de rasgar (rasgão), a rasgadura (da terra); sorok
(rasgar-se) e -aba (lugar)
Sumaré – espécie de orquídea; “ré” (diferente, distinto)
Tabapuã – aldeia em local alto
Taguatinga – barro branco (atual), ave branca (anterior discutido)
Tatuapé – tatu e “pê” caminho; caminho do tatu / “tatu‘y-pe” – no rio dos tatus,
para o rio dos tatus / Tatuí (tatu ‘y) – rio do tatu
Taubaté – taba grande, cidade
Tietê (rio de São Paulo) – de ty- (rio, água) e eté (muito bom, verdadeiro,
genuíno), logo rio muito bom, rio verdadeiro
Tijuca (nome de rio e bairro do Rio de Janeiro), tijuquinhas, tiyug, tiyukopawa,
tyîuka – de ty (rio, água) e îuk (podre), rio podre, água podre; também pode
ser brejo, pântano, lodo, a lama, lama preta, líquido podre, charco, pântano
Tucuruvi (bairro de São Paulo) – de tukura (gafanhoto) e oby (verde)
Turiaçu – de “turi” fogueira e “açu” grande, logo a fogueira grande
Ubá – A palavra ubá, em tupi-guarani, significa canoa de uma só peça escavada
em tronco de árvore. É também o nome popular da gramínea (Gynerun Sagittatum),
da folha estreita, longilínea e flexível, em forma de cano, utilizada pelos
índios na confecção de flechas de caça e combate, e encontradas em toda a extensão
das margens do ribeirão que corta a cidade de Ubá, em Minas Gerais. O nome do
rio Ubá se deu justamente pela existência dessas gramíneas. Fonte: (www.uba.mg.gov.br).
Veja “uiba” = flecha!
Ubatuba – muitas canoas, porto
Uberaba – água cristalina
Umuarama – lugar de pessoas amigas
Uruguai – de yuru gua o coracol, o buzio
e Y rio; dos caramujos. Querem alguns escritores que seja rio dos pássaros...
Votorantim – cascata branca
Votuporanga – brisa suave, lugar de bons ventos; de votu (ar, vento) + porang
(belo)
Veja nomes nas páginas: Animais,
Frutos e Pássaros!
Também: deuses, folclore e lendas
Páginas relacionadas: BRASIL – ARGENTINA – PARAGUAI
Fontes de pesquisae Contatos:
– VOCABULÁRIO TUPI, GRARANI, PORTUGUÊS
De Silveira Bueno (Professor Emérito da USP)
Editora Gráfica Nagy LTDA. (1982)
Rua Dr. Costa Valente, 226. CEP: 03052. Brás – São Paulo
– Aryon Rodrigues (Aryon Dall'Igna Rodrigues) é um linguista brasileiro, o mais renomado pesquisador e conhecedor das Línguas Indígenas no Brasil. Possui trabalhos publicados desde o início da década de 1940. É o principal pesquisador e responsável pela sistematização de conhecimentos acerca de classificação genética das línguas brasileiras, sobretudo do Tronco tupi (sobre o qual escreve há cinco décadas). É autor, igualmente, de uma importante e bem sustentada hipótese de um nexo TUPI-KARIB. Criou e dirige o Laboratório de Línguas Indígenas (LALI) na UnB – Universidade de Brasília. Aryon Rodrigues completou 80 anos em 2005. Fontes: Wilmar R. D'Angelis, linguista (Depto de Linguística – Univ. Estadual de Campinas – UNICAMP).
– Pequeno dicionário Tupi-Guarani de um Manezinho, Formatação e Pesquisa – Velho Bruxo (www.ufsc.br/~esilva/Dcindio.html). Os substantivos pluriformes serão indicados, geralmente, em seu tema, com (t-, r-, s-) entre parênteses e os adjetivos pluriformes em seu tema com (r-,s-). Os verbos pluriformes aparecerão com (s).
– Vocabulário guarani (Guarani/Guaraní): Citado por Maria Herminia Corrado. Localização: Argentina, Brasil, Paraguai.
– Gudschinsky, Sarah C. e Aaron, Waldo M. (ILV). Classificação: Guarani, Tupi-Guarani. Rio das Cobras (Interventor Mario Ribas), estado do Paraná.
– Curso de Tupi Antigo (www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm)
– Curso breve de tupi antigo em dez lições com base nos nomes de origem tupi
da geografia e do português do Brasil
www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno03-02.html
– Línguas Indígenas Brasileiras, de Renato Nicolai (www.indios.info)
– Método Moderno de Tupi Antigo – A língua do Brasil nos primeiros séculos, do professor Eduardo de Almeida Navarro (Global Editora, 2006, ISBN 8526010581). Há uma página com um breve curso de tupi em 10 lições, também de autoria do Eduardo Navarro, que está disponível no endereço www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/index.html – www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno03-02.html
– Vocabulário Tupi, do professor Joubert Di Mauro (joubert@painet.com.br ou joubert@ism.com.br), para se inscrever no curso por e-mail: (tupi@painet.com.br ou apenas@painet.com.br). À disposição dos interessados o Vocabulário Português – Tupi, acompanhado do Curso de Tupi Antigo, do Prof. Joubert Di Mauro. Lançado pela Papel & Virtual Editora, no dia 22 de maio, na Confeitaria Colombo, Rua Gonçalves Dias, 32/36, no Rio de Janeiro. Joubert HP Television (www.painet.com.br/joubert/index.html – www.leblon.net/joubert)
27/05/07: Pedido de tradução para o guarani. Olá Joubert, Encontrei o seu site enquanto procurava pela tradução da palavra girafa em guarani... Daí li sua frase: “Consulte os nomes de cidades, acidentes geográficos e toda a riqueza de vocábulos tupis da nossa geografia. Este vocabulário está inserido no livro clássico de Theodoro Sampaio, O Tupi na Geografia Nacional, um livro muitas vezes difícil de encontrar.” Gostaria, por favor, de receber tais nomes que, além de interessantes e curiosos, devem explicar o significado de muita coisa... Por favor, me diga se estou muito errado na contrução da palavra... também se souber a palavra girafa nesta ou noutra língua indígena...
07/07/07: Olá Eduardo, desculpe a demora em lhe responder, não sei se o faço em tempo. Gratíssimo pela gentileza de sua consulta. Você está bastante correto na palavra em tupi criada para a Girafa. Parabéns!
Apenas tenho a acrescentar que pescoço, ou você grafa ajura ou aiura. O y não é bem o caso. O “i” foi virando “j”, com o tempo, influência, guarani, espanhola, etc. E posso lhe sugerir para que você acrescente algo como sooguara, ou simplesmente guara. Significa animal que veio de fora, ou seja, não é da fauna brasileira. O índio sempre fazia isso, colocando no final da palavra o sufixo guara. ok?
Ficaria completo: Aiurassúsooguara, ou Aiuraguassúsooguara. O nome é grande, mas a girafa também é. Por exemplo: o veado em tupi é chamado de Sooassú, ou Sooguassú, ou mesmo Suassú, ou seja, animal grande. Teríamos ainda um outro nome que poderia ser: “pescoço grande animal grande do que veio de fora”. Aiura+assú+soo+assú+guara. Ficando por exemplo: Aiurassúsooguassúguara. A melhor de todas, contudo, a meu ver, é a primeira: AIURASSÚSOOGUARA.
13/07/07: Sérgio, você é formidável! Você tocou logo num dos maiores problemas do ensino do tupi. A sua grafia. No caso, os tupinólogos sempre divergiram e ainda divergem. çoo ou soo. O ç não atrapalha quando fica entre duas vogais, mas começar, por exemplo, uma frase com ç é brincadeira! Então vai pela preferência de cada um.
Eu sigo o Prof. Tibiriça, com ç, mas que bota o s. O s tem o problema que você muito bem observou. Quando ele fica entre duas vogais nós, instintivamente, fazemos soar o z. Botar dois ss..., também não dá e também não dá prá começar uma frase com dois s. Mas agora vem o bom. Soo, çoo, ou Zoo, como é no mundo inteiro, é um monossílabo extraordinário, que se perde no tempo, e deve ter sua raiz plantada no início dos tempos mesmo, lá quando o homem começou a balbuciar as primeiras palavras, significa animal em quase todas as línguas e é por isto que em qualquer cidade do mundo a gente acha o Jardim Zoo.. lógico.
Dito isto e, portanto, você pode deixar assim mesmo e pronunciar como z que não altera nem o significado e não mexe na forma que está correta. ok? Disponha sempre, meu bom amigo.
17/07/07: Sérgio, agora você tocou num outro ponto importante e penso que vamos ter que acrescentar mais uma palavrinha. Guara, além dos significados que você apontou, significa também, quando é usada como sufixo, procedência, habitante de. Poristo colocamos guara no final. Quando lhe dei esta sugestão me baseei no Plynio Ayrosa, um tupinólogo tradicional, que conta a seguinte história.
Quando o boi e a vaca foram introduzidos no Brasil, onde o maior animal existente à época era a Anta, os índios tiveram que dar um nome a estes animais. E deram um nome grande que significava, em tupi, “animal grande como a Anta que baba como o Veado e que veio de fora”. Ficou um nome grande e muito interessante. Ainda não achei o livrinho do Plynio aqui na minha biblioteca, mas assim que eu encontra lhe mando, porque o nome é muito interessante. Recordo-me que termina em guara.
Entretanto o nome correto e que significa “habitante ou procedente de fora” é mamoiguara. Mamó é que significa de fora, de algum lugar, ou de onde? Isto é, se este animal não é daqui. De onde? ele é. Só pode ser de fora. A meu ver basta o guara, aliás iguara (o i, é ele, o habitante) porque já coloca a questão da procedência do animal. Mas, a dúvida para mim continuará enquanto eu não achar o livrinho do Plynio.
Ao pé da letra, contudo teremos que acrescentar o mamó+iguara. Voltando á Girafa, simpática! a Girafa, heim? teremos: Aiura+assu+soo+mamó+iguara. Eis aí: AIURASSUSOOMAMÓIGUARA.
Não se intimide porque o Prof. Roquete Pinto, um diletante do tupi, disse que a língua tupi é muito simples, mas como ela é aglutinante é possível formar tudo que é vocábulo, tempos de verbo, etc. E dá um exemplo cômico, criado pelo Padre Tastevin, também um estudioso do tupi, que é o seguinte: “ndiandemaenduarixoetemomã”. Trata-se do optativo negativo de verbo lembrar-se e a tradução é: “pudéssemos não nos lembrarmos”. Desse a Girafa não ganha...
27/07/07: Ainda não encontrei o nome do boi indicado no livro do Plinio Ayrosa. Já estou fazendo um vocabulário da fauna tupi e da flora e o glossário de frutas continua em andamento. Recebo colaborações excelentes. O que tenho disponível é o CD contendo o curso completo de tupi em doze lições, o vocabulário português-tupi e oito cantigas indígenas, havendo interesse mande-me um endereço para que eu possa remeter o cd para você, pelo Correio, com instruções. Este CD é o próprio livro que você aponta no seu email como esgotado. De fato, o livro esgotou logo porque foi uma edição pequena, por demanda, apenas para atender os alunos interessados, mas o cd é reprodução do livro e acontece tb. que tem muita gente, de fato, que prefere a forma impressa do que o cd. Entretanto, produzir o cd é bem mais fácil e rápido. Já incluí você, espero sua permissão, como meu aluno de tupi e de arte para leigos, e de assinanante do Informativo Moranduba Tupi. Acho que já lhe mandei alguma coisa não?
Quanto a obras de arte eu compro mais do que vendo. Gosto muito de leilão de arte e gosto tb. de fazer trabalhos de arte. Fiz curso de escultura. Não sou profissional, mas faço como passatempo. Do panteismo tupi, de fato, produzí doze “divindades”, digamos assim, em juta, em tela e em cartão. Achei interessante anunciar tb. para os alunos de tupi, dos quais muitos se interessam pela teogonia indígena. Arte naif, gosto muito e fractal arte é arte de computador, que eu gosto muito e tenho muitas obras no meu próprio site...
20/12/07: Estou atrasado com o Informativo Moranduba este mês. Até porque não tenho tantas notícias assim. O Vocabulário da Fauna sai o ano que vem, espero, parei nos peixes, que são muitíssimos. E no momento estou terminando, digamos, a flora, mais propriamente um vocabulário tupi de frutas e plantas úteis.
29/01/08: Informativo Moranduba Tupi - Info 6. Olá Joubert! Gratíssimo pelo informativo! Bem instrutivo... Só quero fazer um comentário, digamos uma observação relevante... Como assim, logo você, não descreveu no texto explicativo abaixo sobre o som que a sumaúma emite?! (risos) Destas raízes tabulares, que funcionam como extensão do tronco para dar sustentação ao vegetal, projeta-se um som característico, que na floresta é usado como meio de comunicação entre os índios, o que é feito mediante batidas em tais estruturas... Aliás, foi a primeira aula que aprendi sobre essa árvore... Vc sabia que ela é irmã da conhecida paineira, também da mesma família do famoso baobá-africano? Joubert, não pude deixar de comentar isso por causa da questão indígena de comunicação... (risos)
Sumaumeira – vive mais de cem anos, extremamente útil; madeira para produção de celulose para papel e construção de embarcações; fornece o legítimo kapok, paina muito industrializada devido a sua extraordinária flexibilidade, preferida no fabrico de salva vidas e boias, aguenta de 30 a 35 vezes seu peso na água; enche colchões, almofadas e feltro de chapéu; a casca do caule cozida é recomendada nas inflamações e pústulas cutâneas; a seiva é empregada na conjuntivite; as flores teem cheiro de caseína e poristo nas colonias francesas dão a ela o nome de “fromager”; as sementes são oleaginosas e dão quase trinta por cento de oleo amarelo claro, de cheiro e gosto agradáveis, próprio para saponificação e é comestível; principalmente pelo diâmetro do caule é uma das maiores árvores do mundo e a maior da América do Sul; além de tudo ainda é uma bela árvore pelo seu aspecto geral e também pelo aspecto de suas raízes tabulares – as sapopemas, ou sapopembas – que além de bonitas formam verdadeiras cabines que são transformadas em habitação pelos índios e sertanejos; árvore da seda, árvore da lã, samahá em guarani, paina lisa, sumaúma no tupi, sumaúma da várzea e outros nomes que a indentificam. (são árvores como esta, assim... estupidamente derrubadas... aos milhares...no tal “desmatamento”)
04/02/08: Muitíssimo grato sempre pelos seus comentários. Sua observação é mesmo muito relevante. Não sabia deste som que a sumaúma emite. Aliás vou olhar de novo nos dicionários que tenho porque são muitas as variedades. Tais raízes que formam uma verdadeira moradia encontrei citadas no grande Dicionário do Pio Corrêa. Gratíssimo pela bela e útil informação. Vou procurar também a paineira. O aspecto de comunicação entre os índios, claro, é muitíssimo relevante e de muito interesse para mim. Estou chateado por não encontrar o livrinho do Plynio. Vou aproveitar estes dias de carnaval para dar uma arrumada na biblioteca e ver se acho...
Última atualização: 17/09/2009. |