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O PESCADOR E O COLECIONADOR

TRÍADE PESQUEIRA ATRAVÉS DA FILATELIA
Por Sérgio Sakall

Pensando em coisas além da pesca, além de peixes, além de pesqueiros, além da água, lazer e turismo, quisemos encontrar uma maneira diferente, inovadora e diversificada de falar sobre as mesmas coisas.

Então, descobrimos na filatelia (estudo ou arte de colecionar selos) o que procurávamos.

Falar sobre selos significa arte, cultura, aprendizado, dinheiro, entre muitas outras coisas. A filatelia nos ensina sobre vários assuntos: ecologia, geografia, datas importantes e comemorativas, personagens célebres etc.

Buscar nos selos do Brasil a nossa temática – PEIXES – não foi difícil.

O correio brasileiro já emitiu várias séries de selos sobre “peixaria” (como os filatelistas se referem ao tema). Assim como já emitiu selos sobre os nossos rios, nossas praias, nossa fauna e flora.

Da mesma forma que emitiu selos sobre a água – nosso instrumento principal seja na PESCA, no LAZER ou no TURISMO.


Primeiro selo brasileiro ilustrado com um peixe (número do catálogo RHM: C-575), o selo foi emitido em 01/08/1967, por motivo de comemoração do Segundo Centenário de Piracicaba (SP).

O rio Piracicaba que desde sempre, tanto contribuiu com o desenvolvimento da região, atualmente sofre a degradação humana, sofre a poluição, sofre a falta de oxigênio em suas águas.

Recentemente, morreram milhares e milhares de peixes, curimbatás, dourados, entre outras espécies.

Isso foi um grande pesar, uma lástima, sobretudo porque os peixes morreram antes da época de reprodução. Em virtude disto e, uma vez afetada a piracema da Cachoeira das Emas, por exemplo, logo, logo não haverá peixes naquela região...

Esta tríade: pesca, lazer e turismo, que chamaremos de TRÍADE PESQUEIRA, remete-nos aos nossos primórdios que, para a sobrevivência, o homem compunha uma tríade com a água e o peixe.

Hoje, na contemporânea forma de pescar, o homem também entra na composição de uma outra trilogia: peixe, pescador e pesqueiro – uma pescaria que os apóstolos não conheceram.

Nesta área, podemos encontrar outras formas de trindade. Os sujeitos podem até variar entre si, mas, sobretudo são a vara, a linha e o anzol. Entretanto o predicado principal, sempre, sempre é o peixe.

Há quem diga, neste caso, que o verbo de ligação entre sujeito/predicado seja a água. A água como verbo, a água como meio, a água como companhia, a água como vida.

A água como meio de transporte, de lazer e de turismo. A água como meio de subsistência para produzir alimentos. A água como meio de renda para gerar energia ou para sustentar os nossos pesqueiros. A água como meio de tudo, pois sem água não há vida!

Talvez, a água esteja presente em todas as ações do homem. São inúmeros os aspectos que comprovam a importância da água para a sobrevivência do planeta.

Bem, encontramos na filatelia, vários aspectos relacionados com os principais temas da Revista Além da Pesca: a água como meio de sobrevivência de nossos PEIXES, a água como elemento facilitador de transporte para o LAZER de nossas pescarias, a água como recurso natural de incremento para o nosso TURISMO.

Pensando sobre a água visitamos algumas casas especializadas em selos e conversamos com comerciantes e colecionadores.

Conhecemos tantos assuntos que a filatelia abrange sobre os nossos temas – TRÍADE PESQUEIRA – que ficaria impossível retratar tudo o que aprendemos apenas nesta matéria, portanto selecionamos alguns selos para você.


TRANSPORTE

Em selos sobre transporte encontramos que nas águas do mundo inteiro, circulam as riquezas dos povos. Para esta matéria, selecionamos a série abaixo que lembra bem o lazer, o não fazer nada. Afinal, nas férias que se aproximam, quem não gostaria de relaxar em uma embarcação num ponto qualquer do imenso litoral brasileiro?

Série de quatro selos emitida em 30/11/1973 (RHM: C-819/C-822), para a divulgação das embarcações típicas brasileiras (dois deles ilustram nossa capa).


TURISMO

Em selos sobre turismo encontramos muitos exemplares. Selecionamos a série abaixo que, na sequência, ilustra a Selva Amazônica; o Pantanal que desperta ainda sonhos de uma grande pescaria; as jangadas, as quais retratam tão bem o nosso litoral que, aliás, oferece um potencial turístico invejável; o Pão de Açúcar e as Cataratas do Iguaçu – eternos cartões-postais do Brasil – são polos de atração turística que despertam a curiosidade de gente do mundo inteiro em os conhecer.

Série de cinco selos regulares, auto-adesivos, emitida em 24/04/1996 (RHM: 719/723), para a divulgação do turismo no Brasil.


PEIXES

Em selos sobre peixes encontramos uma infinidade de material. Há coleções inteiras sobre peixes de água doce, assim como as que retratam somente peixes de água salgada.

Há colecionadores que só adquirem séries novas, isto é, selos que jamais foram usados. Outros agregam em suas coleções selos circulados – aqueles que já foram usados em carta. Há filatelistas que juntam os dois tipos.

Esses colecionadores (assim como nós), adoram e entendem tudo sobre a temática – PEIXE, entretanto, por incrível que pareça, muitos deles jamais pescaram!

Pescar na Era de Aquário, em pleno século XXI, no qual os homens estão constantemente estressados, significa preocupação com bem estar da família, diversão, turismo e lazer.

Lazer em meio aos arranha-céus e tanta poluição das grandes capitais como São Paulo, por exemplo, é algo que, por incrível que pareça, ainda existe!

Excetuando-se os parques públicos e, particularmente, enfatizando a proliferação dos pesqueiros, podemos dizer que esta forma de pescaria é a nova multiplicação dos peixes!

A habilidade de alguns colecionadores chama a atenção. Há histórias de alguns que ficaram conhecidos no meio como “senhor peixe”, simplesmente por colecionarem apenas selos que ilustram peixes. Ao contrário de nossas histórias, nas quais alguns são conhecidos em nosso meio como “reis da pesca”.

Bloco : “Peixes do Pantanal – Aquário de Água Doce”. Emitido em 20/08/1999, China 99 – Ano do Coelho. RHM: B-113. Os 8 selos destacados do bloco (RHM: C-2212/C-2219) mostram: R$ 0,22 (Dourado), R$ 0,31 (Piraputanga), R$ 0,36 (Dourado-cachorro), R$ 0,51 (Mato-grosso), R$ 0,80 (Cascadu-chicote), R$ 0,90 (Piaçu), R$ 1,05 (Abramites) e R$ 1,20 (Ancistrus), respectivamente.

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CONCLUSÃO

Percebemos uma peculiar igualdade entre pescadores e colecionadores: ambos seguem a mesma receita – paciência, silêncio e observação.

Quanto a “tralha” toda que nós usamos em uma pescaria, embora bem diferente, eles também as usam em suas coleções. São pinças de diferentes tamanhos para manusear os selos, são classificadores (álbuns) para selecionar e guardar os selos, são catálogos e mais catálogos para se pesquisar os selos, são porta-selos etc.

Enfim, deve existir alguma explicação mais profunda entre pescar e colecionar. Vocês não acham?

Os pesqueiros – um contemporâneo meio de preservação da natureza – retratam aquela pescaria de sobrevivência por uma outra pescaria: a piscicultura como lazer e preservação do meio ambiente.

Geralmente, em grandes propriedades, eles oferecem atrações para todos os gostos e idades. Conquistam quem busca a paz e o lazer ou os de sempre – aqueles que preferem a cesta cheia de peixe fresco.

Além dos lagos para pesca, o visitante pode desfrutar de playground, piscinas, quadras desportivas, andar a cavalo por trilhas ou fazer caminhadas ecológicas. No entanto, o destaque principal sempre, sempre fica para os lagos, muitos preparados apenas com uma só espécie de peixe.

Sabem aquela história que a gente escuta sobre pescador que tenta “catequizar” alguém para o mundo da pescaria ou a outra sobre os “mandamentos” da pesca?

Pois então, fazendo esta matéria, encontramos colecionadores e comerciantes que nos tentaram “catequizar” para o mundo dos selos. Também nos ensinar alguns mandamentos básicos da filatelia. Aprendemos muito com todos eles, é claro.

Mas daí, com todo o nosso respeito aos filatelistas, saímos correndo de tudo isso. Afinal, o nosso negócio não é o da FILATELIA, é mesmo o da PESCARIA!

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Lista (não completa) de selos postais brasileiros sobre a temática Peixe, ou Aquariofilia e Piscicultura:

01/08/1967 – RHM: C-575 (Piracicaba)
30/06/1969 – RHM: C-649 (10ª Bienal)
21/07/1969 – RHM: C-639 e B-26 (abaixo)
02/05/1975 – RHM: C-887/C-890, Série Peixes Brasileiros de Água-doce, cujos 4 selos com valor facial de $0,50 centavos cada, mostram: Apaiari (Astronotus ocellatus), Mamaiacu (Colomesus psitacus), Barrigudinho – macho e fêmea (Phallocerus caudimaculatos) e Morerê (Symphysodon discus).
12/07/1976 – RHM: C-939/C-944, Série Peixes de Água-doce no Brasil, cujos 6 selos com valor facial de Cr$1,00 cada, mostram: Hyphessobrycon, Piratantã, Jaraqui, Jacundá, Palmito e Sarro.
08/01/1988 – RHM: C-1575 (peixe-boi)
29/11/1988 – RHM: C-1608/C-1613 (final desta página)
30/09/1995 – RHM: B-101 (Tietê)
22/05/1998 – RHM: C-2089/C-2112 (Oceano; final desta página)
05/03/1999 – RHM: C-2182/C-2187 (final desta página)
22/04/1999 – RHM: B-110 e selo C-2195 (Descobrimento)
20/08/1999 – RHM: C-2212/C-2219 e B-113 (acima)
20/11/2001 – RHM: C-2420/C-2429, Cartela Pantanal
05/06/2002 – RHM: B-125 (abaixo)
02/10/2002 – Mercosul (Bonito; piraputanga)
03/11/2005 – RHM: B-139 (abaixo)

Selo e bloco “Divulgação da Piscicultura e da Aquariofilia – ACAPI”, de 21 a 24/07/1969. O selo com valor facial de 20 centavos mostra o peixe acará-bandeira (Pterophyllum scalare). Bloco de 4 valores, cujos selos mostram: Hyphessobrycon vilmae (10 cts.), Pygocentrus nattereri (15 cts.), Megalamphodus megalopterus (20 cts.) e Gymnocorymbus ternetzi (30 cts.), perfazendo um total de 75 centavos; nas margens aparecem cavalos-marinhos, caranguejo, conchas, estrela-do-mar etc. RHM: B-26.

Abaixo (do lado esquerdo), bloco de 4 valores emitido em 05/06/2002, “Ecossistemas de Recifes Coralíneos” (Ecosystems of Coraline Reefs). Edital nº13. Arte: Anderson Moreira Lima. Processo de Impressão: Ofsete. Papel: Cuchê gomado com brilho. Valor facial: R$ 0,40 centavos cada selo. Tiragem: 1.600.000 selos. Picotagem: 11,5 × 11,5. Tamanho: 38,5 mm × 38 mm. Local de Lançamento: Ipojuca (PE). RHM: B-125, C-2464/C-2467.

Reconhecidos como valiosa fonte de pesquisa, os recifes coralíneos são comparados somente às florestas tropicais, em sua enorme biodiversidade. Para representar os recifes coralíneos, foi utilizada uma ilustração focalizando suas principais características que são a formação de corais-pétreos, com as suas rosetas coloridas, os octocorais, e os corais de fogo. Além disso, vemos alguns espécimes que habitam esses ecossistemas, como a estrela-do-mar, os peixes e o cavalo-marinho. A técnica utilizada foi a fotografia. Em toda a extensão em que os recifes ocorrem, existem 9 unidades de conservação marinhas, entre federais, estaduais e municipais, que englobam os dois grupos de categorias de manejo: proteção integral e uso sustentável. São de proteção integral: Reserva Biológica do Atol das Rocas, Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, Parque Nacional Marinho de Abrolhos, Parque Estadual do Parcel do Manoel Luís (MA) e Parque Municipal do Recife de Fora, Porto Seguro (BA). Já as de uso sustentável são: Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (PE e AL), Área de Proteção Ambiental Estadual da Ponta da Baleia (BA), Área de Proteção Ambiental Estadual dos Recifes de Corais (RN) e a Reserva Extrativista de Corumbau (BA).

Do lado direito, bloco emitido em 03/11/2005, “Piracema – processo de reprodução dos peixes”. Edital nº 21. Artista: Álvaro Nunes. Valor facial: R$ 3,10. Local de Lançamento: Campo Grande – Mato Grosso do Sul (MS). RHM: B-139. Nota: Pirassununga. O bloco representa significativo momento da piracema, focalizando a escalada dos cardumes em obstáculo natural – a queda d’água – contornada por uma moldura de mata que enfatiza a oxigenação no trajeto dos peixes às regiões de desova. Em destaque a espécie Salminus maxillosus (dourado), cujas escamas são formadas por micro letras, só vistas com o auxílio de lupa. O peixe do selo também foi feito em alto relevo, processo semelhante à logomarca da Estrada Real. Como contraponto à superfície verde predominante, uma arara vermelha é exibida (Ara macao). Na parte inferior, os rés da água são adornados com o aguapé (Eichornia crassipes) e o frango-d’água-azul (Porphyrula martinica) em continuidade à harmonia das cores frias no bloco, simbolizando a dinâmica da biodiversidade.


CURIOSIDADE

1988 – Limpa-tudo ou Limpa-fundo?

Série de 6 valores emitida em 29/11/1988 alusiva a Divulgação da Piscicultura e da Aquariofilia – Peixes de Água Doce. RHM: C-1608/C-1613. Yvert: 1896/1901. Scott: 2157. Michel: 2276/2281.

Os selos mostram várias espécies de peixe: Borboleta, Aruanã, Neon Verde, Cynolebia, Cascudo e Limpa Tudo. Este último selo da sextilha é alusivo a espécie (Brochis splendens), com o nome popular “limpatudo” – o que está errado pois tal peixe é conhecido como limpa-fundo ou limpa-fundo-verde, ainda é chamado de broquis; em inglês é conhecido como Emerald Catfish, que pode ser traduzido como espécie de bagre brilhante ou esmeralda.

Página exposição: Onde estão os peixes?

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OCEANO

Abaixo, cartão-postal emitido pelos Correios e série em folhinha emitida em 22/05/1998 “EXPO’98 – Oceanos: Um Patrimônio Para o Futuro” – Conscientização e Preservação dos Oceanos. Artistas: Maristela Colucci / Daniela Weil. Os 24 selos, com valor facial de R$ 0,31 centavos de Real cada, compõem uma cena do fundo do mar e foram emitidos para comemorar o Ano Internacional dos Oceanos – 1998. O cena mostra várias espécies marinhas: Tartaruga-marinha, Cauda de Baleia, Peixe (prata), Água Viva, Cardume de Peixes e Mergulhador, Golfinhos, Peixe (amarelo), Baleias (baleia-jubarte Megaptera novaeangliae), Peixes (prata e amarelo), Peixe (vermelho e amarelo), Peixe-boi, Peixe (azul, amarelo e prata), Peixe (amarelo e azul), Cardume de Peixes Listados, Peixe-voador, Raia, Peixes (verde-escuro), Hidra, Cabeça de Tartaruga, Peixe (preto e amarelo), Peixe e Estrela-do-mar, Caranguejo-ermitão, Peixe (marrom e laranja) e Cavalo-marinho. Scott: 2674. Michel: 2826/2849. RHM: C-2089/C-2112.

As Nações Unidas declararam 1998 o Ano Internacional dos Oceanos, em reconhecimento da importância dos oceanos, do meio ambiente marinho e de seus recursos para a vida na Terra e para o desenvolvimento sustentável. No ambiente marinho representado por esta folha de 24 selos, vê-se um cenário composto por espécies de peixes, cetáceos e invertebrados, onde se destacam os recifes de coral, o peixe-boi, a baleia-jubarte e a soltura da tartaruga marinha n.º 2.000.000, espécies que se encontram ameaçadas de extinção. No Ano Internacional dos Oceanos, esta emissão consolida esforços no sentido de preservar o rico patrimônio de nossos oceanos para as gerações futuras. No Brasil existem algumas áreas protegidas marinhas que incluem ambientes recifais: a Reserva Biológica do Atol das Rocas, o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, o Parque Estadual do Parcel de Manoel Luiz e a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, que abrange os recifes costeiros entre o sul do Estado de Pernambuco e o norte do Estado de Alagoas.

Série em formato sextilha emitida em 05/03/1999, “Programa Revizee e Proarquipélago”. Com arte de Mauro Campello, os 6 selos com valor facial de R$ 0,31 centavos cada, mostram: Estação Científica (Arquipélago S. Pedro e S. Paulo), Atobá-grande, Navio de Pesquisa, Tartaruga Marinha, Golfinho-rotador e Megulhador Pesquisador com peixes. Scott: 2706. Michel: 2925/2930. RHM: C-2182/C-2187.

No meio do ufanismo da década de 70: “pra frente Brasil”, “ninguém segura este país” e “este é um país que vai pra frente” [sic], o então general-presidente Emílio Garrastazu Médici, tomou uma atitude que mudou nosso futuro, garantindo o que hoje tanto se fala, nossa riqueza petrolífera do pré-sal...

Uma das iniciativas de seu governo, que produziu anos de discussões com a comunidade mundial, foi a decisão de ampliar o nosso mar territorial de 12 milhas para 200 milhas, inclusive em torno de nossas ilhas como Fernando de Noronha, o Atol das Rocas, Trindade e Martim Vaz... O Decreto-lei Nº 1.098, datado de 25/03/1970, continha cinco artigos e afirmava que: “o mar territorial do Brasil abrange uma faixa de duzentas milhas marítimas de largura, medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular brasileiro”. A declaração do artigo 2º do mesmo: “A soberania do Brasil se estende no espaço aéreo acima do mar territorial, bem como ao leito e subsolo deste mar”.

Mas tudo mudou um pouco no dia 10/12/1982, quando a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) substituiu as 200 milhas de mar territorial pela ZEE – Zona Econômica Exclusiva. A Convenção, ratificada pelo Brasil em dezembro de 1988, entrou em vigor no dia 16/11/1994...

O Programa REVIZEE (Programa de Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva) foi criado em 1994 pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, com o objetivo central de levantar dados biológicos, geológicos, físicos e químicos da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do litoral do Brasil (de 12 milhas de largura, até 200 milhas náuticas da costa, abrangendo uma extensão de cerca de 3,5 milhões de quilômetros quadrados) e assim, garantir os direitos de soberania na exploração dos recursos marinhos, atendendo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (1988). O REVIZEE resultou de compromisso assumido pelo Brasil ao ratificar tal Convenção e, conforme os termos desse tratado, o país assumiu uma série de direitos e deveres. Caso o país não realize a captura dos recursos vivos marinhos em níveis sustentáveis em suas águas, por exemplo, ele é obrigado a autorizar que outras nações o façam... O Programa teve início em 1995 e foi encerrado oficialmente em 09/2006.

Entre os problemas encontrados pelos estudiosos e divulgados na publicação, verificou-se que muitas espécies da ZEE nordestina encontram-se sobre-explotadas, ou seja, os níveis de retirada do mar excedem à capacidade de renovação das espécies. Esse desequilíbrio apresenta, em alguns casos, riscos graves á sustentabilidade da pesca. Peixes como cioba (Lutjanus analis), a serra (Scomberomorus brasilliensis) e o dourado (Coryphaena hippurus), para citar algumas das espécies mais populares, estão sendo capturados em ritmo acima de suas capacidades reprodutivas, o que traz preocupação com os níveis dos estoques de muitos recursos...

O REVIZEE constituiu o núcleo principal do V Plano Setorial para os Recursos do Mar (V PSRM), em vigor no período 1999-2003. O Programa, no âmbito da CIRM, esteve a cargo de um Comitê Executivo, cuja Coordenação Geral foi exercida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), contando, ainda, com a participação da Marinha do Brasil (MB), Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Educação (MEC), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), Bahia Pesca S/A e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que é o Coordenador Operacional.

Foram destinados ao Programa Revizee um montante de aproximadamente R$ 30 milhões, o que permitiu equipar laboratórios, formar e contratar pesquisadores que atuaram nas áreas das Ciências do Mar em vários centros de pesquisa, como jamais havia ocorrido no Brasil. Todo esse investimento buscou identificar os recursos potencialmente exploráveis e estabelecer os níveis de exploração sustentáveis para recursos demersais e pelágicos da Zona Econômica Exclusiva Brasileira (ZEE). Inventariou os recursos vivos na ZEE e as características ambientais de sua ocorrência; determinou suas biomassas; e estabeleceu os potenciais de captura sustentáveis. Além desses objetivos, os resultados obtidos permitiram cumprir metas assumidas frente à comunidade internacional e, especialmente, assegurar ao Brasil a exploração de sua ZEE.

Nota: O Navio Oceanográfico Antares da DHN/Marinha do Brasil foi parte integrante das atividades do REVIZEE – NORDESTE I, por exemplo, cujos exemplares encontram-se depositados no acervo do Laboratório de Biologia da Conservação, Departamento de Zoologia, Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Pernambuco.

Ao atingir seu fim, o REVIZEE foi substituído pelo Programa de Avaliação do Potencial Sustentável e Monitoramento dos Recursos Vivos do Mar – REVIMAR. A ação REVIMAR é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio do IBAMA, e tem como objetivo avaliar o potencial sustentável e monitorar de forma sistemática os estoques presentes nas áreas marítimas sob jurisdição nacional, com vistas a subsidiar políticas pesqueiras que garantam a sustentabilidade e a rentabilidade da atividade.

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Última atualização: 21/06/2011.
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