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“DE OLHO NA LIBERDADE”

GALERIA CONSOLAÇÃO

De 01 a 25 de agosto de 2000
Diariamente das 06:00 às 24:00 horas

Projeto e Produção:
SÉRGIO EDUARDO SAKALL

Realização:

Curador do Espaço:
FERNANDO NEMER (Arquiteto do D.P.H.)

Colaboração:

Apoio Cultural:

Sinopse:
Trabalho realizado em Soweto, na África do Sul, no final do ano de 1998.
Fui à África do Sul para um safári fotográfico, porém uma visita a Soweto fez com que eu mudasse minha proposta de trabalho. Lá, o que me impressionou foram as feições serenas dos adultos e o ar de alegria e descontração estampado no rosto das crianças, apesar da extrema pobreza do lugar, da falta de saneamento básico e dos barracos enfileirados, tudo isso contrastando com a riqueza da vizinha cidade de Johannesburg. Mesmo após o fim do Apartheid, os moradores de Soweto continuam sofrendo com a discriminação. Mas existe algo de novo na postura e no olhar desses negros, um olhar que resolvi chamar de olho na liberdade, mostrando não apenas imagens desse povo, mas o quanto é bela a palavra “liberdade”, e ao mesmo tempo, o quanto é difícil conquistar o que ela significa...


Texto de Introdução:

Sawubona!

Acredito que a civilização do continente africano sempre foi a da comoção. Sinto que “agita” qualquer ânimo, produzindo impressão sobre todos os outros povos. Uma das lutas do negro ponteia nesta amostra, sobretudo a da liberdade na África do Sul. A cultura brasileira, em todos os tempos, tem forte influência negra, principalmente no sincretismo religioso. O Brasil inteiro conhece a expressão axé. No entanto, basta lembrar que ter dado fim à escravidão não terminou com a discriminação, que pesamos...

Depois de um safári fotográfico no Kruger National Park, conheci uma das cidades mais lindas do mundo – Cidade do Cabo. Do extremo sul ao norte, esse país é incomparável em relação às suas inúmeras diferenças. Seu povo negro pode entrar nos lugares proibidos de antigamente e os brancos podem visitar uma das cidades-satélites formada ainda sob vigência do regime Apartheid. A mais famosa delas é Soweto. Apesar da atividade comercial estar sendo desenvolvida, pode-se constatar que não há água potável encanada, sequer banheiros em muitas casas.

Nossas favelas são bem mais desenvolvidas do que as de lá. Quando entrei nesse lugar, emocionei-me com várias crianças. No olhar de algumas delas, pude até “ler”, escondidas, tristes histórias de seus antepassados. Emocionei-me da mesma forma com os contos de uma senhora, que me recebeu em sua modesta casa e me relatou a difícil luta durante o Apartheid, sobretudo o seu “medo” de outrora pelos brancos...

Atendendo minha busca por inspiração humanística, dou ênfase aos aspectos livres do cotidiano. Estas fotos foram registradas sob aspectos diferenciados de luz ambiente. Entretanto o nível de luz sempre foi elevado, situação ideal para resplandecer o tema focado – a liberdade. Procuro ainda dignificar o exemplo histórico, principalmente o lado humano, para quem responde prontamente o seu valor.

Resume-se a história em uma sequência de imagens não lineares (fim, começo e meio). A intenção inicial de fotografar naquele país foi especialmente a de que na selva africana participaria de um safári. Procurei seguir informações turísticas, sempre baseado numa pesquisa anterior que fiz em revistas do gênero. No entanto, não me “perdi” pelas savanas como pensei, mas sim pelas ruas de Cape Town, sobretudo nas de Soweto, no final de 1998.

Todo trabalho foi realizado com um equipamento fotográfico simples: duas câmeras de pequeno formato (35 mm), uma de Visor – YASHICA Zoomate 70 e a outra uma Mono Reflex – PENTAX K 1000 (meu inseparável primeiro amor). Utilizei objetiva Zoom de 75~300 mm e objetiva fixa de 50 mm, respectivamente. Usei filme negativo cor FUJI/Superia 100. Também filme negativo P&B KODAK/TRI-X 400. Em algumas das imagens trabalhei com filtro vermelho.

Enfim, inspirado por Ahmed Kathrada (Diretor do Comitê para o Futuro de Robeen Island), quero dizer que a história desse país sempre foi conturbada, desde a época da colonização. Hoje em dia, com o êxito da liberdade contra a repressão e a humilhação, e o triunfo da igualdade racial contra a intolerância, esse povo luta para apagar seu passado, vivendo e interagindo intensamente num regozijo da nova África do Sul sobre a velha.

Sérgio Eduardo Sakall, agosto de 2000.
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DE OLHO NA LIBERDADE
O olhar desta inocente criança, ainda que não entenda, é certo que esconde tristes histórias de seus antecedentes... Talvez seu pai ou quem sabe seu avô foi prisioneiro do Apartheid. Conjunto de leis que impedia o acesso dos negros à propriedade da terra, à participação política e às profissões de melhor remuneração, o Apartheid também obrigava os negros a viverem em áreas separadas das zonas residenciais brancas. Os casamentos mistos e as relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais.

"DE OLHO NA LIBERDADE", by Sérgio Sakall.

MANIFESTO
No shopping Victoria & Alfred Waterfront, em Cape Town (Cidade do Cabo). A paisagem é dominada pela Table Mountain, marca registrada da cidade. Com 1.086 metros de altitude, possui um teleférico que lembra o nosso Pão de Açúcar. Habitantes indígenas referiam-se à essa área como “Hoerikwaggo”, que quer dizer montanha do mar. Um vale fértil circunda a Cidade do Cabo. Nas ruas de Oak-Lines, os edifícios antigos se destacam. Centro cultural da África do Sul, pela sua arquitetura, arte, música e vinho; as cores, os barcos antigos na baía de Kalk, a árvore de prata (espécie natural de lá), os velhos quarteirões dos escravos “malay”, os frutos do mar, a praça do mercado e o pôr do Sol nos mirantes Victoria e Alfred, tudo isso é inesquecível...

"MANIFESTO", by Sérgio Sakall.

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE
Estes meninos despertaram minha memória para alguns fatos marcantes de nossa história. Não só de lá... No dia 16 de Junho (data em que se comemora o dia dos jovens naquela terra), em 1976, crianças das escolas marcharam pelas ruas de Soweto protestando contra a lei dos africânderes. Nesse dia, o protesto mexeu com a Nação inteira, talvez com o mundo todo...

"LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE", by Sérgio Sakall.

NOVA ÁFRICA
A zona portuária da Cidade do Cabo é um complexo que compreende o porto Table Bay, as baías Victoria e Alfred e o magnífico shopping Victoria & Alfred Waterfront. Repleto de lojas e restaurantes, também é coalhado de turistas de todas as nacionalidades. Lá, no restaurante Quay 4, degustei Seafood Plate (comida típica de frutos do mar). A história de Waterfront data de 1860, quando o príncipe Alfred, segundo filho da rainha Victoria, colocou a primeira pedra para a construção da barreira nas água do mar de Cape Town. Desse lugar, registrei, supostamente, um pai levando o seu filho passear... No cais, eles aguardavam pela embarcação para visitar um dos mais importantes lugares históricos da África do Sul, declarado monumento nacional: a ilha Robben Island. Antiga prisão para os oponentes do regime Apartheid, tornou-se notória por manter o presidente Mandela mais de duas décadas como prisioneiro.

"NOVA ÁFRICA", by Sérgio Sakall.

CHAMAMENTO
Todos os dias esta senhora anunciava aos hóspedes o horário da refeição no hotel que fiquei em Namakgale (Northern Province), bem próximo ao Phalaborwa Gate – um dos portões de acesso para o Kruger National Park. Além dos maiores mamíferos do planeta terem seu habitat natural no Continente Africano, a África do Sul detém quase 50% da produção industrial daquela imensidão de terra cercada pelas águas oceânicas. Muito rico em pedras preciosas e em recursos minerais, esse país é o maior produtor de ouro do mundo! O turismo exerce papel essencial, com muitas atrações, sobretudo as reservas de animais selvagens. Lá podemos ver de perto entre outros animais, principalmente de abril a setembro, os famosos “Big Five” – considerados os 5 mamíferos mais importantes: leopardo, búfalo, leão, elefante e rinoceronte. O Kruger Park foi fundado pelo ex-presidente Paul Kruger, precisamente em 1898. Quando visitei a reserva, era horário de verão. Porém, mesmo com a temperatura elevada, para os sáfaris noturnos ou os matutinos, sempre se fazia necessário um agasalho...

"CHAMAMENTO", by Sérgio Sakall.

KENINA E KING
Sempre unidas, crianças causam sentimentos profundos, ainda que se dispersem pelo tempo... Soweto é uma cidade localizada a sudoeste de Johannesburg, que se transformou no maior núcleo urbano negro do país, desenvolvido sobretudo nos anos cinquenta. Já Sandton, ao norte de Johannesburg, tem hotéis, elegantes residências e shoppings. Quem visita ambas pode ver claramente que ainda há enormes diferenças sociais e econômicas entre negros e brancos. Quem sabe, num futuro próximo, as condições melhorem e alcancem uma igualdade plena, porque o que há de melhor todos já conquistaram – a liberdade em seu próprio país.

"KENINA E KING", by Sérgio Sakall.

VITÓRIA
Com visível esperança expressa no rosto, esta criança pode representar o que talvez tenha sido a fonte de inspiração do movimento contra a segregação racial e pela libertação de Nelson Holihlahia Mandela, e que ganhou corpo no mundo inteiro. Nascido em 18/07/1918, próximo de Umtata (Transkei), de uma família real do Tembu, tribo de etnia xhosa, Mandela é preso em 1962. Depois de longos anos conquistou a sua liberdade e, em 10 de maio de 1994, foi eleito presidente da África do Sul. Tomou posse em Pretoria, capital administrativa daquele país, que possuí um valor histórico imenso pois inaugurou o primeiro governo democrático, após ter passado pela República Bôer, ser colônia britânica e viver o Apartheid.

"VITÓRIA", by Sérgio Sakall.
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MOSQUETEIROS DE SOWETO
Filhos de moradores de Soweto, que pertencem ao nono grupo étnico dos zulus e dos xhosas. Nesse dia, algumas das crianças, não saíam da frente da minha câmara fotográfica... Bem perto desse mesmo lugar, encontra-se o hospital Baragwanath, o maior do hemisfério sul, atraindo pacientes de toda a África. Também, o que atraem milhares de pessoas do mundo inteiro são o famoso e único hotel seis estrelas do planeta – The Palace Hotel, e “The Lost City”, um centro de entretenimento, ambos localizados em Sun City.

CONQUISTANDO CAMINHOS
Cidadãos em hora de lazer no porto da Cidade do Cabo. A 80 quilômetros ao sul dessa cidade, também se pode conhecer o famoso Cabo da Boa Esperança ou Cape Point. Para chegar lá é necessário percorrer uma estrada estreita – Chapman’s Peak Drive, à beira de um desfiladeiro. Nas encostas, existem mansões e fazendas de criadores de avestruz. Fotografei desengonçados e curiosos filhotes na Cape Point Ostrich Farm, próxima a Good Hope Nature Reserva. Por lá também são cultivadas proteias – flor símbolo do país. O navegador português Bartolomeu Dias foi a primeira pessoa a circundar e nomear o sítio em Cabo das Tormentas, em 1488, ponto estratégico na rota para a Índia e marco fundamental na história da navegação. Bem mais tarde, no final de 1850, decidiu-se construir um farol no lugar. Lá, podemos ler as seguintes coordenadas geográficas: 34°21’24” latitude sul e 18°29’51” longitude leste.

FRUTOS DA TERRA
Crianças de Soweto (cidade-satélite formada ainda sob vigência do regime Apartheid, quando negros eram obrigados a morar em guetos). Foto tirada próxima ao local onde moraram Mandela e Winnie, sua ex-mulher. A maior falta do mundo deve ser a de endireitar as “ondas” tortuosas, não as do mar que são belas para o nosso deleite, mas sim as do homem, antes que elas se pronunciem e suas injustiças falem novamente...

TEMPO PARA TUDO
A população da África do Sul é formada por grupos étnicos: zulus, xhosas, sotos, tsuanas, nedebeles, eurafricanos, entre outros. Sua língua é o africâner (afrikaans). O inglês é largamente usado, porém existem 11 línguas africanas oficiais no país. A maioria pratica o cristianismo e outra parte do povo, cultos tribais. A St. George’s Cathedral, em Cape Town, é a igreja anglicana mais velha do país. Também o Castle of Good Hope é o prédio/forte mais antigo da África do Sul, construído no século XV em formato pentagonal. Na Cidade do Ouro – Johannesburg, há o Museu da África para conhecer a história do país e Golf Reef City, um hotel do tempo das diligências. Dullstroom é uma vila de pesca da truta, completamente construída com casas de pedra. Mpumalanga Meander – Montanha da Pedra é uma das partes mais bonitas do país com o Canyon do rio Blyde. Quando fui ao Parque Kruger, passei por uma montanha chamada Magoebaskloof e ainda pelo vale fértil tropical de Tzaneen (cidade em que almocei).
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Agradecimentos:

Adekunle Aderonmu (Presidente – Centro Cultural Africano)
Antônio Carlos Arruda da Silva (Presidente – Conselho da Comunidade Negra de São Paulo)
Cacilda K. Kawagoe (Departamento Cultural – Consulado Geral da República da África do Sul)
Celso de Alencar (Poeta)
Celina Elza Bruna Sakall (Minha mãe, pelo apoio nesta empreitada.)
Daniel Annunciato (Professor de Fotografia da EPA – Escola Panamericana de Arte)
Eliana Aparecida da Silva (Advogada, Professora de Inglês e Fotógrafa)
Elizabeth Aka (Diretora de Eventos – Centro Cultural Africano)
Gilberto de Nichile (Editor – Agenda Cultural – Secretarial Municipal de Cultura)
Grupo Cultural Afro-Ketu
Grupo de Danças Omo-Aiê
Grupo de Percussão do Projeto Coaracy Kinderê
Helena Gomes de Oliveira (Coordenadora do Bosque da Leitura – Secretaria Municipal de Cultura)
Iara Mandarano (Supervisora de Atendimento do Aeroporto Internacional de SP – Varig Brasil)
Izilda Viola (Secretária – Centro Cultural Africano)
Jan Castelyn (Cônsul – Consulado Geral da República da África do Sul)
Katia Yamada (Empresária – Foto Arlindo Produções)
Manequins do Centro Cultural Africano
Marcelo Defenti (Empresário – Merry Água, distribuidora de água mineral)
Márcio Telles (Diretor e Produtor Artístico, responsável pelos grupos Afro-Ketu e Omo-Aiê)
Marcos Manadarano (Engenheiro – Prefeitura Municipal de São Paulo)
Maria Aparecida Toschi Lomonaco (Coordenadora da Comissão Editorial – D.P.H.)
Maria Bernadete Auxiliadora Jacob Freitas Caetano (Funcionária Pública Federal); nascimento: 23/05/55 Aparecida (SP); único atendimento: 09/07/99 (17)-10-5-7-4-16-5
Clara (Reiki Master, pelo incentivo de sempre)
Maria Cristina Scomparini (Professora de Português, formada pela USP)
Maria Heloisa Forjaz (Chefe de Seção do DEPEL – Secretaria Municipal de Esportes)
Mpho Mminele (Vice-Cônsul – Consulado Geral da República da África do Sul)
Olindina Rei Santos (Secretária – Conselho da Comunidade Negra de São Paulo)
Osmar Gaspar (Vice-Presidente – Conselho da Comunidade Negra de São Paulo)
Pedro Attílio Pascon (Diretor do DEPEL – Secretaria Municial de Esportes)
Raimunda de Abreu Costa – “Ray” (Encarregada de Atendimento – LABTEC)
Rosana Berbel (Especialista de Marketing – Editora Abril)
William Furlan (Empresário – IMAGEM Espelhos, Quadros e Molduras)
Wilson Rocha (Professor de Português ÂNGLO, responsável pelo Grupo de Percussão do Projeto Coaracy Kinderê).

CENTRO CULTURAL AFRICANO (trouxe grupo de manequins afros para desfilar)
Rua Dr. Cezario Mota Junior, 281 – Vila Buarque – São Paulo

CONSELHO DE PARTICIPAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE NEGRA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Rua Antonio de Godoi, 122 – 9º andar – Largo Paissandu – São Paulo
Nota: No dia 12/06 eles me indicaram o Márcio.

Luther King – Maestro Moisés (coral negro antigo; indicado pela Bernadete)
Rua Tamandaré, 348 – 2º andar (17 às 18hs, aos domingos) – Liberdade – estação São Joaquim

MÁRCIO TELES (trouxe o GRUPO CULTURAL AFRO-KETU e o GRUPO DE DANÇAS OMO-AIÊ)
Rua Domingos Condoléu, 324 – Vila Souza – 3982-3948
Avenida Inajar de Souza / Academia de Capoeira Abolição / Rua Pedro Doro

PASTORAL NEGRA – Nelson Campos (coral que Cacilda indicou)

SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
Helena Gomes de Oliveira, Heloisa Amêndola e Dirce

SECRETARIA MUNICIPAL DE ESPORTES (cedeu um ônibus para transportar os grupos)
DEPEL – Departamento de promoções Esportivas, Lazer e Recreação
Rua Pedro de Toledo, 1591 – Santa Cruz

Secretaria do Estado da Cultura
Rua Mauá, 51 – 3º andar, sala 311 (Adilson foi legal e indicou vários telefones)
Carta aos cuidados de Thereza Santos, acessoria AFRO, possibilidade em ceder grupo AFRO.

Shopping D&D Loja Nairobi (deixar convites com Aguimar ou Cristiano; Cacilda quem indicou)

Calígrafas:
Carla – Rua Azevedo Soares, 449 – Tatuapé (Katia quem indicou)
Dora – Rua Dr. Mário Vicente, 1698 – Ipiranga
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Marcos escreveu:

Eu gostaria de agradecer, em nome de Sérgio Eduardo Sakall, a presença de todos aqui presentes: amigos, familiares, convidados, os grupos que gentilmente vieram engrandecer este evento com suas participações, a presença do Sr. cônsul geral da República da África do Sul, todos aqui para prestigiar e apreciar esta exposição fotográfica. E especialmente parabenizar o fotógrafo, o poeta e o escritor Sérgio, que com muita persistência e sensibilidade realizou este trabalho “De Olho na Liberdade”, mostrando não apenas imagens, mas o quanto é bela a palavra “liberdade”, e ao mesmo tempo, o quanto é difícil conquistar o que ela significa.


A ÁFRICA DO SUL POR UM JOVEM FOTÓGRAFO
By Marcelo Vigneron

De Olho na Liberdade é o tema da mostra de Sérgio Sakall na Galeria da Consolação até 25 de agosto.

Um dos espaços alternativos de São Paulo para exposições de fotografia apresenta 11 grandes ampliações em preto e branco e cor que nos trazem a visão de Eduardo Sakall sobre a população negra que vive na periferia de algumas grandes cidades sul africanas. Segundo a autor, que também complementa as fotografias com longos comentários sobre a situação do país, “mostro aspectos do país e imagens de um povo que triunfou na igualdade racial, e que ainda luta para edificar uma nova África do Sul sobre a velha”.

Não é um tema novo e nem fácil. Muitos fotojornalistas já se debruçaram sobre ele e já houve enxurradas de imagens sobre o assunto. Sérgio esteve por lá aparentemente em turismo e também fotografou um pouco da natureza africana nos parques nacionais (que também mostra em fotografias de tamanho pequeno), mas de alguma forma parece ter sido atraído pela situação social e talvez pela similaridade da exclusão social e econômica com a nossa chamada “democracia racial brasileira”. Ele então saiu do roteiro turístico e caminhou um pouco à borda do país real.

Nesta sua viagem os melhores momentos estão em preto e branco e quando ele fotografa crianças em enquadramentos fechados e próximos usando uma focal mais curta. Sente-se que ele está à vontade e seus sujeitos também. Ao contrário, outras imagens em geral em cor e feitas com tele-objetiva, talvez pela dificuldade de estabelecer uma relação fotógrafo-sujeito, não tem a mesma força e são fotos mais frias e de pouco impacto. Sem dúvida há muito o que amadurecer, insistir e investir.

Entretanto também existem outros méritos que são: a capacidade de enxergar além da perspectiva do turista, reunir apoios que viabilizem mostrar o trabalho e aproveitar espaços fora do circuito tradicional das exposições de fotografia.

De Olho na Liberdade, exposição de Sérgio Eduardo Sakall, Galeria da Consolação (passagem subterrânea da rua Consolação na esquina com avenida Paulista) todos os dias das 6:00 às 24:00hs, até dia 25 de agosto de 2000.

Marcelo Vigneron – Fez a exposição fotográfica “Duas Áfricas”, no MIS em 07/2000. Assina a coluna sobre fotografia num site português chamado Farol da Fotografia, abrigado no portal www.terravista.pt. Escreveu esta resenha em 07/08/2000.


Mostra fotográfica: DE OLHO NA LIBERDADE
De 16 a 30 de novembro de 2000
BIBLIOTECA PÚBLICA MÁRIO DE ANDRADE
Rua da Consolação, 94. Centro – São Paulo/SP
De segunda a sexta, das 9 às 21h. Sábado das 9 às 18h.

Nota: Ficha de Inscrição para o III SALÃO DE ARTE CIDADE DE PORTO ALEGRE, na Secretaria Municipal da Cultura, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em 4 de junho de 2002. Observação: Não obtive o comprovante de inscrição, pois a minha inscrição foi através dos Correios. Trabalho: Cinco fotografias ampliadas em P&B, sendo que duas compõem um díptico. 1) Díptico: De olho na liberdade e Vitória, 2) Kenina e King, 3) Liberdade, igualdade e fraternidade, 4) Frutos da terra.


Maria V C Braga (mariavill.braga @ gmail.com), em 05/02/2012. Assunto: foto de meninos de Soweto. Sérgio, Tenho um blog de crônicas, e cada uma tem uma pequena ilustração. Gostaria de ilustrar uma delas com uma foto que identifiquei na internet como sendo sua (três meninos lindos em Soweto, da exposição “De olho na liberdade”). Com o devido crédito, você permitiria? A crônica aborda memórias de infância e racismo. A ideia surgiu quando vi no jornal O Globo uma foto de meninos de Soweto, na época da Copa (2010). Ao procurar na internet uma foto para ilustrá-la, a foto mais bonita que encontrei foi a sua (isso depois de várias horas pesquisando). Sei que seu trabalho não é “free”, e tem muito valor; será que você permitiria a veiculação desta foto específica, num blog sem nenhum fim lucrativo? Se você tiver outra sugestão de banco de imagens livre, aceito também (mas duvido que alguma seja tão bonita quanto aquela). Aguardo resposta. Atenciosamente.

05/02/2012: Olá mulher carioca, canceriana, Maria! Obrigado pelo interesse e elogio. Neste caso, minha resposta é sim. Penso que você percebeu que a foto não é atual e sim do final de 1998. Portanto essas crianças já estão alcançando seus vinte aninhos (espero), pois a foto tem mais de 13 anos. Maria, segue a fotografia com melhor contraste do que está publicada em Girafamania: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, por Sérgio Sakall. Beijos e inté, Sérgio.

06/02/2012: Olá, Sérgio! Muito obrigada! Já postei a foto, identificando o autor. Sim, eu vi que a foto tinha mais de dez anos, mas não tem problema (parte dos textos é memória, e parte invenção – a foto só precisa ter alguma relação com o texto). A expressão daqueles meninos é incrível. Da esquerda para a direita, em uma aura de doçura, vejo Inocente, Sapeca e Triste. Lindos. Como estarão agora?... Tomara que sejam felizes. Um beijo, Maria.

O link é http://floraisnacabeca.blogspot.com/2010/04/sem-castigo-sem-perdao.html

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Última atualização: 06/02/2012.
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REVELANDO O BAIRRO DO TATUAPÉ HOJE EXPOSIÇÕES
UM SONHO DE CAMINHO PELO REINO DA ESPANHA