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REPÚBLICA DO LÍBANO (1941)

Bandeira Nacional da República do Líbano

Libano – Liban – Lebanon
Nome oficial – Al-Jumhuriya al-Lubnaniya.
Capital – Beirute (Beyrouth).
Religião – Islamismo e Cristianismo. Nem todo libanês é muçulmano, aliás o Líbano é o país de língua árabe que tem proporcionalmente o menor número de muçulmanos, com 62% da população.
Moeda (numismática) – libra libanesa / piastra, dividida em 100 piastras ou 1.000 milésimos (Lebanon Pounds). Código internacional ISO 4217: LBP. A palavra “millimes” deriva do francês “millième”, o qual veio do latim “millesimus” e que significa milésimo.

O selo postal acima “Liban” (WNS nº. UN225.06) foi emitido pela Organização das Nações Unidas (Post United Nations Geneva) em 5/10/2006 e compreende uma série de oito valores sobre “Coins and Flags”.

O Líbano é o histórico território dos fenícios, cuja cultura floresceu por mais de 2 mil anos, a partir de 2.700 antes de Cristo. Esse povo, civilização de mercadores, viveu na Fenícia (antiga Ásia) e organizou o alfabeto fenício...

A região atual do país corresponde ao que era a Fenícia, na Antiguidade. A Fenícia foi marcada por sucessivas ocupações estrangeiras, fez parte dos impérios persa, grego, romano e, finalmente, árabe, no século VII, o qual deu origem a etnia predominante.

Isso deu origem às diferenças étnicas e religiosas da população, dividida quase ao meio entre cristãos e muçulmanos. As tensões na região são agravadas com o conflito entre árabes e israelenses e a imigração de centenas de milhares de refugiados palestinos nas últimas décadas.

O Líbano e a Síria, domínios franceses desde o final da I Guerra Mundial, obtêm a independência em 1941 e 1946, respectivamente. A área que compreende a Síria hoje, foi parte do Império da Mesopotâmia (Iraque), por volta de 2.300 anos antes de Cristo. Naquele tempo, as cidades de Ugarit (atual Ras-Shamra, na Síria) e Biblos (no Líbano) tornaram-se poderosos centros comerciais...

O país possui estreita faixa costeira úmida e fértil, com o interior montanhoso. Sua área tem pouco mais de 10 mil quilômetros quadrados. Tem o forte de sua economia na agricultura e no turismo e, com a ajuda ocidental, o Líbano tenta reconstruir a economia para voltar a ser um centro financeiro e turístico no Oriente Médio.

Antes da guerra civil (1975-1990) que devastou o país sob pressão de dois vizinhos (tropas de Israel ocuparam o sul libanês, enquanto a Síria teve seu Exército no restante do território), o Líbano tinha um fortíssimo sistema bancário e Beirute era conhecida como a “Zurique do Oriente Médio” ou a “Pérola do Mediterrâneo”.

Abaixo, ambos cartões-postais mostram a Grande Mesquita, em Beirute. Do lado esquerdo, cartão-postal publicado por Au Bon Marché. Do lado direito, cartão-postal publicado por Levy.

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História do Líbano e História Postal

Invadido por muitos povos (hititas, egípcios, assírios, persas), o território libanês é conquistado por Alexandre, da Macedônia, em 332 antes de Cristo, ficando sob domínio grego até 63 antes de Cristo, quando se torna província romana. Em 395, o Líbano passa a fazer parte do Império Bizantino. Os árabes muçulmanos o anexam entre 636 e 705. Apoiados no setor cristão maronita da população, os cruzados tomam o país no final do século XI, permanecendo até ser expulsos pelos mamelucos egípcios muçulmanos, em 1291.

Comandados por Selim I, os turcos, também muçulmanos, vencem o último sultão mameluco em 1516 e incorporam o Líbano ao Império Turco-Otomano. Transformado em emirado, sujeito ao domínio turco, o Líbano conhece, entre 1590 e 1633, um novo período de apogeu, sob o governo do grão-emir Fakhr ad-Din II, que concede igualdade aos cristãos maronitas e aos drusos (muçulmanos xiitas) e mantém intensas trocas comerciais e culturais com a Europa. Porém, sua crescente independência o leva a um choque com o poder otomano, sendo derrotado militarmente, preso e executado.

Durante o domínio turco crescem os conflitos entre drusos e maronitas. Em 1858, a rebelião dos camponeses maronitas contra o sistema feudal resulta em terríveis massacres de cristãos. Nessa época, a França aumenta sua influência na região... Quando a Turquia, aliada da Alemanha, é derrotada na Primeira Guerra Mundial, a França e o Reino Unido partilham entre si os territórios antes pertencentes ao Império Turco-Otomano. O Líbano fica sob o mandato francês a partir de 1920.

Como vimos, dominada pelos turcos-otomanos desde o século XVI, a região permaneceu assim até o Tratado de Sévres, em 1920. Acredito que antes do Protetorado Francês e do aparecimento dos selos franceses com sobretaxa que veremos abaixo, deveriam circular apenas selos postais do Império Turco-Otomano...

Os primeiros selos libaneses, exceto os de Charity, foram remarcados em selos franceses... Abaixo (lado direito), o primeiro selo postal foi emito em 1924 (Scott: 1), remarcado com a sobrecarga “GRAND LIBAN” e a sobretaxa “10 CENTIEMES” sobre 2c (púrpura). Este selo foi utilizado na primeira emissão da Síria no ano anterior, em 1923...

O primeiro selo impresso com o nome do país, “GRAND LIBAN” (lado esquerdo), foi emitido em 1925 (Scott: 50, SG: 58), com valor facial de 0p10 (violeta).

A Constituição de 1926, patrocinada pela França, torna o país uma República parlamentarista, estabelecendo-se por acordo tácito que o presidente seria sempre um cristão maronita e o primeiro-ministro, um muçulmano sunita. Então, no mesmo ano, foi emitido o primeiro selo postal como República Parlamentarista. De 1926 (Scott: 63, SG: 95), com valor facial de 3p50 sobre 0p75 (vermelho), remarcado no selo (Sc: 53, SG: 61).

Em 1941 a França concede independência ao Líbano. Uma República é estabelecida em 1943 (o Brasil foi o primeiro país a reconhecer isso) e a autonomia plena para o novo Estado é concedida em janeiro de 1944. As tropas francesas só abandonam o país em 1947...
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CURIOSIDADE

Conta-se que os turcos evitavam possibilidades de habitantes de regiões do império terem uma identidade nacional... Por exemplo: os passaportes daqueles que pertenciam ao regime, não importava se eram habitantes libaneses, jordanianos, egípcios, iraquianos etc, sempre apareciam com a inscrição Império Turco.

Quando os primeiros imigrantes libaneses vieram para o Brasil, na década de 1880, todos eles traziam esses passaportes. Logo que os “brilhantes” funcionários de nossa alfândega conseguiam traduzir a primeira linha do passaporte eles já diziam:

– Mais um turco! Pode ir para aquela fila turco!
Imagine que mesmo havendo algum imigrante que arranhasse o português e dissesse:
– “Ezbera aí brimo, nós não é turco, nós é libanês!”
Ainda assim, ele teria que ouvir:
– “Ah, pare de encher o saco e vai logo para a fila turco!”
Daí surgiu o nosso mal hábito de se chamar os imigrantes árabes de turcos...

Abaixo, dois selos brasileiros emitidos na capital de São Paulo e na cidade de São José do Rio Preto, no interior do mesmo Estado. Ambos comemoram ligações entre os dois países: “Brasil e Líbano”.

Do lado esquerdo, emitido em 21/11/2003, selo “Relações Diplomáticas e Culturais”. Com valor facial de R$ 1,75 reais, o selo faz alusão às relações entre o Brasil e o Líbano, em uma superposição de elementos das bandeiras dos dois países: a do Brasil é lembrada com os matizes de verde e amarelo e o grafismo diagonal, que se refere ao losango do nosso pavilhão; e a bandeira do Líbano é lembrada pelas faixas vermelhas nas partes superior e inferior do selo e pela silhueta de um cedro – árvore símbolo do país. Edital: nº 25. Artista: Maurício Kumazawa. Picotagem: 12 x 11,5. Tiragem: 3.000.000 selos. Processo de impressão: Ofsete. Folha: 30 selos. Papel: Couchê gomado.

Do lado direito, emitido em 31/03/2005, selo “125 anos da Imigração Libanesa no Brasil”. Com valor facial de R$ 1,75 reais, a imagem do selo é composta pelas bandeiras do Brasil e do Líbano entrelaçadas pelo movimento do vento, simbolizando a união entre os povos de ambos países. A sobreposição da bandeira libanesa à brasileira significa a receptividade aos imigrantes libaneses. O cedro (Cedrus libani), árvore símbolo do Líbano, e o ipê-amarelo (Tabebuia aurea), representativo da flora brasileira, assinalam o rico patrimônio natural dos dois países. Edital: nº 4. Artista: Mário Alves de Brito. Picotagem: 11,5 x 12. Tiragem: 800.010 selos. Processo de Impressão: Ofsete.

Líbano, berço do alfabeto! Beirute, imprensa do mundo árabe e abrigo da liberdade! Nesta emissão da Série Relações Diplomáticas, os Correios homenageiam em selo postal Beirute, a capital mundial do livro 2009, simbolizada por um escritor libanês e ícone da literatura universal, Gibran Khalil Gibran.

O sarcófago de Ahiram, que é mantido no Museu Nacional de Beirute, demonstra que foi em Biblos, durante o século XI antes de Cristo, que o alfabeto de 22 letras foi criado. O manuscrito Fenício, difundido pelo legendário Cadmus, alcançou as costas da Sardenha e de Cartago. Foi adotado até mesmo pelos gregos, no século VIII, introduzindo as modificações necessárias para a tradução em seu idioma. No prefácio de um livro intitulado “O Líbano e o Livro”, o ex-Ministro francês da Cultura, Jack Lang escreveu: “Todas as vezes que pronunciamos a palavra biblioteca (bibliothèque), expressamos o nome de Biblos, uma pequena cidade, na costa libanesa, que os gregos equipararam ao importante assunto do livro”.

A partir do 3º milênio a.C., sobre a argila e a pedra, o metal e o papiro, as primeiras formas da escrita se difundiram. Foi no Líbano que o alfabeto consonantal de 22 letras foi inventado, no fim do século XI a.C., dando a expressões escritas uma simplificação decisiva. A nova escrita conquistou o leste grego, os etruscos e os latinos e, mais para leste, os arameus e depois os árabes, sendo adaptado pelas civilizações de acordo com seu povo e idiomas. Por esse presente do oriente, o ocidente respondeu, séculos mais tarde, inventando a máquina de impressão, que um anfitrião dos sábios maronitas adaptaria à escrita árabe no século XVI.”

Considerada como “a imprensa do mundo árabe”, Beirute teve um papel promissor na circulação do livro no oriente e teve uma grande contribuição para o “Nahda”, o Renascimento árabe. Possui, hoje, mais de 400 editoras que produzem livros em árabe, assim como em francês e em inglês para 12 renomadas universidades, incluindo a Universidade Libanesa, a Universidade Americana de Beirute (AUB), a Universidade de Saint-Joseph, e diversos centros culturais.

Beirute sempre foi um abrigo da liberdade para os intelectuais do mundo árabe. A imprensa e os escritores sempre se esforçaram em promover os direitos humanos e as ideias de liberdade. É uma cidade cosmopolita, por excelência, dos diálogos e personificação da criatividade coletiva no mais alto nível de integração de culturas diversas. Para seus habitantes e para os que por ela transitam, representa a experiência de todos os limiares e de todas as mediações.

Ministério da Cultura do Líbano


FILATELIA

Árabes libaneses 80%, árabes sírios 17,5%, árabes palestinos 1,5%, curdos e armênios 1% (1996), compõem a população de nacionalidade libanesa.

O idioma oficial é o árabe, mas francês e inglês também são falados. Curdo (Kurdish) e armênio (Armenian) são falados por uma pequena parte da população...

► “Girafa” em diferentes línguas no Líbano – zarafah (árabe – país membro da LEA) – girafe (francês) – giraffe (inglês)
► Girafas – deve existir o Zoológico de Beirute que abriga uma linda girafa... (risos)


Agradeço ao amigo Seme Ayoub, pelos ensinamentos desta página, recebidos desde 24/12/2004.

França 1999 – Scott: 2705. Mosaico ilustrando a transformação de Zeus em um touro – Museu Nacional de Beirute. Cultural Heritage do Líbano. NT

Standard ISO: LB – Adesão UPU: 12/05/1931 e 15/05/1946

Liban Post – www.libanpost.com.lb

Localização do país – extremo oriente do mar Mediterrâneo, no oeste da Ásia, noroeste do Oriente Médio.
Características – planície estreita e fértil com elevações (O), montes Líbanos (centro), vale do Bekaa e cordilheira do Antilíbano (L).
Divisão administrativa – 6 governadorias. Cidades principais – Trípoli, Zahlah, Sayda, Tyr.

Patrimônios da Humanidade – Sítios Arqueológicos de Anjar (1984) e Sur; Antigas Cidades de Baalbek (1984) e Jubayl. Também Biblos e Tiro (ambos tombados em 1984) e Ouadi Qadisha ou Vale Santo e Bosque dos Cedros de Deus (Horsh Arz el-Rab) tombado em 1998.

GIRAFAMANIA
Última atualização: 23/06/2010.
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