Litografia é um processo de gravura em plano, executada sobre pedra calcária (chamada pedra litográfica) ou sobre placa de metal (em geral, zinco ou alumínio), granidas, e baseado no fenômeno de repulsão entre as substâncias graxas e a água, usadas na tiragem, o qual impede que a tinta de impressão adira às partes que absorveram a umidade, por não teram sido inicialmente cobertas pelo desenho, feito também a tinta oleosa.
A pedra litográfica foi descoberta acidentalmente por um jovem ator que, com a idéia de economizar nos custos de gravação em folha ou chapa de cobre polida, tentou gravar usando uma pedra calcária polida que ele apanhou em uma rua em Munique, na Alemanha. Ele descobriu uma maravilhosa técnica de impressão, a qual logo foi usada por famosos artistas como Goya, e mais tarde Manet e Degas. Litografias estão sempre rodeadas de um certo misticismo...
Litografia é um processo de gravação QUÍMICA, ou seja, o que grava a pedra é a GORDURA e não o pigmento. Vejamos os passos:
– Granitar a pedra (calcária, que veio da Bavária etc) – É preciso adquirir a textura desejada, ou muito polida ou mais áspera... Granita-se com grãos de variados tipos, mais grossos, mais finos e por aí vai.
– Pedra já granitada, início da gravação – Para desenhar na pedra, é necessário um lápis gorduroso (litográfico, dermatográfico) que são bem parecidos com o lápis de olhos femininos e até pode usá-los – ou uma tinta gordurosa, como touche ou off-set.
– Feito o desenho, passa-se a goma arábica, espalhando-a UNIFORMEMENTE por toda a pedra com um pano tipo, Perfex. Ela não pode acumular em pontos da pedra, é preciso que fique bem espalhada. Ela serve para proteger as placas gravadas durante o processo de transferência da imagem, impedindo que a tinta preencha os espaços que se pretende deixar brancos.
– Depois disso, unta-se a pedra com BREU, que irá fixar a gordura do lápis ou tinta usada para o desenho, na pedra. Pode passar o Breu com uma trouxinha, batendo de leve. Depois retira suavemente com uma estopa o excesso.
– A parte mais legal – derrama-se querosene em cima da pedra, para retirar o pigmento do material usado para o desenho (lápis ou tinta), pois o que importa é a gordura que ficou na pedra e não o pigmento, portanto a cor do pigmento não importa nada, apenas para uma melhor visualização da imagem que está sendo gravada. A IMAGEM GRAVADA DESAPARECERÁ POR COMPLETO, da até medo.
– Hora de imprimir: A impressão é feita com tinta off-set, então estica-se a tinta com um rolo grande de couro em uma base de vidro limpo [ver processo de preparo da tinta]. Com uma espoja, umidece a pedra – ela precisa estar úmida para a água repelir a tinta (gordurosa) e ela só pegar onde tem gordura. Quando der a primeira passada com o rolo de tinta, a imagem voltará a aparecer...
Imprime 1 – as 1º sairão fracas, pois a gordura precisa ficar repleta de tinta, assim depois as impressões sairão mais fortes. E assim vai... umidece a pedra, passa a tinta e imprime, umidece a pedra, passa a tinta e imprime...
Ensinamento recebido em 16/10/2008, Coluna Cultural Lucia Casillo, da Livraria Solar do Rosário (livraria3@solardorosario.com.br): Olá, olha só, litografia é... Espero ter ajudado um pouco. Gianna Roland (http://www.mhariolincoln.jor.br/). 20/10/08: Estou me formando em GRAVURA pela Escola de Musica e Belas Artes do Paraná – EMBAP e pode contar comigo se precisar de mais alguma informação. Gostei do sei site.
George Shaw – girafas de 1801
Impressão da primeira edição de um trabalho sobre zoologia de George Shaw, publicado em 1801. O inglês George Shaw (1751-1813) foi um notável botânico e zoologista.
Inicialmente, foi um médico patrocinador, depois tornou-se professor de botânica na Universidade de Oxford e mantenedor do departamento de História Natural no Museu Britânico.
Foi co-fundador da Sociedade Linnean - uma espécie de filial da Sociedade Real. Ele também é bem conhecido pela impressão colorida de animais que publicou na coletânia naturalista com o Sr. Nodder.
Abaixo, medindo 15x23 centímetros, ambas as litografias foram feitas por George Shaw, em 1801.
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Carl Joseph Brodtmann – girafa de 1827
Litografias de Brodtmann são bem detalhadas – A História Natural dos Mamíferos (The Natural History of Mammals). Várias outras impressões antigas sobre animais (por Buffon, por exemplo) são exageradas e não há como comparar.
Por esta razão, impressões antigas originais de Brodtmann são muito difícies de se encontrar, atualmente. Muitas lojas de poster vendem reproduções de pinturas de Brodtmann por um pouco menos do valor dos originais.
Litografia de Carl Joseph Brodtmann, em 1827.
Tamanho: 32½cm x 24cm.
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Charles Orbigny – girafa de 1849
Esta antiga impressão (colorida à mão) é da primeira edição da enciclopédia Dicionário Universal de História Natural (Dictionnaire Universel d'Histoire Naturelle – primeira edição: 1849), de Charles Orbigny.
Vários especialistas consideram as ilustrações desse livro, as mais primorosas na área de trabalho sobre história natural. O obra é comparada aos trabalhos de Audubon e Gould, os quais são apreciados pelos grandes colecionadores, sendo extremamente valiosos.
Os desenhos foram gravados (leading) pelos maiores artistas franceses do período, tais como Traviès, Susemihl, Blanchard, Oudart, Pretre e Maubert. A imagem abaixo, da segunda edição (1861) do dicionário de Charles d'Orbigny, foi imprimida em papel creme francês.
Charles Orbigny (1849)
Tamanho: 24,5cm x 16 cm.
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Traugott Bromme (publicado na Suécia, em 1867)
Litografia sobre o reino animal, colorida à mão. Traugott Bromme foi um viajante alemão que levou uma vida aventureira. Ele nasceu na Alemanha, em 1802.
Estabeleceu-se nos Estados Unidos em 1820 e, em sua extensa viagem pelo Texas e México, tornou-se um cirurgião de navio na guerra colombiana crusando as Índias Ocidentais, e foi preso por um ano no Haiti, enquanto explorava aquela ilha.
Depois de seu retorno para Alemanha, ele se tornou um editor, publicando livros, desenhos e mapas sobre suas viagens na América e história natural do mundo.
Esta impressão é de uma série de Bromme, publicado na Suécia em 1867, para educação de escola de crianças.
Litografia de Traugott Bromme (1867)
Tamanho: 28½ cm x 22 cm.
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Emil Hanselmann (por volta de 1870)
Litografia colorida à mão, de um raro volume com pinturas de animais, de Emil Hanselmann, publicado por volta de 1870, em Stuttgart, Alemanha. Antigas impressões de Hanselmann são raras e impressionam pelo seu grande tamanho e colorido.
Reprodução da litografia de Emil Hanselmann
Tamanho: 45 x 34cm.
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Veja também litografias ornitológicas na página do Museu Paraense Emílio Goeldi!
VEJA O INSTRUTIVO LIVRO DE PINTURAS DE 1878!
Última atualização: 21/10/2008. |