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Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet
Cavaleiro de Lamarck (1744-1829)

Evolucionistas pré-darwinistas dos séculos XVIII e IX – Nem todos entre Artistóteles e Darwin pensavam que o mundo era constante. Por volta do ano 1700, várias pessoas falavam sobre evolução, incluindo Darwin, seu avô Erasmus e Jean Baptiste Lamarck, com seu famoso exemplo “errado” da evolução do pescoço da girafa... Segundo ele, com a escassez de alimento daquele tempo, uma girafa “necessitava” de um pescoço maior para alcançar as folhas mais altas das árvores... Seu pescoço ficou maior a partir do alongamento, assim passando um pescoço maior para sua prole...

O precursor da Teoria da Evolução das Espécies é também o fundador da Biologia como ramo específico da Ciência.

O biólogo francês Jean-Baptiste de Lamarck, ou Cavaleiro de Lamarck, pertenceu ao Exército, interessou-se por História Natural e escreveu uma obra de vários volumes sobre a flora da França...

Autodidata e sem prévio preparo científico, interessou-se, ao atingir a maturidade, pelas Ciências Naturais, destacadamente pela Botânica.

Depois de ter trabalhado durante vários anos com plantas, Lamarck foi nomeado curador dos invertebrados (um termo introduzido por ele, pois foi o primeiro cientista a estabelecer a distinção entre os animais vertebrados e invertebrados), e começou uma série de conferências públicas.

Isto chamou a atenção de Buffon (nesta página, abaixo) que o indicou para trabalhar no Museu de História Natural de Paris...

Durante a Revolução Francesa (1789), foi-lhe oferecida a cátedra de zoologia do Museu de História Natural. Como professor e pesquisador, dedicou-se, com afinco, ao estudo dos invertebrados e à história evolutiva dos seres, enfeixando, praticamente, todo o seu trabalho de investigação nas três obras que o tornaram famoso:

  1. “Recherches sur l’oganisation des corps vivants” (1802), em que, de forma resumida, lança a sua teoria sobre a evolução das espécies, tornando-se o primeiro evolucionista.
  2. “Philosophie Zoologique” (1804), considerada uma obra clássica, que é um aprimoramento e ampliação da anterior, na qual Lamarck explica a sua teoria da variabilidade e formação gradual das espécies, atribuindo a máxima importância ao uso e desuso dos órgãos, determinadas condições do ambiente como fator da variabilidade de uma espécie.
  3. “Histoire Naturelle des Animaux sans Vertebres” (1815-1822), na qual, em linhas gerais, utiliza um sistema semelhante ao que prevalece atualmente na classificação dos invertebrados.

Abaixo (imagem central), emitido pela França em 27/05/1979, um carimbo que mostra a efígie de Jean-Baptiste Lamarck.

A teoria chamada de Criacionismo, achava que cada espécie, animal ou vegetal, tinha sido criada independentemente, por ato divino, e era imutável. Só que, no final do século XVIII, algumas pessoas começaram a perceber que essa ideia estava errada...

Um dos primeiros a perceber que os seres vivos não tinham sido sempre iguais foi Lamarck...

Antes de 1800, ele era um essencialista que acreditava que as espécies eram imutáveis. Estudou o sistema de classificação de Linné e, graças ao seu trabalho sobre os moluscos da Bacia de Paris, ficou convencido da transmutação das espécies ao longo do tempo, e desenvolveu a sua teoria da evolução.

Apresentada pela primeira vez ao público em 1809, em sua “Philosophie Zoologique” – mais tarde conhecida como Lamarckismo, na qual defende que as plantas e os animais evoluem pela necessidade de se adaptar às mudanças do meio ambiente e que transmitem essa mutação às futuras gerações.

Em 1809, ele publicou um livro chamado Filosofia Zoológica, em que explicava a teoria criada por ele, e que ficou conhecida como Lei do Uso e Desuso.

A ideia do Lamarck era simples: ele achava que as mudanças no ambiente faziam os animais e plantas adquirirem novos hábitos, e que esses novos hábitos “criavam” mudanças no organismo deles!

Isto é, Lamarck acreditava que, há muito tempo, as girafas tinham o pescoço curto. Só que, como elas habitavam em um lugar que tinha poucas plantas no chão, elas começaram a esticar o pescoço para comer as folhas mais altas. Com essa “esticação”, as girafas foram ficando pescoçudas, ou seja, como elas precisavam usar mais o pescoço, essa parte do corpo delas se desenvolveu.

Segundo Lamarck, um grupo de girafas teria se instalado em um ambiente onde as melhores opções de alimento estavam no alto das árvores. Com o tempo, o pescoço da girafa tenderia a se alongar por ela esticá-lo constantemente em busca de folhas mais altas.

Além disso, Lamarck também achava que, depois que uma girafa desenvolvia um “pescoção”, seus filhotes começavam a nascer pescoçudos também: essa era a Lei da Transmissão de Características Adquiridas!

Assim, seus descendentes já nasceriam com pescoços ligeiramente mais longos, geração após geração, até que houve uma estabilidade, resultando na girafa que conhecemos hoje...

Isto é, o pescoço da girafa cresceu pois esse animal costumava esticá-lo constantemente para alcançar o alimento. Em consequência disso, seus filhos nasceram com o pescoço mais comprido. Lamarck teve méritos em destacar o transformismo, mas estava equivocado na interpretação da transmissão de dados adquiridos por falta de metodologia adequada na época.

Hoje, sabe-se que os caracteres adquiridos não são transmitidos aos descendentes...

Lamarck acreditava que os seres vivos sofriam modificações condicionadas pelo ambiente e que essas modificações eram incorporadas nas gerações futuras...

Até mesmo atualmente, usa-se o famoso exemplo “errado” do pescoço da girafa (que teria ficado comprido devido à necessidade das girafas comerem folhas das copas das árvores).

Ora como exemplo (errado) de evolução, ora como uma forma de ridicularizar Lamarck em suas contribuições à teoria evolucionista e mesmo a própria teoria da evolução...

Baseou sua teoria em duas afirmações:

  1. Uso e desuso – afirma que a variação das espécies é decorrente de uma atrofia ou hipertrofia de seus órgãos, isto é, os indivíduos perdem as características de que não precisam e desenvolvem as que utilizam.
  2. — Veracidade comprovada, posteriormente. Hoje, sabemos que os atletas desenvolvem seus músculos através do uso, enquanto que a paralisação das pernas, por exemplo, determina atrofia. Ele teve méritos em destacar o transformismo.

  3. Herança das características adquiridas – exemplos: as crias das girafas herdam o pescoço comprido dos pais que supostamente o desenvolvem quando comem folhas das árvores mais altas; os músculos do braço de um ferreiro são herdados pelos filhos que têm uma característica semelhante.

    — Ele estava equivocado na interpretação da transmissão de dados adquiridos por falta de metodologia adequada na época. Hoje, sabemos que as características adquiridas não podem ser transmitidas hereditariamente aos descendentes.

Entretanto, com estas observações em mente, Lamarck chegou a duas leis – desafiando a crença tradicional da época...

– Nos animais que não passaram o limite do seu desenvolvimento, o uso mais frequente e contínuo de um órgão, fortalece, desenvolve e aumenta gradualmente esse órgão, e dá-lhe um poder proporcional ao tempo durante o qual foi usado; enquanto que a não utilização permanente de qualquer órgão causa o seu enfraquecimento e deterioração e diminui progressivamente a sua capacidade para funcionar, até que finalmente desaparece.

– Todas as características adquiridas ou perdidas por imposição da natureza aos indivíduos, através da influência do ambiente na qual a espécie vive há muito, e por isso através da influência do uso predominante ou desuso permanente de qualquer órgão.

– Todas são preservadas pela reprodução e transferidas para os novos indivíduos, desde que as modificações adquiridas sejam comuns a ambos os sexos, ou pelo menos tenham ocorrido no indivíduo que produz os novos.

Assim, modificações no ambiente causam alterações nas “necessidades” (besoins), no comportamento, na utilização e desenvolvimento dos órgãos, na forma das espécies ao longo do tempo – e por isso causam a transmutação das espécies.

De qualquer forma, sua teoria logo se popularizou, despertando severas reações em uma sociedade criacionista...

Em especial de um naturalista protestante fortemente adepto do fixismo catastrofista e apologista bíblico, Georges Cuvier – autor respeitado de um denso e valioso trabalho que incluiu principalmente anatomia.

Mas muitos aderiram ao Lamarckismo – primeira explicação razoável sobre a evolução, pela qual é aceita a possibilidade das modificações somáticas serem hereditárias...

Lamarck defendia a geração espontânea contínua das espécies, com os organismos mais simples a serem depois transmutados com o tempo (pelo seu mecanismo) tornando-se mais complexos e próximos da perfeição ideal.

Acreditava portanto num processo teleológico (orientado para um fim) em que os organismos se tornam mais perfeitos à medida que evoluem.

É provável que a visão que os teóricos contemporâneos têm de Lamarck seja injusta. As contribuições dele para a biologia não são desprezáveis. Ele acreditava na evolução numa época em que não existiam muitos conhecimentos para sustentar essa teoria...

Defendeu ainda que a função precede a forma, uma ideia controversa na sua época. No entanto, a herança dos caracteres adquiridos foi quase completamente refutada e, posteriormente, desacreditada.

Entre 1868 e 1876, um alemão chamado August Weismann fez uma experiência provando que Lamarck estava para lá de enganado! Weismann cortou o rabo de várias gerações de camundongos e mostrou que, mesmo assim, os filhotes nasciam sempre com rabos!

Ou seja, as características adquiridas por uma geração de seres vivos não passava para a próxima...

Algumas culturas humanas como os Judeus têm por hábito circuncidar os homens, mas após várias gerações os homens continuam a precisar de ser circuncidados.

Mas Lamarck não considerava as mutilações como uma forma de adquirir novas características. Ele achava que só eram adquiridas novas características quando o animal se esforçava para satisfazer as suas próprias necessidades...

Charles Darwin elogiou Lamarck na terceira edição da Origem das Espécies por ele apoiar o conceito da evolução e por ter contribuído para o divulgar. Darwin aceitava a ideia do uso e do desuso, e desenvolveu a sua teoria da pangenese em parte para explicar esse fenômeno.

Não foi Darwin que refutou a teoria dos caracteres adquiridos. O que a refutou foi a descoberta dos mecanismos celulares da hereditariedade e da genética (ideias que Darwin reconheceu que precisava para completar a sua teoria).

A Lamark devemos o termo Biologia, a Lei do uso e desuso .... Lamark personificou as ideias pré-darwinistas sobre a evolução...

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Georges-Louis Leclerc – Buffon (1707-1788)

Em 1749, o naturalista francês George Luis Leclerc ou apenas Conde de Buffon, publica o primeiro volume sobre História Natural, onde antecipa algumas ideias evolutivas que seriam defendidas por Lamarck e Darwin...

Ele foi iniciador da Teoria da Geração Espontânea, um dos fundadores da História Natural e a Teoria sobre a formação do nosso Sistema Solar...

O título de Conde foi-lhe atribuído em 1771, em reconhecimento à sua contribuição científica e ao seu trabalho no “Jardin des Plantes”, em Paris, no qual foi diretor durante 50 anos...???

Buffon nasceu em 7/09/1707 (Montbard) e morreu em 16/04/1788 (Paris). Naturalista, matemático, biologista, cosmologista e escritor francês, suas teorias influenciam duas gerações de naturalistas. La localité éponyme Buffon, dans la Côte-d’Or, fut la seigneurie de la famille Buffon.

Buffon est surtout célèbre pour son œuvre majeure, L’Histoire naturelle, générale et particulière, en 36 volumes parus de 1749 à 1789, dont huit après sa mort, grâce à Bernard Lacépède. Il y a inclus tout le savoir de l’époque dans le domaine des sciences naturelles. C’est dans cet ouvrage qu’il relève les ressemblances entre l’homme et le singe et la possibilité d’une généalogie commune. L’attention que Buffon accorde à l’anatomie interne le place parmi les précurseurs de l’anatomie comparative. L’intérieur, dans les êtres vivants, est le fond du dessin de la nature, écrit-il dans les Quadrupèdes.

L’Histoire naturelle, qui devait embrasser tous les règnes de la nature, ne comprend que les minéraux et une partie des animaux (quadrúpedes e pássaros). Elle est accompagnée d’une Théorie de la Terre, de Discours en forme d’introduction, et de suppléments parmi lesquels se trouvent les Époques de la nature, un des plus beaux ouvrages de l'auteur.

Desenho de De Sève, pour Buffon, 1776 (parece que é uma girafa do Cairo)...?

Uma série de 6 selos semi-postais da França, emitida em 14/11/1949 (Scott: B238/B243, Yvert: 856), mostra personalidades célebres do Século XVIII: Montesquieu (1689-1755), Voltaire (1694-1778), Watteau (1684-1721), Buffon (1707-1788), Dupleix (1697-1763) e Turgot (1727-1781).

O selo com a efígie de Buffon (abaixo), tem valor facial de 12 francos e a adição de 4 francos. Ao lado direito, a variedade prova do mesmo selo semi-postal...

Em 20/06/1988, a França emitiu uma série de 4 selos postais alusiva a obra “História Natural”, de Buffon. Parece que a obliteração de primeiro dia foi realizada em Paris e Montbard (Côte d’Or), dois dias antes, em 18/06/1988.

Esta série foi tirada de circulação em 17/03/1989. Os 4 selos “Histoire Naturelle de Buffon” mostram: La loutre (2 Francos), Le cerf (3 Francos), Le renard (4 Francos) e Le blaireau (5 Francos). Scott: 2123/2126.

Título: “Oeuvres complétes de Buffon”, Tomo 13. Autor: Buffon, Edição 1835. Medidas: 23 × 14 cm. Páginas: 382. Em francês. Ilustrações: 10 desenhos coloridos à mão...

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Georges Cuvier (1769-1832)

O filósofo, naturalista, anatomista e zoólogo francês, Barão Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert Cuvier ou apenas Georges Cuvier, propôs que os fósseis correspondiam a organismos extintos e que a Terra tinha sido povoada por uma série de animais e plantas diferentes das atuais...

Nasceu no dia 23/08/1769, em Montbéliard (Doubs), e morreu em Paris, no dia 13/05/1832. Ele é um dos percursores da Paleontologia e da classificação animal.

É considerado o enunciador da Teoria do Catastrofismo – afirmação de grandes e sucessivas catástrofes. Fundador da Anatomia Comparada (1800) e da Paleontologia dos Vertebrados, foi tão influente em sua época que ganhou o apelido de ditador da Biologia.

Estudou profundamente os fósseis e lançou os fundamentos do que se tornou conhecido como Paleontologia. Foi autor de diversos trabalhos sobre a divisão sistemática dos animais, de acordo com suas estruturas corporais.

Em 1795, foi convidado pelo naturalista francês Etienne Geoffroy Saint-Hilaire para estudar, trabalhar e reorganizar o Museu de História Natural de Paris (tornou-se assistente no então Jardin des Plantes).

O seu maior opositor foi Jean Baptiste de Lamarck (através da polêmica com Saint-Hilaire, na Academia das Ciências de Paris), entretanto, juntos, eles elaboraram renovadoras teorias sobre a classificação das espécies...

Seu trabalho mais importante foi o livro “Le Règne Animal” ou “Règne animal distribué d’après son organisation” (1817), em inglês The Animal Kingdom. Nesse trabalho Cuvier dividiu o Reino Animal em quatro classes: Vertebrata, Mollusca, Articulata e Radiata.

Nota: Cuvier is commemorated in the naming of many animals; they include Cuvier’s beaked whale (Ziphius cavirostris), Cuvier’s gazelle (Gazella cuvieri), Cuvier’s toucan (Ramphastos tucanus cuvieri), entre outros.

Abaixo, semi-postal da França emitido em 19/05/1969 (Scott: B426/B431, Yvert: 1595, 1595a), com valor facial de 0,50 francos, mais uma adição no valor da taxa paga de “+0,10F”, a qual foi destinada ao benefício da Cruz Vermelha Francesa. Este selo marca as Celebridades do Século XVIII e XX; mas penso que foi emitido também em comemoração ao aniversário de 200 anos de seu nascimento...

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continuando...

Em 1859, Darwin publicou um livro chamado A Origem das Espécies, no qual ele expõe uma ideia totalmente nova: a Seleção Natural.

Essa teoria que revolucionou a ciência dizia o seguinte: os animais e plantas estão sempre mudando, ao acaso. E, quando coincide de uma dessas “mudanças casuais” ser positiva para uma espécie, ela se mantém, se espalha e acaba virando uma característica da espécie! Ou seja, a natureza “seleciona” os bichos mais adaptados!

Vamos usar as girafas novamente para explicar melhor: Darwin achava que, no meio das populações de girafas, de vez em quando aparecia uma diferente, por acaso. Pode ser que, antes de surgir a primeira girafa de pescoço comprido, tenha aparecido uma de pernas grossas ou de orelhas grandes, por exemplo. Só que, como esse tipo de modificação não interessava em nada, essas girafas acabaram morrendo.

Aí, um belo dia, apareceu uma girafa de pescoço comprido. E ela se deu bem: como era alta, conseguia comer mais, ficou mais forte e teve mais filhotes.

Seus filhotes, que nasceram com pescoço comprido, também conseguiam mais comida que as girafas que não tinham pescoço longo, e também ficaram mais fortes.

Com o tempo, as girafas de pescoço curto, que não se adaptaram bem ao ambiente, foram tendo menos filhotes, enquanto as pescoçudas, felizes e bem alimentadas, tinham vários filhotes, também pescoçudos.

Até que um dia, todas as girafas de pescoço curto morreram e só sobraram as de pescoço comprido: pronto, a espécie tinha mudado!

E é assim que, ainda hoje, se explica a evolução das espécies.

Só que o Darwin esqueceu de um detalhezinho: como é que, no meio de várias girafas de pescoço curto, apareceu uma de pescoço comprido? Milagre?

Uma mãozinha para Darwin:

Para preencher esse “buraco” na teoria de Darwin, foi criada uma nova teoria. Ou melhor, uma “meia teoria”, que “grudada” na de Darwin, virava uma teoria completa. E ela foi chamada de Neodarwinismo, ou Teoria Sintética da Evolução.

O Neodarwinismo, que quer dizer simplesmente “Novo Darwinismo”, explica porque, dentro de uma espécie, existem alguns seres que nascem meio diferentes...

Para essa teoria, a resposta está nos genes: é lá dentro que acontecem as “mágicas”, que criam bichinhos diferentes no meio de um monte de bichinhos iguais!

Um dos principais fatores que determinam essas “mágicas” é a mutação. Ela acontece quando um gene, sem mais nem menos, resolve mudar.

Quer dizer, sem mais nem menos, não: existem algumas “coisinhas” que ajudam um gene a mudar. Raios X e radiação, por exemplo, são fatores mutagênicos muito fortes!

Pode ter sido um gene mutante quem originou o crescimento do pescoço da primeira girafa “pescoçuda”, por exemplo!


Notas:

Depois da Teoria de Lamarck (quem explica o crescimento do pescoço da girafa), Darwin enunciou a sua teoria sobre a evolução, exposta no livro A origem das espécies... Divulgados os trabalhos de Mendel e de Weissmann, as ideias de Lamarck foram abandonadas pela maioria dos biólogos...

A pergunta “E você afinal, crê na Evolução ou na Criação?” não cabe porque a Ciência resulta da investigação dos laboratórios e nunca de “crenças”...

Remeto, aos que procuram a verdade científica, a estudarem o fundador da biologia, Gottfried Reinhold Treviranus (1776-1837), naturalista alemão... Não foi Lamarck quem primeiro se referiu à Teoria sobre as Girafas, mas sim Treviranus no seu Livro sobre “Biologia, Ciência da Vida”. Estude Treviranus, se quer investigar o que os evolucionistas dizem...


Ciência & Educação
Versão ISSN 1516-7313 | Vol. 16, N° 3 – Bauru 2010
www2.fc.unesp.br/cienciaeeducacao ou submission.scielo.br/index.php/ciedu
As teorias de Lamarck e Darwin nos livros didáticos de Biologia no Brasil
Argus Vasconcelos de Almeida (Olinda, PE, argus@db.ufrpe.br) e Jorge Tarcísio da Rocha Falcão (Natal, RN, falcao.jorge@gmail.com)

RESUMO: As teorias de Lamarck e Darwin são analisadas numa amostra de livros didáticos brasileiros de biologia, num período de sessenta anos. A de Darwin ocupa, nos livros didáticos, uma área maior do que a de Lamarck. Nestes é variável a extensão do conteúdo de Lamarck. Dentre os livros, destacam-se as edições do BSCS (Biological Sciences Curriculum Study). Nestas, pela primeira vez, é apresentado o exemplo da figura do alongamento do pescoço da girafa, para ilustrar as diferenças de abordagem entre as teorias, e reproduzido desde então na maioria dos livros didáticos. Na teoria de Darwin, o principal conceito referenciado pelos autores é o da seleção natural, e, na de Lamarck, a herança dos caracteres adquiridos. As duas teorias são diferentemente apresentadas nos livros didáticos de biologia no Brasil. Darwin é apresentado como modelo de cientista e Lamarck como um teórico especulativo, tendo a sua teoria consideravelmente deformada, distante da formulação original.

Como se pode notar é muito variável a extensão do conteúdo da teoria de Lamarck ao longo do tempo nos livros didáticos de Biologia. Entre as edições de 1965 a 1997, percebe-se um aumento considerável da área de texto e total. Dentre estes se destacam as edições do BSCS, tanto no texto como na figura da girafa se alimentando de folhas das partes mais altas da árvore. O destaque para as edições do BSCS está de acordo com os resultados de Skoog (1979), Rosenthal (1985) e Moody (1996). Nas edições mais recentes (2004 e 2006), o exemplo e a figura da girafa não estão presentes, talvez como resultado das críticas dirigidas a este tema nos livros didáticos ( ROQUE, 2003; MARTINS, 1997; GOULD, 1996; BIZZO, 1991). No BSCS (1965, 1973), pela primeira vez é apresentado o exemplo da figura da girafa para ilustrar as diferenças de abordagem entre Lamarck e Darwin sobre o alongamento do seu pescoço. Tal exemplo foi adotado como síntese e reproduzido, desde então, na maioria dos livros didáticos de Biologia até a atualidade, constituindo uma iconografia clássica para estabelecer o confronto entre as teorias de Lamarck e Darwin. Entre os vinte livros didáticos analisados, 13 (65%) citam o exemplo do alongamento do pescoço das girafas, dentre os quais oito (40%) são ilustrados...

Nota: Ciência & Educação é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência da Faculdade de Ciências da Unesp, Campus de Bauru. Idealizada inicialmente em 1995 com a finalidade de divulgar os artigos elaborados a partir dos seminários proferidos dentro da programação dos Ciclos de Seminários em Ensino de Ciências, Matemática e Educação Ambiental, transformou-se posteriormente em órgão de divulgação dos trabalhos produzidos pelo curso de Especialização em Ensino de Ciências e Matemática e pelo curso de Mestrado em Educação para a Ciência, com área de concentração em Ensino de Ciências, iniciados em 1995 e 1997, respectivamente. A partir do volume 5, Ciência & Educação passou a ser publicada em dois números anuais, com corpo editorial, e estendeu-se a todos os pesquisadores do Brasil e do exterior interessados em divulgar resultados de pesquisas em Educação em Ciências, Matemática e áreas afins. Desde seu primeiro número, Ciência & Educação tem sido financiada parcialmente pelas Pró-Reitorias de Extensão (Proex) e de Pesquisa e Pós-graduação (PROPP) da Unesp. A partir do volume 7, número 2, passou a contar com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Todos os artigos são arbitrados às cegas por pelo menos dois pesquisadores experientes no assunto.

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Última atualização: 14/07/2011.
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