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JOÃO GUIMARÃES ROSA (1908-1967)

O autor admirou “sobretudo a girafa” nos zoológicos de Londres, Rio de Janeiro (“Inocêncio”), Hamburgo e Paris... Penso que todas aquelas foram “girafas-roseanas”...

João Guimarães Rosa foi contista, novelista, romancista e diplomata, nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27/06/1908, e faleceu no Rio de Janeiro, em 19/11/1967.

Foram seus pais Florduardo Pinto Rosa e Francisca Guimarães Rosa. Aos 10 anos passou a residir e estudar em Belo Horizonte. Em 1930, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Tornou-se capitão médico, por concurso, da Força Pública do Estado de Minas Gerais.

Sua estreia literária deu-se, em 1929, com a publicação, na revista O Cruzeiro, do conto “O mistério de Highmore Hall”, que não faz parte de nenhum de seus livros.

Em 1936, a coletânea de versos “Magma”, obra inédita, recebe o Prêmio Academia Brasileira de Letras, com elogios do poeta Guilherme de Almeida.

Diplomata por concurso que realizara em 1934, em 1938, Guimarães Rosa é nomeado Consul Adjunto brasileiro em Hamburgo, onde permanece até 1942 e salva muitos judeus das mãos dos nazistas...

Depois disso, foi secretário de embaixada em Bogotá (1942-44); chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura (1946); primeiro-secretário e conselheiro de embaixada em Paris (1948-51); secretário da Delegação do Brasil à Conferência da Paz, em Paris (1948); representante do Brasil na Sessão Extraordinária da Conferência da Unesco, em Paris (1948); delegado do Brasil à IV Sessão da Conferência Geral da Unesco, em Paris (1949).

Em 1951, voltou ao Brasil, sendo nomeado novamente chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura; depois chefe da Divisão de Orçamento (1953) e promovido a ministro de primeira classe. Em 1962, assumiu a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras.

A publicação do livro de contos “Sagarana”, garantiu-lhe um privilegiado lugar de destaque no panorama da literatura brasileira, pela linguagem inovadora, pela singular estrutura narrativa e a riqueza de simbologia dos seus contos.

Com ele, o regionalismo estava novamente em pauta, mas com um novo significado e assumindo a característica de experiência estética universal.

Em 1952, Guimarães Rosa fez uma longa excursão a Mato Grosso e escreveu o conto “Com o vaqueiro Mariano”, que integra, hoje, o livro póstumo “Estas estórias”, sob o título “Entremeio: Com o vaqueiro Mariano”.

A importância capital dessa excursão foi colocar o autor em contato com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em “Grande Sertão: Veredas”.

Publicado em 1956, mesmo ano da publicação do ciclo novelesco “Corpo de baile”, “Grande sertão: Veredas” já foi traduzido para muitas línguas. Por ser uma narrativa onde a experiência de vida e a experiência de texto se fundem numa obra fascinante, sua leitura e interpretação constituem um constante desafio para os leitores.

Grande Sertão: Veredas é a expressão máxima do que a ensaísta Dirce Cortes Riedel chamou de “sertão construído na linguagem”, isto é, o sertão dos Campos Gerais apropriado e recriado pela poesia rosiana. Mais extensa das narrativas do autor, o livro é a narração pelo personagem Riobaldo, de suas andanças pelo sertão.

Nessas duas obras, e nas subsequentes, Guimarães Rosa fez uso do material de origem regional para uma interpretação mítica da realidade, através de símbolos e mitos de validade universal, a experiência humana meditada e recriada mediante uma revolução formal e estilística.

Nessa tarefa de experimentação e recriação da linguagem, usou de todos os recursos, desde a invenção de vocábulos, por vários processos, até arcaísmos e palavras populares, invenções semânticas e sintáticas, de tudo resultando uma linguagem que não se acomoda à realidade, mas que se torna um instrumento de captação da mesma, ou de sua recriação, segundo as necessidades do “mundo” do escritor.

Além de obras em colaboração: O mistério dos MMM (1962) e Os sete pecados capitais (1964), o escritor recebeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras conferido a Magma...

Outros títulos de João Guimarães Rosa:

1936 – “Magma” (poesia, versos)
1946 – “Sagarana” (contos), recebeu o prêmio Filipe d'Oliveira, em 1946
1947 ou 1952? – “Com o Vaqueiro Mariano” (conto)
1956 – “Corpo de baile” (ciclo novelesco 2 vols.), esta obra foi desdobrada, a partir da terceira edição (1964), em três volumes: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém, e Noites do sertão.
1956 – “Grande sertão: veredas” (romance), recebeu o prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o prêmio Carmen Dolores Barbosa em 1956 e o prêmio Paula Brito em 1957. Único romance escrito por Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira!
1962 – “Primeiras estórias” (contos), recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil, em 1963
1964 – “Campo Geral”
1965 – “Noites do sertão” – Corpo de baile (contos)
1967 – “Tutaméia – Terceiras estórias” (contos)
1969 – “Estas estórias” (contos, livro póstumo)
1970 – “Ave, palavra” (contos, livro póstumo)
2006 – “Sagarana” Edição comemorativa (1946-2006)
2006 – “Corpo de baile” Edição comemorativa (1956-2006)
2007 – “Grande sertão: veredas” (livro + catálogo da exposição de 2007)
2007 – “Grande sertão: veredas” – Coleção Biblioteca do Estudante
2008 – “Zoo”

Em 23/10/1978, foi emitido um selo para comemorar o Dia do Livro: Homenagem a Guimarães Rosa, com valor facial de Cr$ 1,80 cruzeiros, mostra cena do “Grande sertão: veredas”... Picotagem: 11½ × 11. Tiragem: 3.000.000 selos. Impressão: Ofsete. Papel: Cuchê gomado, fosforescente. Yvert & Tellier: 1341. Scott: 1588. Michel: 1682. RHM: C-1066. A quadra mostrada abaixo (do lado esquerdo da tela) foi obliterada por carimbo comemorativo CBC Brasília.

No dia 27/06/2008, foi emitido o selo “Centenário do Nascimento de João Guimarães Rosa”, com valor facial de R$ 0,60 centavos de real e tiragem de 1.000.020 selos, o lançamento oficial foi na cidade de Cordisburgo, em Minas Gerias (MG).

A imagem do selo é composta por elementos que caracterizam a vida do escritor. Em primeiro plano, a reprodução de uma fotografia, do início dos anos 60, época em que foi eleito, por unanimidade, para a Academia Brasileira de Letras, registra a postura e elegância do escritor, que, usando a característica gravata borboleta, remete à sua carreira como diplomata. Em contraste com o refinamento do artista, figura, como imagem de fundo, a natureza e o homem do sertão.

A oposição humano/animal, refletida na questão do bem e do mal, ou do conflito entre a dimensão instintiva e a racional, está sugerida neste selo pelo boi vermelho de grandes chifres, e o vaqueiro, azul, montado num cavalo branco. O sertão brasileiro e a paisagem das Gerais estão representados nos buritis das veredas e no horizonte das montanhas de Minas.

Também estão registradas a estação de trem de Cordisburgo, cidade natal do escritor, e, abaixo de sua mão, no canto inferior direito, o símbolo do infinito, escolhido por Guimarães Rosa para terminar seus livros, como um ponto final que sugere a continuidade e o sem-fim. A caneta na mão do escritor e o aquarelado nos tons ocres utilizado pelo artista, sugerem que, naquele momento, estivesse sendo criada a obra, cujos elementos estão destacados no selo.

EPD Guimarães Rosa 2008 com CBC Cordisburgo (lado direito, em cima) e FDC Guimarães Rosa 2008 particular com CBC Cordisburgo (lado direito, embaixo).

XX Semana Roseana: No período de 19 a 27 de julho, aconteceu em Cordisburgo/MG a XX Semana Roseana, que consiste em período se intensa atividade cultural naquela cidade, tendo como foco principal a obra de João Guimarães Rosa.

A Semana Roseana teve um motivo todo especial para comemorar o centenário de nascimento de João Guimarães Rosa e, para abrilhantar ainda mais o evento, no dia 20 de julho foi lançado carimbo comemorativo, em solenidade que aconteceu na Academia Cordisburguense de Letras.

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“AVE, PALAVRA”

Com as “girafas-roseanas”...

Autor: João Guimarães Rosa (1908-1967) | Ilustração: Poty | Capa: Victor Burton
Título: AVE, PALAVRA (Ave, palavra)
ISBN: 85-209-1203-6 | Código de barras: 9788520912034 | Idioma: Português
Ano da Obra: 1970 | Edição: 1ª 1970, 2ª 1978 José Olympio, 5ª 9/2001 Nova Fronteira
Segmento: Literatura Brasileira – Literatura Infanto-juvenil Brasileira – Conto – Poesia
Ficha Técnica – Tipo de capa: Brochura | Formato: 14 × 21 cm. | Nº de páginas: 379
Estado de conservação: Novo, tenho a 5ª edição: Notas de Paulo Rónai | Preço sugerido: R$ 40,00

Descrição: Ave, Palavra é uma obra póstuma, e aos textos que o autor já havia deixado prontos foram acrescentados, pelo organizador da edição Paulo Rónai, outros que Guimarães Rosa havia começado a rever e refundir para o livro, sendo que quatro deles eram totalmente inéditos.

A obra relata várias histórias, de épocas distintas, em uma miscelânia de contos. O livro reúne textos sobre alguns zoológicos que ele visitou no Rio de Janeiro, em Londres, Paris e Hamburgo.

Nesse último, em uma enigmática sentença de sua visita ao Zoológico, após contemplar toda a cômica variedade, o escritor brinca de adivinhar o senso lúdico na criação dos animais que ornamentam a Terra... Trata-se de uma girafa com quem ele travou amizade no zoológico alemão...

A melhor definição de Ave, Palavra é de João Guimarães Rosa: trata-se, disse ele, de uma “miscelânia”. Com isso, quis caracterizar a variedade formal e temática deste livro, fruto de uma colaboração de cerca de vinte anos em revistas e jornais brasileiros, durante o período de 1947 a 1967. Reunindo contos, poesias, notas de viagem, trechos de diários, reportagens poéticas, meditações, e ainda poemas dramáticos e reflexões filosóficas, este volume nos dá bem a medida da versatilidade do escritor Guimarães Rosa.

*¹ A expressão inglesa Paddock, neste caso, significa a casa ou o cercado das girafas.
*² A conjunção conquanto significa embora; se quem que; posto que; não obstante.

Nota: Significado extraído de um dicionário inglês online: “Paddock, a small field or park adjoining to, or surrounding a house. Sax. pearroc, pearruc. In Westmorland, parruck, evitendly the proper word, is a common name for an inclosure near a farm house. So in Northumberland, parrick is still used for a place made with rails and straw, to shelter lambs in bad weather.” – Paddock, um pequeno campo ou parque adjacente, ou em torno de uma casa. Sax. pearroc, pearruc. Em Westmorland, parruck, evidentemente palavra adequada, é um nome comum para um cercado perto de uma casa da fazenda. Assim, em Northumberland, parrick ainda é usado por um lugar feito com trilhos e palha, para abrigar cordeiros em más condições meteorológicas.

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Guimarães Rosa tinha verdadeira mania de bichos. Quando viajava – e ele fez isso a vida toda –, visitava o zoológico de cada lugar. E ia anotando em seus caderninhos tudo o que os animais “diziam” pra ele. No livro Ave, palavra, publicado depois de sua morte, foram reunidos contos, notas de viagem, poemas em prosa e reflexões. Vários capítulos têm título “Zoo” e, entre parênteses, a cidade onde ele escreveu estas anotações: Berlim, Londres, Rio, Hamburgo, Nápoles, Paris. Desses capítulos tirei e arrumei as frases que formam este livro-objeto que Roger Mello montou com sua arte. Pra que as crianças de todas as idades pudessem gostar ainda mais dos bichos e das palavras encantadas de mestre Rosa...

“ZOO”

Autor: Guimarães Rosa | Ilustração: Roger Mello | Organizador: Luiz Raul Machado
Título: ZOO (Zoo – livro feito para crianças)
ISBN: 978.85.209.1922-4 | Código de Barras: 9788520919224 | Idioma: Português
Editora: Nova Fronteira | Ano da Obra: 2008 | Edição: 1ª 2008
Segmento: Literatura Infantil Brasileira
Ficha Técnica – Tipo de capa: Brochura | Formato: 21 × 26 cm. | Nº de páginas: 12
Estado de conservação: | Preço sugerido: R$ 35,00

Descrição: João Guimarães Rosa tinha mania de olhar os bichos, para tentar entender melhor o homem e o mundo. Por isso, em Zoo – livro feito para crianças, mas capaz de emocionar adultos – Luiz Raul Machado reuniu algumas notas e reflexões de João Guimarães Rosa sobre animais e os zoológicos das grandes cidades as quais visitava. Com ilustrações de Roger Mello, a edição é um livro-objeto, que se abre conforme o leitor cumpre a leitura. Ao final se tem uma grande folha desenhada e contada sobre a mesa, com todo o texto e imagem integrados.

As definições de Rosa, aliás, já são uma inteligente brincadeira com a relação entre as palavras e o que elas representam: “Onça – tanta coisa dura, entre boca e olhos”; “O bagre tem sempre as barbas de molho”. E iniciam as crianças não só na imaginação sem limite do escritor, mas também na ousadia com que tratava os aspectos formais da língua: há desde aliterações musicais (“Um pinguim: em pé, em paz, em pose”) a neologismos (“O polvo aos pulos: negregado, o oitopatas, seus olhinhos imensamente defensivos, sua barriga muito movente: polvo da cabeça aos pés”), passando por pequenas “corrupções” da norma culta (“A cigarra cheia de ci”).

“Amar os animais é aprendizado de humanidade.” Guimarães Rosa tinha verdadeira mania de bichos. Quando viajava – e ele fez isso a vida toda –, visitava o zoológico de cada lugar. E ia anotando em seus caderninhos tudo o que os animais “diziam” para ele. No livro Ave, palavra, publicado depois de sua morte, foram reunidos contos, notas de viagem, poemas em prosa e reflexões. Vários capítulos têm o título “Zoo” e, entre parênteses, a cidade onde ele escreveu estas anotações: Berlim, Londres, Rio, Hamburgo, Nápoles, Paris. Desses capítulos tirei e arrumei as frases que formam este livro-objeto que Roger Mello montou com sua arte. Pra que as crianças de todas as idades pudessem gostar ainda mais dos bichos e das palavras encantadas de mestre Rosa. (Luiz Raul Machado)

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Nota 1: Sua cidade natal Cordisburgo abriga, hoje, o Museu Casa Guimarães Rosa. “Minas é Muitas” disse Guimarães Rosa. E disse também “As pessoas não morrem, ficam encantadas”, em sua posse na Academia Brasileira de Letras.

Nota 2: Pedro Paulo de Sena Madureira, diretor de A Girafa, encontrou neste livro a inspiração para o nome de sua editora (também em Poliedro)...

Nota 3: Guimarães Rosa foi o primeiro homenageado no Museu da Língua Portuguesa que, localizado no prédio da Estação da Luz, em São Paulo, e com três andares, o primeiro foi todo dedicado ao escritor mineiro e sua obra, durante o primeiro ano de funcionamento do Museu.

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Última atualização: 01/03/2011.
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