This page is part of © GIRAFAMANIA website / Esta página é parte do sítio GIRAFAMANIA

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (1902-1987)

Itabirano, Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31/10/1902, em Itabira, município do Estado de Minas Gerais – famoso pela exploração do minério de ferro. De temperamento intimista, viveu boa parte de sua vida na cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu aos 85 anos, em 17/08/1987.

Drummond foi professor, jornalista, funcionário público, mas sobretudo, um dos mais importantes nomes da Literatura Brasileira do século XX. Publicou 47 livros – 27 de poesia, 18 de prosa e dois infantis –, muitos dos quais com edições na Alemanha, Argentina, Chile, Cuba, Espanha, EUA, França, Peru, Portugal, Suécia e na antiga Tchecoslováquia.

No acervo GIRAFAMANIA exitem algumas peças alusivas a Drummond como selos postais, cédulas, cartão telefônico, livros e jornal... Por quê? Porque ele escreveu duas vezes sobre girafas (que eu saiba): uma crônica de 1981 e um conto infantil (obra póstuma de 2001).

Na crônica “A SOLIDÃO DO GIRAFO”, publicada no Jornal do Brasil em 09/05/1981, o autor narra sobre a necessidade de se enviar a girafa macho, “Raio de Luz”, do Zoológico do Rio de Janeiro para o Zoológico de Brasília porque ele precisa de uma companheira e a única fêmea disponível se encontra lá... Neste texto Drummond deixa clara a analogia que faz entre o pescoço e a altura do animal com o comportamento social dos humanos... Também o seu (meu) sonho de se ter um zoológico dedicado a família dos girafídeos...

Nota: Entretanto ainda não havia uma fêmea no local, supostamente ela iria chegar, segundo minhas pesquisas... penso que Drummond se antecipou um pouco achando que havia uma fêmea por lá...

Já no conto infantil “RICK E A GIRAFA” Drummond escreve sobre um menino que sonhava em viajar no lombo de uma girafa... Observando a girafa no jardim zoológico, o garoto permanece imaginando viajar no lombo dela e, depois de algum tempo, dá tchau para a girafa e vai embora...

BIOGRAFIA

Carlos Drummond de Andrade passou a infância em uma fazenda na mesma cidade em que nasceu e a sua juventude em Belo Horizonte. Fez o curso de Farmácia e se formou em 1925, em Ouro Preto, mas não exerceu a profissão. Em Belo Horizonte, integra o grupo que funda “A Revista” – publicação literária de tendência nacionalista que se torna o veículo mais importante do Modernismo mineiro. Entra para o jornalismo no Diário de Minas em 1930 e lança seu primeiro livro: “Alguma Poesia”.

Assume a chefia de gabinete do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, em 1934. Permanece no serviço público até a aposentadoria. Ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) no início dos anos 40, escreve poesias de fundo social, como “Sentimento do Mundo” (1940) e “A Rosa do Povo” (1945). Mas a indignação com as desigualdades sociais não lhe tira o profundo lirismo, o senso de humor e a emoção contida.

“Boitempo” e “As impurezas do branco” são alguns dos outros volumes que estão entre os mais representativos de nossa melhor poesia. Nele, acham-se versos que já pertencem ao dia a dia do povo: “E agora, José?”, “Tinha uma pedra no meio do caminho”, “Mundo mundo vasto mundo” são ditos pelo homem comum como expressões da realidade cotidiana e dos problemas da vida.

“No meio do caminho tinha uma pedra / Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra / No meio do caminho tinha uma pedra”

No Meio do Caminho, obra de 1928 que revolucionou o Movimento Modernista que nascia...

Não bastasse a grandeza poética, Drummond foi, também, um talentoso cronista, cuja prosa, inteligente e bem cuidada, reúne-se em “Confissões de Minas”, “Passeios na Ilha”, “Fala”, “Amendoeira” e “Cadeira de Balanço”, entre outros títulos. Acrescentem-se a eles as narrativas que escreveu para crianças, como “O Elefante” e “História de Dois Amores”, e as elogiadas traduções que assinou, pondo ao alcance do leitor brasileiro obras de Balzac, Lorca, Molière e Proust.

A partir de “Claro Enigma” (1951) volta a registrar o vazio da vida humana e o absurdo do mundo. Em 1954 passa a escrever crônicas no Correio da Manhã e, em 1969, dá início a colaboração ao Jornal do Brasil que dura até 1984. Entre seus livros de crônicas estão “Lição de Coisas” (1962), “Os Dias Lindos” (1977) e “Boca de Luar” (1984). Seu livro “O Amor Natural” é publicado postumamente.

No annus mirabilis de 1962, em que completou 60 anos de idade e publicou Lição de Coisas, Drummond lançou também a Antologia Poética, na qual distribuiu os poemas em nove seções, designadas segundo o “ponto de partida” ou a “matéria de poesia” predominante em cada uma delas. Os nove núcleos temáticos discernidos pelo poeta são (entre aspas os títulos das seções, que valem por súmulas do sentido de cada tema):

1. o indivíduo: “um eu todo retorcido”; 2. a terra natal: “uma província: esta”; 3. a família: “a família que me dei”; 4. amigos: “cantar de amigos”; 5. o choque social: “na praça de convites”; 6. o conhecimento amoroso: “amar-amaro”; 7. a própria poesia: “poesia contemplada”; 8. exercícios lúdicos: “uma, duas argolinhas”; 9. uma visão, ou tentativa de, da existência: “tentativa de exploração e de interpretação do estar-no-mundo”...

volta ao topo

“A SOLIDÃO DO GIRAFO” – Jornal do Brasil, 09/05/1981 (texto compilado na íntegra)

“Vai, Raio de Luz, vai até Brasília e procura lá a tua namorada, que te dará prazer e filhos, e, com eles, voltarás ao Rio de Janeiro, onde não tens chance de casamento e multiplicação da espécie. Vejo-te passar, o esguio pescoço desafiando viadutos, passarelas e túneis, e sinto que o surrealismo é coisa de arquivo. Pintor que te pintasse viajando dessa maneira seria apenas um copista do cotidiano.

Não podias mais continuar no Rio, sem companheira prestante, e sujeito a equívocos escabrosos com os machos da tua espécie. Precisavas de uma girafa indubitável para o ofício do amor. Puseram-te em caminhão equipado com fiação elétrica e buzina de alarme, acionável ao menor indício de anormalidade, seja na rodovia seja no interior de tua silenciosa organização de girafo.

Sei que deformo teu nome, trocando a letra final, mas já é tempo de dissipar a ambiguidade das designações genéricas, em meio à indefinição crescente dos sexos, observada na sociedade humana. Quando já não se sabe ao certo quem é varão quem é varoa, pelo menos se saiba distinguir o pavão da pavoa ou pavona, o elefanto da elefanta, o sabiau da sabiá, o cisno da cisna, o tigro da tigra, em vez de nos socorrermos do aditamento macho e fêmea. Se distinguimos gato e gata, por que não foco e foca, tamanduó e tamanduá, tatu e tatua? (Deixo aos entendidos o levantamento da nominata completa.) Fica mais fácil e constitui merecida homenagem à pequena, mas divina, diferença que tornou viável o milagre da vida.

O Rio anda tão pobre que até lhe falta uma girafa para amar um girafo, e é preciso recorrer a Brasília, que de resto não consta ser pródiga em atendimento às necessidades nacionais. Mas que tenha uma girafa núbil e disponível já é coisa boa de se saber. Não ficarás solteiro, “Raio de Luz”. E procriarás e tua prole se desdobrará em girafinhos e girafinhas que enriquecerão os nossos zôos, para alegria da meninada curiosa de ver bichos originais, em confronto com a pouca ou nenhuma originalidade de tantos bichos por aí, quadrúpedes ou bípedes.

Por ser conveniente o otimismo, descarto a hipótese de a girafa brasiliana te recusar. Seria muito triste, além de muito oneroso, que a tua viagem, exigindo mil cuidados, tivesse como epílogo o desentendimento entre os parceiros. Não resta dúvida que, democraticamente, a moça girafa tem direito de escolha, e pode não ir contigo e com teu focinho. Mas, por outro lado, não consta que em alguma parte do Brasil os moços girafos sejam numerosos, e ela corre o risco de morrer solteira. Então, presumo que tudo contribui para um enlace feliz; o solitário carioca rejubila-se ao encontrar a solitária planaltina.

Casamento giráfico: não será tão pomposo quanto o do Príncipe Charles, mas em ocasião como esta, de nuvens escuras e bombas perversas, é um descanso para o espírito saber que todas as providências estão sendo tomadas para que um girafo encontre sua girafa e deste encontro resultem girafotes, ou girafelhos, que são fedelhos girafos.

Eu, cândido de coração, me associo à expectativa amena de termos no futuro um zoológico bem provido de população girafista de dois sexos, graças à tua linhagem, “Raio de Luz”. Chego a delirar, e sonho um zôo exclusivamente dedicado ao animal mais alto do mundo e que, por isso mesmo, nos dê sugestões de altura, quer material quer moral.

Essa fauna esplêndida, que efeito mágico produzirá! Cada um de nós há de sentir-se estimulado a crescer no mínimo alguns centímetros em dignidade cívica, abnegação, amor à verdade. Uma verdade que talvez esteja refugiada nas selvas mas que se entremostre, de relance, no simples e exato comportamento de um animal trazido para o nosso convívio.

A girafa parece que não consegue lamber o próprio corpo, quer dizer, ela pede que outros o façam. Expõe o corpo e confia na ação alheia. Defende-se menos do que se expõe. E, sendo animal exposto, sujeito à apreciação e ao julgamento gerais, é realmente de bom convívio. Não quer privilégios. E, mesmo calada, não é sigilosa.

A mania de sigilo, que nós, supostos racionais, inventamos está longe de ser uma regra da natureza. Os bichos não mentem. São o que são, verificáveis. Eu gosto de girafa. Tem pescoço e não tem artimanha. Só não dou um abraço a Raio de Luz porque seria impraticável. Mas torço pelo seu feliz himeneu e prometo mesmo compor um epitalâmio para o casal.”

volta ao topo

“RICK E A GIRAFA”

Tipo: Livro
Autor: Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) | Ilustração: Maria Eugênia
Título: RICK E A GIRAFA (Rick e a girafa) – Antologia | Idioma: Português [Tombo: 4, Prateleira: 3]
ISBN: 85-08-07737-8 | Código de barras: 9788508077373 (2001, dados biográficos do autor)
ISBN: 85-08-07736-X | Código de barras: 9788508077366 (2002, com notas bibliográficas)
Editora: Ática | Série/Coleção: Para Gostar de Ler Júnior 3
Ano da Obra – Copyright: 2001 | Edição: 1ª impressão 2001, 4ª impressão 2002
Impressão Sistema Braille (2 pt.) | Edição: 1ª 2002, 5ª impressão 2005
Editora: Fundação Dorina Nowill para Cegos, São Paulo (SP), autorizada pela Ática FDNC 1117
Segmento: Literatura Brasileira – Literatura Infanto-juvenil – Crônicas
Nível: Ensino Fundamental | Série: 3ª e 4ª, 5ª e 6ª
Ficha Técnica – Tipo de capa: Brochura | Formato: 17 × 24 cm. | Nº de páginas: 112
Estado de conservação: Usado em ótimo estado, com carimbo na primeira página: Livraria Metrópole (SP) R$ 9,00 | Preço sugerido: R$ 23,90 (novo) | Livro do Professor – Venda Proibida: Usado em ótimo estado, adquirido na Traça em 23/01/08 | Preço sugerido: R$ 12,00

Observações: O livro inclui suplemento de atividades em anexo, com desenhos em cores e fotografias em P&B, notas ao pé das páginas, referências bibliográficas na página 107 (Bibliografia) e biografia ilustrada sobre o autor. Assuntos abordados na obra: Comportamento e Atitudes, Humor.

Descrição: O título deste livro é o mesmo de uma das 29 histórias que estão nele. Crianças resolvem brincar de governar e percebem que a brincadeira pode ir longe demais. No zoológico, o garoto Rick acalenta o sonho de viajar o mundo montado nas costas de uma girafa; Paulinho diz que todas as borboletas da Terra formaram um tapete voador para levá-lo ao Sétimo Céu... Em histórias como essas, Drummond expõe em prosa a mesma sensibilidade que o consagrou como poeta.

Resenha detalhada: Não é toda hora que encontramos textos para crianças e adolescentes assinados por um verdadeiro ícone da literatura brasileira – particularmente da poesia – do século XX: Carlos Drummond de Andrade. Em Rick e a girafa, a Ática apresenta 29 crônicas de Drummond com os assuntos mais variados, engraçados, reflexivos, que fazem a garotada enxergar o cotidiano com novos olhos.

As crônicas de Drummond foram especialmente escolhidas para os pequenos leitores. São narrativas curtas, sempre envolventes, garantia de uma leitura fácil e prazerosa, acrescida da famosa lírica drummondiana e suas observações únicas do comum e do raro no dia a dia.

Já no mundo dos adultos, Fernão Soropita perde o sorriso depois que manda fazer uma dentadura de ouro; a medrosa dona Irene tem a maior surpresa ao se ver de frente com um ladrão muito mais medroso que ela...

Drummond usava o humor em suas histórias de um jeito bem especial. Ele nos convida a ver o mundo como ele vê: com olhos de criança, de poeta e de observador atento aos acontecimentos do dia a dia.

“RICK E A GIRAFA”

Rick se preocupava com a escada que precisava galgar para alcançar o mundo dos sonhos. Não precisava de escada. Ele já estava lá. No Jardim Zoológico, neste domingo azul, a girafa olha do alto para as crianças, e parece convidá-las a um passeio no dorso. Há uma escada perto, e se for encostada ao animal, Ricardo (Rick é o seu apelido) poderá chegar até lá.

O garoto mede a distância que vai do chão ao lombo, e julga-se em condições de vencê-la. Uma vez lá em cima, cavalgando o pescoço, e segurando-lhe os chifres, pedirá à girafa, depois de umas voltas pelo Jardim, que o leve por aí, percorrendo o mundo.

Presa há tanto tempo, a girafa há de estar ansiosa de liberdade. Não será difícil transpor a cerca. Ela espera que Rick lhe proponha a aventura. Ninguém se atreveria a travar-lhe os passos, e Rick vai dirigi-la nos rumos que aprendeu no atlas escolar.

O problema é descer de vez em quando, para Rick alimentar-se de biscoitos, fazer necessidades e dormir. Camarada, a girafa irá se deitando aos poucos, primeiro dobrando devagar as pernas, depois se inclinando lentamente para o lado, e afinal arriando com suavidade a carga infantil.

Mas para subir outra vez, como se arranjaria ele? Escada não haverá. Mesmo deitada, a girafa é difícil de subir. A imaginação não lhe fornece recurso plausível. O sonho frustou-se. Rick levanta o braço direito e, com a mão espalmada em gesto de adeus à girafa que gentilmente o convidara, esclarece:

– Muito obrigado. Fica para outra ocasião, quando eu crescer.

Capa da obra Rick e a girafa e, ao lado, detalhe ampliado da ilustração de Maria Eugênia.

volta ao topo

Outra obra apresenta o conto Rick e a girafa, de Drummond:

Autor: Antologia com dez histórias de vários autores | Ilustração: Mariana Massarani (desenho)
Título: É HORA DE HISTÓRIA (É hora de história) | Idioma: Português [Tombo: 5, Prateleira: 3]
ISBN: n/c | Editora: Ática | Ano da Obra – Copyright: | Edição: 1ª ?, 3ª n/c o ano
Segmento: Literatura Infanto-juvenil Brasileira – Literatura Infantil Brasileira
Ficha Técnica – Tipo de capa: Brochura | Formato: 20 × 27,5 cm. | Nº de páginas: 32
Estado de conservação: Usado, capas e lombada um pouco gastas nas bordas, miolo em bom estado | Preço sugerido: R$ 15,00
Nota: Parte integrante do livro Vivência e Construção – Alfabetização, de Cláudia Miranda, Angélica Carvalho Lopes e Vera Lúcia Rodrigues (não pode ser vendido separadamente).

Descrição: As 10 histórias que aparecem em É hora de história foram tiradas de vários livros. Autores e suas histórias segundo o Sumário: Ruth Rocha (A história de Sherazade), Carlos Drummond de Andrade (Rick e a girafa; do livro Contos plausíveis), Ronaldo Simões Coelho (Tia Delica), Ana Maria Machado (O pavão do abre-e-fecha), Sylvia Orthof (Fada cisco quase nada), Conto popular colombiano (Domingo sete), Liliana e Michele Iacocca (O cachorro e a pulga), Sonia Junqueira (O menino e o muro), Christina Cabral (O sapo-cururu), Monteiro Lobato (Cinderela).
volta ao topo

FILATELIA DRUMMONDIANA

Abaixo, um poema chamado “Prazer Filatélico”, escrito por Drummond e publicado originalmente no livro “Menino Antigo” – Boitempo II, editado em 1973 – mesmo ano que ele recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.

PRAZER FILATÉLICO, de Carlos Drummond de Andrade

COLECIONE SELOS e viaje neles
por Luxemburgos, Índias, Quênia-Ugandas.
Com Pedr'Alvares Cabral e Wandenkolk
aprenda História do Brasil. Colecione.
Mas sem dinheiro?
Devaste os envelopes da família. Remexa as gavetas.
Há barbosas efígies imperiais à sua espera.
Mortiças cartas guardam peças raras.
Tudo vasculhe. Um dia
arregalado à sua frente há de luzir
em arabescado fundo negro
o diamante, o sonho, a maravilha
chamada olho-de-boi 60.
Troque. Vá trocando, Passe a perna,
se possível. Senão, seja enganado
mas acrescente sua coleção
de postas magiares, moçambiques,
osterreiches, japões, e seu prestígio
há de aumentar: o baita
colecionador da rua principal.
E brigue, boca e braço,
ao lhe negarem esta condição.
Até que chegue o tédio de possuir,
a tentação do fósforo e do vento
o gosto de perder a coleção
para outra vez, daqui a um mês,
recomeçar, humílimo, menor
colecionador da rua principal.

25/10/2002 – Selo com valor facial de R$ 0,55 centavos de reais, “Centenário do Nascimento de Carlos Drummond de Andrade” (1902-2002). Local de Lançamento: Rio de Janeiro (RJ) e Itabira (MG). O selo apresenta uma composição simétrica de três elementos figurativos: à esquerda, a cidade de Itabira, onde o poeta nasceu; à direita, a cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu e, ao centro, seu rosto, retratado em idade avançada. O enfoque das cidades tem como objetivo assinalar o divisor da obra do poeta: Itabira, na poesia e Rio de Janeiro, na crônica. Os versos pertencem a um de seus primeiros poemas, em que o autor se autodefine. A Revista COFI – Correio Filatélico (Nº 190 – setembro-dezembro/2002), traz como destaque na capa, o selo de Carlos Drummond de Andrade. Abaixo, Edital nº 29 – 2002: Centenário do Nascimento de Carlos Drummond de Andrade e o selo ampliado ao lado. Nota: Na coleção há uma folha completa de 25 selos que foi contribuição de Seme em 17/05/14.

Abaixo (do lado esquerdo da tela), cartão telefônico com estampa da antiga cédula de 50 cruzados novos que mostra a efígie de Drummond. Do lado direito, selo Homenagem a Drummond.

volta ao topo

MÁRIO DE ANDRADE

Fonte: Wikipédia

Mário Raul de Morais Andrade (09/10/1893 – 25/02/1945) foi um poeta, romancista, crítico de arte, folclorista, musicólogo e ensaísta brasileiro. Nasceu, estudou e iniciou a sua carreira musical e literária na cidade de São Paulo. Em 1917, foi publicado o seu primeiro livro de versos: Há uma gota de sangue em cada poema. Sua segunda obra, Pauliceia desvairada, colocou-o entre os pioneiros do movimento Modernista no Brasil, culminando, em 1922, como uma das figuras mais proeminentes da histórica Semana de Arte Moderna.

Publicou, em 1928, Macunaíma o herói sem nenhum caráter e Ensaio sobre a Música Brasileira. Em 1938, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde exerceu o cargo de diretor do Instituto de Artes na antiga Universidade do Distrito Federal (hoje, Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Regressando a São Paulo em 1942, regeu durante muitos anos a cadeira de História da Música no Conservatório Dramático e Musical.

Possuidor de uma cultura ampla e profunda erudição, foi o fundador e primeiro diretor do Departamento de Cultura de São Paulo da Prefeitura Municipal de São Paulo, onde implantou a Sociedade de Etnologia e Folclore, o Coral Paulistano e a Discoteca Pública Municipal. Foi amigo e compartilhou os ideais estéticos modernistas de Oswald de Andrade.

Missão de pesquisas folclóricas: Em 1938 Mário de Andrade reuniu uma equipe com o objetivo de catalogar músicas do Norte e Nordeste brasileiros. Dessa Missão resultaram um vasto acervo registrados em vídeo, áudio, imagens, anotações musicais, dos lugares percorridos pela Missão de Pesquisas Folclóricas, o que pode ser considerado como um dos primeiros projetos multimédia da cultura brasileira. O material foi dividido de acordo com o caráter funcional das manifestações: músicas de dançar, cantar, trabalhar e rezar.

Mário de Andrade também foi um dos mentores e fundadores do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, junto com o advogado Rodrigo de Melo Franco de Andrade. Mário tinha um projeto arrojado para o SPHAN, mas limitações de ordem política e financeira impediram a realização desse projeto (que seria caracterizado por uma radical investida no inventário artístico e cultural de todo o país), restringindo as atribuições do instituto, fundado em 1937, à preservação de sítios e objetos históricos relacionados a fatos políticos históricos e ao legado religioso no país.

“Prefácio interessantíssimo” é o prefácio de Mário de Andrade ao seu próprio livro Pauliceia Desvairada. Abre com uma citação do escritor belga Émile Verhaeren, que é o autor de Villes Tentaculaires. O prefácio não fala do livro mas sim de uma atitude geral perante a literatura. É uma espécie de manifesto poético, em versos livres. No início do Prefácio ele próprio denuncia a sua atitude. Depois de afirmar que “está fundado o Desvairismo”, afirma que o seu texto é meio a sério meio a brincar. O que lhe dá um caráter inconfundível de, por um lado, programa poético e, por outro, paródia. Assim o sério e o divertimento se misturam num todo sem fronteiras definidas. Repare-se ainda que é um texto muito assertivo, provocativo e polêmico no que é característico o Modernismo.

Num estilo rápido e solto, com ideias truncadas, e que atinge um efeito de grande dinamismo. Mário de Andrade luta por uma expressão nova, por uma expressão que não esteja agarrada a formas do passado: “escrever arte moderna não significa jamais para mim representar a vida actual no que tem de exterior: automóveis, cinema, asfalto.” Outra das ideias expressas por Mário de Andrade neste Prefácio/Manifesto é que a língua portuguesa é uma opressão para a livre expressão do escritor no Brasil. Assim ele afirma que “A língua brasileira é das mais ricas e sonoras”. Para reforçar esta ideia do brasileiro como língua, grafa propositadamente a ortografia de modo a ficar com o sotaque brasileiro.

Assim aparece muitas vezes neste manifesto “si” em vez de “se”. Neste ponto está a ser completamente contra os poetas parnasianos que defendiam uma ideia de que a língua portuguesa seria a língua dos bons e grandes escritores do passado. Neste ponto, Mário de Andrade é um nacionalista. Mas não admira Marinetti. É contra a rima. E contra todas as imposições externas. “A gramática apareceu depois de organizadas as línguas. Acontece que meu inconsciente não sabe da existência de gramáticas, nem de línguas organizadas”. A ideia talvez mais importante deste Prefácio é a de Polifonia e de Liberdade. “Arroubos... Lutas... Setas... Cantigas... povoar!” (trecho da poesia Tietê) Estas palavras não se ligam. Não formam enumeração. Cada uma é frase, período elíptico, reduzido ao mínimo telegráfico.

A Escrava que não é Isaura (que é a poesia, por isso não é a isaura), A “Escrava que não é Isaura” (1922-1924) é um texto, de gênero também inclassificável como o anterior e é outra espécie de manifesto. Na sua globalidade é um texto “mais sério” do que o Prefácio Interessantíssimo. Aproxima-se mais de um ensaio. Tem por subtítulo “discurso sobre algumas tendências da poesia Moderna”. Constitui-se por uma Parábola, Primeira Parte, Segunda Parte e Posfácio. O texto é dedicado ao seu amigo Oswald de Andrade. A intertextualidade explícita da Escrava com outros autores é maior.

Bibliografia:
– Há uma gota de sangue em cada poema, 1917 (Poesia)
– Pauliceia desvairada, 1922 (Poesia)
– A escrava que não é Isaura, 1925 (Ensaio)
– Losango cáqui, 1926 (Poesia)
– Primeiro andar, 1926 (Prosa / Ficção)
– Clã do jabuti, 1927 (Poesia)
– Amar, verbo intransitivo: idílio, 1927 (Prosa / Ficção)
– Ensaios sobra a música brasileira, 1928 (Ensaio)
– Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, 1928 (Prosa / Ficção)
– Compêndio da história da música, 1929 (reescrito como Pequena história da música brasileira, 1942)
– Modinhas imperiais, 1930
– Remate de males, 1930 (Poesia)
– Música, doce música, 1933
– Belasarte, 1934 (Prosa / Ficção)
– O Aleijadinho de Álvares de Azevedo, 1935 (Ensaio)
– Lasar Segall, 1935
– Namoros com a medicina, 1939, Edição Livraria do Globo
– Música do Brasil, 1941
– Poesias, 1941 (Poesia)
– O movimento modernista, 1942
– O baile das quatro artes, 1943 (Ensaio)
– Os filhos da Candinha, 1943 (Prosa / Ficção)
– Aspectos da literatura brasileira, 1943 (Ensaio: alguns dos seus mais férteis estudos literários estão aqui reunidos)
– O empalhador de passarinhos, 1944 (Ensaio)
– Lira paulistana, 1945 (Poesia)
– O carro da miséria, 1947
– Contos novos, 1947 (Prosa / Ficção)
– O banquete, 1978
– Será o Benedito!, 1992

Antologias:
– Obras completas, publicação iniciada em 1944, pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, compreendendo 20 volumes.
– Poesias completas, 1955
– Poesias completas, editora Martins - São Paulo, 1972

Outras Fontes:
www.recife.pe.gov.br/especiais/brincantes/8b.html (explica bem)
http://comics2001.vilabol.uol.com.br/artigos.htm

No primeiro tomo de suas Danças dramáticas, Mário de Andrade explica o surgimento da dança do Bumba-meu-boi e a predileção popular pelo boi: Parece porém que desde logo ou desde sempre, a curteza esteticamente admirável do Reisado se tornou insatisfatória ao povo. A psicologia popular, em especial o povo nosso que faz uso da música como dum estupefaciente, se compraz nas criações artísticas alongadas, que disfarçam a fadiga proletária, não pelo descanso físico, mas pela consunção. Tomaram o costume de reunir dois ou mais Reisado, como é indicação constante nos autores. E com a obsessão (sic), ou se quiserem, o complexo do boi, que é uma das constâncias mais fortes do povo brasileiro, ordena a praxe de terminar a série de Reisado dum espetáculo com a representação do Bumba-meu-boi, a maioria dos Reisados, os mais popularmente queridos, acabaram se fundindo neste. Ficou assim um Reisado único, que não tem popularmente este nome, a dança dramática do Bumba-meu-boi, que embora não seja nativamente brasileiro, mas ibérica e europeia, e coincidindo com festas mágicas afro-negras, se tornou a mais complexa, estranha, original de todas as nossas danças dramáticas. Por vezes mesmo uma verdadeira revista de números vários, com a dramatização da morte e ressurreição do boi, como episódio final (ANDRADE, 1982, p. 54).

Uma característica importante salientada por Mário de Andrade em “Danças Dramáticas do Brasil: na maioria dos nossos folguedos encontramos a morte e ressurreição da entidade principal ou como nos Pastoris e Cheganças, a luta do bem contra o mal, caracterizando a noção de perigo e salvação”. É claro, entretanto, que nos Pastoris, originários da Península Ibérica, o conceito de morte e ressurreição não aparece de forma contundente mas há no chamado Pastoril profano, a “luta” entre o cordão azul e o encarnado, revelando um confronto se considerarmos o cordão encarnado como o mais audaz, atrevido, por assim dizer, do que as pastoras do cordão azul. De qualquer forma foi a finalidade religiosa que deu a essas danças dramáticas ou bailados, como diz ainda Mário de Andrade, “a sua origem primeira e interessada, a sua razão de ser psicológica e a sua tradicionalização”.

Faz-se necessário frisar que o caráter religioso dessas manifestações, desses autos, está cheio de teatralidade – o teatro nasce com o culto ao deus grego Dioniso – porém “são os elementos sociais profanos que vão pouco a pouco tomando importância desmesurada, que destrói a finalidade religiosa primitiva do teatro. E esses elementos profanos acabam imperando sozinhos”, como ressalta Mário de Andrade. Esse fenômeno aconteceu com a tragédia grega, com o teatro Nô japonês, com os Mistérios Medievais e com as nossas danças dramáticas. Não é demais também verificar que todos os nossos bailados possuem entrecho dramático, mesmo sendo texto improvisado – músicas e danças próprias revelando, por fim, as três bases étnicas que dão origem ao povo brasileiro: ameríndia, portuguesa e africana...

Na obra “Macunaíma”, classificada na primeira edição como uma “rapsódia” temos, talvez, a criação máxima de Mário de Andrade. A partir da figura de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, temos o choque do índio amazônico com a tradição e a cultura europeia. O romance pode ser assim resumido: Macunaíma nasce sem pai, na tribo dos índios Tapanhumas. Após a morte da mãe, ele e os irmãos (Maamape e Jinguê), partem em busca de aventuras. Macunaíma encontra Ci, Mãe do Mato, rainha das Icamiabas, tribo de amazonas, faz dela sua mulher e torna-se Imperador do Mato-Virgem. Ci dá à luz um filho, mas ele morre e ela também, (Ci se transforma na estrela beta do Centauro). Logo em seguida, Macunaíma perde o amuleto (muiraquitã) que ela lhe dera. Sabendo que o amuleto está nas mãos de um mascate peruano que morava em São Paulo e que na verdade é Piaimã, o gigante antropófago, Macunaíma, acompanhado dos irmãos (Jiguê e Maanape), rumam ao seu encontro. Após inúmeras aventuras em sua caminhada, o herói recupera o amuleto, matando Piaimã. Em seguida, Macunaíma volta para o Amazonas e, após uma série de aventuras finais, sobe aos céus, transformando-se na constelação da Ursa Maior.

CARACTERÍSTICAS DA OBRA POESIA: O livro de estreia de Mário de Andrade, Há uma gota de sangue em cada poema (1917), apesar de revelar um poeta sensível, motivado pela Primeira Guerra Mundial, é um livro adolescente, de pouco valor estético, apresentando um artista ainda sob influência parnasiano-simbolista. Em Pauliceia desvairada (1922), vamos encontrar o poeta adulto e renovador, no livro que viria a ser, cronológicamente, o primeiro do Modernismo brasileiro. Nele, o poeta focaliza aspectos humanos, sociais e políticos de São Paulo, em versos livres, de métrica informal, subvertendo os valores estéticos até então vigentes. Palavras, sintagmas, flashes e fragmentos articulam-se numa tentativa de aprender a alma urbana de São Paulo, ora celebrando-lhe a paisagem, ora criticando a burguesia paulistana, ora tentando expressar uma visão totalizante da cidade.

FICÇÃO: A obra ficcionista de Mário de Andrade pode ser dividida em duas vertentes: a primeira trata do universo familiar da burguesia paulista e da gente do povo – é o caso do romance Amar, verbo intransitivo (1927) e da série de contos enfeixados em dois livros: Os Contos de Belazarte (1934) e Contos novos (1946) –; a segunda origina-se do aproveitamento de lendas indígenas, mitos, anedotas populares e elementos do folclore nacional, com os quais compôs sua obra-prima, Macunaíma, livro a que chamou de rapsódia, considerando o fato de ter feito uma composição com fragmentos de assuntos variados e heterogêneos.

Abaixo, respectivamente, cédula de 500 mil cruzeiros reais com sobrecarga 500 cruzeiros reais, cuja estampa mostra a efígie de Mário de Andrade (C236), selo Centenário de Oswald de Andrade e selo Centenário do Nascimento de Mário de Andrade.

PÁGINA DO BRASILCOLEÇÃO LITERATURA

Entrada principal !
Última atualização: 18/05/2014.
volta ao topo

MURILO MENDES LISTA DE PERSONALIDADES
SALVADOR DALÍ