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“O Jardim das Delícias” e a misteriosa girafa de Bosch

— Tríptico: “O Jardim das Delícias” (The Garden of Delights / Le Jardin des délices / El jardín de las delicias)
Pintura Medieval / Óleo sobre painel de madeira / Arte Flamenga
Local de realização: Flandres – Bélgica / França / Holanda
Data: Início do século XVI (1504, provavelmente); algumas citações datam de 1500-1505
Artista: Hieronymus Bosch ou “El Bosco” (1450-1516)
Dimensão total: mais de 2 metros de altura por quase 4 metros de comprimento (2,20 × 3,89 cm).
Painel central: 2,20 × 1,95 centímetros. Painéis laterais: 2,20 × 97 centímetros.
Procedência: Acervo de Felipe II.
Local de exposição atual: Museu Nacional do Prado, em MadriReino da Espanha, desde 1939.

“O Jardim das Delícias Terrenas”, executada por volta de 1500, é considerada uma das mais importantes obras de Bosch. Quadro alegórico, rico em símbolos, presta-se a várias interpretações. Descreve a história do mundo a partir da criação, apresentando o paraíso terrestre e o inferno nas asas laterais...

Nota: Dois selos postais mostram por completo esta obra-prima, um foi emitido por Antígua em 1980 e o outro pela República Centro Africana em 2013.

Sua obra insólita, original e brilhante retrata a vulnerabilidade do homem diante das tentações – ideia dominante na Idade Média. O pintor é apreciado por seus contemporâneos e exerce, séculos depois, influência sobre os surrealistas...

O artista flamengo pinta a sua obra-prima “O Jardim das Delícias” entre 1500 a 1510, provavelmente 1504. Em uma visão geral, a obra reflete uma Idade Média filtrada por um humor perspicaz e expõe os vícios da sociedade que rodeia o artista...

Considerado seu trabalho mais maduro, o “Jardim de Encanto” (como também é conhecido o grande retábulo central), descreve a criação da mulher, já os retábulos laterais da obra narram: “O Inferno” (à direita) e o “Jardim do Éden ou Jardim do Paraíso” (painel lateral esquerdo da obra, onde a girafa foi pintada).

Neste, também chamado de “A Criação do Paraíso”, supõe-se que os animais híbridos e as rochas compósitas visíveis no tríptico, relacionam-se com a Índia mítica descrita por Eusébio em sua carta 'Alexandre a Aristóteles', e os animais e vegetais exóticos alí figurados, como o elefante, a girafa e a árvore-dragão, têm como fonte as xilogravuras do livro que ornam a “Reise ins Heilige Land”, de Breydenbach (1486).

A concepção pessimista de um mundo dominado pela ideia do pecado e da fragilidade da natureza humana, típica do pensamento medieval, encontrou expressão plástica na pintura de Hieronimus Van Aeken Bosch. Firmemente aparentada, pela simbologia, com a fantasia popular e a cultura da época, sua insólita obra, cáustica e imaginativa, prenunciou as grandes realizações da pintura flamenga e holandesa dos séculos XVI e XVII.

Segundo a Coleção Folha, Grandes Museus do Mundo:

À falta de informação fidedigna sobre o tema e o destinatário, a mais enigmática e sugestiva obra de Bosch suscitou, com o passar dos tempos, diversas interpretações, do esoterismo à alquinia, da tradução de paisagens literárias à presumível vinculação do pintor a seitas heréticas. A excepcional riqueza iconográfica concentra-se no painel central, que dá o título ao tríptico, mas os três painéis formam uma sequência: o ponto de partida é o Jardim do Paraíso terrestre, no painel da esquerda que mostra a criação de Eva. Porém, no mesmo momento e no mesmo lugar, adquirem vida criaturas mostruosas que compartilham com os homens a ilusória felicidade do painel central e que aparecem de novo, à direita, na demoníaca cena do Inferno. A continuidade da paisagem, através de singulares formações rochosas entre os dois primeiros painéis, uniformiza o lugar onde se desenvolvem os episódios fantásticos e sugere, dessa forma, que o desencadear da luxúria – o verdadeiro tema dominante, simbolizado pelos frutos vermelhos – é consequência direta da criação da mulher. A humanidade, surda às chamadas de Deus e irremediavelmente mergulhada no pecado, é castigada de forma horrivel, segundo a lei de Talião, com refinadas e sádicas torturas provocadas com instrumentos musicais sobre um fundo de fulgurantes clarões de uma cidade em chamas.

  1. A composição da cena é obtida pela sobreposição de planos com desenvolvimento circular; o último representa quatro construções fantásticas, nas quais elementos naturais se misturam com sólidos geométricos. Bandos de pássaros voam dentro e fora dos pináculos ornamentais das formações rochosas.
  2. O pecado da luxúria é exemplificado por um par de amantes, transparente, excrecência de uma planta aquática. O tema próprio do alquimista como um antigo provérbio flamengo: “A felicidade é como um cristal que em breve se parte”. O tubo de cristal introduzido no fruto por baixo da bola é um emblema masculino, enquanto o rato que nele entra alude às falsas doutrinas que levam os crentes ao engano.
  3. Uma invenção diabólica composta por um par de orelhas atravessadas por uma flecha e por uma grande lâmina de faca. Os significados possíveis são inúmeros: para alguns, a indeferença do homem ao dito evangélico: “Quem tiver ouvidos para ouvir ouça”; para outros, pelo contrário, é a infelicidade terrena. Sobre a lâmina está gravada a letra M, talvez a inicial do nome do fabricante ou então da palavra Mundus, emblema da universalidade do membro masculino a que a lâmina faz referência.

Carlos V (1516-1556), o mais poderoso na Europa da sua época, gostava de conversar com Ticiano, procurando convencê-lo a mudar-se para a Espanha, e, pouco antes de morrer, no Mosteiro de Yuste, para o qual se havia retirado depois de abdicar em seu filho, Felipe II, a Coroa da Espanha, quis que fosse colocada aos pés da sua cama “A Glória”, do pintor veneziano. Felipe II (1556-1598) herdou, além das coleções, a paixão pela arte, que o levou a adquirir outras obras de Ticiano, mas também de Bosch, como o “Jardim das Delícias”...

Abaixo, reprodução do quadro “O Jardim das Delícias” (Tipo: Fine-Art Print), o qual tive a oportunidade de contemplar em 07/2003. Ao lado, o “Jardim do Éden” – retábulo lateral esquerdo, onde se encontra a girafa (pouco ampliado para melhor visualização).

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Abaixo (ampliado), o “Jardim do Éden”, parte da obra-prima onde a girafa foi pintada – retábulo lateral esquerdo da obra “O Jardim das Delícias”, pintado na década de 1510, por Hyeronimus Bosch.

Detalhe ampliado com a GIRAFA do “Jardim do Éden”.

Bax, um famoso estudioso holandês, foi um dos que mais interpretou as obras de Bosch, especialmente “O Jardim das Delícias”. Devido ao seu conhecimento da literatura holandesa mais antiga, conseguiu identificar muitas das formas do painel central: frutos, animais ou as estruturas minerais exóticas, assim como símbolos eróticos e obscenidades daquele tempo de Bosch. Os peixes que aparecem no primeiro plano, por exemplo, constituem o símbolo fálico de antigos provérbios holandeses.

Segundo Bax, Bosch concebeu sua visão dos prazeres carnais como a de um grande parque ou uma paisagem de jardim. A visão do mestre, traduzida através daquela obra, mostrou um cenário para que os amantes pudessem desfrutar de momentos agradáveis entre belas flores, ouvindo o canto dos pássaros e divertindo-se na fonte.

Além disso, Bosch agregou novos elementos aos comumente apresentados em outras obras. As casas de prazeres dominando o lago do fundo da obra é um exemplo. Neste mesmo lago é que notamos homens e mulheres banhando-se em conjunto, o que não ocorre no plano do meio, pois os mesmos estão cuidadosamente separados uns dos outros.

Bosch também retrata temas eróticos variados, como na parte direita da obra, em que expôs uma visão violenta de sua interpretação do Inferno. No primeiro plano esquerdo está a luxúria, o mundo dos prazeres carnais, cercados por instrumentos musicais gigantescos.

Segundo vários estudiosos, esta obra teve um peso importante na carreira de Bosch pela complexidade das situações registradas. Foi pintada depois de 1500 e pertenceu a Henrique III de Nassau, um colecionador de arte e dos seus maiores admiradores.

“O Jardim das Delícias” (retábulo central da obra), pintado na década de 1510, por Hyeronimus Bosch.

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Literatura... Segmentos: Literatura Estrangeira (Espanhola/Italiana) – Literatura Brasileira – Literatura Artística...

1968 — Título em Português: GÊNIOS DA PINTURA – BOSCH 39
Direitos autorais da editora: Fratelli Fabbri Editori, Milão – Itália, 1968
Editora: Abril, Abril Cultural | Série/coleção: Gênios da Pintura – Fascículo: 39 | Edição: 1ª 1968
ISBN: n/c | ISBN da coleção: n/c | Organizador: Luís Carta
Tipo de capa: Brochura | Formato: 26,5 × 35,5 cm. | Nº de páginas: 26
Estado de conservação: Usado, bom estado, adquirido no Messias em 08/11 | Preço sugerido: R$ 5,00 | Descrição:
Nota: O exemplar trás no verso o valor pago na época: NCr$ 2,50

1982 — Título em Espanhol: BOSCH – REALIDAD, SÍMBOLO Y FANTASÍA
Autor: Isidro Bango Torviso (1946-) e Fernando Marías (1949-) | Desenho: J. M. Domínguez
Editora: Silex, Ediciones, Madrid – Espanha, 1982 | Série/coleção: Temas de Arte
ISBN: 84-85041-61-5 | Impresso na Espanha por: H. Fournier, S.A. – Vitoria (Printed in Spain)
Tipo de capa: Brochura | Formato: 16 × 22,5 cm. | Nº de páginas: 234
Estado de conservação: Usado, bom estado, adquirido no ML do vendedor Kelson Marques (crismarques03 @ yahoo.com.br), em São Bernardo do Campo (SP) em 05/07 | Preço sugerido: R$ 30,00 | Descrição: Esta obra de colaboración entre un medievalista y un especialista del Renacimiento intenta situar a Jeroen van Aken y su obra, con rigor científico, en un período de crisis como el representado por el triunfo del Medievo en el mundo moderno. Partiendo de un análisis de la fama y crítica del artista, tras una exposición de su biografia, documentada o hipotética, y un estudio de los valores plásticos de su pintura, este trabajo concluye con una investigación de la iconografía del Bosco. Se han recogido las aportaciones tradicionales de los estudios ya clásicos sobre el pintor y se ha intentado aportar un enfoque nuevo en el estudio de su estilo (casi siempre desdeñado) y en el análisis de algunas de las iconografías bosquianas, basándose en un estricto empleo de las fuentes literarias y plásticas de la ápoca.

19?? — Título em Português: MESTRES DA PINTURA – BOSCH
Editora: On Line | Série/coleção: | Edição: Mestres da Pintura é uma publicação do IBC – Instituto Brasileiro de Cultura Ltda., São Paulo.
Tipo de capa: Brochura | Formato: × cm. | Nº de páginas:
Estado de conservação: Usado, bom estado, adquirido em 08/08 | Preço sugerido: R$ 5,00 | Descrição:
Nota: Grátis um superposter, medindo 82 × 55 centímetros, com a obra O Jardim das Delícias Terrenas”.

1991 — Título em Espanhol: MUSEUM Nº 169 – PARQUES Y JARDINES DE LAS DELICIAS
Editora: UNESCO | Série/coleção: Revista Trimestral publicada por la Unesco, Nº 1, 1991 | ISSN: 0250-4979
Tipo de capa: Brochura | Formato: 21 × 29,5 cm. | Nº de páginas: 56
Estado de conservação: Usado, bom estado, adquirido no Messias em 08/11 | Preço sugerido: R$ 7,00 | Descrição:

1998 — Título em Português: PINACOTECA CARAS 24 – BOSCH
Editora: Caras S.A., São Paulo (SP) | Série/coleção: Pinacoteca Caras – Nº 24 | Edição: Impresso na Espanha em 11/1998.
ISBN: 7 898034 591938 | Organizador: Revista Caras | Editor de Coleções: Edson Rossi
Tipo de capa: Brochura | Formato: 29 × 43 cm. | Nº de páginas: Encarte de 3 páginas dobráveis (como uma pasta) que abrigam 4 pranchas.
Estado de conservação: Usado, bom estado, adquirido no Messias em 08/11 | Preço sugerido: R$ 10,00
Descrição: Contém 4 pranchas: “O Jardim das Delícias Terrenas”, “Cristo Carregando a Cruz”, “A Crucificação” e “A Tentação de Santo Antão”.

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Última atualização: 04/04/2013.
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