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BOSCH (1450-1516)

Hyeronimus Bosch (Medieval)

Veja a girafa na obra-prima “O JARDIM DAS DELÍCIAS”, de Hieronymus Bosch ou “El Bosco”!

Pertencente a uma família de pintores, o flamengo Jeroen van Aeken, dito Hieronymus Bosch (Hiëronymus van Aken ou Jérome Bosch, em francês), nasceu por volta de 1450 em Hertogenbosch, mais tarde Bois-le-Duc, no Brabante setentrional (Bélgica ou Holanda?).

Desenvolveu toda sua atividade na cidade natal, que gozava então de grande prosperidade comercial.

Salvo as referências existentes no arquivo da cidade, que o dão como membro da confraria de Nossa Senhora entre 1486 e 1516, as informações sobre sua vida são muito escassas...

Esse fato trouxe graves problemas para a datação de sua obra, que se baseou fundamentalmente em critérios estilísticos. A dispersão de seus quadros revela, de qualquer modo, o prestígio que alcançou na Europa. Das 35 a 40 telas atribuídas a Bosch, apenas sete são assinadas e nenhuma é datada...

I – Nas primeiras obras de Bosch, de temas tradicionais e estilo algo arcaico, salientam-se:

► “A extração da pedra da loucura”, óleo sobre painel, 35 x 48 cm (abaixo, do lado esquerdo da tela); Museu do Prado, Madri – Espanha.

► “A Nave dos Loucos” ou “A Nau dos Insensatos” (The Slup of Fools), cerca de 1490-1510, provavelmente alegoria baseada na obra com o mesmo título escrita pelo humanista alsaciano Sébastian Brant e que foi publicada em 1494 (centro da tela, mostrado no selo da Guiné Equatorial); Museu do Louvre, Paris – França. Técnica: Óleo sobre madeira. Dimensões: 58 x 33 cm. No acervo desde 1918 (doação).

► “Mesa dos Pecados Capitais” ou “Os Sete Pecados Capitais”, óleo sobre painel, 59 x 47 cm (lado direito da tela); Museu do Prado, Madri. Nesta obra, outra de fundamental importância em se tratanto de crítica social, aparecem temas que se tornaram freqüentes em toda sua produção, como a natureza pecaminosa do homem e a dificuldade da salvação... Do círculo interior ao extremo estão desenhados diversos raios, todos tendo a figura de Cristo como ponto de partida.

Os pecados mortais completam a obra e cada um simboliza uma cena da vida cotidiana: Ira (dois homens em atitude rancorosa são apartados por uma mulher), Soberba (uma jovem se enfeita diante de um espelho e imagina ver o demônio), Luxúria (alguns casais estão entretidos sob uma tenda, enquanto uma harpa – considerado um instrumento divino – está atirada ao chão), Preguiça (um homem adormecido está de costas para a Bíblia fechada que é vista sobre um banco de igreja), Gula (uma criança obesa e um camponês comem muito e são admirados por uma senhora), Avareza (um juiz aceita ser subornado diante de alguns observadores) e Inveja (um homem tenta seduzir a mulher do vizinho, o qual observa a passagem de um mercador diante de sua casa).

II – Ao período seguinte pertencem suas obras capitais, além de “O Jardim das Delícias”, destacam-se os trípticos abaixo...

► “O Carro de Feno ou Alegoria dos Prazeres Carnais” (The Hay Wain), tríptico, óleo sobre madeira, cerca de 1516, Museu do Prado, Madri – Espanha. Acervo de Felipe II. Dimensões: 147 x 100 cm (painel central) e 147 x 56 cm (painéis laterais). É outra obra que representa a singular imaginação de Bosch. Baseia-se em um provérbio flamengo que diz: “O mundo é como um carro de feno e cada um colhe o que pode”.

No painel central, pintou o carro de feno representando o mundo, puxado por demônios e monstros seguidos por membros de todas as classes... Sobre o carro, alheios ao horrível tumulto que se verifica abaixo, sentam-se aqueles que vivem no pecado da luxúria: um casal de camponeses beija-se no meio da moita enquanto outros se dedicam a uma música lasciva, acompanhados por uma figura demoníaca com nariz em tromba e cauda de pavão, alusão à vaidade. Também são símbolos de luxúria o jarro e o bufão que emergem da moita. Um grande cortejo segue o carro. Entre as figuras a cavalo podemos identificar, vestidos luxuosamente, o Papa, o Imperador e o Rei da França, seguidos pela nobreza; nem sequer os poderosos da Terra estão a salvo da corrupção e do pecado; por outro lado, Bosch mostra-nos o heterogêneo e frenético cortejo. Abaixo, escondido dos olhares dos outros, um frade gordo desfruta da sua parte de feno, reposto por freiras atarefadas num grande saco.

No painel da direita, Bosch pintou uma versão do Inferno, onde os demônios pedreiros constroem uma imensa torre para alojar os pecadores condenados... O carro de feno, símbolo da cobiça humana e dos prazeres enganosos da vida, é levado lentamente até o Inferno, constituído por um grupo de personagens mostruosas, criaturas híbridas, meio seres humanos e meio animais. Entre estas, um peixe com escamas, irônica alusão à pureza já perdida. Uma cabeça cortada precede, como se fosse um estandarte, a demoníaca procissão. No painel da esquerda, ele mostrou o Éden, tendo no alto, Deus Pai... Pintou quatro episódios ligados ao tema da perdição do homem: a queda dos anjos rebeldes, a criação de Eva, o pecado original e a expulsão do Paraíso terrestre.

► “A Tentação de Santo Antão” ou “As Tentações de Santo Antônio” (“La Tentation de Saint Jérôme”, 1500), óleo sobre painel, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa – Portugal. Medidas: 53 x 131 cm (painés laterais) e 119 x 131 cm (painel central). Imagem abaixo, do lado esquerdo da tela. Segundo a história, Santo Antônio (Antão) passou a maior parte de sua longa vida (251-356) no deserto do Egito e, devido a sua piedade exemplar, tornou-se objeto da atenção especial de Satanás...

► “O Último Julgamento” ou “O Juízo Final”, óleo sobre painel, Academia der Bildenden Kuenste, Viena – Áustria. Medidas: 60 x 167 cm (as laterais) e 127 x 164 cm (painel central). Imagem abaixo, do lado direito da tela.

Todos têm alegorias de tom satírico e moralizante, em que o autor deu livre curso à imaginação para plasmar suas ideias sobre o Paraíso terrestre, o pecado, o juízo final e o Inferno...

Com singular domínio dos tons e valorização dos pormenores, Bosch criou um mundo fantástico, povoado de seres de pesadelo, monstros fantasmagóricos e estranhas construções, onde a natureza se confunde com a fantasia. Esse mundo mágico estava presente na cultura da época e aparece também em textos literários, como obras de alquimia, livros satíricos e poemas.

III – Nas obras de sua última fase, entre as quais “Coroação de Espinhos” (abaixo) e o “Cristo com a cruz”, houve uma mudança radical de escala. Bosch abandonou os seres diminutos que povoavam suas paisagens e adotou figuras de meio-corpo em primeiro plano. O simbolismo dessas composições, no entanto, ainda que menos delirante, é tão hermético quanto o das obras precedentes.

Bosch morreu em sua cidade natal em 09/08/1516. Sua influência foi enorme sobre todos os pintores que tentaram penetrar nas fontes do irracional, particularmente os surrealistas.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

“Coroação de Espinhos” – Galeria Nacional, Londres

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FILATELIA

Existem pouquíssimas emissões filatélicas sobre este pintor (Lista de Faltas)...

Uma delas é um bloco e uma série de oito valores de Manamá (dependência de Ajman), emitidos em 1971, cujo bloco mostra um detalhe do retábulo central da obra “O Jardim das Delícias”. Scott?: 745. Michel BF: 155A.

Os oito selos mostram pinturas da escola flamenga (Flemish School of Painting): Bosch, Van der Goes, Rubens, Jordaens, Metsijs e Bou...

Outra emissão é o selo Ajman (lado esquerdo, abaixo; #162) que mostra o painel central do tríptico “A Adoração dos Magos”, do século XVI. As principais características desta obra são as imagens serenas e solenes da Virgem e dos magos, aproximando-se do Menino Jesus com a solenidade típica de sacerdotes celebrando uma cerimônia religiosa.

Até mesmo o presente que o mago mais velho colocou aos pés da Virgem prova que Bosch queria traçar um paralelo entre a homenagem dos Reis Magos e a celebração da Santa Missa. Nota-se um detalhe espetacular na gola do Rei Mago trajando a capa azul: episódios do Antigo Testamento, como a visita da rainha de Sabá a Salomão. Ainda nesta composição é possível identificar a representação dos camponeses (um espreitando curiosamente através de um buraco na parede; outro sobre o telhado do estábulo). No plano seguinte ao do estábulo, o confronto entre cavaleiros completam a obra.

Acima (do lado direito), um dos selos da série de 6 valores mais um bloco emitida por Grenada (Grenadines), na Páscoa de 1976. Os selos mostram pinturas de mestres clássicos: “Coroação de Espinhos” (Christ Mocked – Bosch), Christ Crucified (Messina), Adoration (Durer), Lamentation of Christ (Durer), The Entombment (Van Der Weyden), Blood of the Redeemer (Bellini), The Deposition (Raphael). Scott: 167/172, 173.

Abaixo, selo e carimbo comemorativo de primeiro dia emitido pela Bélgica, na série de 23/02/1991 (Yvert: 2398/2399), com valor facial de 14 + 3 para fundos da Cruz Vermelha (Croix Rouge), cujas imagens mostram uma pequena parte da obra “As Tentações de Santo Antônio”.

Do lado direito, também da Bélgica, o selo emitido em 1958 (Yvert: 1076/1081), compreende uma série de 6 valores: Van Eyck (30c + 20c), Bosch (1F + 50c), Gossart (1,50F + 50c), Lombard (2,50F + 1F), Ensor (3F + 1,50F), Evenepoel (5F + 3F).

Abaixo, o selo da Somália emitido em 2004 (#141?), mostra um detalhe do painel direito da obra “Jardim das Delícias”, “O Inferno”. Veja outro selo com a mesma obra que compõe uma folhinha de Angola!

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Última atualização: 19/11/2009.
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