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TURISMO PELO INTERIOR DE SÃO PAULO

Texto e fotos de Sérgio Eduardo Sakall (2001). Matéria publicada na Revista Além da Pesca Lazer e Turismo, Ano: 03, 06/2001, Edição: 29, matéria Turismo pelo interior de São Paulo, páginas: 30 a 34.

Como tínhamos 3 dias de folga: sexta-feira, sábado e domingo (afinal, nós todos da REVISTA ALÉM DA PESCA necessitávamos disso), resolvemos dar umas voltas pelo interior do estado de São Paulo. Nosso primeiro destino foi Ribeirão Preto. Saímos sem pressa, por volta das 8 horas da manhã. Escolhemos a Rodovia Anhanguera, que por sinal, vem sendo muito bem conservada nesses últimos anos pela AUTOBAN – empresa de iniciativa privada prestadora de serviço público.

Passamos as entradas de Campinas, Americana, Limeira e Rio Claro. Depois de mais de 180 quilômetros (desde a porta do escritório), entramos em Araras para tomar um café e esticar as pernas. É uma cidade típica do interior. Conhecemos a enorme praça Barão de Araras que abriga a Matriz Nossa Senhora do Patrocínio (padroeira de Araras) e a Casa da Cultura – localizada num antigo edifício que já foi até penitenciária. Lá também conhecemos um pequeno zoológico e um lago, ambos no Parque Ecológico da Cidade.

“BARULHO DE PEIXE”

Depois do dito café, passamos pela entrada de Leme. Na estrada vimos milharal, canavial, laranjal, cafezal, entre outros. Resolvemos almoçar em Pirassununga. Este nome estranho, para muitos de nós, tem raízes indígenas e parece significar: “barulho de peixe”. Na entrada da cidade há várias chaminés, de uma antiga indústria desativada, que fotografei.

Lá tem base da Força Aérea, centro do IBAMA e, sobretudo, Pirassununga é um dos lugares onde acontece a famosa piracema (época em que os grandes cardumes de peixes arribam para as nascentes dos rios para desovarem). Tal fenômeno acontece no final do ano, principalmente no começo do mês de dezembro. Por lá, pode-se praticar a pescaria, ou então, degustar diversos tipos de peixes frescos dos vários restaurantes existentes na região, quase em frente a comporta. Tem dourado, tucunaré, piapara, pacú, feitos à milaneza, abafado, com molho, na chapa, frito, na brasa e à passarinho.

Bloco emitido em 2005 (RHM: B-139): Piracema – processo de reprodução dos peixes. Foram utilizadas microletras, inscrições feitas nos selos que só podem ser vistas com o auxílio de lentes de aumento (lupa), proporcionando maior segurança e riqueza de detalhes. Além das micro letras, este bloco teve aplicação de tinta especial e relevo seco (matéria).

Escolhemos o restaurante Beira Rio – “o máximo em peixe”, como o senhor Flávio nos disse. No final, depois das delícias do almoço, fizemos uma caminhada. Fomos até uma praça adornada com um antigo avião e com o busto do Dr. Fernando Costa.

CALIFÓRNIA BRASILEIRA

Pé na estrada. Passamos por Porto Ferreira, Cravinhos e vimos muitas placas indicando: Tráfego de Treminhões. O nosso percurso inteiro desenharia no mapa, mais ou menos, uma pirâmide bem no centro do estado de São Paulo...

Finalmente chegamos em Ribeirão Preto, que fica a 311 quilômetros de São Paulo, pela SP-330. Os hotéis estavam lotados por causa de um evento de agropecuária que estava acontecendo na cidade. Penamos, mas conseguimos achar uma vaga. Lá tem o Aeroporto Leite Lopes, a Igreja Matriz de Ribeirão Preto – Catedral Metropolitana de São Sebastião, a Praça das Bandeiras, o Conjunto Esportivo Municipal Cava do Bosque, o Museu Municipal, o Theatro Pedro II, a Faculdade de Medicina, o Jardim Japonês e a Avenida Jerônimo Gonçalves – com suas tradicionais palmeiras imperiais.

Nota: Selo emitido em 28/12/1957 alusivo ao Centenário de Ribeirão Preto. Yvert: 638. RHM: C-400.

Dizem que Ribeirão Preto é a “Califórnia Brasileira” ou o “Texas do Brasil”. Essa cidade tem uma das mais altas rendas per capita do país e uma vida noturna agitadíssima. Produz café, cana e laranja.

É também parada obrigatória a choperia Pinguim (são duas, bem no coração de Ribeirão, na esquina das ruas General Osório e Álvares Cabral). A serpentina tem mais de 800 metros e fornece mais de 4.500 litros de chope claro e escuro por dia. Já era noite quando enfrentamos uma enorme fila para conhecer a casa de chope mais famosa do país.

Bebi “bem”, imagine se não... Nesse local, comprei de lembrança um pinguim de porcelana – daqueles que nossas avós colocavam em cima da geladeira. Devido a isso, tiraram-me “sarro” até! Foi pura gozação.

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RICAS CURIOSIDADES

De manhã, bem cedo, descemos (no mapa) para Araraquara. É uma boa estrada, na qual vimos plantações de eucalipto e fotografei muitos homens cortando cana-de-açúcar – Rodovia Antonio Machado Sant’anna – na qual pegamos dois focos de chuva localizados...

Chegando em Araraquara, fizemos rápidas visitas ao Aeroporto Bartolomeu de Gusmão, ao Teatro Municipal, a Praça Pedro de Toledo, a Igreja Matriz de Araraquara e a Estação Ferroviária.

Antigamente, alguns dos barões do café pegavam o trem para chegar em Santos, outros, os mais abastados, chegavam em Santos para irem rumo à Europa.

Estação Ferroviária de Araraquara.

Visitamos também uma criação de avestruz. Chama-se SAMUA. É uma fazenda com todas as fases de uma criação, máquinas importadas, instalação moderna e com produção e venda de filhotes. Vale a pena conferir, pois é uma graça ver de perto os filhotes.

Mais tarde, em Jaú, conhecemos a Praça da República e a Praça do Barão do Rio Branco, onde está a Matriz e padroeira – Nossa Senhora de Fátima. Ninguém estava com muita fome por causa do café da manhã servido no hotel de Ribeirão. Almoçamos lanches por lá. Jaú é uma cidade simples; tem uma larga avenida com coqueiros alinhados. Dessa cidade até Barra Bonita (nosso segundo destino) faltavam apenas 30 quilômetros.

Chegamos às 14 horas. Demos sorte, pois um dos passeios de barco para se navegar no rio Tietê (1.100 quilômetros de extensão), passando-se pela Eclusa da usina hidrelétrica, sairia dentro de pouco tempo. Esse sistema é um tanque de concreto que funciona como elevador de barcos (por gravidade), transportando-os por um desnível de 26 metros entre o rio e a represa. A aventura dura, mais ou menos, uns 20 minutos para subir e o mesmo tempo para descer. Uma porta de 120 toneladas que permite a entrada ou a saída dos barcos à medida que o nível da água sobe ou desce no tanque.

Zarpamos às 14:40. Navegávamos a 10 nós. Vimos biguás e garças, aves que pescam uns 8 mandis-chorões por dia para se alimentarem. Na parte de baixo da Eclusa, a profundidade é de 3,5 a 15 metros. Já na parte de cima da barragem tem 30 a 40 metros.

Antigamente, barra, era o nome que se dava para a margem do rio. Essas mesmas barras tinham boa terra para a plantação da cana-de-açúcar e também argila da melhor qualidade. Por isso Barra Bonita leva este nome e é uma das maiores produtoras de telhas do país.

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Visitamos o mirante, a Praça do Artesanato e dormimos por lá, de sábado para domingo, num hotel do tipo “BBB” (bom, bonito e barato), portanto recomendamos – Turi é o seu nome. Lá também estava ocorrendo um evento: segundo encontro dos amigos de carros antigos. Esse nós tivemos a oportunidade de conferir de perto.

ÚLTIMO DESTINO: O MELHOR!

Domingo, saímos para o nosso último destino – Águas de São Pedro, pouco mais das 9 horas da manhã. Fizemos uns “caminhos de rato”. Vimos café, laranja e cana, muita cana-de-açúcar. Passamos pelas entradas de Mineiros do Tietê, Dois Córregos, Torrinha, Santa Maria da Serra e, finalmente, chegamos a Estância Turística de São Pedro.

Inicialmente, São Pedro era coberta por imensas matas sobre as encostas até as planícies. Essas áreas eram habitadas pelos índios Paiaguás, possivelmente da tribo dos Carijós que viviam em grupos e dedicavam-se à caça e à pesca. Por volta de 1807, com a abertura de um caminho ligando a Sesmaria do Limoeiro à Vila da Constituição (atual Piracicaba), houve prosseguimento desse caminho no sentido oeste que se tornou conhecido como Picadão. Lá existem bosques e matas com trilhas naturais, e muitas cachoeiras. Pé na estrada novamente.

Como era sentido leste, o Sol, bem na frente do pára-brisa, cegava as nossas vistas. Nem o pára-sol do carro adiantava. Percorremos mais 6 quilômetros e chegamos em Águas de São Pedro.

Cidade localizada numa região rica em turismo ecológico, onde encontramos dezenas de cachoeiras, grutas, trilhas, tudo em meio a uma exuberante vegetação. Foi eleita pela ONU, uma das melhores, senão a melhor cidade do Brasil em qualidade de vida. Trás o título também de menor município do país, com 3,7 quilômetros quadrados de área, projetado para ser uma estância voltada para a saúde e o lazer.

Esta cidade originou-se de várias prospecções para encontrar petróleo, o que não aconteceu. Mas surgiram 3 fontes de águas minerais de grande valor medicinal. Portanto, beba da água mineral das fontes: Gioconda e Almeida Salles, e tome banho de imersão na Fonte da Juventude que tem águas sulfurosas, ideais para reumatismo, diabetes, alergia, asma, colites, intoxicação, inflamações e doenças de pele.

FONTE DA JUVENTUDE

A Fonte da Juventude é a primeira das Américas e segunda do mundo em teor de enxofre para banhos de imersão. Perde somente para a Fonte Pergoli, Tabiano – Itália. Dessa fonte deve-se tomar de 50 a 80 ml. por dia. Após 24 horas da retirada da fonte, a validade da água perde seu valor medicinal. Foi nessa que resolvemos entrar. Tomamos banho de imersão, de vapor, sauna e eu usei a ducha circular e até a ducha escocesa (um jato de água com forte pressão, regulado por um homem que fica direcionando o tal jato no corpo do banhista).

A Fonte Almeida Salles tem água bicarbonatada sódica, indicada para o tratamento de azia, excesso de acidez gástrica, cálculos renais e diabetes. Já a Fonte Gioconda tem água sulfatada sódica radioativa, indicada para o tratamento de males do fígado, vesícula biliar e intestinos. Outros pontos turísticos de Águas de São Pedro: Parque Moura Andrade, Balneário Municipal, Capela Nossa Senhora Aparecida (na qual toda a primeira Sexta-feira de cada mês é celebrada uma missa às 19 horas), Bosque Municipal, Ciclovia, Mini Horto e Lago das Palmeiras. Na estação do inverno acontece o tradicional bufê de sopas da estância, no qual todos se aquecem com requinte e sabor. Também perto de lá existe um parque completo para o lazer, com 11 piscinas, vários toboáguas e tudo o que um parque aquático pode oferecer – Thermas Regional de São Pedro.

Enfim, passamos por Piracicaba e depois voltamos para São Paulo pela Rodovia dos Bandeirantes. O velocímetro do carro marcava no final 950 quilômetros! Nem imaginávamos percorrer tanto. Foi como conhecemos parte do interior de nosso estado.

Nossos 3 dias de folga foram deliciosos. Assim que tivermos outra oportunidade já combinamos: todos da REVISTA ALÉM DA PESCA iremos nos aventurar por outras terras. Então, deixamos uma sugestão para todos vocês – façam turismo pelo interior do nosso estado, vale a pena!


PIRASSUNUNGA:
Restaurante Beira Rio Ltda. – Avenida Rosa Senhorini Zero, 36 – Cachoeira de Emas, CEP: 13630-000

ARARAQUARA:
SAMUA – Fazenda Três Irmãs. Avenida Napoleão Selmi Dei s/nº – CP: 91. CEP: 14802-500

CALENDÁRIO DE EVENTOS PARA SÃO PEDRO:
Julho – Festival de Inverno / Festa do Peão de Rodeio / Enduro Equestre
Agosto – Festival de Aerodesportivo
Eventos ocasionais: Operação Gavião – FAB (Treinamento) / Raid Jeep (Passeio das Montanhas) / Expoflora (Holambra) / Enduro Equestre (Provas de Hipismo) / Enduro das Águas / Feira de Cães & Cia / Encontro de Cowboys / Encontro de Motos / Copa do Cavalo de Trabalho.

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Campinas

Campinas foi fundada em 14/07/1874... Foi no Teatro São Carlos onde ocorreu, em 1897, a primeira exibição de “cinematógrafo” – “aparelho que reproduzia os movimentos da vida”, exibido na Europa, em 1895, pelos Irmãos Lumière...

27/10/1974 – Selo “Centenário da Cidade de Campinas”, com valor facial de Cr$ 0,50 centavos, o selo mostra um ramo de café com frutos... Picotagem: 11 × 11½. Tiragem: 1.000.000 selos. Impressão: Ofsete. Papel: Cuchê gomado, fosforescente. Yvert: 1122. Scott: 1366. Michel: 1458. RHM: C-863.

27/06/1987 – Selo “Centenário do IAC – Instituto Agronômico de Campinas”, com valor facial de Cz$ 2,00 cruzados, o selo mostra vegetais e a fachada do Instituto ao fundo... Inaugurado pelo Imperador D. Pedro II, que há mais de um século é referência nacional e internacional de pesquisas... Picotagem: 11½ × 12. Tiragem: 3.000.000 selos. Impressão: Ofsete. Papel: Cuchê gomado. Yvert: 1839. Scott: 2106. Michel: 2218. RHM: C-1553.

Rua 13 de Maio e Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição: um marco da riqueza do café no desenvolvimento de Campinas. É uma das maiores construções em taipa de pilão da América Latina, com grande conjunto de altares entalhados em cedro, na linha rococó baiano, demorou mais de 70 anos para ser construída e sofreu várias reformas. Seu interior abriga o Museu de Arte Sacra de Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Abaixo, monumento ao campineiro Campos Sales, um dos presidentes que se revezavam na política do “Café com Leite”. De granito, o monumento-túmulo, obra do escultor Rodolfo Bernadelli ostenta a estátua de corpo inteiro em bronze. Na base, uma figura de mulher também em bronze representa a cidade.

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Holambra

A pequena cidade de Holambra, no interior de São Paulo, nasceu da imigração holandesa, logo após a Segunda Guerra. O nome da cidade é formado pela junção das palavras: Holanda – América e Brasil. O início não foi nada fácil para os imigrantes. O gado que eles trouxeram acabou por ser dizimado por doenças tropicais, mas a perseverança das famílias acabou por levá-los a importar sementes e mudas, fortalecendo a vocação para o cultivo de flores e plantas ornamentais. O resultado dessa perseverança está presente hoje em toda a cidade, que tem características arquitetônicas e culturais de seu povo de origem, sendo atualmente o maior produtor de flores e plantas do continente latino-americano.

Como nasceu a Expoflora

Em 1981 um grupo de produtores e apaixonados por plantas e flores criaram uma exposição para mostrar a variedade e beleza de seus produtos. Com o passar do tempo, o evento ganhou corpo e consolidou-se, transformando-se numa bem montada e organizada exposição em um grande parque, com diversos ambientes, dotado de locais para lazer, restaurantes e algumas atrações, como uma chuva de pétalas de rosa que acontece todas as tardes. Durante a festa (todos os anos em setembro), logo após a parada das flores, um canhão dispara as pétalas sobre o público, que ao longo do tempo criou uma lenda: quem conseguir apanhar uma pétala no ar terá um desejo realizado. Uma área da feira é destinada a exposições temáticas e compõe-se de diversos ambientes, que recebem decoração e ambientação floral, com plantas de diversos tipos. A cada ano surge um novo espécime e a coqueluche desse ano é uma espécie exótica de samambaia africana, que promete fazer muito sucesso.

Como chegar lá: Se você for de automóvel o acesso é feito pela rodovia Campinas – Mogi Mirim, altura do quilômetro 141.


Lorena

Lorena está no Vale do Paraíba, entre as Serras da Mantiqueira e da Bocaina. É servida pela Rodovia Presidente Dutra, distando 182 quilômetros de São Paulo e 225 quilômetros do Rio de Janeiro; pela Rodovia BR 459 que faz a ligação com o Sul de Minas e pela Rodovia Washington Luís a SP 66 que liga ao fundo do Vale.

Lorena integra o Roteiro Religioso do Vale do Paraíba, distando 18 quilômetros de Aparecida onde se encontra a Basílica Nacional dedicada a Nossa Senhora da Conceição Aparecida – Padroeira do Brasil; a 12 quilômetros de Guaratinguetá, onde se encontra a Igreja dedicada a Frei Galvão (filho da cidade).

Lorena possui a única Basílica Menor, no mundo, dedicada a São Benedito uma construção em estilo gótico francês e a Catedral dedicada a Nossa Senhora da Piedade, obra do arquiteto e engenheiro Ramos de Azevedo.

Lorena foi porto fluvial e local de travessia a margem esquerda do Rio Paraíba para aqueles que estavam de passagem com destino as Minas Gerais. Esta passagem foi marcante para a vida e obra de muitos desbravadores que elegeram Nossa Senhora da Piedade sua Santa de Devoção e consequentemente Padroeira de diversas cidades que fundaram no estado de Minas Gerais...


O hidroavião Jaú (Savoia Marchetti S-55), cujo nome presta homenagem à cidade de Jahu, hoje, está na cidade de São Carlos

Pouca gente tomou conhecimento de um fato ocorrido em Fernando de Noronha, quando da chegada do monomotor Jaú no Arquipélago, em 28/04/1927. A chegada da aeronave alvoroçara aquela comunidade insular prisional, sendo-lhes preparada uma homenagem no “Clube Lítero Atlético Quinze de Novembro” e a hospedagem na casa do próprio diretor do Presídio, Manoel Pinheiro de Menezes Filho (Marieta)...

4ª TRAVESSIA AÉREA DO ATLÂNTICO SUL – CONQUISTA BRASILEIRA

João Ribeiro de Barros pede auxílio ao governo brasileiro para empreender o mais sensacional reide da época: ligar pelos ares a Itália ao Brasil, de Gênova a São Paulo, com um único aparelho e sem a ajuda de navios. O governo do Presidente Washington Luis negou-se a ajudá-lo... Em meados de junho de 1926, Barros parte para a Itália juntamente com seu amigo, Vasco Cinquini. Barros adquiri um hidroavião avariado (Savoia Marchetti, modelo S-55, batizado de “Alcione”), no qual promove diversas reformas e que foi rebatizado de “Jahu”, em homenagem à sua cidade natal.

Partem de Sesto Calende para Gênova em 13/10/1926. Em 18/10/1926, o Jaú decola de Gênova. Após algumas horas de voo, notaram um baixo rendimento dos motores, e amerissaram em Alicante, na Espanha, mas como a cidade não estava na rota, as autoridades ordenaram que fossem presos, alegando serem contrabandistas e só conseguiram a liberdade com a intervenção do Consulado Brasileiro. Em 19/10/1926 partem para Gibraltar, no sul da Espanha, percebem, então, que há algo errado com o combustível. Barros solicita uma investigação ao Cônsul Brasileiro em Gibraltar que nomeia uma comissão e comprova a primeira sabotagem: sabão, água e terra haviam sido colocados na gasolina obrigando-os a esvaziarem os tanques e substituírem toda a gasolina. O Jaú retoma os ares em 25/10/1926 e novamente os motores voltam a falhar, exigindo novo pouso de emergência, agora em Las Palmas, Gran Canária.

Decolam de Las Palmas e pousam em Porto Praia no arquipélago de Cabo Verde. Mas ocorre um pequeno acidente, quando traziam o Jaú ao seco para reparos, danificam um dos botes, necessitando conserto especializado. Desmontam os motores para manutenção e descobrem a segunda sabotagem: um pedaço de bronze colocado propositalmente no cárter que só não destruiu o motor, devido ao seu peso, que o manteve no fundo do cárter. Neste meio tempo o copiloto Arthur Cunha rebela-se e é desligado da tripulação. Outro entrave: conseguir um novo piloto. Ele recebe um telegrama do presidente, ordenando-lhe que interrompesse o reide... Como se não bastasse, Barros é acometido por crise de malária, ameaçando desistir do reide e voltar para o Brasil de navio, mas um telegrama de sua mãe o encoraja, ele retoma o ânimo e retorna ao reide, agora com o copiloto João Negrão, da Força Pública de São Paulo, que chegou do Brasil em março de 1927.

Os brasileiros João Ribeiro de Barros (comandante), Newton Braga (navegador/desligado), João Negrão (tenente copiloto) e Vasco Cinquini (mecânico), partem às 4h30 da manhã, do dia 28/04/1927, da Ilha Santiago (Porto Praia), no arquipélago de Cabo Verde rumo ao Brasil, para o salto de 2.400 quilômetros no Atlântico. A velocidade média dessa histórica viagem foi de 190 km/h – recorde absoluto por dez anos consecutivos. Após 12 horas de voo ininterrupto, um forte estampido: a hélice traseira sofrera uma avaria... O Jaú faz um pouso de emergência em pleno oceano e amerissam próximo de Fernando de Noronha com uma hélice danificada. Um navio cargueiro italiano (“Ângelo Toso”, que passava no momento do pouso) o reboca até a enseada norte de Fernando de Noronha (às 17h). Substituem a hélice por outra, vinda do Recife e partem para Natal no dia 14/05/1927. Nota: Eles permaneceram na ilha por 16 dias (de 28/04 a 14/05/1927).

O Jahu nas águas de Fernando de Noronha, com o Morro do Pico ao fundo; abril de 1927.

Tripulantes do Jaú e diretor da ilha...

No dia 06/06/1927 decolam de Natal e após um voo de pouco mais de uma hora, sobrevoam Olinda e pousam em Recife. Os aviadores desembarcaram e foram levados nos ombros até o “Parque Hotel” onde se recolheram como hóspedes do Estado. Festas, homenagens, banquetes, bailes e recepções marcaram a passagem dos aviadores pela encantadora Mauriceia. No Recife, incorpora-se na tripulação, o mecânico da Marinha do Brasil, Suboficial Antônio Machado Mendonça, que havia prestado serviço para o Comandante português Sarmento de Beires no “Argos”, que se acidentou na costa do Pará. Na época ainda não existia a arma da Aeronáutica e a tripulação ficou então com representantes do Exército, da Marinha, Civil e da Força Pública. O Jaú deixou Recife no dia 26/06/1927... Depois pousou ainda em Salvador no mesmo dia, no Rio de Janeiro em 05/07/1927 e Santos em princípio de agosto de 1927. Finalmente amerissam na represa de Santo Amaro, hoje, represa de Guarapiranga, ainda em agosto de 1927.

Já em 1929, dois anos depois do feito, o comandante deste avião foi homenageado através de selo postal, em uma série de 5 valores alusiva a Aeronáutica, cujo selo de 1.000 réis (RHM: A-21) mostra a data 05/07/1927, o Jaú sobrevoando o Rio de Janeiro e o nome do piloto Ribeiro de Barros. O exemplar mostrado abaixo é o selo na variedade com deslocamento do picote + transparência (R$20). Notas: Na coleção há um bloco de 6 selos com triplo picote na lateral direita (R$90). Também um exemplar do outro selo aéreo (RHM: A-30) em quadra (R$35).

17/10/1977 – Série de 2 valores “Homenagem a Aviação Civil”, cujos selos com valor facial de R$ 1,30 cada, mostram: Dirigível Pax e Hidroavião Jaú – comemorando os “50 Anos do Raid Jahu”. RHM: C-1009/C-1010. Notas: Há o Edital 27/1977 com carimbos CPD e CBC São Paulo... Também o Envelope Catalogado sob nº 135...

Abaixo (do lado esquerdo da tela), FDC particular com o selo Jaú obliterado em 17/10/77 (R$5) e um envelope com uma quadra do selo Jaú circulado do Rio de Janeiro para a Alemanha em 22/10/1977 (R$8).

Do lado direito, carimbo comemorativo “Exposição Filatélica 126º Aniverº, Cinquentenário do Raid Itália-Brasil de João Ribeiro de Barros – Jau – SP, 19 a 20/08/1979”, cuja imagem mostra o mapa ou itinerário da rota incluindo a ilha Fernando de Noronha. Catálogo Zioni: 2915. Contribuição de Antônio Carlos em 26/06/2010.

O hidroavião Jaú, primeiro avião a cruzar o Atlântico sul, é o único “sobrevivente” mundial entre as 170 aeronaves Savoia Marchetti S-55 produzidas na Itália durante a década de 20. Ele foi preservado pela Fundação Santos Dumont (santosdumont.org.br) – entidade mantenedora que inaugurou em 16/10/1960 o Museu de Aeronáutica de São Paulo, onde por muitos anos o Jaú ficou exposto. Esse museu encerrou suas atividades nos anos 90 e seu acervo se dispersou ao ser removido do espaço que ocupava no Parque do Ibirapuera. O Governo do Estado de São Paulo, através da Lei Estadual nº 9.933/98, instituiu a data de 28 de abril como comemorativa da Travessia do Atlântico.

Por ocasião das comemorações dos 500 Anos de Descobrimento do Brasil (2000), parece que parte do acervo do museu foi transferido para o Centro Municipal de Campismo (Cemucam), um parque pertencente à Prefeitura de São Paulo, localizado na cidade vizinha de Cotia... Desmontado, o hidroavião ficou alojado em um hangar do Grupamento de Radiopatrulha Aérea “João Negrão”, mais conhecido como “Grupo Águia”, da Polícia Militar do Estado de São Paulo (GRPAe), no Campo de Marte.

Tombado em 2002 como patrimônio histórico de São Paulo, o Jaú foi transferido para a empresa Helipark que restaurou a aeronave. Placa do restauro: O hidroavião Savoia Marchetti S55, denominado “Jahú”, do comandante João Ribeiro de Barros, foi restaurado no período de abril de 2004 a outubro de 2007, pela empresa Helipark Manutenção Aeronáutica Ltda. (helipark.com.br), Carapicuíba (SP), 26/10/2007. Hoje, o Jaú está em exposição no Museu da TAM, reaberto em 13/06/2010, localizado em São Carlos, a 250 quiômetros da cidade de São Paulo, aproximadamente.

Museu TAM – “Asas de um Sonho” (museutam.com.br)
Endereço: Rodovia SP 318, km 249,5 – Água Vermelha
São Carlos (SP) – CEP: 13578-000 (aberto de quarta a domingo das 10h às 16h)
Coordenadas Aéreas: Latitude 21°52’35” S | Longitude 047°54’12”W

No dia 07/06/2012 foi aberta a exposição do pesquisador e colecionador de assuntos relacionados ao hidroavião Jaú e a Travessia do Atlântico, Alexandre Ricardo Baptista, que através de ítens de sua coleção mostrou as influências que o Jaú exerceu em diversas áreas na época da Travessia do Atlântico. Em novembro de 2012 Alexandre gravou uma entrevista para o Programa “Informe-se” da TV Unisa (Universidade de Santo Amaro), afiliada da Rede Globo na região de São Carlos, que foi exibida no Canal Universitário (11 da NET, ou 71 e 187 TVA), entre 10 a 16/12/2012.

Links da entrevista sobre o Hidroavião Jahú, dividida em 2 blocos:
Bloco 1 (youtube.com/watch?v=VNxUSckRffc) e Bloco 2 (youtube.com/watch?v=9IMNUNxGnKw).
Matéria sobre a exposição ocorrida em julho/julho de 2012 no Museu TAM, em São Carlos: (youtube.com/watch?v=BqUtW9DIDL0).

Já em 2010, Alexandre foi convidado pela Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que lhe solicitou um texto com a história da Travessia para ser usado como apresentação de dois vídeos sobre a chegada do Jaú no Brasil (http://bndigital.bn.br/redememoria/jahu.htm). Em 28/04/2013, no Museu Municipal de Jahu (Avenida João Ferraz de Neto, 201 – Jahu) foi aberta a exposição “Jahú – Influência de uma época”, em comemoração aos 86 anos do voo do Jaú.

Miniatura em metal do avião “Savoia Marchetti S55 – JAHÚ”, João Ribeiro de Barros, 1926-1927. Escala: 1/96. Medidas: 25 (asas) cm × 17 cm.

Notas Ortográficas (embora haja controvérsias):

Jahu – Quando se refere a cidade ou município, Prefeitura Municipal de Jahu, oficialmente a palavra deve ser escrita com “h” medial (intermediário), a exemplo do topônimo (nome de lugar) “Bahia”; no entanto o sítio na internet (jau.sp.gov.br) e o selo postal abaixo não grafaram a palavra com a letra h...

Jahú – Era como se grafava o nome da cidade nos idos de 1900... Atualmente, usar a forma Jahú está em desacordo com as regras gramaticais, além de ser uma grafia anacrônica (antiquada, obsoleta).

Jaú – Há tempos a palavra Jahu perdeu a letra H e a letra U ganhou acento agudo, segundo regra de acentuação que perdura até hoje. Portanto a grafia jaú é usada para o hidroavião, para uma determinada espécie de peixe, para nome de rio e parque etc.

Em 15/08/1953 foi emitido o selo “Centenário de Fundação da Cidade de Jaú 1853-1953”, com valor facial de Cr$ 1,20 cruzeiros, sua imagem mostra o Brasão da cidade (águia, peixe etc), o lema (IBICA RE IG) e a localização de Jaú no mapa do estado de São Paulo. RHM: C-304.

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Última atualização: 23/12/2013.
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