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ESTADOS DE MATO GROSSO (MT)
E MATO GROSSO DO SUL (MS)

Viagem realizada em agosto de 2005. Ambos estados têm uma hora a menos em relação à Brasília. “Atrações” desta página: Cuiabá, Transpantaneira, Alta Floresta, Campo Grande, Pantanal, Rio Paraguai, Corumbá e Miranda. Veja também as páginas: Bonito e Chapada dos Guimarães!

01/03/1957 – Selo Centenário do Nascimento do Desbaravador dos Pantanais Mato-Grossenses, Joaquim Eugênio Gomes da Silva, com valor facial de Cr$ 2,50 cruzeiros... Yvert: 627. RHM: C-386.


História

Muito antes do descobrimento do Brasil, os índios Guaicurus dominavam toda a região do Pantanal. Os Xavantes, a mais importante tribo da região, dizimados e expulsos de suas terras localizadas entre os rios Araguaia e Tocantins. Atualmente, encontram-se confinados em reservas indígenas distribuídas pelo território mato-grossense.

Deve-se também levar em consideração que, de acordo com recentes pesquisas em dezenas de sítios arqueológicos da região mato-grossense, onde foram encontrados inclusive ossos de animais pré-históricos como preguiças gigantes e tigres de dente-de-sabre, há evidências da presença do homem pré-histórico, grupos de caçadores/coletores e ceramistas, anteriores ao desenvolvimento das culturas indígenas conhecidas.

A área brasileira pertenceu à Espanha pelo Tratado das Tordezilhas, assinado em 1494, onde se localiza o Pantanal, foi ignorada pela certeza de que eram inesgotáveis as minas de ouro e prata do México, Peru e Bolívia. Diante dessa atitude dos espanhóis, os portugueses, já a partir de 1525, começaram a explorar a região.

Mais tarde, as Bandeiras vasculharam todo território à procura de ouro, pedras preciosas e principalmente à caça de índios para os trabalhos na lavoura, já que o preço dos negros escravos estava acima das posses dos moradores da província de São Paulo.

Embora, no início do século XVII, a Espanha tenha procurado barrar esse movimento, incentivando a construção de missões ao longo dos rios Paraguai e Paraná, a cargo dos padres jesuítas, a ocupação portuguesa já se consolidava.

Após a Guerra dos Emboabas, os paulistas, alijados da região das Minas Gerais, reorientaram as Bandeiras em busca de novas jazidas auríferas. Foi assim que o bandeirante Pascoal Moreira Cabral descobriu as minas de Cuiabá, em 1718.

Diante desta descoberta, o rei D. João V de Portugal, em 1748, resolveu reorganizar a administração daquela área para facilitar a fiscalização. Separou a região em duas partes, criando dois governos próprios. Surgiram assim as Capitanias de Mato Grosso e de Goiás.

Portugal e Espanha, após longas negociações, assinaram o Tratado de Madri, em 1750, oficializando a ocupação portuguesa. Em troca da colônia de Sacramento muito cobiçada pela Espanha, a coroa portuguesa recebeu todo o vale do Amazonas, com as áreas correspondentes aos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Rio Grande do Sul, onde se multiplicavam cidades e vilarejos.

Porém, com o esgotamento das minas durante o século XIX, a região entrou em declínio, ficando abandonada por longo tempo. Somente no início do século XX voltou a prosperar com a chegada de seringalistas, de plantadores de erva-mate e soja e sobretudo de pecuaristas, reunindo um dos mais significativos rebanhos de gado bovino e tornando-se a última grande fronteira agrícola do Brasil.

Em 1977, com a separação, o Estado de Mato Grosso do Sul ficou com dois terços das ricas fauna e flora do Pantanal.

Até as primeiras décadas deste século, a região era visitada praticamente apenas por expedições científicas, para conhecimento de sua fauna e flora exuberantes. Nessa época, o Pantanal recebeu um visitante ilustre. O antropólogo francês, Claude Lévi-Strauss, encontrou no Centro-Oeste brasileiro a inspiração para renovar a antropologia.

O que marcou esta época foram as expedições chefiados pelo Marechal Rondon que percorreram Mato Grosso até Rondônia e o Acre até Manaus, construindo milhares de quilômetros de linhas, várias estações telegráficas, descobrindo acidentes geográficos e sobretudo mantendo relações pacíficas com os índios...
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Cuiabá – Capital do Estado de Mato Grosso (MT)
Veja Bandeira do Estado de Mato Grosso!

Foi a capital da única Mato Grosso que existia... No teatro localizado dentro da Universidade Federal de Mato Grosso (Cuiabá), são encenadas peças regionais... O zoológico fica próximo...

Abaixo, Catedral do Senhor do Bom Jesus (vista do prédio da Prefeitura), na Praça da República, tem uma fachada contemporânea e vitrais azuis e verde, no altar, há um enorme mosaico de Cristo montado por crianças.

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Transpantaneira

Atravessa o Pantanal mato-grossense a partir de Poconé e termina em Porto Jofre, na divisa com Mato Grosso do Sul. É verdadeiramente emocionante o espetáculo natural e a magia que o caminho proporciona. Durante a seca, milhares de animais se concentram nas laterais alagadas da pista, onde podem ser vistos, bem de perto, jacarés, cobras, tuiuiús, tucanos e araras.


Poconé

Porta de entrada do Pantanal para quem vem de Cuiabá, ainda sobrevive da pecuária e do que resta da garimpagem do ouro. Seu acesso se dá pela Transpantaneira, estrada que apresenta em seu percurso numerosas pontes de madeira e torna-se intransitável durante a época das chuvas. É interessante visitar a mina de ouro...

Alta Floresta

A cidade de Alta floresta está localizada no extremo norte do estado do Mato Grosso. O Hotel de Selva The Cristalino Lodge localiza-se no rio Cristalino, que nasce na Serra do Cachimbo e é um dos afluentes da margem direita do Rio Teles Pires. A região encontra-se em terras altas da vertente sul da bacia hidrográfica do rio Amazonas. Com mais de 570 espécies de aves catalogadas, a região de Alta Floresta e da Bacia do Rio Cristalino é um local fantástico para observarmos aves como o pavãozinho-do-Pará, o capitão-de-bigode-de-cinta, o uirapuru-verdadeiro, o peitoril, o cabeça-encarnada, o anambé-azul, o arapaçu-de-bico-comprido, a coruja-preta, o caburé-da-amazônia, a marianinha, o anacã, o bacurau-tesoura-da-amazônia, o bacurau-de-lajeado, o araçari-de-pescoço-vermelho, a choca-d'água, o benedito-de-testa-vermelha.


Campo Grande – Capital do Estado de Mato Grosso do Sul (MS)
Veja Bandeira do Estado de Mato Grosso do Sul!

Miranda

A cidade de Miranda teve sua Emancipação em 16/07/1778, quando João Leme do Prado erguia um reduto para defender a região sudoeste da Província de Mato Grosso contra ataques de bandoleiros que vinham da fronteira, dando-lhe o nome de Presídio de Nossa Senhora do Carmo do Rio Mondego.

Mais tarde, seu nome foi mudado para Rio Miranda, homenagem ao Capitão Caetano Pinto de Miranda Montenegro. Posteriormente a vila passou a ser chamada apenas de Miranda. Seu passado é coberto de glória e seu chão regado com sangue dos heróis do passado, pois a região foi palco de inúmeras batalhas da Guerra do Paraguai.

Situada próxima à Serra da Bodoquena, está na metade do caminho entre Campo Grande e Corumbá (distância de Campo Grande – 205 km). Com mais de 200 anos, Miranda possui edificações centenárias, como a primeira usina de açúcar do estado, hoje em ruínas, mas que deverá, em breve, ser transformada em museu. A cidade de Miranda faz limites com os municípios de Aquidauana, Corumbá, Bodoquena, Bonito e Anastácio.

Na Fazenda San Francisco (Miranda) tem uma grande área ocupada com plantação de arroz... Atrações: palestras do Projeto Gadonça, pastos com gados e búfalos (foto acima), chalana com pescaria de piranha em um corixo (foto abaixo), focagem noturna (o que eu mais gostei), safari fotográfico, entre outros...

Se você for até Corumbá, localizada no extremo oeste do estado, prefira a antiga estrada de terra (Astra na foto abaixo) que ligava a cidade à capital Cuiabá. Existe a rodovia asfaltada, a qual é mais ou menos paralela a esta que, hoje, leva o nome de Estrada Parque. Centenas de jacarés e pássaros são vistos pelo caminho.

Na Fazenda Arara-azul (Estrada Parque) a gente “sente” que está no Pantanal!

Estrada Parque, quilômetro 38 – Corumbá (MS)
Sr. José Luiz R. Marcelino – Telefone: (67) 9987-1530
fazendaararaazul@hotmail.com – www.fazendaararaazul.com.br

Amanhecer na Fazenda Arara-azul, um passeio inesquecível!

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Corumbá

Porto fluvial cuja importância econômica no passado encontra-se inscrita na arquitetura dos casarões construídos durante o século XIX. Com a maior parte de seu território dentro do Pantanal, atualmente investe na pesca e no turismo ecológico.

Considerada a “Capital do Pantanal” com a maior extensão territorial, 62.561 km². De Corumbá a Porto da Manga pode-se observar as grandes escarpas de um maciço rico em hematita compacta cimentada por óxido de ferro. Por isso, os indígenas o chamaram de Urucum, nome de uma planta cuja semente servia para fazer uma tinta vermelha com que os índios pintavam o corpo e o rosto.

Bonito

Porto Murtinho – Porto fluvial, na parte sul do Pantanal, cujo acesso se faz por longos trechos de estrada de terra desde Guia Lopes da Laguna. Localiza-se num dos trechos mais piscosos do rio Paraguai.

Aquidauana – Porta de entrada do Pantanal pelo lado sul, de onde saem estradas de terra para Tupaceretâ e Barra Mansa, para Cipolândia e Jacobina, pequenas cidades no interior do Pantanal.

Cáceres – Localizada numa das entradas do Pantanal, pelo lado norte, assegurou um lugar no Guiness Book, pela realização do maior torneio de pesca em água doce.

Barão de Melgaço – Típica cidade pantaneira. A arquitetura de suas casas, construídas no século XIX, lembra um passado quando a cidade se concentrou numa das mais importantes regiões açucareiras do país.

Porto Jofre – Numa localização privilegiada, a cidade é considerada o coração do Pantanal. O prenúncio de chuvas, a explosão da flora, a exuberância da fauna, tudo que possa revelar as características da região com maior intensidade encontra-se nesta cidade tipicamente pantaneira.


Pantanal

Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense

Consideração inicial relevante da língua portuguesa: na palavra mato-grossense é usado o hífen, pois este sinal ortográfico é obrigatório nas palavras derivadas de um nome próprio constituído de dois ou mais termos ou de uma expressão...

Quando usar maiúscula ou minúscula na palavra mato-grossense? Quando nos referimos ao nome próprio é usada letra inicial maiúscula, como: Pantanal Mato-Grossense (o lugar, a região), Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense (o lugar, o parque, a reserva). Quando nos referimos ao adjetivo é usada letra inicial minúscula “mato-grossense” (quem é natural de Mato Grosso). Plural: mato-grossenses. Mato-grossense-do-sul é o adjetivo usado para aquele que nasceu ou é habitante de Mato Grosso do Sul. Plural: mato-grossenses-do-sul.

Com uma área de 135.000 ha, o parque localiza-se no extremo sudoeste de Mato Grosso, na confluência dos rios Paraguai e Cuiabá, pertencendo ao município de Poconé. É a região mais selvagem do Pantanal, oferecendo o espetáculo de sua fauna. O acesso ao parque só é feito de barco, mas o Centro de Visitantes fica em Poconé.

O Pantanal possui uma área de 210 ou 250? mil quilômetros quadrados, aproximadamente, divididos em três países: Paraguai, Bolívia e Brasil. É a maior área alagável do mundo!

Ao lado, o “se-tenant” de 3 valores emitido em 05/06/1984 forma um tríptico que retrata a fauna e a flora do Pantanal Mato-Grossense. RHM: C-1395/C-1397.

  1. Selo 65 cruzeiros: cervo-do-pantanal e garças.
  2. Selo 65 cruzeiros: onça-pintada, capivara e colhereiro.
  3. Selo 80 cruzeiros: jacaré-do-pantanal, tuiuiú e cardinais.

Composto por um rico mosaico de vegetação, com áreas de mata seca, florestas ribeirinhas, cerrados e pântanos. É uma das melhores regiões no Brasil para a observação de aves de grande porte e mamíferos.

Segundo a WWF (1999), existem no Pantanal 650 espécies de aves, 80 de mamíferos, 260 de peixes e 50 de répteis!

As paisagens abertas do Pantanal facilitam o recenseamento aéreo das populações de grandes vertebrados. Estima-se, por exemplo, que existam, hoje, 10 milhões de jacarés, 600 mil capivaras, mas somente 35 mil cervos-do-pantanal...

Essa imensa planície abrange no território brasileiro, aproximadamente 140.000 quilômetros quadrados divididos entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A palavra Pantanal não define uma área apenas pantanosa como o nome sugere, pois não são águas paradas e lodosas e sim águas em movimento, pois formam vazantes, corixos, e também lagoas de águas salobra, que são as salinas.

O Pantanal é uma imensa bacia intercontinental e está cercado ao norte pelas Serras dos Parecis, Azul e do Roncador (chapadas mato-grossenses); a leste, no Planalto Central (Planalto Brasileiro), com a Serra de Maracajú, ao sul pela Serra de Bodoquena e, a oeste, pelos chacos paraguaio e boliviano.

A região pantaneira é influenciada por quatro grandes biomas:

  1. ao norte, temos influência da Floresta Amazônica;
  2. ao Sul, da Mata Atlântica;
  3. a leste, do Cerrado;
  4. e a oeste do Chaco boliviano e paraguaio.

Essas influências tornam o Pantanal um complexo com diferentes características em cada região.

O pantanal é dividido em sub-regiões, as quais recebem diferentes nomes. Existem diferentes autores que dividem o pantanal em 10, 12 e até 14 diferentes regiões. As diferenças das sub-regiões estão nos diferentes tipos de vegetação, solo, áreas inundáveis e outros, onde cada sub-região apresenta particularidades regionais.

Possui 175 rios que desembocam no rio Paraguai, que significa rio dos papagaios na língua indígena, e é o principal rio do Pantanal. Proporciona um habitat favorável ao desenvolvimento de uma rica vida aquática.

Portanto, ele pode ser considerado um grande delta interno, onde se acumulam as águas do alto Paraguai e as de grande número de rios que descem do Planalto. Através do rio Paraguai, o Pantanal está intimamente ligado à grande bacia do rio Paraná – rio da Prata. Conexões aquáticas difusas com afluentes amazônicos existem ao norte, especialmente com o rio Guaporé.

A drenagem deste delta interno pelo médio Paraguai, por meio da barra estreita e rasa do Fecho dos Morros do Sul, faz-se com muita dificuldade. Porém, enormes quantidades de água estagnada atrás desta barragem tornam o Pantanal um labirinto imprevisível de águas paradas e correntes, temporárias ou permanentes, designadas através de grande quantidade de termos específicos pelo homem pantaneiro.

Nas lendas indígenas e nos primeiros mapas, o Pantanal é lembrado como um grande lago cheio de ilhas, o “Mar dos Xaraiés”.

A presença de lagoas de água salgada de um verde muito vivo, onde sobrevivem apenas jacarés e micromoluscos, na região de Nhecolândia, cuja estrutura nem mesmo as cheias periódicas conseguem mudar, gerou várias explicações... Arqueólogos e geólogos discutem a possibilidade desta região ter sido coberta pelo mar, há milhões de anos, ou ainda, pode-se dizer que as águas salgadas são consequência da concentração de sais minerais presentes na água depois da evaporação, no período da seca...

Em anos chuvosos, como foram os de 1984 e 1995, o rio Paraguai expandiu-se em uma faixa de até 20 km de largura, invadindo os grandes lagos da fronteira boliviana e a Ilha do Caracará, regenerando temporariamente o “Mar dos Xaraiés” dos antigos climas chuvosos.

O rio Paraguai e os outros rios pantaneiros apresentam pouca declividade, da ordem de 20 a 30 centímetros por quilômetro, o que faz com que as águas que se acumulam nos períodos de chuvas intensas escoem com muita lentidão. Em consequência, as enchentes, que são máximas ao norte nos meses de março e abril, chegam ao sul do Pantanal somente em julho e agosto...

A vegetação aquática é fundamental para a vida pantaneira. As plantas flutuantes são os principais produtores primários nas águas do Pantanal. Imensas áreas são cobertas por “batume”, que são plantas flutuantes, tais como o aguapé e a salvinia, entre outras. Levadas pelos rios, estas plantas constituem verdadeiras ilhas flutuantes, os camalotes.

Após as inundações, a camada de lodo nutritivo permite o desenvolvimento de uma rica vegetação de ervas. A palmeira-carandá (Copernicia australis) ocorre em extensas formações nas áreas em que as inundações dominam mas que ficam secas durante o inverno, permeando com os cupinzeiros, onde se inicia o paratudal. Os paratudais, formados pelos ipês-roxos, localmente chamados de piúva, são típicos.

Numa região um pouco mais elevada, já com áreas não inundáveis, há uma vegetação característica de cerrado. Há ainda no Pantanal áreas com mata densa e sombria (com Piptadenia, Bombax, Magonia, Guazuma).

Em torno das margens mais elevadas dos rios aparece a palmeira-acuri (Attalea principes), formando uma floresta de galerias juntamente com outras árvores, como o pau-de-novato (Triplaris formicosa), a embaúba (Cecropia), o genipapo (Genipa) e as figueiras (Ficus).

Em pontos altos dos morros aparece uma vegetação semelhante à da caatinga, com a bromeliácea (Dyckia) e os cactos cansanção e mandacaru (Cereus).

O Pantanal oferece ao visitante uma variedade de paisagens abertas povoadas por grandes populações de animais, cuja alimentação depende da fase aquática.

Assim, nas lagoas, a microflora e a microfauna permitem o desenvolvimento de ricas populações de caramujos-aruas (Pomacea, Marisa e outros) e de conchas (Anodontides, Castalia e outras), que sustentam uma variedade de predadores destes moluscos, como aves e répteis.

Os inúmeros cardumes de pitu (Macrobrachium) e as várias espécies do caranguejo (Trichodactylus, Dilocarcinus e outros) possuem importância econômica indireta: servem de iscas para os pescadores. Entre os peixes abundantes, há o corumbatá, o pacú, o cascudo, o pintado, o dourado, o jaú e as piranhas.

Entre os comedores da vegetação aquática destacam-se as grandes populações de capivaras e de búfalos. O cágado (Platemys) é também vegetariano. A ariranha, importante predador piscívoro, outrora abundante, foi quase exterminada pelos caçadores. Destino semelhante pode ter o jacaré, dizimado pela caça ilegal dos últimos anos.

Os jacarés têm papel importante nas águas pantaneiras, onde funcionam como predadores “reguladores” da fauna piscícola e, às vezes, como agentes relevantes da ciclagem de nutrientes. Onde há muitos jacarés são encontradas poucas piranhas. Quando os jacarés são dizimados pela caça indiscriminada dos “coureiros”, a população de piranhas agressivas aumenta em detrimento de outras espécies de peixes, podendo chegar a ser perigosa até para os seres humanos.

Outro importante predador aquático e semi-terrestre é a sucuri, cobra injustamente perseguida pelos pantaneiros. As cobras são escassas no Pantanal, principalmente nas áreas inundáveis. Mas há cobras-d'água, jararacas e boipevaçu.

As aves do Pantanal são um de seus maiores atrativos. Reunidas em enormes concentrações, exploram os recursos alimentares aquáticos. O tuiuiú, a cabeça-seca e o colhereiro, além das garças e patos são os mais vistosos. Muitas espécies nidificam em áreas comuns, sobre determinadas árvores, conhecidas como ninhais, que se destacam na paisagem pantaneira.

Aves típicas do Pantanal são também o aracuã-do-pantanal (Ortalis canicollis), a arara-azul, que corre o risco de extinção, o periquito-de-cabeça-preta (Nandayus nenday), o papagaio-verdadeiro.

O pequeno cardeal é ave característica desse ecossistema. A enorme abundância de aves de rapina, especialmente o caracara, refletem a riqueza da presa animal. O gavião-caramujeiro alimenta-se de moluscos.

Podemos observar também muitas espécies interessantes de aves como o jaó, a biguatinga, a curicaca, a anhuma-pantaneira, o tucanuçu, o bico-de-prata, o caburé, a murucututu, surucuá-de-barriga-vermelha, entre outras.

O cervo-do-pantanal, comum nas ricas pastagens úmidas, pode ser visto acompanhado por mais duas espécies de cervos do cerrado e por outros mamíferos, como o cachorro-vinagre, a anta, o cateto e a paca. Encontram-se lá, ainda, o lobo-guará e o tamanduá-bandeira, caçados intensamente...

Entre os primatas, o macaco-prego e o bugio. Porcos-monteiros, descendentes de suínos domesticados, também proliferam em meio à vegetação pantaneira densa.

O maior predador na beira das águas é a onça-pintada, junto a outros felídeos e canídeos. Entre as aves, a ema e a seriema são típicos habitantes do cerrado. Naturalmente, a rica fauna oferece muitas oportunidades para as aves de rapina e para os comedores de carcaças.

A CHEIA

O período da cheia normalmente vai de outubro a março. As chuvas são intensas e quando caem nas regiões montanhosas que circundam o Pantanal descem para a planície, transformando-o numa imensa área alagada e, ao mesmo tempo, os rios do Pantanal transbordam e espalham as águas pelos campos.

A VAZANTE

É o período em que a água começa a escoar, sempre no sentido leste para oeste. As águas da cheia vão de encontro aos Rios Miranda, Aquidauana e outros que fazem parte da planície pantaneira e seguem para o Rio Paraguai, principal rio do Pantanal. Isso ocorre de março a junho.

Neste período os peixes tentam desesperadamente retornar aos rios, mas quando os caminhos secam, os peixes ficam presos em lagoas ou baías temporárias que se formam sendo um grande atrativo farto para a fauna local. Também ocorre o nascimento de gramíneas que servem de alimento para o gado, cervos, capivaras e outros animais herbívoros.

A SECA

A estação da seca ocorre de junho a outubro e os rios do Pantanal voltam ao seu leito original. Os campos ficam secos e a maioria das árvores perdem suas folhas. Os animais se deslocam grandes distâncias a procura de água.

Época de grandes queimadas, que causam muito sofrimento para a biodiversidade. As queimadas são importantes pois muitas flores brotam após as queimadas, porém se o fogo é muito forte causa um grande impacto negativo para o Pantanal. Após o período de estiagem (sem chuvas) começam as chuvas novamente e reinicia o ciclo.

O gado é o “Bombeiro do Pantanal” (Embrapa-Corumbá), comendo o capim, ele evita o acúmulo de material combustível e torna os incêndios mais fáceis de controlar.

O ciclo das águas é, portanto um dos fatores que rege a biodiversidade do Pantanal, uma vez favorece as espécies vegetais e animais, relacionados à fase de seca, ora favorece as espécies relacionadas a fase de cheia.

Vegetais que crescem na fase da seca e morrem na fase de inundação, fornecerão nutrientes e sais minerais a água, e que por sua vez contribuirão para o desenvolvimento de outras espécies.
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Hidrografia do Rio Paraguai

A malha hidrográfica do Pantanal é formada pela Bacia do Rio Paraguai onde o principal rio é o rio Paraguai e seus maiores afluentes são: São Lourenço, Cuiabá, Miranda, Taquari, Coxim e Aquidauana, bem como os rios menores: Nabileque, Apa e Negro.

A bacia do Rio Paraguai é formada por 175 rios que totalizam 1400 quilômetros de extensão dentro do território brasileiro. Em decorrência de sua vastidão territorial e da condição de pluviosidade favorável nosso país tem a mais rica e extensa rede hidrográfica do planeta.

Esse complexo hidrográfico possui baías, lagos interligados ou não pelos corixos e vazantes e pequenos rios temporários ou permanentes. Nas enchentes os rios e baias se interligam e na vazante, enriquecida pelo húmus, a região se transforma na maior e mais rica concentração de alimentos naturais que sustentarão a fauna e a flora.

Atrativo Histórico

Fortaleza Militar de Coimbra – À beira do rio Paraguai, o forte é dominado pelo Morro da Marinha. Tombado há 23 anos pelo Patrimônio Histórico Nacional, abriga a artilharia da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira do Exército. Uma de suas atrações, com belíssimas formações, é a Gruta Buraco do Inferno.

Os cruzeiros fluviais entre Corumbá e Porto Jofre especializados em pescarias podem se transformar em torres de observação da natureza. A partir de Corumbá, o Albatroz, um barco de 38 metros de comprimento e com 18 camarotes, realiza viagens com duração de 5 dias. Barcos equipados para a pesca que navegam pelo rio Paraguai e afluentes em programas que duram de 5 a 7 dias podem também ser utilizados para passeios.

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Última atualização: 27/09/2013.
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