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FAUNA NORONHENSE

A ilha e as ilhotas do Arquipélago de Fernando de Noronha têm origem vulcânica e nunca foram conectadas por terra ao continente sul-americano. Consequentemente, todos os animais nativos do arquipélago colonizaram a ilha transportados pelo ar ou mar... A fauna terrestre não é tão exuberante quanto a marinha.

Em 10/08/1503 Américo Vespúcio aportou em Fernando de Noronha e registrou as primeiras descrições de sua fauna para a Ciência. Ele notou uma grande quantidade de árvores e que os pássaros terrestres e marinhos eram abundantes. Os únicos animais distintos que encontrou foram lagartos, cobras e ratos “muito grandes”...

Visto que as pessoas que visitaram a ilha posteriormente não mencionaram esses grandes ratos e por ser improvável que ratos do velho mundo (Rattus spp.) tenham colonizado Fernando de Noronha em seus primórdios, Ridley (1888) propôs que os grandes ratos vistos por Vespúcio pertenciam a uma espécie extinta de mamíferos parecidos com ratos desconhecidos para a Ciência...

Em 1973, uma expedição conjunta brasileira e norte-americana, liderada pelo paleontologista Storrs L. Olson, visitou Fernando de Noronha e descobriu muitos fósseis de um grande rato não descrito que poderia ter sido a espécie vista por Vespúcio. Carleton e Olson (1999) formalmente descreveram este animal como o Rato de Fernando de Noronha, com um novo gênero e espécie: Noronhomys vespuccii...


AVES

Argentina 18.03.2000 Doves Booklet
Falkland Islands 14.07.1998 Rare visiting birds
Grenadines 10.09.1990 Birds

Pássaros Marinhos

Nas encostas é grande a concentração de ninhos de aves marinhas, as quais podem ser facilmente vistas por toda parte, voando, pescando ou recolhidas nos galhos das árvores. Várias espécies de aves marinhas são encontradas em Noronha, como rabos-de-palha, fragatas etc. Dentre as aves marinhas, a maior simpatia recai sobre os mumbebos ou atobás, parentes dos pelicanos. Abaixo, outras espécies:

“Anous” é o gênero a que pertencem algumas espécies chamadas comumente de trinta-réis ou andorinhas-do-mar.
Anous minutus – trinta-réis-preto, chamado na ilha de viuvinha ou viuvinha-preta (Black Noddy) – foto abaixo

Anous stolidusbenedito ou trinta-réis-escuro, viuvinha-marrom, viuvinha-grande (Brown Noddy ou Common Noddy) – selo
Anous tenuirostris – trinta-réis-cinza? (Lesser Noddy) que vive do outro lado do Oceano Atlântico, na África...

Gygis alba – noivinhas, também chamado de trinta-réis-branco (White Tern), mostrada na foto do lado esquerdo. Do lado direito da tela, foto de uma espécie que não consegui identificar...

Sterna fuscata (Onychoprion fuscatus) – trinta-réis-marinho ou andorinha-do-mar-escura ou garajau-escuro (Sooty Tern)

Pássaros Terrestres

As espécies de aves terrestres que se reproduzem em Fernando de Noronha e teriam colonizado o arquipélago naturalmente são três, consideradas endêmicas de Noronha:

1. A cocoruta ou cucuruta, em inglês Noronha Elaenia (Elaenia ridleyana; Sharpe, 1888), alimenta-se de frutos de Ficus noronhae, além de outros frutos e também insetos.

2. A juruviara-de-noronha ou sebito, em inglês Noronha Vireo (Vireo gracilirostris; Sharpe, 1890) é uma espécie que, geralmente, pendura-se de cabeça para baixo, apanhando insetos e outros artrópodes nas folhagens, inflorescências e troncos de árvores, como pequenas aranhas, centopeias etc, por exemplo. Procura seu alimento em todas as alturas da mata, desde a copa das árvores até o solo, onde percorre distâncias curtas atrás de sua presa, fazendo lembrar uma corruíra... Aprecia muito a cochonilha, terrível praga da agricultura, muito comum em Fernando de Noronha.

Como não existe selo postal sobre a espécie brasileira, abaixo três emissões que mostram outras espécies, mas do mesmo gênero Vireo: Grenada 2003 (Red-Eyed Vireo; Vireo olivaceus), Jamaica 2003 (Blue Mountain Vireo) e Venezuela 1968 (Vireo?)... Nota: Veja a espécie endêmica de Cuba!

3. A subespécie ribaçã ou arribaça, pombinha-ribaçã ou ainda pomba-avoante (Zenaida auriculata noronha) tem pintas negras nas asas (fotos abaixo) e é o único pássaro frugívoro nativo do arquipélago, segundo Ridley; pode ser denominada avoante-noronhense.

Sua espécie avoante (Z. auriculata), em inglês Eared Dove, é uma pomba campestre encontrada em todos os países sul-americanos, ocorre desde as Antilhas até a Terra do Fogo, com distribuição isolada por todo o Brasil, formando bandos compactos na região Nordeste durante a migração. As avoantes constroem seus ninhos nos galhos das árvores mais altas, como o mulungu e a gameleira. Isso parece ser uma adaptação local para proteger os ovos contra os ataques do teiú, pois no continente seus ninhos são feitos no chão... Notas: Sua “prima”, a Zenaida galapagoensis, como o nome revela, vive apenas nas ilhas Galápagos. Outra espécie da mesma família é a ave nacional de Anguila!

Os três selos abaixo mostram a Zenaida auriculata: Falkland (1998), Grenada (1990) e Argentina (2000)...

Existem alguns registros eventuais de deslocamento de aves africanas para o Brasil, tais como três espécies de garças (Ardeola ralloides, Ardea purpurea, Egretta garzeta), um maçarico (Numenius p. phaeopus) e uma andorinha (Hirundo rustica erytrogaster).

Algumas espécies são migratórias e usam a ilha para alimentação e descanso. Um exemplo é o maçarico-vira-pedra, em inglês Ruddy Turnstone (Arenaria interpres), que é frequentemente encontrado nas praias alimentando-se de pequenos crustáceos, moluscos e insetos...

Há apenas uma espécie de origem africana, a garça-vaqueira ou garça-boieira, em inglês Cattle Egret (Bubulcus ibis), que é comumente observada em Fernando de Noronha e também no continente. Trata-se de uma garça campestre, insetívora, nativa da África e do sul da Europa, que invadiu a América do Norte no início do século XX e atingiu o Brasil na década de 1960. A espécie mede cerca de 50 centímetros de comprimento, possuindo plumagem branca que, no período reprodutivo, adquire tonalidades ferrugíneas, íris, bico e tarso amarelos. Porém, não se sabe se é frequente a migração dessa espécie para o país, especialmente para Fernando de Noronha...

Notícia de 05/05/2008: Cemave Registra Menos Garças na Ilha. Em um ano, já diminuiu pela metade o número de garças-vaqueiras (Bulbucos ibis) habitando em Fernando de Noronha. Pelo menos é o que diz a estimativa dos técnicos do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres (Cemave). A decisão de reduzir a quantidade de garças-vaqueiras em Fernando de Noronha foi tomada pelos Governos do Estado e Federal depois de uma série de problemas causados pelas aves. Desde que migrou para a ilha há cerca de 10 anos, o animal prejudica a cadeia alimentar da fauna noronhense, invade a pista do aeroporto, entre outros prejuízos...

Com a chegada do ser humano ao Arquipélago três espécies terrestres foram introduzidas: o galo-de-campina, o chorão e o canário-da-terra-verdadeiro. Alguns pássaros que escaparam ou foram libertados de gaiolas, tais como o galo-da-campina (Paroaria dominicana), que foi introduzido pelos humanos e agora se reproduz na ilha principal. Nota: Selo Pantanal... A foto abaixo foi tirada próximo ao Forte de Santo Antônio.

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CRUSTÁCEOS (camarão, caranguejo, lagosta etc)

Camarões, caranguejos e lagostas são frequentemente encontrados... Nas rochas encontram-se o aratu ou aratu-vermelho (Grapsus grapsus). Nas partes mais centrais da ilha, o caranguejo-amarelo ou carango (Gecarcinus lagostoma) pode ser encontrado em baixa densidade. Sua ocorrência no Brasil está restrita às ilhas oceânicas de Trindade, Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Outros caranguejos que podem ser encontrados na ilha: Mithraculus forceps, Plagusia depressa... A foto que mostra o caranguejo em cima da pedra foi tirada num canto da Praia do Bode. O selo de Cabo Verde, emitido em 1993, mostra a lagosta Panulirus echinatus.

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MAMÍFEROS

Mamíferos Marinhos

O Arquipélago é frequentado principalmente por duas espécies de golfinhos que ocorrem associadas nas zonas de alimentação, o golfinho-rotador (Stenella longirostris) e o golfinho-pintado (Stenella attenuata). Os golfinhos-rotadores, às vezes, chamados de golfinhos-de-bico-comprido?, são objeto de estudo e de preservação de um projeto de preservação do Ibama. Eles utilizam a Baía dos Golfinhos da ilha principal para descanso e reprodução. Observar as evoluções dos golfinhos é uma das maiores atrações de Fernando de Noronha.

Outro cetáceo avistado é o golfinho-cabeça-de-melão (Peponocephala electra)... Outros mamíferos marinhos também são esporadicamente encontrados nas águas do arquipélago, como duas espécies de baleia, a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) e baleia-piloto, que visitam a ilha em determinadas épocas...

Mamíferos Terrestres

Quatro roedores exóticos foram introduzidos e agora ocorrem em Fernando de Noronha: o rato-doméstico ou rato-preto (Rattus rattus), a ratazana (Rattus norvegicus) e o camundongo (Mus musculus), acredita-se que colonizaram a ilha algum tempo depois de 1503, provavelmente vindos dos navios que visitaram Noronha, também o roedor mocó (Kerodon rupestris) que parece ter sido introduzido em 1967...

Outro mamífero, o gato-doméstico (Felis catus) também se encontra em Fernando de Noronha, bem como os muitos tipos de rebanhos domésticos como cabras, carneiros, bovinos, cachorros e cavalos...


INSETOS

Fonte de busca do acervo do país (http://splink.cria.org.br/centralized_search)

Dipterofauna do arquipélago de Fernando de Noronha (fonte: Revista Brasileira de Entomologia, vol.52 no.4 São Paulo 2008)
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0085-56262008000400007

Agrilus oceanicus (grilo)...

Alguns dípteros da ilha... O material examinado foi coletado em julho de 1973. Não foram assinaladas espécies endêmicas, sendo a maioria das espécies coletadas sinantrópicas e, portanto, associadas ao homem e ao ambiente modificado por ele. Oito famílias de Diptera, em um total de 11.515 indivíduos foram estudadas. Entre as famílias encontradas as sete seguintes são novos registros: Calliphoridae, Fanniidae, Muscidae, Stratiomyidae, Sepsidae, Otitidae e Tabanidae. As famílias mais abundantes foram Sepsidae e Calliphoridae com mais de 80% do total coletado, tendo Cochliomyia macellaria como espécie dominante...

A família Calliphoridae / Califorídeos foi representada por Cochliomyia macellaria e Lucilia eximia. C. macellaria umas das principais espécies causadora de miíase secundária no Brasil. Três espécies do gênero Chrysomya: C. megacephala, C. albiceps e C. putoria foram introduzidas e se dispersaram no Brasil na década de 70. Estas espécies competem com C. macellaria e L. eximia.

A família Fanniidae está representada por Fannia pusio. Os adultos do gênero Fannia são encontrados frequentemente associados ao ambiente modificado pelo homem, com suas larvas criando-se em matéria orgânica em decomposição.

A família Muscidae é a que representa maior diversidade e está representada por seis espécies: Musca domestica; Atherigona orientalis; Brontaea quadristigma; Brontaea debilis; Cyrtoneuropsis rescita e Synthesiomyia nudiseta. As espécies de Brontaea criam-se exclusivamente em fezes de mamíferos. Do total de Muscidae coletados, A. (Acritochaeta) orientalis representou quase 60%. Esta espécie cria-se em matéria orgânica ou vegetal, sendo saprófaga ou carnívora facultativa, porém, a importância econômica deste gênero está mais relacionada com as espécies de Atherigona s.s. (sub-gênero Atherigona) tendo elas considerável importância como pragas de plantações de cereais.

Os Sarcophagidae estão representados por três espécies: Peckia chrysostoma, Oxysarcodexia thornax e Tricharaea occidua. Alvarenga (1962) registrou Nephochaetopteryx calida (Sarcophaga calida) como única espécie da família presente no arquipélago, porém esta não foi encontrada nesta coleta...


MOLUSCOS (lula, marisco, mexilhão, ostra, polvo, sururu etc)

Os primeiros registros de moluscos marinhos para o arquipélago de Fernando de Noronha foram documentados por Watson (1886) e Smith (1885), por ocasião das coletas promovidas pela expedição do HMS Challanger em 1873. Em 1887, H. N. Ridley e G. A. Ramage participaram da “British Museum Expedition” cujos dados foram publicados por Smith (1890), que listou 72 moluscos marinhos, 7 terrestres e um de água-doce. O material coletado na ocasião se encontra depositado no “The Natural History Museum” em Londres.

Lopes & Alvarenga (1957) somaram conhecimento aos dados bibliográficos de Watson (op. cit.) e Smith (op. cit.) publicando uma lista de malacofauna local com 40 famílias de gastrópodes (61 espécies), 12 famílias de bivalves (15 espécies) e um de escafápode (1 espécie) provenientes de coletas manuais rasas. Em novembro de 1961 o navio francês “Calypso” realizou coletas no arquipélago de Fernando de Noronha e no Atol das Rocas. Grande parte do material se encontra depositado no “Muséum National d’Histoire Naturelle” em Paris e rendeu uma série de publicações: Cauquoin (1970), Métivier (1970), Testud (1973) e Van Mol et al. (1967).

Matthews & Kempf (1970) registraram 168 espécies de moluscos marinhos para Noronha por ocasião das coletas a bordo do Navio Oceanográfico Almirante Saldanha; esses moluscos se encontram depositados em algumas coleções brasileiras (Museu Nacional e Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro; Museu Oceanográfico “Prof. Eliézer de Carvalho Rios”, Rio Grande; Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo). Rios (1994) dos moluscos marinhos brasileiros, assinalou para o arquipélago, três espécies de poliplacóforos, 130 gastrópodes, 50 bivalves e uma espécie de cefalópode.

Luís Felipe Saldanha da Gama (1846-1895) foi um militar brasileiro da Marinha... Selos alusivos:
07/04/1946 – Selo “Centenário de Nascimento do Almirante Saldanha”, com valor facial de Cr$ 0,40 centavos, o selo mostra sua efígie. Yvert: 441. RHM: C-212.
16/05/1953 – Selo “4ª Viagem de Circunavegação Mundial do Navio-Escola Almirante Saldanha”, com valor facial de Cr$ 1,50 cruzeiros, o selo mostra caravela. RHM: C-299.
14/12/1982 – Selo “Bicentenário da Escola Naval Almirante Saldanha”, com valor facial de 24,00... o selo mostra caravela. RHM: C-1303.

Em 1999 e 2000 foram coletadas manualmente no arquipélago três espécies de Polyplacophora, 92 de Gastropoda e 15 de Bivalvia, totalizando 110 espécies. Entre as 110 espécies coletadas, 23 não tinham registro prévio para o arquipélago. Dessas 23 espécies, 10 ainda permanecem sem identificação específica, podendo haver espécies novas entre elas. Com esse estudo o número de espécies registradas para Fernando de Noronha aumentou de 182 para 205 ou 12, 63%; a lista da malacofauna marinha pode sofrer alteração quando se leva em conta locais de coleta, época do ano e esforço amostral, uma vez que as coletas realizadas até então, foram esporádicas.

A malacofauna terrestre do arquipélago é representada por 4 famílias: 1. Chondrinidae: Gastrocopta solitaria (Smith, 1890); 2. Charopidae: Rydleya quinquelirata (Smith, 1890); 3.?: Lamellaxis micra (d’Orbigny, 1835); 4. Odontostomidae: Hyperaulax ramagei (Smith, 1890) e Hyperaulax ridleyi (Smith, 1890).

Nota: Diferente do trabalho científico, a lista de espécies abaixo foi organizada de maneira que um leigo, como eu, possa saber das conchas que vivem na ilha. Portanto a lista contém as famílias em ordem alfabética e está separada em quatro classes:

BIVALVIA (18 famílias – 50 espécies)
Arcidae • Arca imbricata; A. zebra; Arcopsis adamsi; Barbatia cancellaria; B. dominguensis
Cardiidae • Laevicardium brasilianum; L. pictum; Papyridae semisulcata; Trachycardium magnum; Trigonocardium media
Chamidae • Chama macerophylla; C. sinuosa; Pseudochama radians
Glycymeridae • Glycymeris sp.; G. decussata; G. pectinata
Lasaeidae • Lasaea adansoni
Limidae • Lima lima; Limaria pellucida
Lucinidae • Codakia costata; C. imbricatula; C. orbicularis; Ctena orbiculata
Mesodesmatidae • Ervilia subcancellata
Mytilidae • Brachidontes exustus; Botula fusca; Litophaga bisulcata; Modiolus americanus
Pectinidae • Argopecten noronhensis; Chlamys ornata; Cyclopecten nanus; Lyropecten nodosus; Pecten ziczac
Petricolidae • Petricola typica
Pinnidae • Atrina seminuda; Pinna carnea
Plicatulidae • Plicatula gibbosa
Semelidae • Semele sp.; S. bellastriata; S. proficua
Spondyliidae • Spondylus ictericus
Tellinidae • Strigilla mirabilis; Tellina aequistriata; T. listeri; T. punicea
Ungulinidae • Diplodonta sp.
Veneridae • Callista eucymata; C. maculata; Chione cancellata; C. paphia; Ventricolaria rigida

CEPHALOPODA (1 família – 1 espécie)
Octopus vulgaris Cuvier, 1797 – Polvo-comum. É a mais estudada de todas as espécies de polvo. Seu habitat estende-se do Mar Mediterrâneo até o litoral do Senegal. Também ocorre em Açores, Ilhas Canárias e Cabo Verde; ainda no Sul do Brasil...
Octopus insularis Leite & Haimovici, 2008 – Polvo-oceânico. Ocorre na costa nordestina até a Bahia e ilhas oceânicas do Nordeste brasileiro, como no Arquipélago de Fernando de Noronha e Penedos de São Pedro e São Paulo. Habitat: Recifes de coral e rochas.
Nota: Segundo a Revista FAPESP (Engenharia de pesca, Híbrido robusto, Edição Impressa 163, 09/2009, Diferenças entre polvos), animais do litoral Sul e Sudeste pertencem à espécie O. vulgaris e os do Norte e Nordeste à O. insularis... Outras espécies encontradas no Arquipélago são: O. hummelincki e O. macropus (Leite, 2002; Leite & Haimovici, 2006)...

A espécie se alimenta principalmente de pequenos caranguejos e diversos tipos de moluscos, ocorrendo também em sua dieta pequenos peixes e poliquetas (Leite, 2005). Os principais predadores de polvos identificados no Arquipélago foram: moreia-verde (Gymnothorax funebris), raia-manteiga (Dasyatis americana) e tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum).

05/06/2011 – Bloco Fauna Marinha: Águas-vivas, Lulas, Polvo e Estrelas-do-Mar, emitido no Dia Mundial do Meio Ambiente, em Recife (PE). O bloco é composto de quatro selos, com valor facial de R$ 2,70 cada (total R$ 10,80), que destacam quatro espécies da fauna marinha: Águas-vivas (Pelagia sp e Phyllorhyza punctata), Lulas (Sepioteuthis sepioidea), Polvo (Octopus insularis) e Estrelas-do-mar (Oreaster reticulatus). Ilustrando o habitat dessas espécies, algas, corais e fundo de areia, além de outros habitantes naturais como os peixes. No canto inferior direito, a logomarca da Exposição Filatélica Internacional no Japão – Philanippon 2011, a ocorrer em Yokohama no período de 28/07 a 02/08/2011. Tiragem: 200.000 blocos.

GASTROPODA
Acmeidae • (falta a página 185)
Aegiretidae • Aegires absaloi
Architectonicidae • Heliacus cylindricus; H. perrieri; Philippia krebsii
Bursidae • Bursa cubaniana; B. pacamoni; B. thomae
Buccinidae • Engina turbinella; Pisania pusio
Caecidae • Caecum floridanum; C. pulchellum; C. strigosum
Capulidae • Capulus incurvatus
Cassidae • Cassis tuberosa
Cerithiidae • Cerithium atratum
Chromodorididae • Chromodoris neona
Columbellidae • Columbella mercatoria; Decipifus sixaolus; Zafrona idalina
Conidae • Conus jaspideus; C. regius; C. scopulorum; C. workii
Coralliophilidae • Caralliophila abbeviata; C. aberrans; C. caribaea
Costelariidae • Vexillum histrio
Cypraeidae • Cypraea acicularis; C. cinerea; C. surinamensis
Dendrodorididae • Dendrodoris senegalensis
Dolabriferidae • Stylocheilus longicauda
Ellobiidae • Pedipes mirabilis
Elysiidae • Elysia flava; E. ornata
Epitoniidae • Epitonium sp.; E. echinasticostum; Opalia pumilio
Eulimidae • Eulima auricincta
Facelinidae • Phidiana sp.; P. riosi
Fasciolariidae • Colubraria testacea; Latirus angulatus; Leucozonia acellata; L. nassa
Fissurellidae • Diodora mirifica; D. cayenensis; D. dysoni; D. sayi; Emarginula aff. frixodes; E. pumila; Fissurella emmanuelae Mètivier, 1970; F. rosea; Lucapina sowerbii; L. sufusa
Fossariidae • Fossarus orbignyi
Harpidae • Morum dennisoni
Hermaeidae • Caliphylla mediterranea
Hipponicidae • Cheilea equestris; Hipponix antiquatus; H. grayanus; H. subrufus
Hydatinidae • Micromelo undata
Janthinidae • Janthina janthina
Juliidae • Berthelinia caribbacea
Lamellariidae • Lamellaria sp.
Limacinidae • Limacina bulimoide; L. inflata
Litiiopidae • Alaba incerta
Marginellidae • Gibberula sp.; Gramula lavalleana; Persicula catenata
Mitridae • Mitra barbadensis
Muricidae • Favartia alveata; F. cellulosa; Phyllotus oculatus; Trachypollia nodulosa; T. turricula
Nassarirdae • Nassarius albus; Nassarius capillaris
Naticidae • Latica bayeri; Natica canrena
Olividae • Ancilla matthewsi; Oliva circinata; Olivella nivea; O. watermani
Ovulidae • Cyphoma signatum
Platydoriidae • Platydoris angustipes
Pleurobranchidae • Berthella stellata; Pleurobranchus areolatus
Pyramidellidae • Chrysallida toroensis; Miralda havanensis; Peristichia agria; Sayella crosseana
Ranellidae • Charonia variegata (1 selo do bloco abaixo); Cymatium comptum; C. cynocephalum; C. labiosum; C. occidentale; C. pileare; C. sarcostomum
Scissurellidae • Scissurela cingulata
Siphonariidae • Siphonaria hispida
Strombidae • Strombus costatus; S. gallus
Subulinidae • Lamallaxis micra
Terebridae • Hastula hastala
Thaididae • Thais deltoidea; T. haemastoma; T. meretricola; T. rustica
Tonnidae • Tonna maculosa; T. noronhensis
Triphoridae • Metaxia exilis; Triphora decorata; T. melanura; T. ornata; T. turristhomae
Triviidae • Trivia occidentalis; T. pediculus; T. suffusa
Turbinidae • Astraea tecta olfersii (Nota: Arquivo fotográfico que tirei em Noronha; foto abaixo)
Turridae • Crassispira fuscescens; C. latizonata; C. nigrescens; Daphnella lymneiformis; Fenimorea sp.; F. halidorema; Pilsbryspira albomaculata; Pyrgocytara candidissima
Turriteliidae • Turritela exoleta
Vanikoridae • Megalomphalus orychone
Vermetidae • Dendropoma sp.; Dendropoma irregulare; Petaloconchus cf. varians
Volutidae • Enaeta leonardhilli
Xenophoridae • Xenophora conchyliofora

POLYPLACOPHORA (2 famílias – 3 espécies)
Achantochitonidae • Acanthochitona pygmaea
Ischinochitonidae • Ischinochiton striolatus; Ischinochiton pectinatus

Tabela I – Sinopse dos Pterodopa (Gastropada, Molusca) identificados na Cadeia Fernando de Noronha, durante a I Campanha do REVIZEE/NE, em 1995.
Família Cavoliniidae (Fischer, 1883): Cavolinia inflexa (Lesuer, 1813), Cavolinia uncinata (Rang, 1829), Clio pyramidata (Linnaeus, 1767), Clio sp., Creseis acicula (Rang, 1828), Creseis virgula (Rang, 1828), Cuvierina columnella (Rang, 1827), Diacria trispinosa (Blainville, 1821), Hyalocylis striata (Rang, 1828), Styliola subula (Quoy and Gaimard, 1827).
Família Clionidae (Phipps, 1774): Clione limacina (Phipps, 1774), Clione sp..
Família Cliopsidae (Dall, 1889): Cliopsis sp., Cliopsis aff.
Família Cymbuliidae (Centraine, 1841): Corolla cupula (Rampal, 1996).
Família Limacinidae (Gray, 1847): Limacina bulimoides (d’Orbigny, 1836), L. helicina (Chipps,1774), L. inflata (d’Orbigny, 1836), L. trochiformis (d’Orbigny, 1836).
Família Notobranchaeidae (Pelseneer, 1886): Notobranchaea tetrabranchiata (Bonnevie, 1913).
Família Pneumodermatidae (Pelseneer, 1887): Pneumoderma sp., Peneumodermopsis macrochira (Meisenheirmer, 1905), Peneumodermopsis paucidens (Boas, 1886), Peneumodermopsis sp., Schizobrachium sp., Spongiobranchaea australis (d’Orbigny, 1836), Spongiobranchaea sp.

Nota: Séries brasileiras sobre conchas...


PEIXES

A maior diversidade de Noronha está nas espécies de peixes (mais de 230) e 15 de corais que vivem em seu mar. Cardumes de passagem, cações, salemas, cirurgiãos-azuis, xaréus-brancos e muitas espécies de arraias... A espécie mais abundante de peixe é o cangulo-preto (Melichthys niger).

Nota: O xaréu é um peixe que ocorre tanto na costa quanto em águas mais distantes do litoral. Na Bahia, por exemplo, o xaréu é muito popular e sua pesca, realizada de novembro até março, é feita com redes que chegam a medir 800 metros de comprimento por 30 metros na parte larga... (RHM: 570: 10,00 verde, pescador)

Há espécies endêmicas entre a fauna do arquipélago, como o Stegates rocasenis, o Dactyloscopus e o Gramma brasilienses. Pesquisas recentes mostram curiosas interações entre os peixes do arquipélago. Um exemplo é o guarajuba (Coranx bartholomaei), que segue a arraia-prego (Dasyatis americana) e aproveita, quando a arraia movimenta o sedimento, para se alimentar de moluscos e caranguejos e capturar eventuais invertebrados e peixes que sejam descobertos por ela.

O tubarão cabeça-de-cesto tem os parasitas removidos de seu corpo pelo pequenino góbios-neon (Elacatinus randalli). Esse peixe é um especialista na área de limpeza e também presta seus serviços a outras espécies, como o catuá (Cephalopholis fulva) e a assustadora, porém pacífica, moréia-verde (Gymnothorax funebris).

O Projeto Tubarões Fernando de Noronha foi iniciado em 2000, e comprovou que o arquipélago é um importante berçário para algumas espécies... O tubarão-cabeça-de-cesto (Carcharhinus perezi), o lambarú, tubarão-lixa ou tubarão-enfermeiro (Ginglymostoma cirratum) e o tubarão-limão (Negaprion brevirostris) são os mais comuns no Arquipélago.

Nota: 2006 – “Tubarões do Litoral Brasileiro”. Os selos focalizam os tubarão-cola-fina (Mustelus schmitti) e tubarão-martelo (Sphyrna lewini). No Brasil, muitas espécies que utilizam a zona costeira para alimentação e parto são reconhecidamente vulneráveis, como é o caso dos tubarões: martelo e mangona (Carcharias taurus). O tubarão-cabeça-chata ou tubarão-touro (Carcharhinus leucas) também é muito vulnerável. Outros: tubarão-mako, tubarão-cavala ou tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus), tubarão-quati (Isogomphodon oxyrhynchus), tubarão-branco (Carcharodon carcharias), tubarão-elefante, tubarão-frade ou tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus), tubarão-baleia (Rhincodon typus)...

O mesmo ocorre com o peixe-papagaio (Sparisoma amplum), frequentemente seguido pelos budiões-de-noronha (Thalassoma noronhanum), também chamado de sabonete-das-ilhas ou talassoma-azul (Brazilian Oceanic Wrasse), da família Labridae, que se aproveitam das sobras de alimento.

Um fato curioso é a relação entre a tartaruga-verde e algumas espécies de peixe, como o sargentinho (Abudefduf saxatilis, Lineu, 1758) e o cirurgião (Acanthurus chirurgus e A. coeruleus), que se alimentam das algas presas ao casco das tartarugas-verdes.

Outros peixes: Elacatinus phthirophagus; Stegastes rocasensis; emboré (Bathygobius soporator), peixe-macaco, moré, amorê (Frillfin Goby), da família Gobiidae...

O peixe-sapo (Antennarius multiocellatus), da família Antennariidae, alcança 20 centímetros e usa fases de sua coloração para camuflagem.

Outra relação curiosa ocorre entre os golfinhos e doze espécies de peixes, que se alimentam das fezes e dos vômitos dos golfinhos. A principal espécie de peixe associada a esse comportamento é a purfa (Melichthys niger) e os golfinhos-rotadores parecem ser importante fonte de alimento para aquela espécie.

A foto abaixo (do lado esquerdo da tela) que mostra peixes sargentinhos foi tirada num canto da Praia do Bode... Fernando de Noronha não possui anfíbios e peixes de água doce nativos... Entretanto, o sapo cururu (Bufo schneideri) e o sapo arbóreo (Scinax aff. ruber) foram introduzidos pelos humanos...

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RÉPTEIS

Duas espécies endêmicas de répteis estão presentes no arquipélago: a mabuia e a cobra-cega ou cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena ridleyi, Boulenger, 1890), que não possui membros e talvez seja a “cobra” que Américo Vespúcio viu em 1503...

A mabuia ou Noronha Skink, em inglês, cujo nome científico tem vários sinônimos, mas o considerado válido é Trachylepis atlantica (Schmidt, 1945), é uma espécie de lagarto característico de Noronha, pois é endêmico e coalha toda a ilha. Muito curiosas e mansas, as mabuias aproximam-se facilmente das pessoas. Correm sobre as rochas, árvores, se enfiam entre as folhas, estão em quase todos os lugares. Formalmente, a espécie foi descrita pela primeira vez por John Edward Gray, em 1839, baseando-se em dois espécimes coletados pelo HMS Chanticleer, antes de 1838...

Duas outras espécies de répteis foram introduzidas: a lagartixa-doméstica-tropical (Hemidactylus mabouia, Moreau de Jonnès, 1818) e o lagarto chamado vulgarmente teiú (Tupinambis merianae, Lineu, 1758), difícil de fotografar... Ele foi introduzido nos anos 60 para tentar controlar uma infestação de ratos, cuja ideia não funcionou, uma vez que os ratos são noturnos e o teiú diurno; também porque prefere outras presas como ovos e filhotes de aves e tartarugas.

Tartarugas Marinhas

Entre as cinco espécies de tartarugas-marinhas que ocorrem em águas brasileiras, apenas a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga-verde ou aruanã (Chelonia
mydas
) são os quelônios que estão presentes no arquipélago de Fernando de Noronha.

“As águas do Arquipélago de Fernando de Noronha são frequentadas por indivíduos juvenis de tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e por juvenis e adultos de tartaruga-verde (Chelonia mydas).” Informação recebida da veterinária Ana Carolina Tavares (infonoronha@tamar.org.br) – Gestão Centro de Visitantes, Projeto TAMAR-ICMBio.

A tartaruga-de-pente, que se alimenta de esponjas e usa o arquipélago apenas para alimentação, foi intensamente caçada no Brasil devido a seu casco, que era usado na fabricação pentes, armações de óculos e fivelas.

Já a tartaruga-verde, que se alimenta prioritariamente de algas, era caçada devido a sua carne, comumente utilizada na alimentação de muitas comunidades tradicionais costeiras. A espécie utiliza algumas praias arenosas da ilha principal para desova durante o período que vai de janeiro a junho. Durante à noite, a fêmea dessa espécie sobe à praia e escava um buraco, onde são depositados, em média, 120 ovos. Depois, o ninho é fechado e a tartaruga retorna ao mar. Cada fêmea pode repetir esse processo cerca de quatro vezes por temporada reprodutiva. O tempo de incubação dos ovos é de aproximadamente 55 dias. Parece que os ovos eclodem de março a maio, geralmente...

Na Vila do Boldró está localizado o Centro de Convenções do TAMAR. Todas as noites, a partir das 21 horas, há palestras com temática ambiental. As caminhadas em algumas trilhas só são permitidas acompanhadas por guias autorizados pelo Ibama. Maiores informações na Sede do Parque pelo telefone (81) 3619-1210 ou com a Associação de Condutores de Visitantes, à noite, no Centro de Visitantes do TAMAR. Cerca de 50% dos turistas que vão observar os golfinhos recebem orientação de pesquisadores do Projeto Golfinho Rotador. No Mirante dos Golfinhos e no Porto Santo Antônio, pesquisadores esclarecem dúvidas, ministram palestras (às quartas-feiras) e distribuem fôlderes do Projeto Golfinho Rotador.

Projeto TAMAR-ICMBio / Fundação Pró-TAMAR (www.projetotamar.org.br)
Sede, Centro de Visitantes e Auditório – Alameda do Boldró, s/nº – Vila do Boldró
Telefones: (81) 3619-1269 / (81) 3619-1174 / Fax: (81) 3619-1577

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Fonte: www.ufpe.br

Ana Cristina da Costa Advincula. 1999. Distribuição espacial do zooplâncton nas áreas do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Arquipélago de Fernando de Noronha e cadeia norte Brasileira. Orientador: Paulo Jorge Parreira dos Santos

Enilma Marques de Araujo. 2006. Siphonophora (classe de invertebrados marinhos do filo Cnidaria) do Arquipélago São Pedro e São Paulo e da cadeia norte/Rocas/Noronha (Brasil).. Orientador: Maria Eduarda Lacerda de Larrazábal

Gilson Carlos da Conceição Freitas. 2007. Diversidade de Arachnida da Ilha de Fernando de Noronha,com ênfase em Araneae e Scorpiones. Orientador(es): Simão Dias de Vasconcelos Filho; Antônio Domingos Brescovit

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Última atualização: 30/09/2011.
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