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CANÍDEOS

Espécies ameaçadas de extinção!

Classificação Científica:
Reino: Animal
Filo: Cordados
Subfilo: Vertebrados
Classe: Mamíferos
Ordem: Carnívora
Família: Canídeos (Canidae)


LOBO-GUARÁ

Nome comum: Lobo-guará, guará ou “lobo-vermelho-de-luvas-pretas”
Nome em inglês: Maned Wolf
Nome em alemão: Mähnenwolf
Nome científico: Crysocyon brachyurus (Illeger, 1815)

Em inglês, a palavra “wolf” quer dizer lobo e “maned” pode significar crina de cavalo, juba de leão, longo cabelo no pescoço, etc.

Em tupi-guarani a palavra GUARÁ tem dois significados:
Guará (1): pássaro, ave das águas, pássaro branco muito comum nos manguezais (guará e garça).
Guará (2): o que devora, mamífero (lobo-guará) dos Cerrados e Pampas.

Este animal sempre foi chamado de lobo, entretanto o seu parente mais próximo é a raposa...

Período de vida: Aproximadamente 13 anos, podendo chegar a 15 anos de idade.

Distribuição geográfica: América do Sul – Argentina, Bolívia, Peru e, no Brasil, ocorre nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, nos estados do Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Goiás (GO), Minas Gerais (MG) e São Paulo (SP). Também podemos encontrar em: BA, DF, MA, PR, RJ, RS, SC, TO...

O lobo-guará é o maior canídeo da América do Sul, considerado espécie ameaçada de extinção, pelo IBAMA. Originalmente, o lobo-guará era uma das espécies de canídeos mais típica do Cerrado brasileiro.

As populações têm sofrido considerável declínio ao longo de sua área de ocorrência, ou área de vida, devido à constante expansão das fronteiras agrícolas e à caça predatória. O lobo-guará habita regiões de campos com vegetação arbórea escassa. Apesar de menos frequente, a espécie pode ainda ocupar áreas de banhados e alagados, assim como campos de altitudes situados acima de 1.500 metros.

No estado de São Paulo, por exemplo, encontram-se as áreas de maior concentração humana no país juntamente a remanescentes importantes de biodiversidade e endemismo, dentro do domínio do lobo-guará. Enquanto o lobo-guará é pressionado para fora do seu habitat natural pela expansão agrícola, ele explora novos sítios e fontes de alimento que o aproximam de áreas humanizadas, aumentando a possibilidade de conflitos com populações humanas...

Hábitos alimentares: carnívoro onívoro (alimenta-se de carne e frutos). Alimenta-se de insetos, roedores e aves e frutos silvestres com preferências aos frutos com muita polpa. Hábitos crepusculares noturnos; solitários e nadam muito à procura de alimento.

Amostras de fezes coletadas em várias áreas estudadas revelam que em termos de volume, a lobeira ou fruta-do-lobo é um dos itens mais importantes na dieta. Entre os outros componentes alimentares se destacam pequenos mamíferos e répteis, ratos, pássaros, lagartos, tatus e também outros frutos. Em várias localidades no Brasil são registrados ataques sobre criações de galinhas, especialmente durante a estação de reprodução.

A cor geral é laranja-avermelhada; pernas e focinho negros. Pelos longos e macios. Cauda relativamente curta com a extremidade branca. Cabeça pequena; orelhas grandes; focinho afilado.

Pernas muito compridas diferencia e espécie dos demais canídeos. Habita lugares com muita vegetação natural; campos próximos a baixadas com capoeirões ou matas arbustivas.

Os longos membros e a pelagem vermelho-dourado, associada a uma crina negra que se estende do alto do crânio até as primeiras vértebras lombares, são características distintas da espécie.

De hábito noturno, o lobo-guará adulto pesa cerca de 20 a 30 quilogramas, mede 145 a 190 centímetros de comprimento e 80 cm de altura. É um animal solitário. Embora o casal ocupe a mesma área, completa sobreposição, as interações são raras, ocorrendo apenas na época de reprodução. Em cativeiro o período reprodutivo situa-se entre os meses de dezembro a junho.

Reprodução: Gestação de 62 a 66 dias, cerca de 65 dias. O tamanho médio da prole é de 1 a 5 indivíduos. Em geral, apenas um adulto é responsável pelo cuidado dos filhotes (principalmente as fêmeas), o que dá por curto período de tempo, embora em cativeiro tenha sido registrada a participação do par reprodutivo nesta atividade.

Mas em cativeiro as fêmeas costumavam comer os filhotes... Descobriu-se que na natureza a “loba” troca os filhotes de toca com frequência, a cada poucos dias, para enganar os predadores. Quando os zoos fizeram recintos com várias tocas, a reprodução tornou-se mais fácil.

São territoriais, ocupando o macho e a fêmea uma área de 25 a 30 quilômetros quadrados, dependendo da distribuição e abundância de recursos alimentares. Os conflitos intra-específicos originários das disputas territoriais são mais frequentes entre machos e se resumem a vocalizações e marcação de cheiro.

A perda de habitat é uma das principais ameaças à sobrevivência desta espécie, sendo que grande parte de sua área de distribuição foi ocupada por empreendimentos agropecuários, embora alguns autores sugiram que as populações do lobo-guará possam se beneficiar dos primeiros estágios de desmatamento de uma área.

A predação ocasional direcionada a criações domésticas torna a espécie sujeita a pressão de caça. Sua suscetibilidade à doenças como parvovirose é responsável pela mortalidade de muitos indivíduos ao longo de sua área de ocorrência.

Aliado a esses fatores existem ainda as crendices populares, que associam a utilização de partes do corpo do lobo-guará à cura de doenças, ao aumento da potência sexual e à redução na incidência de picadas de cobra...

A criação em cativeiro não tem tido muito sucesso devido à alta taxa de mortalidade encontrada nas ninhadas. Em média, registra-se uma taxa de sobreviência em torno de 20%, sendo as principais causas da mortalidade a parvovirose dos filhotes provocado pelo estresse do cativeiro. A mortalidade também é alta entre os animais adultos, devido a infecção renal causada por parasitas.

O desenvolvimento de pesquisas para melhoria da reprodução desta espécie em cativeiro, bem como o tratamento daqueles apreendidos em criadouros ilegais, são medidas significativas para sua proteção. Grande parte dos animais apreendidos nestas condições morre em consequência da falta de cuidados básicos.

Campanhas de conscientização para a proteção da espécie podem reduzir a pressão de caça, inclusive através da desmistificação de crendices populares. Um controle mais eficiente sobre queimadas e desmatamentos é também uma medida importante para assegurar a disponibilidade de habitat e de recursos alimentares para o lobo-guará.

No Parque Ecológico de Americana – São Paulo, um casal vive desde 1998 e é a primeira vez que se reproduz. Foi visto cruzamento nos dias 27 e 28 de março e na tarde do dia 29 de maio, nasceram 3 filhotes. A fêmea, que ocupa a toca principal do recinto, onde ocorreu o nascimento, passa o dia cuidando dos filhotes ou dormindo. O recinto de 776 metros quadrados foi isolado parcialmente da visitação pública com um fechamento utlizando um pano na tela da frente, evitando que os pais e filhotes fiquem assustados e esteja assegurado o sossego dos animais.

03/2005 – No Zooparque de Itatiba, também no Estado de São Paulo, existem 5 deles!

Curiosidade: na simbologia o lobo recebe inúmeras interpretações... Está associado ao demônio, às assombrações (mitos como o do lobisomem, por exemplo), mas também com a luz (por enxergar bem na escuridão) e com o espírito. Na China é tido como o guardião das esferas celestiais. Na tradição ocidental ele representa a figura do mestre, do instrutor espiritual. Símbolo da Lua na antiga Grécia e das forças favoráveis na Roma dos Césares. Gêngis Khan, o grande conquistador mongol, possuía como ancestral um mítico lobo azul...

Abaixo, um dos selos postais de uma série em quadra emitida em 04/09/2006, sobre Parques e Reserva Nacionais, que mostra o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Goiás (GO), com lobo-guará, Cerrado, vista da Serra da Baleia e veredas com buritizais...

— Título: Revista Terra da Gente, ano 10, número 188, 02/2014 (contribuição de Seme em 17/05/14)
Matéria o sobrevivente: O lobo-guará resiste aos conflitos com o homem, mas o semeador e exterminador de ratos tem futuro incerto (páginas: 14 a 25)

— Título (Livro): “Histórias de um Lobo”
Autores: textos de Rogério Cunha de Paula; ilustrações de Rodrigo Cunha de Paula; fotos de Adriano Gambarini (gambarini.art.com)
ISBN: 978-85-60120-28-4 | Editora: Avis Brasilis (www.avisbrasilis.com.br) | Ano da Obra: 2013 | Edição: 1ª
Idiomas: Português/Inglês | Data de Lançamento: 04/12/2013 (Galeria Photoarts, no Shopping Market Place, em São Paulo)
Tipo de capa: Capa Dura | Formato: médio 21,5 × 24 cm. | Nº de páginas: 264 | Peso: 1,5 kg
Estado de conservação: Novo (contribuição de Seme em 17/05/14) | Preço sugerido: R$ 80,00
Apoio: Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura
Sinopse: O prefácio é de autoria de um dos mais importantes naturalistas do mundo e ícone da conservação da vida selvagem, o alemão/norte-americano George Schaller, o livro une as imagens de Gambarini com o conhecimento científico de Rógerio para desmistificar o lobo-guará, que eles descrevem como um animal tímido, que se alimenta principalmente de frutos e, por isso, cumpre papel importante de dispersar sementes pelo Cerrado. Ameaçado de extinção, a espécie precisa ser mais apreciada e compreendida.

Descrição: Histórias de lobos são comumente contadas desde a infância no mundo todo. Nos rincões do Brasil, contos e casos são comuns e traduzidos à nossa realidade. Contos famosos são às vezes adaptados às realidades locais. Nossas plantas e bichos são os protagonistas. Não é diferente com o lobo-guará, metido até a ponta do rabo em lendas e histórias no interior do país, muito presente na sabedoria popular da roça. Esse é o lobo-guará, conhecido também como lobo-vermelho pelos indígenas ou simplesmente Guará pelo Brasil a fora. Nosso lobo é o único representante da classe, na América do Sul. Na verdade ele habita vários outros países latinos. Suas histórias são contadas em espanhol também, mas é nas terras do cerrado Brasileiro em que é encontrado em maior número. Quanto mais lobo, mais problema. Muita gente ainda acredita que esse animal, um dos maiores da nossa fauna, possa atacar e comer seus filhos, cães, bezerros, ovelhas, a exemplo dos “primos” do hemisfério norte. Mas isso não procede; é um animal arredio, se alimenta de animais pequenos e muitas frutas. Está muito longe de ser agressivo. Apesar de tímido e temer o homem, é curioso e quase sempre gera desconforto quando está por perto. Quando a timidez dá lugar à curiosidade, ele pode padecer na intolerância das pessoas que, os aniquilam por medo ou por retaliação a ataques na criação. Como se não bastassem às dificuldades que têm para sobreviver, pelo interior do Brasil, acreditam que o olho do lobo-guará é amuleto contra mau-agouro; e capturam-no vivo para extrair a “peça”. O bicho sofre por não ser conhecido. O homem sofre por não conhecer. Suas histórias ruins são difundidas como o velho conto do ‘Lobo Mau e Chapeuzinho Vermelho’. As histórias boas, são mantidas em algum lugar das casinhas de sapê. São importantes de serem registradas, difundidas não somente nas áreas rurais, mas nas grandes cidades, no exterior.

Sobre os autores:

Rogério Cunha de Paula é biólogo, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/MMA) e pesquisador associado da OSCIP Instituto Pró-Carnívoros. É Coordenador do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Lobo-Guará pelo ICMBio e do Grupo de Trabalho para a Proteção do Lobo-Guará na América do Sul. Em 2012, foi apontado como um dos 40 heróis da conservação de todo mundo.

Adriano Gambarini é fotógrafo desde 1992, com experiência em documentação de expedições a regiões remotas. Um dos principais fotógrafos da National Geographic Brasil, é autor de 12 livros de arte, entre eles Serra da Canastra e Natureza Conservação e Cultura. Finalista do Prêmio Jabuti 2012 com o livro Cavernas no Brasil, assina também os textos das obras Velho Chico, o Rio e Camboja. Documenta lobos-guará na Serra da Canastra desde 1998.

Foto/Divulgação: Adriano Gambarini.

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CACHORRO-DO-MATO ou LOBINHO

Nome em inglês: Crob-eating-dog?
Nome científico: Cerdocyon thous

Distribuição Geográfica: Habita as áreas de cerrado dos estados da região Centro-Oeste, como também áreas de Mata Atlântica do sul e sudeste brasileiro. Também é encontrado em áreas da Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai.

Chamado de cachorro-do-mato-graxaim, cachorro-do-mato, raposa-do-mato ou ainda lobinho, ele pode ser encontrado na Fundação Zoonit, também no Zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso...

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CACHORRO-DO-MATO-VINAGRE ou ARACAMBÉ

Nome comum: Cachorro-do-mato-vinagre ou cachorro-vinagre
Nome científico: Speothos venaticus (Lund, 1842)
Nome em francês: Chien des buissons ou chien des forêts | Nome em inglês: Bushdog.

A palavra “aracambé” em tupi-guarani se refere ao cachorro-do-mato, o cachorro-vinagre... E “jaguaracambé” de cão de cabeça branca...

Os representantes desta espécie apresentam a cabeça, a parte superior do pescoço e os ombros marrom claro ou amarelo ruivo, escurecendo gradualmente para o negro ou marrom escuro no quarto traseiro; pelo longo e macio. Focinho curto, orelhas curtas e redondas, olhos castanhos. Cauda curta e reta, negra. Corpo longo; pernas curtas.

Espécie diurna, terrestre, normalmente em pequenos grupos, às vezes pode ser encontrado sozinho. Os dentes são mais adequados para comer carne do que nos outros canídeos brasileiros. Escondem-se em tocas e são bons nadadores quando em cativeiro. É espécie rara sendo difícil de ser avistada. Peso máximo: 7 kg. Gestação: 67 dias (com 1 a 6 filhotes).

Ocorre em toda a América Central, em países do norte da América do Sul; no Brasil: oeste e noroeste da Amazônia, região Sudeste e Mato Grosso do Sul. UF: AC, AM, AP, BA, DF, GO, MA, MS, MT, PA, PR, RO, RR, SC, SP, TO...

Outros:

Cachorro-do-mato-de-orelha-curta (Atelocynus microtis) – Scalter, 1883
Graxaim-do-campo (Pseudalopex gymnocercus)
Raposinha-do-campo (Pseudalopex vetulus)

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Última atualização: 19/05/2014.
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