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HISTÓRIA POSTAL DA REPÚBLICA DO SUDÃO

A primeira emissão de selos sudaneses são selos ordinários do Egito (1888-1893), remarcados com a sobrecarga “SOUDAN”. Abaixo (lado direito da tela), o primeiro selo postal foi emitido em 1897 (Scott: 1), com valor facial de 1 milésimo (marrom).

Do lado esquerdo, emitido em 1898, o primeiro selo impresso com o nome do país, chamado de “Camel Post” (Scott: 9, SG: 18), com valor facial de 1 milésimo.

Nota: Durante o longo período em que foram utilizadas marcas d'água nos selos postais, o Sudão emitiu selos com vários tipos de filigrana. Alguns exemplos podem ser vistos no site (www.stamp2.com): filigrana tipo rosácea (também utilizada em Britsh East Africa, Zanzibar), filigrana meia lua e estrela (utilizada também no Egito), filigrana meia lua e estrela múltipla, filigrana “SG” múltipla e filigrana rinoceronte.

Nota: O primeiro selo de taxa foi emitido em 1897 (Scott: J1, SG: D1), com valor facial de 2 m (verde), o qual foi remarcado em um selo do Egito. Em 1901 (Scott: J5, SG: D5), com valor facial de 2 milésimos, foi emitido o primeiro selo de taxa em um selo especificamente sudanês: “Gunboat Zafir”, cuja imagem mostra um navio.

Abaixo (lado esquerdo): o primeiro selo aéreo do Sudão foi emitido em 1931 (Scott: C1, SG: 47), com valor facial de 5 milésimos, remarcado no Scott: 40. Do lado direito: outro selo aéreo do país, emitido em 1931 (Scott: C5, SG: 49b), com valor facial de 5 milésimos, ele mostra a estátua do General Gordon.

Abaixo, o primeiro selo comemorativo do Sudão, emitido em 1935 (Scott: 51, SG: 59): 50 anos da morte do General Gordon (1833-1885), com valor facial de 5 milésimos (verde). O país obtém autonomia limitada em 1953 e a sua independência em 1956...

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Localização do país – centro-leste da África. Faz fronteira com o Egito ao norte, o Mar Vermelho a nordeste, a Etiópia e a Eritréa a leste, Quênia, Uganda e Zaire ao sul, com a República Centro-Africana e o Chade a oeste, também faz fronteira com a Líbia a noroeste – no Deserto do Saara.

Características – planície banhada pelo rio Nilo e seus afluentes (maior parte); litoral estreito; região semidesértica com colinas (NO); deserto da Núbia (N); montes Núbia envolvidos por um cinturão de areia (centro-O); região argilosa (L), estendendo-se até as zonas pantanosas.

Divisão administrativa – o Sudão está dividido em 25 estados (Wilayat), que por sua vez se dividem em 132 distritos. Abaixo, o nome de cada estado (entre parênteses, seu nome em português) e sua respectiva capital – em frente:

Estados do norte:

1 – Ash-Shamaliyah (Norte) – Duncula
2 – Nahr an-Nil (Rio Nilo) – ad-Damir
3 – Al-Bahr Al-ahmar (Mar Vermelho) – Bur Sudan
4 – Shamal Darfor (Darfur do Norte) – Al-Fashir
5 – Shamal Kurdufan (Cordofão do Norte) – Al-Ubayyid
6 – Al-Chartum (Cartum) – Khartoum (Cartum – capital da Nação)
7 – Ash Sharqiyah (Kassala) – Kassala (Kasala)
8 – An-Nil al-abyad (Nilo Branco) – Rabak
9 – Al Jazirah (Ilha) – Wad Madani
10 – Al-Qadarif (Gadarife) – Al-Qadarif
11 – Gharb Darfor (Darfur Ocidental) – Al-Junaynah
13 – Sennar (Sennar) – Singa
14 – Janub Darfor (Darfur do Sul) – Nyala (Niala)
15 – Janub Kurdufan (Cordofão do Sul) – Kaduqli, Al-Fula
16 – An-Nil al-azraq (Nilo Azul) – Ad-Damazin

Nota: Kurdufan (ou Kordofan) é uma formal província central do país. Em 1994 foi dividido em três estados federais: Kurdufan do Norte, Kurdufan do Sul e Kurdufan do Oeste. Porém, em agosto de 2005, esse último estado foi abolido e seu território dividido entre os outros dois estados.

Estados do sul (Sudão do Sul):

17 – Gharb Bahr al-Ghazal (Bahr al Ghazal Ocidental) – Waw
18 – Schamal Bahr al-Ghazal (Bahr al-Ghazal do Norte) – Uwail
19 – Al-Wahda (Unidade) – Bentiu
20 – A'li an-Nil (Alto Nilo) – Malakal
21 – Warab (Warab) – Warab
22 – Junqali (Juncáli) – Bur
23 – Al-Buhairat (Lagos) – Rumbek
24 – Gharb al-Istiwa'iyya (Equatória Ocidental) – Yambio
25 – Al-Istiwāiyya al-Wusā (Equatória Central) – Juba
26 – Scharq al-Istiwa'iyya (Equatória Oriental) – Kapoita

Além das capitais dos estados (listadas acima), outras cidades principais – Khartoum do Norte (Cartum do Norte, ao lado de Cartum), Atbara, Babanusa, Bor, Delgo, Dongola, Ed Damazin, Ed Dueim, Geneina, Hala'ib, Kusti (Kûsti), Malualkon, New Halfa, Nimule, Omdurman (ao lado de Cartum), Port Sudan (Porto Sudão, província no Mar Vermelho), Rumbek, Sennar, Shandi, Suakin, Tonj, Wad, Madani, Wadi Halfa, Wau.

Outras cidades – Bahr-el-Ghazal, Al Gezira, Jabal Awliya, Ad Damazin, Ad Duwaym, Al Jabalayn, Kodok, Kordufan, Kurmuk, Parayang (800 km de Cartum), Singa.

According to what Ignaz Pallme writes in his book Kordofan (publicado em 1843), em 1779 o Rei de Sennar sent the Sheikh Nacib, with two thousand cavalry, to take possession of the country which remained for about cinco anos, under the government de Sennar. In this período several povo árabe e nativos de Sennar e Dongola, imigraram into the country; moreover, agricultura e comércio began to flourish. Now the Sultan of Darfour directed its attention towards Kordofan, and entered on a campaign, in which the region was driven out of Sennaar para sempre. Kordofan was now governed in the name of the Sultan of Darfour, up to the year 1821. During these years the country was also prosperous: the inhabitants lived in peace, and were not troubled with taxes; the merchants were exempt from all duties, and the tribute paid was a voluntary present to the Sultan of Darfour. Bara, the second commercial town of importance in the country, was built by the Dongolavi. The Commerce extended in all directions: caravans brought products from Abyssinia and from Egypt into the two towns of Lobeid and Bara, whence the greater part was again transported into other countries of Africa. Este estado de prosperidade findou em 1821, quando Mehemet Ali, vice-rei otomano do Egito sent his son-in-law, Defturdar, with about 4,500 soldados e eight pieces de artilharia, to subject Kordofan to his power. O monopólio enjoyed by the Egyptian governors in Kordofan totally impeded trade in general and any free entrepreneurial activity.

Funj Sultanato de Sinnar (ou Sennar) foi um sultanato localizado no norte do Sudão, nomeado Funj depois after the ethnic group of its dinastia ou Sennar, after its capital, que governou uma considerável parcela do nordeste da África entre 1504 e 1821.

Sennar (Sannâr, senAr´) ou Sannar (sAnAr´), cidade localizada no leste do país (próxima à fronteira da Etiópia), foi a capital do muçulmano reinado de Sennar, tradicionalmente conhecido como “Black Sultanate”, fundado no século XVI. Com o declínio do reinado no século XVIII, foi anexado em 1821 pelo Egito, como parte do Império Otomano. A antiga capital lies abandoned near modern Sennar. O Sennar Dam completou, em 1925, is used for crop irrigation...

O atual estado do Sennar, com uma área de 37.844 km² e população de aproximadamente 1.404.000 habitantes (estimativa de 2007), está dividido em três distritos: Sennar, Singa e Ad Dinder. É no distrito de Sennar que se situa a maior cidade do estado, a cidade de Sennar, embora a cidade de Singa seja a capital do estado.

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REVOLUÇÃO MAHDISTA

A respeito dos antecedentes da Revolução Mahdista, destaca-se que a ocupação do Sudão pelo Egito Otomano é um fenômeno fundamental, porém ainda pouco estudado. A expansão egípcia em direção à região ocorreu em meio às tensões causadas pela rivalidade anglo-francesa. Escrever a história da conquista do Sudão é uma tarefa extremamente difícil, dada a parcialidade da documentação disponível, constituída unicamente pelas narrativas dos viajantes. Os detalhes fornecidos pelas fontes são obscuros e contraditórios, especialmente quando se referem a estimativas (número de escravos, população, preços) que são muito diferenciadas umas das outras.

Para compreender a problemática que chamaram de sub-imperialismo egípcio no Sudão, é necessário atentar para a situação do Egito no início do século XIX. Principal território dominado pelos otomanos na África, passou pela ocupação francesa, que desestruturou o poder dos mamelucos na região. Tal intervenção, somada às novidades tecnológicas e militares introduzidas pelos franceses, fizeram com que o Vice-Rei egípcio Mohammad Ali se sentisse forte o suficiente para conseguir a autonomia frente ao Império Otomano.

A melhor forma encontrada por Ali para atingir o seu objetivo foi através da conquista do Sudão e da fundação, em 1824, da cidade de Khartoum. A fim de poder continuar a expansão sobre o território sudanês, o Vice-Rei se aproximou das potências européias, especialmente da Inglaterra, sujeitando-se às prerrogativas imperiais da mesma. É em função disso que a ação de Ali foi caracterizada como sub-imperialismo.

Ressalta-se que o Sudão não era unido. Ao norte estendia-se uma região islamizada, onde o árabe servia de língua franca. Ao sul encontravam-se as populações não muçulmanas que eram vítimas das razzias. Tal fato teria facilitado o êxito de Ali.

Com a expansão egípcia, instalaram-se os consulados da França, da Áustria, da Holanda, do Piemonte-Sardenha e da Inglaterra. Esta última conseguiu transformar o Egito e o Sudão em suas áreas de influência, solapando os interesses das outras potências européias, em 1898.

Entre os anos quarenta e sessenta do século XIX, chegaram os missionários que se instatalaram na região sul, onde a maior parte das populações não eram islamizadas. Iniciou-se a modernização do Sudão, com o estabelecimento da navegação a vapor e da construção do porto de Souakin, o que contribuiu para a ampliação das relações comerciais com a Europa.

As primeiras missões cristãs a entrarem no Sudão foram as católicas austríacas, fazendo parte de uma série de inovações advindas do processo de ocidentalização da região.

Não se destacando a importância das missões católicas na região, bem como o papel desempenhado pelas mesmas de estabelecer contato com os povos do sul do Sudão que eram hostis a qualquer aproximação com elementos ocidentais, e também com o Islam, em função das razzias promovidas pelos traficantes muçulmanos. Além disso, não se utilizaram dos escritos e das documentações produzidas pelos missionários a fim de caracterizar o impacto da expansão imperialista européia nos povos do Sudão.

Acredito que a perspectiva de escrever uma história do Sudão, a fim de compreender os problemas contemporâneos do Islam naquele país, levou Prunier e Bleuchot a optarem pelo enfoque dos conflitos das principais correntes islâmicas sudanesas com o expansionismo anglo-egípcio e pelo estudo dos referenciais religiosos e políticos dos muçulmanos sudaneses do século XIX, que claramente rejeitavam a existência de uma religião monoteísta rival, o Catolicismo, representante do Ocidente na região.

Daget e Renault, por sua vez, preocuparam-se em analisar as estruturas econômicas e políticas do Sudão no século XIX e o impacto causado pela intervenção inglesa no tráfico de escravos, que era a atividade mais lucrativa da região.

Segundo esses autores, o Sudão fornecia ao Egito escravos militares, eunucos e escravas para serem concubinas nos haréns dos mais abastados. Com a expansão turco-egípcia, a estrutura escravista tornou-se bastante complexa, na medida em que o Vice-Rei Mohammad Ali intensificou a exploração do marfim e dinamizou o tráfico de escravos, dando abertura inclusive para a participação de traficantes de origem européia.

Em função do aumento da demanda, surgiram as zeribas e os dems, que eram, inicialmente, fortificações onde o marfim apresado era guardado. Com o aumento do tráfico, elas passaram a abrigar grandes quantidades de escravos. As populações vizinhas a essas fortificações foram submetidas pelos traficantes, que cobravam das mesmas impostos e recrutavam dentre elas os sentinelas para vigiarem os cativos e serviçais para trabalharem na residência dos traficantes situada nos dems.

Através do estabelecimento dessas fortificações, os traficantes tornaram-se autoridades efetivas no sul do Sudão e puderam contar com o apoio dos funcionários da administração turco-egípcia, até a proibição ao tráfico de escravos proclamada pelo sultão otomano, em função das pressões inglesas.

Apesar de terem caracterizado os embates entre os muçulmanos e os ingleses, Daget e Renault não aprofundaram o estudo dos mecanismos de resitência dos traficantes às investidas ocidentais na região.

Bleuchot, entretanto, ressaltou que grande parte dos comerciantes de escravos eram muçulmanos e que o Islam na região percebia a intervenção inglesa no tráfico de escravos, como o início da perda da autonomia política e religiosa das elites sudanesas, suscitando inúmeras reações contra os soldados ingleses em algumas províncias.

A união islâmica afetou os interesses ingleses muito mais do que a atividade traficante. Ao contrário do que autores como Prunier apontam, Grandini destacou que o Islam no Sudão conseguiu empreender a maior ação anti-colonialista do século XIX, a Revolução Mahdista, graças à capacidade que teve de unir as províncias do norte e do sul em torno do objetivo comum de expulsar o estrangeiro. No entanto, acredito que, somados ao desejo de impor o fim da dominação estrangeira, existiram outros fatores igualmente importantes, a partir da caracterização da historiografia a respeito da Mahdia.

Os primeiros ensaios históricos e tratados diplomáticos a respeito da Revolução Mahdista datam de 1891, quando o Estado Islâmico ainda existia no Sudão. O que favoreceu o surgimento dessas obras foi a fuga de um prisioneiro europeu da capital do Estado Mahdista, a cidade de Ondurman, Padre Josef Ohrwalder, de origem austríaca, que era membro do Instituto das Missões pela Nigrízia, fundado pelo Vigário Apostólico da África Central, D. Daniele Comboni em 1871.

O relato da fuga do Padre Ohrwalder, produzido a partir do incentivo do general inglês Wingate, que desejava a intervenção militar inglesa no Sudão e a inclusão desta região como protetorado britânico, foi a base da produção de diversos estudos históricos que reforçavam o caráter intransigente da Revolução e que caracterizavam o líder Muhammad Ahmad e os que o apoiavam como selvagens sem lei...


Outras emissões:
1971 – Scott: 232. Yvert: 229. Mapa, Líbia e Sudão (a girafa mora na Líbia...) NT
1990 – Scott: 378/381. Yvert: 374/377 (4). Aniversário da Independência. Mapas. NT
1998 – Scott: 497/499. Mapa. NT

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Última atualização: 15/04/2009.
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