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HISTÓRIA DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO
E HISTÓRIA POSTAL DO PAÍS

Bandeiras congolesas desde sua criação até os dias atuais...

Bandeira do Estado Livre do Congo, utilizada de 1885 a 1960 – A primeira bandeira congolesa foi criada por Stanley... Mandato de 1879, por Leopoldo II, que cria o Estado Independente do Congo, em 1885. A estrela representa a luz da civilização (e não um vislumbre de esperança) para o coração de uma África ainda desconhecida... O sol vai brilhar sob o fundo da noite até 1960... Nota: Bandeira da Associação Internacional Africana, assim como do Estato Livre do Congo (1885-1908) e do Congo Belga (1908-1960).
Bandeira da Independência da República do Congo, utilizada de 1960 a 1963 – Seis pequenas estrelas amarelas representaram as seis províncias administrativas da época. A estrela não brilha mais à noite, mas sobre um céu azul. Esta mudança na cor do fundo ocorre após a intervenção dos capacetes azuis da ONU ao Congo, incluindo Katanga, quando violentos combates ocorreram para atender a secessão da rica província... O país é uma tutela das Nações Unidas e, portanto, o céu azul da bandeira recorda esse fato.
Bandeira da República Democrática do Congo, utilizada de 1963 a 1966 – Cor azul escuro. A estrela foi colocada no alto, à esquerda. Barra transversal vermelha, ladeada com duas bordas amarelas (símbolo das riquesas do país).
Bandeira da República Democrática do Congo, utilizada de 1966 a 1971 – Cor azul escuro de origem. A estrela é menor. A barra transversal vermelha (sangue das vítimas das rebeliões de 61-64) foi levemente inclinada, ladeada com duas bordas amarelas...
Bandeira da República do Zaire, utilizada de 1971 a 1997 – Primeiramente, o país adotou galhardete do partido único, o MPR (criado em 20/05/1967), um pouco antes de chegar à bandeira Zaïrois, que nós não temos conhecimento... O verde simboliza os campos verdejantes do país e a paz “reencontrada”... A mão tem uma tocha acesa que simboliza a vivacidade e o ardor “revolucionário”. O círculo amarelo com a flâmula militante é símbolo da riqueza.
Bandeira da República Democrática do Congo, utilizada de 1997 a 2003 – Ao tomar o poder em 1997, l’AFDL mudou o nome do país retornando à denominação de República Democrática do Congo, adotada na Conferência Constitucional de Luluabourg, de 1964, e a bandeira congolesa da Independência (em um tom próximo ao seu, com azul mais escuro).
Bandeira da República Democrática do Congo, utilizada de 2003 a 2006 – Modelo similar ao da bandeira oficial utilizada entre 1960 a 1963, com azul mais claro...
Bandeira da República Democrática do Congo, utilizada desde 2006 – A nova bandeira foi adotada em 20/02/2006. Uma nova constituição, ratificada em dezembro de 2005 e que entrou em vigor em fevereiro de 2006, promulgou o retorno a um modelo similar ao da bandeira utilizada entre 1963 e 1971, com a mudança do azul para um tom de azul real, que representa a paz. Bandeira com céu azul, adornada com uma estrela amarela no cantão superior esquerdo (que representa um futuro radiante para o país) e corte na diagonal por uma tarja vermelha (que representa o sangue dos mártires do país) com uma moldura amarela fina (que representa a riqueza do país).
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O Congo é ocupado na Antiguidade por bantos da África Oriental e povos do rio Nilo, que ali fundam os reinos de Baluba e do Congo. A área foi visitada pelos portugueses em 1482...

Em 1878, o explorador Stanley funda entrepostos comerciais no rio Congo, sob ordem do rei belga Leopoldo II (da Bélgica)... Abaixo, um selo de 1928, com valor facial de 5 c, o qual é o primeiro selo comemorativo do Congo Belga, ele mostra o retrato de Sir Henry Morton Stanley (Scott: 115, SG: 145).

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Na Conferência de Berlim, em 1884, que divide a África entre as potências europeias, Leopoldo II recebe o território como possessão pessoal...

Selos foram utilizados pelo Estado Independente do Congo (Etat Ind. du Congo) entre 1886 a 1908. O primeiro selo postal (ampliado do lado esquerdo da tela) foi emitido em 01/07/1886, com valor facial de 5 centavos (verde), ele mostra a efígie do Rei Leopoldo II (SG: 1). Desenho e gravura: A. Doms. Tiragem: 90 mil selos cada. Este selo compreende a primeira série de 5 valores que mostra a mesma imagem sobre cores diferentes, nos valores faciais de: 5c (verde), 10c (rosa), 25c (azul), 50c (areia) e 5 francos (lilás), respectivamente. Período de validade da série: de 01/07/1886 até 31/12/1900. Dois deles, os números 4 e 5 foram retirados de circulação anteriormente, em 01/12/1887.

Em 1908, o Estado Livre do Congo deixa de ser propriedade da Coroa e torna-se Colônia da Bélgica, sob o nome de Congo Belga – permanecendo assim por quase 60 anos... Selos foram emitidos pelo Congo Belga entre 1908 a 1960. Acho que o primeiro selo foi emitido em 16/11/1908... (imagem não disponível)... O selo abaixo é um ensaio de 1909 com sobretaxa e sobrecarga...

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Independência

O movimento nacionalista tem início nos anos 50 sob liderança de Patrice Lumumba (1925-1961). Em 30/06/1960, o Congo se torna independente como República Democrática do Congo, com Lumumba Primeiro-ministro e Joseph Kasavubu Presidente. A maioria dos colonos europeus deixa o país... Abaixo (lado esqeurdo da tela), Patrice Lumumba, em Stanleyville (1960), foto by D. Lynn Waldron (www.dlynnwalron.com). Do lado direito da tela, Joseph Kasavubu, em foto de 28/11/1960.

Selos foram emitidos pela República Democrática do Congo entre 1960 a 1971. O primeiro selo da República Democrática do Congo foi emitido na capital Kinshasa, em 1960 (Scott: 323, SG: 360), com valor facial de 10c, ele foi remarcado em um selo do Congo Belga... (imagem não disponível)

Em julho desse mesmo ano, eclode uma rebelião contra Lumumba, liderada por Moíse Tshombe (1919-1969). Tropas de diversos países (inclusive do Brasil) são enviadas pela ONU para restabelecer a ordem, o que ocorre em 1963, com a fuga de Tshombe.

Ainda em 1960, Kasavubu afasta Lumumba do cargo de Primeiro-ministro em um golpe de Estado. Lumumba é sequestrado e assassinado, parece que em janeiro de 1961... Abaixo, cartão presidencial com Moíse Tshombe, Presidente do Estado de Katanga. Selos foram emitidos por KATANGA entre 1960 a 1962...

As tropas da ONU retiram-se em junho de 1964... Dias depois ocorre uma reviravolta: Tshombe regressa ao país e assume a Presidência com apoio da Bélgica e dos EUA. Em novembro de 1965 é derrubado em um golpe liderado por Joseph Désiré Mobutu, mais tarde chamado Mobutu Sese-Seko. A foto tirada em 04/07/1966 mostra Mobutu (o qual ilustra todas as cédulas do país enquanto Zaire, entre 1971 a 1997).

O Coronel L. Monga forma um governo de calamidade pública em Bukavu (26/10/1967), capital da província de Kivu do Sul (região leste do país)...

Selo comemorativo emitido em 1970, com valor facial de 10 S?, ele marca o décimo aniversário da Independência, “10éme Anniversaire de l’Independance 30 Juin 1960-1970”. O selo mostra o mapa do país e Mobutu, provavelmente... Nota: Este selo deve ser um dos últimos a ser emitido antes do país mudar o nome para Zaire...

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Mobutu estabelece uma ditadura personalista. Em 1971, o país passa a se chamar República do Zaire e a capital, Kinshasa (ex-Leopoldville). Selos foram emitidos pela República do Zaire entre 1971 a 1997. O primeiro selo emitido pelo Zaire, também é o primeiro comemorativo. Datado de 1971, com valor facial de 4 kuta, ele comemora os 25 anos da UNICEF (Scott: 750, SG: 788). Do lado direito da tela, selo emitido em 20/05/1972, com valor facial de 14k, comemora o Quinto Aniversário do Movimento Popular da Revolução (M.P.R.) – fundado por Mobutu Sese-Seko.

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Continuando...

Líderes rivais unem-se em 1988 para organizar oposição a Mobutu, mas são presos ou exilados... Pressões internacionais levam Mobutu a adotar o pluripartidarismo, em 1990.

Em outubro de 1991, o líder oposicionista Etienne Tshisekedi é nomeado primeiro-ministro, mas recusa-se a prestar juramento a Mobutu e é substituído.

Os EUA põem em dúvida a legitimidade do governo e a Alemanha corta a ajuda de US$ 100 milhões anuais. Em dezembro, Mobutu cancela as eleições...

Congo ou Zaire?

Em abril de 1992, uma conferência nacional presidida pelo arcebispo Laurent Monsengüo rebatiza o Zaire de Congo. Em troca da desistência de mudar o nome do país, Mobutu reconduz Tshisekedi ao cargo de primeiro-ministro.

Em janeiro de 1993, o Alto Conselho da República, criado pela Conferência Nacional, ordena o desligamento de Mobutu dos negócios de Estado e convoca greve geral. Mobutu ignora a resolução...

No final do mês, o Exército amotina-se quando ele tenta pagar os soldos com notas de 5 milhões de zaires (cerca de US$ 2), já recusadas em dezembro de 1992 por ser destituídas de valor. O motim deixa mais de mil mortos. Mobutu responsabiliza Tshisekedi pela rebelião e nomeia um governo de união nacional.

EUA e União Europeia não o reconhecem e apoiam o governo de transição formado pela aliança oposicionista liderada por Tshisekedi. Agravando a situação ingressam no país 2,5 milhões de refugiados hutus ruandeses. Em 1995, o governo demite 300 mil funcionários públicos.

Em junho de 1995, o período de transição é prolongado por dois anos. Eleições gerais previstas para julho de 1995 não se realizam. Mobutu promete pleito presidencial e legislativo para maio de 1997. Em agosto, o presidente é operado, na Suíça, de câncer na próstata.

Congo e Ruanda acertam a repatriação de 1 milhão de refugiados hutus ruandeses abrigados em 42 campos no leste do país em agosto de 1996.

Rebeldes baniamulenges, tribo tutsi (inimiga dos hutus) que vive no Congo há mais de 200 anos, atacam os refugiados para forçá-los a retornar a Ruanda e a Burundi.

Cerca de 500 mil pessoas são deslocadas. Liderada por Laurent Kabila, a guerrilha tutsi-baniamulenge luta contra Mobutu e o acusa de corrupção, tirania e negligência com os tutsis.

No final de 1996 aumentam os choques entre baniamulenges e o Exército, que enfrenta deserção em massa e fuga. O Canadá propõe a intervenção de uma Força de Paz para inibir a guerrilha.

No início de 1997, a guerra civil alastra-se pelo território, no sentido norte-sul e leste-oeste. Em fevereiro, a Força Aérea bombardeia as cidades de Bukavu, Shabunda e Walikale, sob controle rebelde.

A guerrilha captura Kindu e avança para o maior campo de refugiados hutus. Kabila ocupa o campo de Tinju Tinji, que abriga 160 mil hutus.

Mobutu, sob tratamento médico na França, adia seu retorno ao Congo. Seu governo acata o plano de paz proposto pela ONU, mas a guerrilha já domina grandes áreas e não negocia; em 15 de março ocupa Kisangani, a terceira maior cidade.

Muito doente, Mobutu Sese Seko retorna ao país em 21 de março e propõe um cessar-fogo aos rebeldes, que controlam um terço do território.

Em 29 de março, a guerrilha ocupa Lubumbashi, a segunda maior cidade. Mobutu aceita como primeiro-ministro o oposicionista Etienne Tshisekedi, indicado pelo Parlamento. No mesmo dia os guerrilheiros tomam Mbuji-Mayi.

Começa secretamente na África do Sul, em abril de 1997, um diálogo entre rebeldes e governo. No dia 9, Mobutu destitui e manda prender o primeiro-ministro Tshisekedi. Greves gerais de protesto contra Mobutu paralisam Kinshasa, a capital. A guerrilha avança...

Seu líder Laurent Kabila se encontra, na Cidade do Cabo, com o presidente sul-africano Nelson Mandela, que busca intermediar uma saída pacífica para o conflito.

Em 4 de maio, reunido com Kabila num navio sul-africano atracado no Porto de Pointe-Noire (República do Congo, país vizinho), Mobutu admite renunciar e formar um governo interino até a realização de eleições, às quais não concorreria.

Mas condiciona a renúncia a prévio cessar-fogo da guerrilha. Kabila ordena, então, que suas tropas interrompam o avanço sobre Kinshasa. Mobutu resiste à renúncia e Kabila ameaça destituí-lo a força...

Colapso: Em 11/05/1997, a guerrilha adverte os estrangeiros para que deixem Kinshasa, pois Mobutu estaria planejando matá-los para forçar uma intervenção externa. Soldados da França retiram 5,5 mil estrangeiros, entre eles alguns brasileiros...

No dia 16, Mobutu parte para o Palácio Gbadolite (o “Versalhes” africano) na selva e entrega o governo ao primeiro-ministro Likulia Bolongo, mas ressalva que manterá o título de presidente. Do interior, Mobutu foge para o exílio no Togo, país vizinho, de lá para Marrocos. Morre pouco depois...

Os rebeldes negociam com o Exército a ocupação pacífica da capital para evitar um banho de sangue. No dia 17 entram em Kinshasa sob aplauso da população. Kabila assume o poder e forma um governo de salvação nacional.

O Zaire passa a chamar-se República Democrática do Congo, em 1997. Kabila promete eleições gerais para abril de 1999. Em 26 de junho, o principal líder da oposição ao novo regime, Etienne Tshisekedi, faz um discurso para seus partidários na Universidade de Kinshasa.

Seu pronunciamento é encarado pelas autoridades como um desafio às determinações do governo, que proíbem manifestações políticas. Tshisekedi é preso, mas libertado no dia seguinte...

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Última atualização: 25/11/2010.
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