CIDADE DO CABO

Texto de Sérgio Eduardo Sakall, 31/12/1998

Os livros contam que a Cidade do Cabo, Cape Town (em inglês) ou Kaapstaad (em africâner), foi fundada em 1652 pelo pioneiro holandês Jan van Riebeeck – cuja efígie aparece em muitas cédulas do país...

A região foi povoada por imigrantes holandeses, franceses e alemães no século XVII. Esses colonos brancos chamados de bôeres, se fixaram naquelas terras e desenvolvem língua própria – o africâner.

Depois de tantas lutas e guerras históricas, atualmente, a Cidade do Cabo é uma das cidades mais lindas do mundo, concorrendo em termos de beleza com outras cidades: Rio de Janeiro, São Francisco e Sydney.

O selo postal emitido em 1995 mostra “Waterfront”, na Cidade do Cabo – região Oeste do Cabo.

A zona portuária é um complexo que compreende o porto Table Bay, as baías Victoria e Alfred e o magnífico shopping Victoria & Alfred Waterfront – repleto de lojas e restaurantes, também é coalhado de turistas de todas as nacionalidades.

A história de Waterfront data de 1860, quando o príncipe Alfred, segundo filho da rainha Victoria, colocou a primeira pedra para a construção da barreira nas água do mar de Cape Town.

Lá, no bar Tequila tomei aquele aperitivo... e no restaurante Quay 4, degustei “Seafood Plate” (comida típica de frutos do mar).

Desse lugar registrei, supostamente, um pai levando o seu filho passear (foto acima)...

... porque no cais, eles aguardavam pela embarcação para visitar um dos mais importantes lugares históricos da África do Sul, declarado monumento nacional: a ilha Robben Island (mostrada no selo ao lado).

Antiga prisão para os oponentes do regime Apartheid, a Ilha tornou-se notória por manter o presidente Mandela mais de duas décadas como prisioneiro...

“Nós acharemos juntos o caminho para combinar as várias dimensões da ilha, e nós faremos de uma maneira que reconheçamos as características e o simbolismo da vitória do espírito humano sobre opressão política, e para reconciliação sobre a divisão forçada...” (Palavras do presidente Nelson Mandela, referindo-se a Robben Island.)

Um vale fértil circunda toda Cape Town. A paisagem é dominada pela Table Mountain, marca registrada da cidade. Com 1.086 metros de altitude, possui um teleférico que lembra o nosso Pão de Açúcar. Habitantes indígenas referiam-se à essa área como “Hoerikwaggo”, que quer dizer montanha do mar.

O selo ao lado foi emitido em 05/09/2001 e mostra a Table Mountain ao fundo.

Its breathtaking views stretch from Table Bay and False Bay, to the Hout Bay Valley and Kommetjie. The mountain is sculpted from sandstone and rises 1.086 metres above the bay. Its flat summit measures nearly three kilometres from end to end. The cableway was first opened in 1929. Today, a modern new revolving carriage conveys some 600.000 people to the summit annually.

Centro cultural da África do Sul, pela sua arquitetura, arte, música e vinho; as cores, os barcos antigos na baía de Kalk, a árvore de prata (espécie natural de lá), os velhos quarteirões dos escravos “malay”, os frutos do mar, a praça do mercado e o pôr do sol nos mirantes Victoria e Alfred, tudo isso é inesquecível...

A 80 quilômetros ao sul dessa cidade, também podemos conhecer o famoso Cabo da Boa Esperança ou Cape Point. Para chegar lá é necessário percorrer uma estrada estreita, a Chapman’s Peak Drive, à beira de um desfiladeiro.

Nas encostas, existem mansões e fazendas de criadores de avestruz. Vale visitar alguma fazenda de criação de avestruz; eu visitei a fazenda Cape Point Ostrich Farm. Por lá também são cultivadas protéias ou protea – flor símbolo do país, mostrada no selo com valor facial de 9c (SACC: 320).

O navegador português Bartolomeu Dias foi a primeira pessoa a circundar e nomear o sítio em Cabo das Tormentas, em 1488 – ponto estratégico na rota para a Índia e marco fundamental na história da navegação. Bem mais tarde, no final de 1850, decidiu-se construir um farol no lugar.

Lá, podemos ler as seguintes coordenadas geográficas: 34°21’24” latitude sul e 18°29’51” longitude leste. Qualquer visitante pode pegar o funiculaire (sistema de transporte férreo) para ver a incrível paisagem do topo.

Curiosidade: Como a região sempre está encoberta pela neblina, dificultando assim a visibilidade dos navegantes e, depois de um grave acidente náutico, resolveram construir outro farol bem próximo desse, só que em um ponto mais estratégico...

O Farol Diaz Point fica localizado mais abaixo do Farol do Cabo da Boa Esperança (perto do nível do mar).

Scott: 492

O selo (acima) foi emitido em 1982, em uma série de 4 selos postais (Yvert: 447/480, Scott: 491/494); ele mostra a rota por toda costa da África utilizada pelo navegador português Bartolomeu Dias.

O selo (abaixo) emitido em 1988, também numa série de 4 selos emitidos pela África do Sudoeste (atual República da Namíbia), comemora os 500 Anos da Descoberta do Cabo da Boa Esperança (1488-1988), por Bartolomeu Dias (Yvert: 638/641). Ele mostra o Memorial a Bartolomeu Dias.

It is generally believed that Dias named the place of the storm, “Cabo Tormentosa” (Cape of Storms). The name was later changed to “Cape of Good Hope”. Ten years later Vasco da Gama opened the trade route around Africa to India and the east.

Dias named the fresh water spring at Mossel Bay “Aquada de São Bras” (watering place of St Blaize) by Dias because he located the spring on the St. Blaise' festival day (February 3). A localização do Cabo de São Brás está marcado no mapa com uma cruz.

1991 - Scott: 167.

Outra das atrações é o aquário – Two Oceans Aquarium, na Cidade do Cabo, com mais de 4.000 criaturas, representando centenas de espécies. Fato curioso é pingüim, que se vê muito, pois na região nordeste da cidade, existem várias colônias dessa espécie de pássaro desengonçado típico das regiões geladas. Aliás, que geladas e diferentes das nossas praias são as de lá...

A Reserva Natural da Boa Esperança protege o “bontebok”, espécie de antílope. São 7.750 hectares de flora e fauna naturais, incluindo babuínos, zebras, várias espécies de antílopes e mais de 50 espécies de aves.

Cartão-postal da Cidade do Cabo – África do Sul.


(55k)

Você não pode perder: Em Cape Town, subir de teleférico na Table Mountain e conhecer a ilha Robben Island.

Outros lugares de interesse em Kaap de Goede Hoop – Ikapa – Mother City – Fairest Cape:

As fotos da expo que mostram animais são de várias partes do país: Kruger National Park, aves domésticas do National Zoological Gardens em Pretoria, esquilos do parque em Pretoria (card direito, abaixo), crocodilo de Sun City, avestruzes da fazenda Cape Point Ostrich Farm, pingüins da colônia em Boulders Beach, aquário Two Oceans na Cidade do Cabo e macacos do Cabo da Boa Esperança.

O card acima (lado esquerdo) mostra a “Rock Dassie”, espécie de roedor que coalha a Table Mountain, na Cidade do Cabo, cujo nome é “pela” na língua setsuana, como podemos ver no selo de Botsuana (abaixo)...

volta ao topo

FADADOS À LUTA

Fotos e texto de Sérgio Eduardo Sakall, final de 1998.

Parece que a civilização do continente africano sempre foi a da comoção, pois “agita” qualquer ânimo, produzindo impressão sobre todos os outros povos. Mas, é provável que uma maré de má sorte tenha desabado sobre aqueles povos, nesta virada de século.

Como se não bastassem as conseqüências imperialistas, ainda sofrem com os assombrosos índices da AIDS. Dos 35 milhões de contaminados existentes no mundo, 25 milhões estão na África. O sul é a região mais afetada. Em Zâmbia, Zimbábue, Namíbia e África do Sul, considerável parte da população adulta convive com o vírus HIV, em um percentual três vezes superior ao do segundo colocado, o Caribe.

Embora há imensas riquezas minerais na África, entre elas o ouro e o diamante, isso faz do continente alvo de disputas entre as potências imperialistas que acabam manifestando às inúmeras guerras civis, conflitos étnicos e nacionais. Em países como o Congo, Angola e Serra Leoa, talvez essas guerras sejam financiadas por empresas mineradoras.

Assim, fica claro que as burguesias nativas entram em choques com companhias estrangeiras interessadas sobretudo no comércio de diamantes, como a de Antuérpia, na Bélgica – responsável por 80% do comércio mundial das pedras.

Em dois anos, a guerra civil acarretou aos povos sobreviverem sob condições de extrema miséria, já fez centenas de mortos, além de 1,5 milhões de vítimas da fome, do racismo, de ondas de genocídio e de doenças como malária, cólera, pólio e meningite.

Como outrora em que os britânicos realizaram manifestações de protesto na praça Trafalgar Square, recentemente, o povo que aposta no caminho da liberdade, reuniu-se no mesmo lugar para marcar o Dia da Liberdade sul-africana, aclamando o ex-presidente Nelson Mandela.

É certo que a Grã-Bretanha teve papel importante para dar fim ao apartheid – regime de segregação racial – superado há nada mais que sete anos. No entanto, mesmo após a quebra de suas conquistas históricas, a invasão de Serra Leoa pelas tropas britânicas revelou que o país pretende fincar as garras do imperialismo sobre suas antigas colônias.

Entre todos os países, parece que as lutas dos africanos ponteiam desde sempre na África do Sul, ora por negros outra por brancos. A história desse país sempre foi conturbada. Só inaugurou o primeiro governo democrático após ter passado pela República Bôer, ser colônia britânica e viver o apartheid.

Agora, por exemplo, faz-se necessária uma reforma agrária no país, pois 90% das terras pertencem a 13% da população, ou seja, a propriedade privada capitalista está concentrada nas mãos da minoria branca. Em maio, uma greve geral eclodiu no país, como uma resposta dos trabalhadores à política de privatizações, demissões e aumento dos ritmos de produtividade.

Nesse mesmo mês, a explosão de uma mina matou 12 pessoas na África do Sul. As famosas e profundas minas de ouro de lá, são consideradas uns dos lugares de trabalho mais perigosos do mundo!

VITÓRIA OU DECEPÇÃO?

Antes disso, em abril passado, o povo da África do Sul teve que lutar contra mais uma saga destes novos tempos: os genéricos. As principais companhias farmacêuticas do mundo decidiram retirar o processo judicial que moviam contra o país, em que pretendiam desafiar uma lei que permite a produção ou a importação de versões genéricas de medicamentos patenteados, incluindo um coquetel antiaids.

O povo comemorou a suspensão do processo, foi outra grande vitória para os sul-africanos em sua história. Entretanto, tal decisão colocou lenha no debate entre o direito de patentes e o de acesso, entre multinacionais gigantes e os países em desenvolvimento.

É claro que tudo nessa briga tem um fundo econômico. A própria criação das patentes passa pelos lucros. Com as patentes, o inventor de um produto assegura o monopólio sobre seu uso por 20 anos.

Com essa medida, a África do Sul pode importar medicamentos para o tratamento da AIDS de outros fornecedores que não as grandes indústrias detentoras das patentes dos remédios, ou mesmo pode produzi-los internamente.

A vantagem dos medicamentos fabricados sem patente, os chamados “genéricos”, é o preço. A África do Sul tem hoje a maior população aidética do mundo!

Tudo parecia supor que os sul-africanos importariam medicamentos mais baratos da Tailândia, da Índia e até do Brasil... Depois da festa, eles souberam que o seu país não pretendia usar a nova legislação para comprar o coquetel antiaids, mas sim drogas para combater a tuberculose e a candidíase, antibióticos e fungicidas que combatem as doenças que atingem os pacientes com AIDS.

Como é possível, nestes tempos modernos, um presidente afirmar que a AIDS é uma invenção ocidental para vender remédios caros a países pobres? Segundo Mbeki, o que está matando a população de seu país é uma forma de anemia e não a AIDS. O presidente se recusa a dar AZT às grávidas soropositivas, o que reduziria os riscos de contaminação do bebê, alegando que a droga “é muito tóxica”.

A Índia sequer tem uma lei de patentes e na Tailândia, como no Brasil, há uma lei, só que os remédios eram produzidos antes dela entrar em vigor, em 1997, e por isso não foram enquadrados. Para uma futura produção interna de medicamentos, o país já recebeu apoio da Índia que ofereceu facilidades na obtenção das matérias-primas e, do Brasil, transferências tecnológicas.

O Brasil tem hoje um dos programas de combate à AIDS mais respeitados do mundo e utiliza o tratamento com remédios genéricos. Nós produzimos sete medicamentos antiaids protegidos por patente.

FUTURO: PAZ OU GUERRA?

O que aconteceu na África do Sul em relação aos genéricos prova que o cenário mundial está mudando e isso facilitará as negociações do mundo. Quem sabe mais fabricantes de drogas reduzam o custo final dos medicamentos... Afinal, os governos não têm que atuar em benefício à saúde de sua população?

Será que Bartolomeu Dias imaginou o fardo desse país quando circundou o Cabo das Tormentas?

Seja contra exploração de indústrias farmacêuticas, seja contra potências imperialistas, seja contra industrias mineradoras, seja contra seu presidente ou seja por tarefas democráticas mais elementares, como a expropriação do latifúndio, o direito à educação, saúde, habitação e o fim da segregação racial, é certo que o destino da luta dos sul-africanos continua.

Parece que não basta conhecer a expressão axé, pois é só lembrar que ter dado fim à escravidão não terminou com a discriminação, que pesamos. Os negros de lá, são atacados brutalmente por cachorros e ainda torturados por certos policiais brancos que alegam exercícios de treinamento...

No dia 16 de Junho (data em que se comemora o dia dos jovens naquela terra), em 1976, crianças das escolas marcharam pelas ruas de Soweto protestando contra a lei dos africânderes. Nesse dia, o protesto mexeu com a Nação inteira.

Talvez, não só a África do Sul, tampouco o continente africano, mas o planeta inteiro tendo como perspectiva a paz, como única forma de superar tantos quadros de barbárie vividos pelos povos, seja a saída.

Página Turismo

Entrada principal !
Última atualização: 17/06/2008.
volta ao topo

ÁFRICA DO SUL PÁGINA PRINCIPAL
WESTERN CAPE