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As planícies férteis do litoral atraem na Antiguidade invasores de diversas origens: fenícios, cartagineses, romanos. Na Idade Média, vândalos e bizantinos sucedem-se na região.
Com a expansão do islamismo, passa ao domínio árabe, que se estende do século VII ao XIX...
A França inicia a conquista do país em 1830. No século XIX, a população européia cresce nos vales férteis, onde se destacam as culturas de tabaco, algodão e cereais. A França assegura seu domínio com o militarismo e a assimilação da elite local.
Independência
A luta pela independência começa depois da II Guerra Mundial. A violenta repressão do exército francês ao levante popular de 1945 e reivindicações autonomistas favorecem a organização do principal movimento anticolonial, a Frente de Libertação Nacional (FLN).
Entre 1954 a 1962, a FLN deflagra a guerra civil. A Organização do Exército Secreto, que representa interesses da elite, opõe-se à emancipação e promove atos terroristas contra nacionalistas.
Abaixo (lado esquerdo), um selo emitido em 08/05/1995, em comemoração aos 50 Anos de Aniversário do Levante Popular de 08/05/1945. Com valor facial de 3,00 DA, o selo foi desenhado por S.A. Bentounes e imprimido pela BCA.
Em 01/11/2004, foi emitido o selo (lado direito) sobre os 50 Anos de Aniversário da Revolução de 01/11/1954. Com valor facial de 30 DA, o selo foi desenhado por Sid Ahmed Ben Tounes.
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O selo mostra da esquerda para à direita: Mustapha Ben Boulaid (1917-1956), Larbi Ben M'hidi (1923-1957), Rabah Bitat (1925-2000), Mohamed Boudiaf (1919-1992), Mourad Didouche (1922-1955) e Krim Belkacem (1922-1970).
A origem da revolução se deve a um grupo de 6 ilustres heróis, os quais foram militantes do P.P.A., membros fundadores da C.R.U.A e morreram sob tortura ou assassinados.
Abaixo, a foto (Keystone, Sygma - Almanaque Abril) mostra membros da FLN – Frente de Libertação Nacional, presos pelo exército francês, em 1961. A independência resulta de um violento confronto que se estende de 1954 a 1962.
De um lado estão os muçulmanos nacionalistas, que apóiam a FLN. De outro, o governo e os colonos franceses, que determinam a política e a economia do país. Um milhão de muçulmanos e 20 mil frenceses morrem na guerra.
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Em março de 1962, nos Acordos de Evian, o presidente francês Charles de Gaulle reconhece a independência argelina. Mais de 1 milhão de colonos franceses (chamados de pieds-noirs, pés-pretos) regressam à França. O poder fica com a FLN, que se declara partido único e escolhe Ahmed Ben Bella como presidente.
Abaixo, um selo contemporâneo emitido pela República Francesa em 1997, sobre as vítimas na África do Norte, ocorridas entre 1952 a 1962. O selo mostra o mapa da região e várias cidades de 3 países, inclusive o território da Grã-Bretanha, Gibraltar:
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Ben Bella
Político argelino, alista-se no Exército francês e, a partir de 1947, participa do movimento clandestino pela libertação de seu país. Preso em 1950, foge dois anos depois e sai da Argélia, exilando-se na Líbia e passando a ter importante papel na atuação da FLN no exterior.
Capturado em 1956, só é libertado depois dos acordos de Evian, em 1962, quando o presidente Charles de Gaulle reconhece a independência argelina. Assume então o cargo de primeiro-ministro do governo de transição, sendo eleito no ano seguinte como primeiro presidente do país.
Nacionaliza empresas petrolíferas francesas, distribui terras e propriedades abandonadas pelos ex-colonos e adota política externa pró-soviética, estabelecendo um governo socialista. Governa até 1965, quando é deposto por um golpe militar liderado pelo ministro da Defesa, coronel Houari Boumedienne.
É colocado em prisão domiciliar em 1979 e exila-se na Suíça no ano seguinte. Já em 1978, Chadli Bendjedid assume a Presidência e inicia reaproximação com a França e os EUA.
Fundamentalismo
Em 1989, o regime dá início à abertura política com uma nova Constituição, que admite partidos de oposição. Dentre eles, o mais importante é a Frente Islâmica de Salvação (FIS), fundamentalista, que quer reorganizar o Estado com base na religião muçulmana.
Nas eleições de 1990, a FIS sai vitoriosa. Promove anistia a presos políticos, retorno de exilados, lança campanha contra a influência ocidental e aprova lei que torna o árabe a língua oficial, em detrimento do francês e do berbere (falado pelos nômades do deserto).
Nas eleições de dezembro de 1991, a FIS conquista 188 cadeiras no Parlamento, contra 43 dos demais partidos. A vitória iminente da FIS no segundo turno, que definiria as 199 vagas restantes, determina um golpe de Estado liderado pelo Exército...
Golpe militar
Em 11 de janeiro de 1992, o presidente Chadli Bendjedid renuncia. O poder passa às Forças Armadas, que nomeiam Mohamed Boudiaf para presidência. Veterano da guerra da independência, ele estava exilado desde 1964...
A ilegalidade da FIS e a prisão de militantes desencadeiam uma onda de atentados que chega ao auge em 29 de junho de 1992, com o assassinato do presidente Boudiaf, em Annaba.
Os dois selos (abaixo) foram emitidos em 01/11/1992. Eles mostram o retrato do presidente Mohamed Boudiaf (1919-1992). Valores faciais: 2,00 e 8,60 DA. Desenhista: S.A. Bentounes. Imprimido por Helio Courvoisier.
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Para substituí-lo, é nomeado Ali Kafi, que decreta estado de sítio e condena o líder da FIS, Abbasi Madani, a 12 anos de prisão. Entre 1992 e 1995, a Argélia vive clima de guerra civil, com recrudescimento da violência por parte dos militares. Em janeiro de 1994 o ministro da Defesa, Liamine Zéroual, é nomeado presidente.
Eleição presidencial
Em 16 de novembro de 1995, o próprio Zéroual é eleito presidente com 70,46% dos votos. Sua posse desencadeia novos protestos da FIS e dos candidatos derrotados, que denunciam fraude. Zéroual convida a oposição islâmica a participar do seu gabinete, em janeiro de 1996.
O Grupo Islâmico Armado (GIA) declara guerra à FIS, acusando-a de se render ao processo eleitoral. A violência continua, com atentados contra argelinos e estrangeiros, incluindo o assassinato de sete monges franceses em maio do mesmo ano. No plano econômico, o país investe no setor energético e a estatal Sonatrach faz contratos com firmas estrangeiras para explorar gás natural.
Terror islâmico
Atentados freqüentes continuam a ocorrer em 1997. Em 28 de janeiro, o principal líder sindical argelino, Abdelhak Benhamouda, é assassinado por radicais islâmicos. Nesse mês, cerca de 200 pessoas são mortas em chacinas e atentados com carros-bombas em Argel e no interior.
O governo atribui a onda de violência ao GIA e inicia ofensiva contra os ativistas muçulmanos, matando cerca de 260 pessoas em abril. Os ataques fariam parte da estratégia dos fundamentalistas islâmicos de boicotar as eleições parlamentares de 5 de junho.
Pluralismo
As eleições realizam-se sob grande tensão. A Reunião Nacional Democrática (RND), coalizão que apóia o governo, obtém a maioria no Parlamento. Em 10 de junho, sete partidos são declarados ilegais por violar a lei que proíbe o uso de religião, língua e diferenças regionais como instrumentos para a conquista do poder.
Abaixo, um selo emitido em 05/06/1997, sobre as Eleições Legislativas. Valor facial: 5,00 DA. Desenhista: O.N.P.S. Impresso por BCA.
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As eleições parlamentares de 15/06/1997, quando foi aberta a primeira Assembléia Nacional pluralista do país (com políticos de diversas correntes, inclusive muçulmanos tradicionalistas), foram marcadas por terror e assassinato de centenas de argelinos.
No mesmo dia, buscando a conciliação, o governo dá liberdade condicional ao líder da FIS, Abbasi Madani, preso desde 1992 sob a acusação de atentar contra a segurança do Estado. A repressão ao terrorismo, porém, continua.
Nos últimos anos, a Argélia vive uma escalada de violência que opõe o regime militar ao fundamentalismo islâmico, que quer implantar um Estado muçulmano. A guerra civil já matou mais de 60 mil pessoas...
Em 24 de julho, a imprensa anuncia que tropas argelinas mataram o chefe do GIA, Antar Zouabri – o que não é confirmado pelo governo. Em 23 de setembro, um massacre em Bakari, atribuído ao GIA, deixa entre 85 (cifra do governo) e 200 mortos (segundo testemunhas).
A liderança da FIS, no exílio, condena a matança, pede a intervenção da ONU no país e a renúncia do presidente Zéroual. No pleito de 23 de outubro, marcado pela indiferença do eleitorado, a vitória governista é contestada pela oposição, que alega fraude.
O terrorismo se intensifica em dezembro, às vésperas do Ramadãm mês sagrado para os muçulmanos. Entre 600 e 1.000 pessoas morrem em massacres atribuídos ao GIA. O pior deles, ocorido em Relizane, no dia 31, deixa 412 mortos, segundo a imprensa argelina...
Última atualização: 15/05/2009. |