"UMA AVENTURA NA ÁFRICA"
marcyareis@hotmail.com
Primeiramente, quero contar o que me aconteceu... De tempos em tempos faço uma pesquisa básica no Google Brasil buscando pelo animal que mais amo - girafa - é claro! Para a minha surpresa, no dia 20 de Março de 2004, encontrei o blog de Marcya Reis, com o título: UMA AVENTURA NA ÁFRICA (www.umaaventuranaafrica.blogger.com.br), o qual narra uma história prá lá de interessante... (que reproduzi, abaixo, uma parte). E, naquele mesmo dia, enviei um e-mail à ela que dizia:
Surpresa girafídea!
Quem é esta mulher??? Foi a primeira coisa que passou pela minha mente, já quase perturbada. Melhor dizendo, foi a única pergunta que se manifestou... De qualquer forma, escrevo para agradecer os momentos de prazer que você me proporcionou.
Para a minha surpresa, hoje, te conheci. Como tudo era muito intenso e prolixo, não hesitei, trouxe você para o meu computador. Agora, com mais calma, li, reli, li novamente. Ri, senti, ressenti, ri novamente... Quase chorei de rir com seu priminho que berrava...
Mais ainda com aquele "projeto de homem" que te despertou a vontade de gritar, ops!, de chingar... Pude sentir sua decepção quando aquele "suposto" analista te fez a pergunta fatal sobre o basquete... Adorei o seu "transe" no museu de Botswana... Foi o máximo! Por instantes achei que estivesse por lá. Quase me esqueci que eu estava lendo...
Enfim, deixo o convite para me conhecer também: www.girafamania.com.br,
e findo com uma pergunta saudosa:
- Não existe no mundo bicho mais lindo que a girafa. Você não acha?
Muito, muito obrigado e abraços de, Sérgio Sakall
Resposta: Surpresa girafídea!
22/03/2004 - Olá, Sérgio, Puxa, que surpresa a sua mensagem! Muito obrigada pelos elogios; me deixaram realmente lisonjeada. Bom saber que me encontram em uma pesquisa no Google sobre girafas. Pra mim é de fato o bicho mais lindo que existe, como você, obviamente, concorda.
Em Botswana elas correm soltas em manadas pelos parques... É mais bonito ainda! Bacana seu site e sua coleção. Por acaso foi você que apareceu um dia desses no programa da Ana Maria Braga?
Me lembro de ter visto essa cena, de dezenas de girafinhas de todos os tamanhos e cores na tevê. Um grande abraço e continue acompanhando as aventuras! Marcya.
Daí, escrevi novamente pedindo fotos de sua viagem para que eu colocasse no GIRAFAMANIA... ela me respondeu em 23/03/2004: Oi, Sérgio, Vou ver o que tenho aqui de melhor para te mandar. Na verdade, as fotos do site estão manipuladas também por um simples motivo: são "frames" que eu extraí das imagens que fiz em miniDV e, portanto, a qualidade delas não é das melhores... De qualquer modo, acho que há material que se salve "puro". Breve envio algum pra você avaliar e usar se quiser.
Como prometido, em 08/05/2004, ela me enviou as fotos (abaixo). Foram tiradas no Chobe Park e no Mafiikeng Park, ambos em Botsuana.
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Capítulo I (Domingo, Fevereiro 01, 2004)
O sol brilhava alto nas colinas. A luz latejante estourava as retinas de minha Mãe. Não sei se pela cegueira do clarão, ou pela brutalidade da dor, urrava feito um bicho, como se fosse ela a nascer. Contorcia-se, Mater Dei, a parir uma seminova em convulsão numa galáxia desconhecida.
Meu Pai, ao contrário, enxergava tudo com o torpor dengoso da poesia. Via Láctea. Enchia-se de júbilo ao ver a barriga enorme de sua mulher banhar-se em jorros de leite vital, só de pressentir o parto próximo.
Pois assim foi. Desci aos berros, como um animalzinho, não sem o sofrimento feliz de minha Mãe. Miúda, vermelha e redonda, balançava em desespero as bolotas de braços, pulmões plenos, ávidos de ar.
Meu Pai não atentou a minha ansiedade de recém-nascida. Estava inebriado. Apossou-se dele um sentimento remoto de orgulho pela propagação da espécie, que o transportara para a floresta quente de um mundo pré-histórico habitado por seres rudimentares. Num estalo, depois de deslocar-se por milênios de evolução, pareceu acordar. Ergueu-me enfim, levada dos braços fatigados do médico.
- Minha primeira filha... Como ela é grande... E linda!
Desafogada dos gritos que tomei como meus, minha Mãe tocou seu fruto expurgado
pela primeira vez.
- Antônia... Você vai ser muito feliz.
Tranqüilizada pela exaustão de nascer, finalmente aquietei-me. E, ao sorver o seio pródigo de minha Mãe, desisti da luta e rendi-me de vez aos intentos da selva calorosa que me acolhia.
Capítulo II (Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004)
Essa luz forte que me trouxe à convivência dos homens nunca mais me abandonou. Lembrança ancestral de correrias em manada, sob o sol caudaloso de longínquas savanas africanas, lado a lado com rinocerontes, zebras, gnus.
Meu Pai me seguia de perto. Arrastava os pés, como era de seu estilo. Assoviava, sem muita pressa, volteava para olhar atrás, admirava o céu, contava elefantes.
O zoológico distinguia-se aos poucos, em cores, cheiros e jaulas, enquanto desfazia meus sonhos atávicos de animais livres. Não há algodão-doce nas terras distantes de África. Que pena. Muito me dava prazer puxar umas lascas desfiadas, apertá-las entre os dedos e engolir o caldo pintado derretido na língua. Mostrava a meu Pai a cara lambrecada, a língua rosada, os fiapos que se embaraçavam nos cabelos compridos como uma máscara de guerra. E nada.
Sorria, deleitava-se. Vivia também ele em outro mundo. Deslumbrava-se ao perceber as reviravoltas do vento, a cor avermelhada das nuvens, a grama pisoteada por formigas ínfimas. Assombrava-se da mesma forma, diante de grandes e pequenos.
E agora, estava realmente impressionado. Tanto que parou, retorceu o pescoço, buscou outro ângulo, apertou as pupilas por detrás dos óculos. Do animal, só pude ver as pernas a princípio. Foi tão profunda a impressão, que meu Pai necessitou apontá-la.
- Que bonita a girafa, né, filha?
Virei-me entre distraída e empapada de doce.
- Não existe no mundo bicho mais lindo que a girafa. Você não acha?
Fosse meu Pai um homem menos distraído do que denunciava seu olhar perdido nas manchas encardidas da criatura, a descobrir no couro do animal ideogramas e mapas de terras inexploradas, teria percebido um vinco pronunciado entre minhas sobrancelhas de três anos.
Eu não estava mais distante de meus sentidos; tinha certeza; ela me encarava também. Arregalei os olhos, no que a girafa piscou os seus, sorrindo, banhada em lágrimas que não compreendi. Como que de frente para um espelho, o animal passou a acompanhar-me a cada movimento, num bailado tácito e cúmplice.
Por fim, aproximou o corpanzil da beirada do fosso e sua respiração quente impregnou meus órgãos vitais. O coração acelerado espirrava para o cérebro golfadas de nebulosas lembranças embrionárias. Sangue, escuridão, canções. Vozes reconfortantes como só o ventre de minha Mãe.
Nos afastamos devagar, eu e meu Pai. Mas a convulsão nunca terminou....................
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Marcya, obrigado por tudo!
Mas depois recebi este aviso: 21/03/2005 (13h29) - "Morte súbita"
Oi, pessoal, O blog "Uma Aventura na África" morreu... É apenas uma constatação, já que eu não atualizava o pobrezinho há mais de três meses. De qualquer forma, bem que o Blogger.com poderia ter avisado que tiraria o site do ar.
Resultado: perdi TUDO o que tinha postado lá! Bem, foi eterno enquanto durou. Beijos e obrigadas a todos que acompanharam as aventuras. Quem sabe um dia elas voltem... Marcynha.
Última atualização: 01/04/2006. |